degradação de pastagem

degradação de pastagem

(Parte 1 de 3)

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA

DISCIPLINA: SEMINÁRIO 1

DEGRADAÇÃO, RECUPERAÇÃO E RENOVAÇÃO DE PASTAGENS

ALUNA: LUIZA ELVIRA VIEIRA OLIVEIRA

ORIENTADOR: ENÉAS REIS LEITE

SOBRAL-CE, 2010

Luiza Elvira Vieira Oliveira

DEGRADAÇÃO, RECUPERAÇÃO E RENOVAÇÃO DE PASTAGENS

Seminário apresentado junto à disciplina Seminário I

do Programa de Pós-graduação em Zootecnia

da Universidade Estadual

Vale do Acaraú/Embrapa Caprinos e Ovinos

Nível: Mestrado

Área de Concentração:

Produção Animal

Linha de Pesquisa:

Forragicultura e Pastagens

Orientador:

Dr. Enéas Reis Leite - UVA

Banca Examinadora:

Dra. Aline Vieira Landim - UVA

Dr. João Ambrósio de Araújo Filho - UVA

Sobral-CE

2010

SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO PÁG. 03

2 – DEGRADAÇÃO DE PASTAGENS PÁG. 04

2.1 – DEFINIÇÕES PÁG. 04

2.2 - PROCESSOS DE DEGRADAÇÃO DAS PASTAGENS PÁG. 05

2.3 - CAUSAS DA DEGRADAÇÃO DAS PASTAGENS

3 - ESTÁDIOS DE DEGRADAÇÃO PÁG. 12

4 - RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS PÁG. 12

5 – RENOVAÇÃO DE PASTAGENS PÁG. 13

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS PÁG. 15

6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PÁG. 15

1. INTRODUÇÃO:

Historicamente as pastagens sempre foram e ainda são, em sua maioria, exploradas em sistemas com baixa utilização de insumos e submetidas a um manejo deficiente. Associado a estes fatores, a destinação de muitas áreas com limitações edafoclimáticas para o plantio de pastagens, faz destas, importantes componentes passíveis de degradação ambiental. Talvez por estes antecedentes históricos, existe uma crença quase generalizada entre os pecuaristas de que as pastagens podem ser exploradas sem adubação de manutenção e principalmente ocupando áreas marginais e/ou regiões com infra-estrutura deficiente (ZIMMER e EUCLIDES FILHO, 1997).

O aumento da área cultivada com pastagens, nos últimos 35 anos, resultou, principalmente, da necessidade de aumentar a produtividade da pecuária brasileira, em função do aumento da demanda crescente por produtos de origem animal. Para atender este aumento crescente foi importante a obtenção de novos cultivares de Brachiaria, Andropogon e Panicum, bem como o desenvolvimento de novas técnicas de produção de sementes e de plantio de pastagens. Tudo isto, tem favorecido à substituição de áreas de floresta e cerrado por pastagens. O nível de produtividade de animais mantidos a pasto varia conforme o tipo de pastagem e a sua qualidade pode variar em função da fertilidade do solo, dos fatores climáticos e do manejo. Portanto, a produção depende da disponibilidade de forragem de boa qualidade. Constantemente o produtor tenta solucionar este problema de manejo, introduzindo uma "forrageira milagrosa" que apresente alto potencial de produção, resistência ao pisoteio, pouca exigência e que produza o ano inteiro, entre outras mais. A mudança de uma forrageira por outra, na propriedade, sem que se verifiquem mudanças no manejo das pastagens e dos animais, na adubação, nas práticas de conservação, etc., podem não resultarem em ganhos na produtividade animal, mas sim no provável desaparecimento da melhor das forrageiras.

Tendo em vista que as plantas forrageiras são submetidas, constantemente, ao estresse da colheita, seja pelo pastejo ou pelo corte, observará a habilidade dessas plantas para se recuperarem, levando em conta as características de ambiente (solo, clima) e de manejo em que elas se desenvolvem, e algumas hipóteses que possam explicar o processo de degradação que vem sendo observado (NASCIMENTO JÚNIOR et al.,1994).

