degradação de pastagem

degradação de pastagem

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A escolha inadequada das espécies forrageiras é outro fator que pode contribuir para a degradação da pastagem, especialmente quando não se leva em consideração as suas exigências de fertilidade, clima, hábito de crescimento, facilidade de propagação, etc.

Algumas pastagens ficam degradadas mais rapidamente porque foram formadas com forrageiras não adaptadas às condições de solo e de clima do local ou com forrageiras de hábito de crescimento inadequado ao relevo da área (NASCIMENTO JÚNIOR et al.,1999).

2.3.5. Pragas e Doenças

Embora exista um grande número de doenças e pragas nas pastagens da América tropical, apenas algumas dessas podem ser consideradas limitantes. Dentre as doenças capazes de acelerar o processo de degradação das pastagens destacam-se: a mancha foliar pôr cercospora (Cercospora fusimaculans) e o carvão (Tilletia ayersii) que atacam o Panicum maximum. A cercospora diminui a eficiência fotossintética e, consequentemente o vigor das pastagens, enquanto o carvão diminui a produção de sementes viáveis, trazendo como consequência a diminuição da capacidade de renovação natural da pastagem, diminuindo o banco de sementes de Panicum maximum.

Dentre as pragas mais importantes associadas à degradação estão a cigarrinha (Deois incompleta), o cupim e as formigas. A cigarrinha constitui a maior limitação para o uso de Brachiaria decumbens. Segundo VALÉRIO (1989), a Brachiaria decumbens, é uma das espécies mais sensíveis ao ataque de cigarrinhas. O ataque sucessivo de cigarrinhas ano após ano, em Brachiaria decumbens, associado ao manejo animal inadequado, queimas, etc. sem dúvida acelera o processo de degradação (MACEDO e ZIMMER, 1993).

2.3.6. Plantas Invasoras.

Segundo DIAS FILHO, (1998) as plantas invasoras devem ser vistas mais como uma consequência da degradação das pastagens do que uma causa, uma vez que devido ao seu comportamento oportunista ocupam espaços deixados pelas forrageiras. Devido a alta eficiência que a maioria dessas plantas apresentam em translocar nutrientes durante a senescência das folhas (principalmente P e N), e em concentrar P na matéria seca, quando comparadas com algumas gramíneas forrageiras, essas espécies podem desempenhar um importante papel em sequestrar o P do solo, ajudando assim a diminuir sua disponibilidade para as plantas forrageiras.

Mais do que uma causa da degradação de pastagens, as plantas invasoras devem ser vistas como uma conseqüência desse processo, uma vez que, por causa do seu comportamento oportunista, ocupam os espaços que eventualmente são deixados abertos pelas forrageiras. Estudos desenvolvidos sobre o comportamento de espécies de plantas invasoras de pastagens na Amazônia mostram que algumas dessas espécies podem apresentar atributos ecofisiológicos que auxiliam no seu potencial de infestação ou reinfestação através da germinação e longevidade das sementes no solo e no seu potencial de competição em situação de déficit hídrico ou de sombreamento (DIAS FILHO, 1995a; DIAS FILHO,1998). Devido a alta eficiência que a maioria dessa plantas apresentam em translocar nutrientes durante a senescência das folhas (principalmente P e N), e em concentrar P na matéria seca, quando comparadas com algumas gramíneas forrageiras, essas espécies podem desempenhar um importante papel em seqüestrar o P do solo, ajudando assim a diminuir a sua disponibilidade para as plantas forrageiras (DIAS FILHO, 1998).

2.3.7. Clima.

A estacionalidade na produção de forragem provocada pela condição climática é importante quando se discute o seu papel na deterioração das pastagens, então o primeiro aspecto a se considerar é o próprio sistema de exploração adotado. As secas quando prolongadas e severas, podem reduzir o vigor e a capacidade de competição das pastagens, favorecendo o estabelecimento de plantas forrageiras. Por outro lado a umidade excessiva durante a época chuvosa pode favorecer a proliferação de doenças e pragas, sendo que as fortes chuvas podem ainda, em áreas sem cobertura vegetal adequada, contribuir para a compactação do solo e perda da fertilidade pôr erosão e lixiviação.

