Introdução da seringueira no estado de são paulo e extração do látex

Introdução da seringueira no estado de são paulo e extração do látex

INTRODUÇÃO DA SERINGUEIRA NO ESTADO DE SÃO PAULO E EXTRAÇÃO DO LÁTEX

PALHARINI, Leonardo Augusto Simas.

BARBOSA, Maurício de Castro Regiani.

MARMONTEL, Caio Vinicius Ferreira.

Acadêmicos do curso de Engenharia Florestal da FAEF/ACEG – Garça – SP.

E-mail: floresteiro.leo@hotmail.com

BACKES, Clarice.

Docente do curso de Agronomia e Engenharia Florestal da FAEF/ACEG – Garça – SP.

RESUMO

A introdução da cultura da seringueira no Estado de São Paulo foi feita em 1917, depois de uma tentativa fracassada em 1915. Em meados dos anos 60, os seringais começavam a apresentar condições de serem sangrados para a extração do seu látex. Hoje, o Estado de São Paulo é o maior produtor nacional de borracha natural, apontam as estatísticas. Para extrair o látex, são feitas incisões na casca ou retiram-se camadas bem finas (sangria). A sangria consiste na remoção de um pequeno volume de casca, em um corte inclinado que permite o escoamento da seiva. O objetivo da presente revisão e demonstrar a introdução da Hevea brasiliensis no estado de São Paulo e extração do látex e transformação em borracha bruta.

Palavras-chave: amazônia, borracha, comunidade tradicional, espécie nativa, produto florestal não madeireiro

Tema Central: Engenharia Florestal.

ABSTRACT

The introduction of the rubber crop in the State of São Paulo was made in 1917 after a failed attempt in 1915. In the mid-'60s, began to produce rubber capable of being bled to extract its latex. Today, the State of São Paulo is the largest producer of natural rubber, statistics show. To extract the latex, incisions are made in the bark or withdraw from very thin layers (bleeding). Bleeding is removing a small amount of bark in a slanted cut that allows the flow of sap. The purpose of this review and demonstrate the introduction of Hevea brasiliensis in São Paulo and latex extraction and processing of raw rubber.

Keywords:,rubber native species, non-timber forest products

Central Theme: Engineering Forest.

  1. INTRODUÇÃO

A seringueira (Hevea brasiliensis) da família Euphorbiaceae é uma árvore originária da região amazônica, encontrada em florestas ombrófilas da região amazônica, na margem de rios e lugares inundáveis da mata de terra firme. Existe na floresta amazônica mais 11 espécies de seringueira, todas do gênero Heveae muito parecidos com essa espécie (CUNHA; FERREIRA, 1963).

Trata-se de uma árvore de grande porte, lactescente de 20-40 m de altura, com tronco de 30-60 cm de diâmetro. Folhas compostas trifolioladas, com folíolos membranáceos e glabros, florescem a partir de agosto, prolongando-se até início de novembro, a maturação dos frutos ocorre no período de abril a maio, apresenta fuste retilíneo, cilíndrico sem sapopemas, com casca pouco rugosa, o alburno da árvore produz um líquido leitoso denominado látex (MATTOS, 1925). Esta espécie é a que produz mais látex, portanto considerada a mais produtiva, se apresentando em maior densidade nas formações florestais (MENDES, 1959).

A produção de borracha brasileira é baseada na exploração extrativa, a qual supriu as necessidades da indústria nacional até o ano de 1950, a partir de 1951 tornou-se indispensável efetuar importações crescentes de goma elástica, a fim de abastecer as necessidades mínimas da indústria nacional de artefatos de borracha, que tem cerca de 90% de suas instalações no estado de São Paulo. Dessa forma, foram efetuadas plantações experimentais de seringueiras, a fim de se conhecer as possibilidades de produzir borracha em São Paulo (CUNHA; FERREIRA, 1957).

O látex é líquido de aspecto leitoso, existente nas plantas ditas laticíferas e é colhido em incisões feitas no tronco, pelas quais escorre. Trata-se de um produto natural, de acidez neutra, com grande elasticidade, inodoro e sem resíduo, podendo ser esterilizado em qualquer sistema (ACRILON, s.d.). Do ponto de vista estrutural, o látex é uma suspensão que contém partículas de hidrocarbonetos do grupo dos terpenos numa matriz aquosa. Muitas outras substâncias são encontradas no látex, como açúcares, alcalóides, protídeos, ceras, amido, cristais, taninos e resinas (MATTOS, 1925 e MENDES, 1959).

O objetivo da presente revisão e demonstrar os processos para a extração e transformação em borracha bruta, e a introdução da Hevea brasiliensis no estado de São Paulo.

  1. DESENVOLVIMENTO

    1. Seringueira no estado de São Paulo

O início da cultura de seringueira no Estado de São Paulo foi feita em 1917, depois de uma tentativa fracassada em 1915, no município de Gavião Peixoto, (Araraquara), esta introdução, cujos belos e majestosos exemplares podem ainda ser observados na Fazenda Santa Sofia, com inúmeros descendentes, que deram origem à formação de algumas plantações no Estado e a grande maioria dos “cavalos” sobre os quais foram enxertados os clones distribuídos pelo SECS - Serviço de Expansão da Cultura da Seringueira (MATTOS, 1925 e MARTINEZ, 2006).

