Prevenindo e vivendo com hiv/aids

Prevenindo e vivendo com hiv/aids

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Instituto PROMUNDO é uma organização nãogovernamental com escritórios no Rio de Janeiro e Brasília que procura aplicar conceitos das áreas de desenvolvimento humano, marketing social e direitos da criança através de pesquisa, apoio técnico, capacitação e disseminação de resultados de estratégias efetivas e integrais que contribuam para a melhoria das condições de vida de crianças, jovens e suas famílias. PROMUNDO executa estudos de avaliação; oferece treinamento para organizações trabalhando nas áreas relacionadas ao bem-estar de crianças, jovens e famílias; e trabalha com organizações parceiras que desenvolvam serviços e intervenções inovadoras para crianças, jovens e famílias. PROMUNDO é uma organização não-governamental brasileira afiliada ao John Snow Research and Training

Coordenação do Projeto / Co-autoria

Institute e a John Snow do Brasil. Suas áreas específicas de atuação incluem: prevenção de violência, fortalecimento de sistemas comunitários de apoio para crianças e adolescentes; gênero, saúde e adolescência; e crianças e famílias afetadas pela AIDS.

Apoio

Elaboração e redação Gary Barker e Marcos Nascimento

Contatos: Gary Barker e Marcos Nascimento Rua México, 31 / sala 1502, Centro Rio de Janeiro, RJ, 20031- 060, Brasil Tel: (21) 2544-3114 / 2544-3115 Fax: (21) 2544-3114 E-mail: promundo@promundo.org.br Website: w.promundo.org.br

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prestou assessoria técnica e revisou este material. Esta não é uma publicação oficial de OMS ou de OPAS. As opiniões e visões expressas aqui são de responsábilidade dos autores. Os direitos deste material são reservados aos autores, podendo ser reproduzido desde que se cite a fonte. 2002 ©- Instituto PROMUNDO e colaboradores

IPPF/WHR – International Planned Parenthood Federation / Western Hemisphere Region

Contato: Humberto Arango 120 Wall Street, 9th Floor New York, NY 10005 Tel: (212) 248-6400 Fax: (212) 248-4221 E-mail: info@ippfwhr.org Website: w.ippfwhr.org

OPAS – Organização Panamericana de Saúde

Contato: Matilde Maddaleno 525 Twenty-third Street, NW, Washinton, DC, 20037, USA Tel: (202) 974-3086 Fax: (202) 974-3694 Website: w.paho.org

OMS – Organização Mundial de Saúde

Contato: Paul Bloem 20 Avenue Appia, CH-1211, Geneva 27 Switzerland Tel: (41 2) 791-2632 Fax: (41 2) 791-4853 Website: w.who.int/child-adolescent-health

O Programa PAPAI é uma instituição civil sem fins lucrativos que desenvolve pesquisas e ações educativas no campo das relações de gênero, saúde, educação e ação social, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco. Promovemos atividades de intervenção social junto a homens, jovens e adultos, em Recife, nordeste brasileiro, bem como estudos e pesquisas sobre masculinidades, a partir do enfoque de gênero, em nível nacional e internacional. Nossa equipe é composta por homens e mulheres: profissionais (graduados e pós-graduados) e estudantes da área de Ciências Humanas e Sociais, além de inúmeros colaboradores e colaboradoras, diretos e indiretos.

Salud y Género é uma associação civil, formada por mulheres e homens de distintas profissões e experiências de trabalho que se mesclam para desenvolver propostas educativas e de participação social inovadoras no campo da saúde e gênero. Contamos com dois escritórios: um em Xalapa, Veracruz, e outro em Querétaro, Querétaro, México. Salud y Género se desenvolve em um campo complexo e transformador, utilizamos a perspectiva de gênero como instrumento de nosso trabalho, pois nos permite ver possibilidades de transformação nas relações entre homens e mulheres. Através de nossas ações, pretendemos contribuir a uma melhor saúde e qualidade de vida de mulheres e homens nas áreas da saúde mental, sexual e reprodutiva, considerando que a eqüidade e a democracia são uma meta e responsabilidade compartilhada. Desenvolvemos oficinas educativas na República Mexicana e Latino Americana, oferecemos um Curso em Gênero e Saúde, desenhamos e elaboramos materiais educativos e promovemos a incorporação do enfoque de gênero nas políticas públicas nas áreas de saúde, educação e população.