Tomando-se como base o Brasil Central há duas fases bem distintas, uma com grande crescimento vegetativo (estação chuvosa) e outra de baixo ou nulo crescimento das forrageiras (estação seca). Como a maioria dos criadores não ajusta a taxa de lotação para as duas fases mencionadas acima, temos nos primeiros meses da estação o rebanho consumindo as sobras aproveitáveis da estação chuvosa. De meados da estação seca para o final, se não for realizada uma suplementação para o rebanho, abaixa disponibilidade de forragem leva à uma pressão de pastejo excessiva que compromete a recuperação do pasto para a estação de crescimento seguinte. Ao manter uma taxa de lotação mais ou menos constante nos anos de exploração, a cada ano essa pressão de pastejo será cada vez maior em razão da recuperação cada vez menor do pasto a cada estação de crescimento, o que levará o pasto à deterioração pelo esgotamento das espécies desejáveis e pela substituição por espécies menos desejáveis ou indesejáveis (NASCIMENTO JÚNIOR et al., 1994). Argumenta-se que os efeitos na deterioração das pastagens são provocados pelo manejo, antes de ser pelo efeito do clima

3 – AVALIAÇÃO DO GRAU DE DEGRADAÇÃO

Estabelecer critérios para avaliação do estágio de degradação das pastagens cultivadas é tarefa bastante difícil, tendo em vista a diversidade das espécies com relação a suas características morfofisiológicas e dos ecossistemas em que são cultivadas (NASCIMENTO JÚNIOR et al., 1994). Segundo STODDART, SMITH e BOX (1975) alguns estágios da degradação são característicos para a maioria das pastagens e podem ser facilmente identificados:

(1) Distúrbios fisiológicos da espécie dominante;

(2) Mudanças na composição botânica e

(3) Invasão por novas espécies.

NASCIMENTO JÚNIOR et al. (1994) propõe que qualquer critério para avaliar o estágio de degradação das pastagens tem que, necessariamente, considerar a diminuição da produção e as mudanças na composição botânica. E, em última análise a estabilidade do solo (grau de erosão). Apresentando dois conceitos clássicos usados pela Escola Americana de Manejo de Pastagem Nativa, o primeiro é o sítio ecológico e o segundo é a condição da pastagem. Desta forma, são utilizados quatro classes de condição da pastagem, e a forragem produzida em cada situação:

1 – Excelente – quando produz de 75-100% de toda a forragem, sob um manejoprático;

2 – Boa – quando produz de 50-75%;

3 – Razoável – quando produz de 25-50%; e

4 – Pobre – quando produz menos de 25% de toda a forragem sob um manejo prático.

Esse critério pode ser usado também exclusivamente, em relação à composição botânica, em que se avalia o desvio do clímax.

Antes de definir um plano de recuperação de uma pastagem, é necessário conhecer o estado e o nível de deterioração em que esta se encontra. Barcellos (1986) propôs uma classificação com quatro graus de degradação:

  1. Diminuição da produção da pastagem por perdas de qualidade, altura e volume - Grau 1

  2. Características do Grau 1, redução de cobertura do solo, poucas plantas novas (repovoamento) - Grau 2

  3. Características do Grau 2, aparição de plantas invasoras de folha larga, início de erosão hídrica - Grau 3

  4. Características do Grau 3, incremento da população das plantas invasoras, colonização da pastagem por gramíneas nativas, processos erosivos acelerados. - Grau 4

A avaliação do grau de degradação das pastagens ajuda a definir a estratégica mais adequada para a recuperação da pastagem. Pastagens em graus elevados de degradação podem ser de difícil recuperação, principalmente quando existem sulcos de erosão, infestações de insetos e plantas invasoras de difícil controle.

4 - RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS

A recuperação de uma pastagem consiste na restituição de sua capacidade produtiva por unidade de área e por animal até alcançar níveis técnicos e econômicos aceitáveis. A recuperação ou reabilitação de pastagens pressupõe a presença de uma ou mais espécies forrageiras desejáveis, passíveis de serem conservadas, estimuladas ou complementadas. A ausência de espécies desejáveis implicaria em um novo processo de formação da pastagem (novo estabelecimento ou reforma).

A condição essencial para se proceder a recuperação da pastagem é a presença de uma população adequada de plantas forrageiras, caso isso não ocorra há necessidade de refazê-la totalmente. Existem várias medidas de recuperação de uma pastagem degradada, dentre elas pode-se citar: manejo da pastagem, controle de invasoras, melhoramento da fertilidade do solo, introdução de espécies, uso de culturas anuais, uso de implementos, as quais podem ser tomadas em conjunto ou isoladamente.

Os objetivos da recuperação de pastagens podem ser múltiplos, dependendo do estádio de degradação, dos parâmetros limitantes e dos recursos disponíveis. Estes objetivos múltiplos poderiam incluir entre outros: a obtenção de um sistema de produção estável; restabelecer o vigor, qualidade e produtividade da pastagem; eliminar as plantas invasoras presentes na área; aumentar a cobertura vegetal e proteger o solo; aumentar as populações das espécies desejáveis; introduzir novas espécies forrageiras na área de pastagem.

Em áreas que ainda têm bom estande de forrageiras, sem erosão aparente, baixa infestação de plantas invasoras e/ou infestado por invasoras de fácil controle (grau 1), a adoção de algumas práticas agronômicas podem, muitas vezes, recuperar a produtividade sem que seja necessário efetuar a reforma.