2 – A DEGRADAÇÃO DE PASTAGENS

2.1 – DEFINIÇÕES

Várias são as definições encontradas na literatura sobre o termo "degradação de pastagens". MACEDO (1993) e MACEDO e ZIMMER (1993) os define como o processo evolutivo da perda de vigor, de produtividade, de capacidade de recuperação natural das pastagens para sustentar os níveis de produção e qualidade exigida pelos animais, assim como, o de superar os efeitos nocivos de pragas, doenças e invasoras, culminando com a degradação avançada dos recursos naturais, em razão de manejos inadequados. Já CARVALHO (1993) se refere ao termo como a redução na produção de forragem e também no seu valor nutritivo, mesmo em épocas favoráveis ao crescimento, e segundo SPAIN e GUALDRON (1991) é quando há uma diminuição considerável na produtividade potencial para as condições edafoclimáticas e bióticas a que está submetida. Para MEIRELLES (1993) é quando a produção de forragem é insuficiente para manter determinado número de animais no pasto e por um certo tempo. Outros sinais que podem ser vistos no início do processo são a diminuição da cobertura do solo, redução no número de plantas novas (provenientes da ressemeadura natural), presença de plantas invasoras e cupins. Nota-se, que pelas definições acima expostas que o conceito de degradação é dinâmico,e é caracterizado por um conjunto de fatores que agem de maneira associada e pode ser reduzida ou agravada pelas práticas de manejo. MACEDO (1995) considerando a degradação das pastagens conforme as seguintes etapas: Implantação e estabelecimento das pastagens: Utilização das pastagens (ação climática e biótica, práticas culturais e de manejo); Queda do vigor e da produtividade– efeito na capacidade de suporte; Queda na qualidade nutricional – efeito no ganho de peso animal; Degradação dos recursos naturais, conclui que o acompanhamento da capacidade de suporte permite antecipar etapas mais graves do processo de degradação, principalmente quando os recursos naturais já começam a deteriorar.A degradação das pastagens pode ser explicada como um processo dinâmico de degeneração ou de queda relativa da produtividade, e, portanto é interpretada de diferentes formas pelos produtores.

Esta versão de degradação está baseada num processo contínuo de alterações da pastagem que tem início com a queda do vigor e da produtividade da pastagem. Poder-se-ia comparar este processo a uma escada na qual no topo estariam às maiores produtividades e, à medida que se descem os degraus com a utilização da pastagem, avança-se no processo de degradação. Até um determinado ponto, ou certo degrau, haveria condições de se conter a queda de produção e manter a produtividade através de ações mais simples, diretas e com menores custos operacionais. A partir desse ponto, passar-se-ia para o processo propriamente de degradação, em que só ações de recuperação ou de renovação, muitas vezes mais drásticas e dispendiosas apresentariam respostas adequadas. O final do processo culminaria com a ruptura dos recursos naturais, representado pela degradação do solo com alterações em sua estrutura, evidenciado pela compactação e a conseqüente diminuição das taxas de infiltração e capacidade de retenção da água, causando erosão e assoreamento das nascentes de lagos e rios (MACEDO, 1999).

Segundo NASCIMENTO JÚNIOR et al. (1994) não há dúvida que o manejo da pastagem visa obter equilíbrio entre o rendimento e a qualidade da forragem produzida e a manutenção da composição botânica desejada para o pasto, com concomitante produção ótima por animal e por área. Assim, o conhecimento das inter-relações dos componentes envolvidos é de vital importância no controle e na manipulação dos sistemas de pastejo, pois a inobservância desses princípios pode conduzir a erros na adoção de práticas de manejo de pastagens e fracassos na condução de sistemas de produção duradouros e produtivos

Geralmente, os fatores que causam a degradação das pastagens estão associados ao manejo da pastagem. Contudo, falhas técnicas durante o processo de semeadura e estabelecimento podem concorrer para esta degradação.

2.2 PROCESSOS DE DEGRADAÇÃO DAS PASTAGENS

As perdas de condições desejáveis do solo relacionadas ao crescimento de plantas e ambiente pode ser de origem física, química ou biológica. Alta resistência, limitações de aeração a alta suscetibilidade à erosão são sintomas claros de degradação física do solo. Degradação biológica está associada à redução de matéria orgânica e da atividade e diversidade de organismos de solos. Degradação química é o reflexo da retirada ou saída de nutrientes do solo ou acúmulo de elementos tóxicos ou desbalanceados, que são prejudiciais ao crescimento da planta.