Principais temas de trabalho: paternidade na adolescência, prevenção de DST e AIDS, comunicação e saúde, violência de gênero, redução de danos e drogas.

Elaboração e redação Jorge Lyra, Benedito Medrado, Karla Galvão, Maristela Moraes, Dolores Galindo,

Cláudio Pedrosa

Contatos: Jorge Lyra / Benedito Medrado Rua Mardonio Nascimento, 119 - Várzea Recife, PE, 50741-380, Brasil Tel/Fax: (5 81) 3271-4804 E-mail: papai@npd.ufpe.br Website: w.ufpe.br/papai

Co-autoria

ECOS-Comunicação em Sexualidade é uma organização não-governamental que, desde 1989, vem incentivando trabalhos nas áreas de advocacy, pesquisa, educação pública e produção de materiais educativos em sexualidade e saúde reprodutiva. A experiência acumulada tem apontado para a necessidade de construção de um olhar de gênero que considere a perspectiva masculina sobre sexualidade e saúde reprodutiva. Isto significou incluir em nossas práticas educativas e de comunicação, de maneira inovadora, a ótica de jovens e adultos do sexo masculino.

Equipe Responsável José Roberto Simonetti,Osmar Leite, Silvani Arruda, Sylvia Cavasin e Vera Simonetti

Elaboração e redação Silvani Arruda e Sandra Unbehaum

Contato: Sylvia Cavasin Rua Araujo, 124 - 2º andar - Vila Buarque São Paulo, SP, 01220-020, Brasil Tel: (5 1) 325-1238 E-mail: ecos@uol.com.br Website: w.ecos.org.br

Elaboração e redação Benno de Keijzer, Gerardo Ayala, Olivia Aguilar Dorantes, Emma Reys Rosas, Jorge-Sanchéz Mejorada e Sergio Mayoral Barranca

Contatos: Benno de Keijzer/Gerardo Ayala Em Xalapa: Carlos Miguel Palacios # 59 Col. Venustiano Carranza Xalapa, Veracruz, México. CP 91070 Tel/fax (52 8) 18 93 24 E-mail: salygen@infosel.net.mx

Em Querétaro: Escobedo # 16-5 Centro, Querétaro, Querétaro, México. CP 76000 Tel/fax (52 4) 2 14 08 84 E-mail: salgen@att.net.mx

Colaboradores na Prova de Campo: Programa PAPAI (Brasil) e YouthNow (Jamaica) colaboraram na validação deste caderno.3

AGRADECIMENTOS INTRODUÇÃO: Como foi elaborado e como usar este caderno.

MÓDULO 1: O QUÊ E O PORQUÊ. Uma introdução ao tema da prevenção do HIV/AIDS e da assistência aos homens jovens

Como trabalhar prevenção e assistência em HIV/AIDS com homens jovens? Homens jovens, sexualidade e relações íntimas O que sabemos, então, sobre as primeiras experiências sexuais dos homens jovens? A importância de ouvir vozes alternativas Homens jovens e o uso de preservativos Só informação não basta Homens jovens e DST Relações sexuais entre homens Vulnerabilidade masculina Homens jovens e o uso de drogas Homens jovens violência e HIV/AIDS Homens jovens, testagem voluntária, aconselhamento e uso de serviços de saúde Os homens e o cuidado Homens jovens vivendo com HIV/AIDS

MÓDULO 2: COMO. O que o educador pode fazer.

Técnica 2: Estou vulnerável quando
Técnica 8: Queronão quero... quero... não quero...