Em 1941/42, quando não se podia prever o desequilíbrio entre a produção e o consumo de borracha, deu início aos trabalhos de pesquisas com seringueira no Estado, efetuando o plantio de pequenos lotes de progênies nas Estações Experimentais de Campinas, Pindorama e Ribeirão Preto (MARTINEZ, 2006).

A partir de 1951, algumas indústrias de artefatos de borracha começam a importar o produto, tendo em vista as perspectivas futuras de novas importações de borracha, houveram por bem se unirem no sentido de colaborar com a pesquisa no estudo do aumento da produção no Estado, a preço baixo e mais próximo do Centro de Pesquisa, e em princípios de 1956, a Secretaria da Agricultura, apresenta um relatório final, no qual é traçado um programa de heveicultura em São Paulo, estabelecendo assim o desempenho de cada membro no campo da pesquisa e do fomento (CUNHA; FERREIRA, 1957 e MENDES, 1959).

Em 1959, o SECS pôde contar com a introdução de clones orientais do Sudeste Asiático, enviados pelo Projeto ETA-50 ao Instituto Agronômico de Campinas, para a formação dos “jardins de clones” e enxertia dos “cavalos” dos viveiros de mudas. Neste mesmo ano foi extinto o SECS e todo trabalho ficou a cargo da Seção de Seringueira e Plantas Tropicais, atual Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Durante os trabalhos desenvolvidos com a expansão da seringueira em São Paulo, os principais problemas encontrados foram o baixo pegamento das mudas distribuídas em 1959 no planalto e o surto imprevisto da doença “Mal Sul-americano das Folhas”, causada pelo fungo Mycrocyclus ulei (Dotidella ulei) no inicio de 1960, em viveiros e plantações novas enxertadas com material suscetível do litoral (CUNHA; FERREIRA, 1963 e MARTINEZ, 2006).

Em meados dos anos 60, quando os seringais apresentavam um número razoável de árvores em condições de serem sangradas para a extração do látex, deu-se início a um programa de treinamento das primeiras equipes de sangradores. Geralmente, tratava-se de pequenos plantadores, que não tinham condições de encontrar no mercado materiais necessários para a sangria, coleta e beneficiamento, a não ser sob encomenda, a um preço muito elevado (MARTINEZ, 2006 e ACRILON, 2010).

Em 1967, foi introduzido um programa de instalação de 10 Centros-Piloto de Sangria e Preparo do Látex. Desde então, com a instalação dos Centros-piloto nos seringais das Fazendas Himalaia no município de Bálsamo e Santa Helena, em Colina, considerados, na ocasião, de grande porte, pela primeira vez, foi possível se fazer um controle diário do rendimento de látex e de borracha seca produzidos por árvore, da mão-de-obra utilizada e da evolução das sangrias durante o ano agrícola. As primeiras borrachas produzidas, na forma de laminas seca ao ar e cernambi foram prontamente absorvidas na própria região por indústrias do gênero, nos municípios de Jaboticabal e de Ribeirão Preto. Logo a seguir, com a entrada da Xetal, no mercado, uma indústria de pequeno porte, especializada na fabricação de artigos cirúrgicos e balões, de São Roque, a venda de borracha passou a ser feita na forma de látex puro conservado com amônia (MARTINEZ, 2006).

De acordo com Martinez (2006) em novembro de 1972, ocorreu em Cuiabá, MT o 1º Seminário Nacional da Seringueira. Para surpresa dos produtores paulistas, pela primeira vez, puderam discutir o assunto seringueira com os colegas representantes dos Estados tradicionais produtores de borracha do Acre e da Amazônia, do Mato Grosso e da Bahia, sem medo, sem preconceito, e foi nesse ambiente que os produtores paulistas puderam ter uma visão mais realista das precariedades da nossa agroindústria extrativa da borracha, e ver reforçada a nossa convicção de que, graças ao potencial agrícola do nosso Estado e da capacidade empresarial do nosso agricultor, São Paulo, um dia, daria a sua resposta.

No ano de 2006 foi constatado o Estado de São Paulo o maior produtor nacional de borracha natural, apontam as estatísticas (MARTINEZ, 2006). O autor também aponta que de acordo com os dados publicados pelo IAC, em 2004, para uma produção de borracha do gênero Hevea – Hevea brasiliensis, a nossa popular seringueira, de cerca de 105.000 toneladas, São Paulo contribuiu com 51.450 toneladas, ou seja, 49%, seguido dos Estados de Mato Grosso, com 22.500 t, 22%, Bahia, com 9.500 t, 10%, Espírito Santo, com 6.000 t, 7%, e os demais com 12.000 t, 11%.