Segundo MACEDO (1995), a degradação de forragens pode ser considerada conforme as seguintes etapas: Implantação e estabelecimento das pastagens; utilização das pastagens (ação climática e biótica, práticas culturais e de manejo); queda do vigor e da produtividade - efeito na capacidade suporte; queda na qualidade nutricional - efeito no ganho de peso do animal; degradação de recursos naturais, concluí que o acompanhamento da capacidade de suporte permite antecipar etapas mais graves do processo de degradação, principalmente quando os recursos naturais já começam a deteriorar. Uma das características indicativas mais notadas no processo de degradação de pastagens é a capacidade de suporte animal ao longo do tempo. Quando a exploração pecuária é monitorada com certo grau de organização e critério, é freqüente observar que num primeiro momento diminui a capacidade de suporte para a mesma oferta de forragem.

A observação na queda da capacidade de suporte, no entanto não tem sido suficiente para conscientizar à adoções de ações de manejo de manutenção, o que tem obrigado posteriormente à utilização de alternativas de recuperação ou renovação mais onerosas e de difícil realização do ponto de vista econômico.

Segundo NASCIMENTO JÚNIOR et al.(1994), o manejo da pastagem visa obter equilíbrio entre o rendimento e a qualidade da forragem produzida e a manutenção da composição botânica desejada para o pasto, com concomitante produção ótima pôr animal e pôr área. Assim, o conhecimento das inter-relações dos componentes envolvidos é de vital importância no controle e na manipulação dos sistemas de pastejo.

2.3 - CAUSAS DA DEGRADAÇÃO DAS PASTAGENS

A América Latina tem milhões de hectares de pastagens em diferentes condições edafoclimáticas, as quais constituem a base da alimentação do rebanho bovino. A quase totalidade das áreas de pastagens é ocupada por gramíneas exclusivas e grande parte encontra-se degradadas ou em vias de degradação. Dentre as causas que tem levado as pastagens à degradação, o esgotamento da fertilidade do solo e o manejo inadequado das plantas, são as mais comuns (Soares Filho et al., 1992) e aliados a esses fatores, o uso indiscriminado do fogo, a utilização de monocultura forrageira (notadamente de gramíneas), o aparecimento de plantas invasoras e o ataque de pragas e doenças (Mella, 1991).

Pastagens formadas por forrageiras adaptadas a condição edafoclimática local tendem a ter maior sustentabilidade, ou seja, em muitas pastagens que se encontram em processo de degradação, a espécie utilizada não é a mais adequada para a condição local. A interação entre espécie forrageira, manejo e fertilidade do solo / adubação é uma das principais causas de degradação das áreas de pastagem. Quando o manejo é inadequado e/ou os teores de nutrientes ficam abaixo dos níveis críticos exigidos pelas espécies utilizadas, as plantas forrageiras definham. Nesta situação, observa-se um menor vigor de rebrota e uma menor produtividade forrageira e consequentemente uma menor cobertura do solo.

A diminuição da competitividade das plantas forrageiras favorece o aumento da população de plantas invasoras. A recuperação de áreas de pastagens com populações significativas de invasoras de difícil controle pode não ser economicamente viável. Dependendo do estádio de degradação, a opção mais viável pode ser a reforma total da área da pastagem.

Em áreas de pastagem que se encontra em processo de degradação, freqüentemente observa-se um sintoma de superficialização das raízes, dando um aspecto de compactação ao solo (Marun & Alves, 1996). Esse efeito aparente de compactação do solo vai aumentando à medida que a pastagem vai perdendo o vigor de rebrota e, conseqüentemente seu sistema radicular vai diminuindo. Com isso, o solo se apresenta com aspecto de "lavado" devido à intensa lixiviação e baixos teores de matéria orgânica. Em virtude disto, muitos técnicos recomendam o uso de subsoladores como parte do processo de recuperação das pastagens. O efeito compactante do animal em pastejo normalmente se restringe aos 10 primeiros centímetros do solo e ocorre somente em áreas em que se observa uma diminuição drástica da cobertura vegetal com uma conseqüente diminuição do crescimento radicular e por altas pressões de pastejo durante períodos com alta umidade do solo. Na maioria das áreas de pastagens que apresentam aspecto de compactação, a adubação e a vedação da área parecem ser suficientes para reverter o processo de compactação.