Técnica 1: Estudo de caso:A história de Rodrigo Técnica 3: Eu e meu corpo Técnica 4: O prazer de viver Técnica 5: Assinaturas Técnica 6: Festa da diferença Técnica 7: Testagem e aconselhamento Técnica 9: O que sabemos sobre as drogas Técnica 10: Do dito, ao feito Técnica 1: Onde podemos encontrar preservativos?1 Técnica 12: Poder e violência nas relações sexuais: a história de Samuca Técnica 13: Sou soropositivo: e agora? Técnica 14: Vida Positiva - cidadania de pessoas vivendo com HIV+

MÓDULO 3: ONDE. Onde procurar mais informação Recursos ANEXO: Prova de Campo

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A elaboração deste caderno foi coordenada por Gary Barker e Marcos Nascimento e foi elaborado pelas equipes do Instituto PROMUNDO, ECOS, Programa PAPAI e Salud y Género. Contudo, queremos enfatizar que a sua elaboração foi um processo coletivo envolvendo colegas e amigos de diversas instituições:

Matilde Maddaleno, Organização Panamericana de Saúde Paul Bloem, Bruce Dick, Organização Mundial de Saúde Judith Helzner e Humberto Arango, IPPF/WHR Reginaldo Bianco, Gilson Nakazato e Samuel Paiva, 3Laranjas Comunicação Julie Pulerwitz, Horizons Sam Clark, PATH Janet Brown, University of the West Indies Cate Lane e Hylton Grace, YouthNow Dario Cordova, Bebhinn Ni Dhonaill, Patricia Abecassis, Soraya Oliveira, Odilon Rodrigues e Jonatas Magalhães, Instituto PROMUNDO Miguel Fontes, Márcio Segundo, Fábio Barata e Cecília Studart, John Snow do Brasil

Apoio financeiro e material para este caderno

Organização Panamericana de Saúde Organização Mundial de Saúde

Apoio financeiro e material para o Projeto H

International Planned Parenthood Federation/Western Hemisphere Region (IPPF/WHR) Summit Foundation Moriah Fund Gates Foundation US Agency for International Development

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Como foi elaborado e como usar este caderno

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Por muito tempo, assumiu-se queos homens adolescentes iam bem e que tinham menos necessidades do que as meninas em termos de saúde. Outras vezes, pensava-se que trabalhar com rapazes era difícil, por eles serem agressivos e não se preocuparem com a saúde. Freqüentemente, eram vistos como violentos - violentos contra outros rapazes, contra si mesmos e contra as meninas. Pesquisas recentes e novas perspectivas chamam a atenção para um entendimento mais apurado de como os rapazes são socializados, do que eles precisam em termos de um desenvolvimento saudável, e o que os educadores de saúde e outros profissionais podem fazer para atendê-los de forma mais apropriada.

Passados 20 anos, inúmeras iniciativas procuraram um maior "empowerment" das mulheres e diminuir a hierarquia entre os gêneros. Muitas formas de "advocacy" mostraram a importância de engajar os homens, adultos e jovens, no bem-estar das mulheres, tanto adultas como jovens. A Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD, 1994) e a IV Conferência Mundial sobre Mulheres em Beijing (1995) enfatizaram a importância de se incluírem os homens nos esforços de melhorar o status de mulheres e meninas. O

1- Por que focar atenção nos rapazes?

Programa de Ação da CIPD, por exemplo, procura "promover a equidade de gênero em todas as esferas da vida, incluindo família e comunidade, levando os homens a assumir sua parcela de responsabilidade por seu comportamento nas esferas sexual e reprodutiva bem como por seus papéis sociais e familiares".

Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu prestar uma maior atenção nas necessidades dos homens adolescentes, reconhecendo que muitas vezes não houve um olhar mais cuidadoso por parte dos programas sobre as questões de saúde dos rapazes. A UNAIDS dedicou a campanha de AIDS 2000-2001 aos homens, incluindo os homens jovens, e reconhecendo que o comportamento deles constitui um fator que os coloca em situações de risco, bem como às suas parceiras e parceiros. É necessário engajá-los de forma positiva tanto na prevenção do HIV/AIDS quanto no suporte para aqueles que vivem com AIDS.