O Estado de São Paulo pode contar com uma área plantada de cerca de 90.000 hectares, com mais de 14 milhões de pés em produção e mais de 4,5 milhões de pés novos, distribuídos entre 2,5 mil pequenos, médios e grandes produtores, que empregam cerca de 15 mil trabalhadores. De acordo com a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR), até 2020, é previsto um plano ambicioso de ampliação da área plantada no Estado para 250 mil hectares – inteiramente custeado pela iniciativa privada, visando reduzir o nosso déficit entre a produção e o consumo de 289.000 toneladas pelas nossas indústrias manufatureiras de borracha (MARTINEZ, 2006 e ACRILON, 2010).

    1. Extração do látex e transformação em borracha bruta

Para extrair o látex, são feitas incisões na casca (sangria), a sangria consiste na remoção de um pequeno volume de casca, em um corte inclinado que permite o escoamento da seiva, líquido denso e viscoso, colhido em pequenas canecas afixadas na extremidade inferior do corte, que endurece lentamente em contato com o ar. Após três ou quatro horas da sangria, o látex é retirado das canecas e acondicionado, onde pode-se adicionar amônia, numa proporção de 0,05% como estabilizador, evitando a coagulação precoce (ACRILON, 2010).

  Depois da coleta do látex, as árvores continuam a exudar látex em quantidades menores, por várias horas, esse látex acaba por coagular-se espontaneamente sobre o corte na casca e na próxima sangria essa película será retirada e em seguida será feita uma nova incisão. As películas retiradas das diversas árvores podem ser misturadas com as borrachas em processamento. A quantidade de borracha obtida nesse processo constitui entre 15 a 20% do total da produção (ACRILON, 2010).

  O látex contém em suspensão um hidrocarboneto de elevado peso molecular. Por aquecimento e adição de ácido acético coagula formando uma massa gomosa que, depois de separada da água e outros produtos, denomina-se “borracha bruta”. A borracha assim obtida é deformável como gesso e deverá ser processada para adquirir os requisitos necessários para ser utilizada em suas inúmeras aplicações. Ela é introduzida em máquinas especiais que funcionam mais ou menos como moedoras de carne, chamadas mastigadoras: servem para misturá-la e empastá-la, libertando-a do líquido e das impurezas (CUNHA; FERREIRA, 1963).

  Na indústria moderna, uma fase importante é a da mistura, isto é, à borracha são ajuntadas substâncias especiais, capazes de torná-la dura e elástica, para tal fim, emprega-se enxofre ou seus compostos; juntam-se, ainda, corantes e outras substâncias químicas, capazes de orientar a reação. A borracha, agora, está pronta para ser utilizada dos modos mais variados. É-lhe dada a forma definitiva, antes de submetê-la à vulcanização, cujo processo final a tornará realmente tal qual nós a conhecemos (MARTINEZ, 2006 e ACRILON, 2010).

  A qualidade das borrachas naturais brasileiras é determinada, em primeira instância, através da inspeção visual, observando sua limpeza, cor, homogeneidade e defeitos. Depois, através de ensaios de laboratório específicos e normalizados são classificadas e comercializadas, com características padronizadas, exigidas pela norma ABNT-EB-1866 de 1988 (MARTINEZ, 2006).

A composição química aproximada da borracha bruta é a seguinte: Hidrocarbonetos de borracha 93,7%, Proteínas 2,2%, Carboidratos 0,4%, Lipídios naturais 2,4%, Glicolipídios e Fosfolipídios 1,0%, Materiais inorgânicos 0,2% e outros 0,1% (MENDES, 1959 e CUNHA; FERREIRA, 1963).

3. CONCLUSÕES

A expansão da cultura da seringueira em São Paulo foi retardada em, no mínimo, dez anos, devido à falta de uma política séria para o setor e falta de mão de obra especializada, e como se pode ver, mesmo assim conseguiu chegar hoje a um nível de produção de látex, que o coloca como o maior produtor do Brasil chegando a 50% de toda a produção nacional.

4. REFERÊNCIAS

ACRILON – Passado Histórico e Extração do Látex, 2010. Disponível em: <http://www.acrilon.com.br/latex-historia.htm> Acesso em: 18 Out. 2010.

CUNHA, J.; FERREIRA D. A. A seringueira (Hevea brasiliensis Muell-Arg.) na região de Campinas, sua adaptação e produtividade. Campinas, Instituto Agronômico, 1963. 16p. (Boletim no 35).

CUNHA, J.; FERREIRA D. A. Plantações experimentais de seringueiras em São Paulo. Campinas, Instituto Agronômico, 1957. 8p. (Boletim no 90).

MARTINEZ, A. A. Borracha: São Paulo é o maior produtor nacional, 2006. Artigo em Hipertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/artigos/borracha/index.htm>. Acesso em: 18 Out. 2010.

MATTOS, J. N. B. Normais climatológicas das estações de 1ª e 2ª classe. In: O clima de São Paulo, Serviço Metereológico, 1925. Série II, no 38p. 34-35.

MENDES, L. O. T. Observações sobre a produtividade de seringueiras (Hevea brasiliensis Muell-Arg.) plantadas de sementes. Bragantia 18:[417]-440. 1959.

Comentários