O nitrogênio tem sido citado como o fator de fertilidade dos solos mais relacionado com o início do processo de degradação das pastagens em áreas tropicais, talvez explicado pelo fato de que a quase totalidade das pastagens da América Latina são ocupadas exclusivamente por gramíneas. De fato, o nitrogênio parece ser o nutriente chave no início do processo de degradação, porém a medida em que o processo de degradação progride, outros nutrientes se tornam limitantes. A análise prévia do solo é fundamental como guia para diagnosticar possíveis limitações e possibilitar a recuperação de áreas de pastagens em vias de degradação. Freqüentemente o fósforo e em alguns casos o enxofre e o zinco, são encontrados em níveis que limitam a produtividade das forrageiras nestas áreas (MYERS E ROBBINS, 1991).

De modo geral, o manejo e adubação são fundamentais para a manutenção da produtividade das pastagens ao longo do tempo. Além da diminuição da produtividade, a degradação das pastagens tem efeitos diretos ao solo, como a redução da cobertura vegetal, aceleração do processo erosivo, redução da concentração de matéria orgânica e a conseqüente queda na fertilidade.

A degradação das pastagens está associada a fatores ligados ao estabelecimento da forrageira e de manejo. Segundo SPAIN e GUALDRON(1991), CARVALHO (1993), NASCIMENTO JÚNIOR et al., (1994) e DIAS FILHO (1998) os fatores que mais contribuem para a degradação das pastagens são:

2.3.1. Manejo inadequado incluindo o superpastejo

O manejo inadequado, caracterizado pelas condições de super ou sub pastejo, causa acentuada modificação na composição botânica da pastagem. O superpastejo determina crescimento reduzido da parte aérea, com correspondente redução do sistema radicular, diminuindo a capacidade de absorção de água e nutrientes, refletindo na queda de produção e qualidade da pastagem e abrindo espaços para o crescimento de plantas invasoras. O sub pastejo favorece a seletividade dos animais por determinadas espécies, que sendo constantemente repastejadas, acabam eliminadas, enquanto outras, de menor aceitabilidade, passam a dominar o estande (MEIRELLES, 1993). Naturalmente, o principal efeito provocado pelos animais é o da desfolhação, pois reduz a área foliar com conseqüências sobre os carboidratos de reserva, perfilhamento, crescimento de raízes, crescimento de novas folhas, afetando, também o ambiente da pastagem, tais como penetração de luz, temperatura e umidade do solo, que por sua vez, afetam o crescimento da forrageira. Esses efeitos serão tanto maiores quanto maior for o estresse imposto pelo ambiente ao crescimento da planta. Assim,quando o estresse ambiente é alto, o estresse provocado pelo pastejo torna-se crítico. Como o estresse pelo pastejo é o fator mais manipulável no sistema surge, aqui, a oportunidade de o homem, como manejador definir o grau de dano a que o ecossistema pode ser submetido sem comprometer a produtividade e a persistência da pastagem (NASCIMENTO JÚNIOR et al., 1994). Os ajustes da taxa de lotação da pastagem, caso acaso, deve ser compatível com a taxa de crescimento relativo da forrageira, para que não comprometer o equilíbrio do complexo clima-solo-planta-animal e a persistência da pastagem. Desta forma, a pressão de pastejo ótima deve ser atrelada aos períodos que limitam a produtividade (períodos de estresses), para não comprometer a sobrevivência das plantas.

O superpastejo quebra o equilíbrio entre a reciclagem de nutrientes acumulados do resíduo vegetal e o crescimento da gramínea, tendo em vista que os nutrientes da forragem não consumida que permanece no solo são reaproveitados pelas plantas forrageiras. Além disso, reduz o vigor das plantas, capacidade de rebrotação e produção de sementes. A consequência desses efeitos do superpastejo sobre a pastagem será, menor produtividade e menor capacidade de competição com as invasoras e as gramíneas nativas (NASCIMENTO JÚNIOR et al. 1999).

2.3.2. Deficiência de Nutrientes

A demanda de nutrientes pelas plantas forrageiras está em função do tipo de solo, níveis de adubação, espécies utilizadas e intensidade de uso das pastagens. Dessa forma, a queda de vigor e disponibilidade de forragem pode ser fruto do esgotamento de, principalmente: fósforo, nitrogênio e potássio, que foram exportados da pastagem através de produtos animais e pela ação do tempo.