Nos últimos anos, houve um aumento considerável no reconhecimento dos custos de alguns aspectos tradicionais da masculinidade tanto para homens adultos quanto para os rapazes - o pouco envolvimento com o cuidado com as crianças; maiores taxas de morte por acidentes de tráfego, suicídio e violência do que as meninas, assim como o consumo de álcool e drogas. Os rapazes têm inúmeras necessidades no campo da saúde o que requer usar esta perspectiva de gênero.

O que significa aplicar a "perspectiva de gênero" para trabalhar com homens adolescentes e jovens?

Gênero se refere às formas como somos socializados, como nos comportamos e agi-9

1 Courtenay, W. H. Better to die than cry? A longitudinal and constructionist study of masculinity and the health risk behavior of young American men [Doctoral dissertation]. University of California at Berkeley, Dissertation Abstracts International, 1998.

mos, tornando-nos homens e mulheres; refere-se também à forma como estes papéis e modelos, usualmente estereotipados, são internalizados, pensados e reforçados. A origem de muitos dos comportamentos dos homens e rapazes – negociação ou não do uso de preservativo, cuidado ou não das crianças quando são pais, utilização ou não da violência contra sua parceira – muitas vezes é encontrada na forma como os meninos foram socializados. Por vezes, assume-se que determinados comportamentos são da "natureza do homem", ou que "homem é assim mesmo". Contudo, a violência praticada por rapazes, o uso abusivo de drogas, o suicídio e o comportamento desrespeitoso em relação à sua parceira, estão relacionados à forma como as famílias, e de um modo mais amplo, a sociedade, educam meninos e meninas. Mudar a forma como educamos e percebemos os rapazes não é tarefa fácil, mas é necessária para a mudança de aspectos negativos de algumas formas de masculinidade.

Muitas culturas promovem a idéia de que ser um "homem de verdade" significa ser provedor e protetor. Incentivam os meninos a serem agressivos e competitivos – o que é útil na formação de provedores e protetores – o que leva, por vezes, as meninas a aceitarem a dominação masculina. Por outro lado, os meninos geralmente são criados para aderir a rígidos códigos de honra, que os obrigam a competir e a usar violência entre si para provarem que são "homens de verdade". Meninos que mostram interesse em cuidar de crianças, que executam tarefas domésticas, que têm amizades com meninas, que demonstram suas emoções e que ainda não tiveram relações sexuais, em regra, são ridicularizados por suas famílias e companheiros como sendo "viadinhos".

Na maior parte dos contextos, os meninos são criados para serem auto-suficientes, não se preocuparem com sua saúde e não procurarem ajuda quando enfrentam situações de stress. Ter com quem falar e procurar algum tipo de suporte é um fator de proteção contra uso de drogas e envolvimento com violência – o que explica em parte por que os meninos são mais propensos a se envolverem em episódios de violência e a consumir drogas que as meninas. Pesquisas confirmam que a forma como os homens são socializados trazem conseqüências diretas para sua saúde. Um levantamento nacional, com homens adolescentes entre 15 e 19 anos, realizado nos EUA, concluiu que jovens que tinham padrões sexistas e tradicionais de masculinidade eram mais propensos ao uso de drogas, ao envolvimento com violência e delinqüência e a comportamentos sexuais de risco do que outros homens jovens que possuíam visões mais flexíveis sobre o que um "homem de verdade" pode realmente fazer1.

Com estas considerações, aplicar a perspectiva de gênero ao trabalhar com homens jovens implica:

(a) ESPECIFICIDADE DE GÊNERO: Olhar para as necessidades específicas que os jovens possuem em termos de saúde e desenvolvimento por conta de seu processo de socialização. Isto significa, por exemplo, engajar os rapazes em discussões sobre uso de drogas ou comportamentos de risco, ajudá-los a entender por que se sentem pressionados a se comportarem desta ou daquela forma.

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