É bastante notório o conhecimento da baixa fertilidade dos solos sob pastagens no Brasil, principalmente nas regiões do cerrado e da Amazônia. Partindo-se do fato de que a quantidade de minerais disponíveis nesse solo é muito baixa, pode-se inferir que o crescimento inicial à partir do estabelecimento da forrageira implica na imobilização de grande parte desses minerais na massa da forrageira produzida (NASCIMENTO JÚNIOR et al., 1994).

Segundo MYERS E ROBBINS (1991) a deficiência de nitrogênio (N) é uma das principais causa de degradação de pastagens cultivadas de gramíneas e é acentuada quando o manejo da pastagem não favorece a reciclagem de nutrientes. Esses autores observaram que mesmo em pastagens formadas em solos férteis, o nitrogênio contido no resíduo vegetal da pastagem tende a ser imobilizado pôr ação dos microorganismos do solo, dessa forma, não ficando disponível para as plantas forrageiras. Por outro lado, em algumas situações quando há quantidade de N suficiente na matéria orgânica, o preparo do solo (aração e gradagem) torna o N disponível, dispensando a aplicação de uma fonte desse nutriente. Em pastagens nativas, as perdas de N podem ocorrer de várias formas: volatilização de amônia proveniente das excreções animais e da emissão do solo e plantas, erosão hídrica e eólica, lixiviação, remoção através de produtos animais e gases provenientes de queimas periódicas das pastagens. A perda de nitrogênio que ocorre em pastagens ativas pode ser atribuída a alta deposição de fezes e urina em locais de grande concentração de gado na pastagem, como próximos a bebedouros, cochos de mineralização e locais de descanso, em virtude da baixa eficiência de absorção e utilização desse nitrogênio.

Segundo NASCIMENTO JÚNIOR et al., (1994), no caso do fósforo (P), a baixa fertilidade do solo leva, à produção de plantas com baixo teor de nutrientes; consequentemente, também os resíduos serão pobres em nutrientes. Este fato, além de reduzir a taxa de mineralização, implica também, na imobilização de grande fração de nutrientes do "pool" disponível pelos microorganismos solo. Considerando a implantação de uma pastagem na Amazônia brasileira, após a derrubada e queima da floresta, o P disponível na camada arável do solo geralmente aumenta em decorrência da deposição de cinzas e material decomposto, entretanto, cai drasticamente com o passar do tempo, devido a ocorrência de mineralização do solo. Esta queda no P disponível está associada com um decréscimo na produção de biomassa da gramínea forrageira, normalmente levando à degradação da pastagem (aumento do percentual de invasoras) e abandono. Nessas áreas degradadas, a gramínea forrageira geralmente responde à adubação fosfatada, mas não responde à fertilização nitrogenada, sugerindo que o principal fator limitante para a produtividade da pastagem seria a disponibilidade de P (DIAS FILHO, 1998).

2.3.3. Uso Excessivo da Queima

Embora a queima seja uma prática de manejo muito usada, principalmente em pastagens nativas, o seu uso em excesso prejudica a produtividade e a persistência das pastagens. Queimas freqüentes prejudicam as plantas forrageiras pôr esgotar as reservas das raízes e base do caule, diminuindo o vigor de rebrotação. Além disso, há perdas de nitrogênio, enxofre e outros elementos contidos na vegetação queimada. Prejudicando a produção de sementes em conseqüência prejudica a produtividade e persistência da pastagem (CARVALHO,1993). A queima pode reduzir a umidade do solo, essa redução é devido a um decréscimo da infiltração, aumento de enxurradas e da evapotranspiração. O efeito do fogo sobre o teor de matéria orgânica do solo é variável, dependendo do grau de umidade do solo, do tempo e da temperatura da queima e com a época em que é realizada. Em pastagem, a ação do fogo é relativamente rápida e o impacto sobre o teor de matéria orgânica não é significativo quando se considera apenas uma queima. Entretanto queimas em anos sucessivos numa mesma área podem modificar os teores de matéria orgânica do solo. O nitrogênio pode ser perdido pôr volatilização dependendo da temperatura atingida (NASCIMENTO JÚNIOR et al.,1999).

2.3.4. Escolha Inadequada de Espécie Forrageira

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