Uma proposta de seqüência de procedimentos para regeneração de pastagens poderia ser:

  • Proceder a análise de solo

  • Efetuar a correção do solo

  • Implantar práticas conservacionistas

  • Realizar a adubação necessária

  • Vedar a área de pastagem, possibilitando a recuperação das plantas (renovação dos tecidos das plantas)

Três medidas são importantes na recuperação de pastagens no início de degradação: (a) manejo da pastagem;

(b) controle de invasoras; e

(c) melhoramento da fertilidade do solo.

4.1 - Manejo da pastagem

Segundo EUCLIDES (1989), as pastagens raramente estão em estado de equilíbrio, normalmente existe uma disponibilidade acima ou abaixo necessária ao animal. Dentre as práticas para melhorar a utilização da forragem está o manejo da taxa de lotação ou do sistema de pastejo (ZIMMER et al., 1988; LEITE e EUCLIDES (1994); EUCLIDES 1994). O manejo da pastagem começa com o ajuste da carga animal, desta forma as forrageiras estando sob menor pressão de pastejo terão maiores chances de rebrotação e produção de sementes. Esta medida também inclui a vedação da pastagem em épocas estratégicas, ou nos períodos que coincidem com a germinação das sementes e o desenvolvimento de novas plântulas. A vedação da pastagem, também, favorece o desenvolvimento das plantas mais velhas e produção de sementes, contribuindo para melhorar a cobertura do solo com a forrageira e a disponibilidade de forragem (CARVALHO, 1993). O acompanhamento da capacidade permite antecipar as etapas mais graves do processo de degradação. Assim, se trabalhos de avaliação de pastagens com animais levarem em consideração a pressão de pastejo e a respectiva capacidade de suporte, aqui subtendida como lotação ótima para a pressão estabelecida, pode-se estabelecer correlações entre propriedades dos solos, alterações climáticas, produção vegetal e produção animal para faixas de produção sustentáveis pré-estabelecidas (MACEDO, 1995).

4.2 - Controle de invasoras

As invasoras das pastagens são plantas que apresentam considerável capacidade de sobrevivência, devido à elevada produção e disseminação de suas sementes. O baixo consumo das invasoras pelos animais é outro fator que favorece a sua sobrevivência na pastagem. O controle de invasoras, visando a recuperação da pastagem, normalmente inclui práticas como a aração, roço, arranquio ou o uso de herbicidas. O uso do fogo, pode, também, ajudar no controle das invasoras, desde que haja um bom percentual de cobertura do solo por forrageiras, pois o retorno dos nutrientes contidos na biomassa, via cinza é muito mais rápido, tornando-os disponíveis para as plantas. Mas o seu uso excessivo pode acarretar sérios problemas e levar o solo ao empobrecimento. Segundo DIAS FILHO (1998) a intensificação das práticas de manejo da pastagem deve, portanto, ser utilizada somente em situações onde ela possa ser mantida.

4.3 - Melhoramento da fertilidade do solo

A manutenção da fertilidade do solo é uma das condições mais importantes para se conseguir a persistência das pastagens e a conseqüente garantia de produção animal. Alguns solos, originalmente férteis, perdem sua fertilidade, principalmente por efeito da erosão, ou esgotamento por superpastejo. Para restaurar a fertilidade do solo, todos esses fatores devem ser corrigidos, mas geralmente é também necessário compensar as deficiências nutricionais, aplicando fertilizantes. A aplicação de fertilizantes em pastagens degradadas é que tem apresentado maiores respostas na recuperação da produção de forragem (SERRÃO et al., 1982; VEIGA e SERRÃO, 1987; NASCIMENTO JÚNIOR, 1994). Ainda, VEIGA e SERRÃO et al. (1987), afirmam que a queima da vegetação, propicia a recuperação parcial em pastagens degradadas, por liberarem nutrientes imobilizados na vegetação acima do solo, tornando-os disponíveis para absorção pelas plantas. As deficiências nutricionais encontradas em solos de pastagens em início de degradação variam de acordo com o tipo de solo, adubação usada no plantio e manejo do sistema solo-planta-animal. Entretanto, nas condições de solos ácidos e de baixa fertilidade predominantes nas áreas tropicais e subtropicais do Brasil, deficiências de N e P são comuns na maioria das situações, e, em alguns casos, também ocorrem deficiências de outros elementos como enxofre (S) e potássio (K). O suprimento de N no solo de pastagens pode ser aumentado através de práticas agronômicas e/ou processos naturais (fixação biológica do N atmosférico). A aplicação de N só se justifica se a cobertura do solo pela gramínea forrageira for boa e, é mais apropriada para sistemas intensivos de produção animal pasto, onde são então obtidos altos níveis de produtividade (CARVALHO, 1993). Já o P, um dos elementos mais deficientes em solos de pastagens, é muito importante no estabelecimento do pasto, pois as plantas novas são mais dependentes de um alto nível de P nas proximidades do seu sistema radicular do que as plantas já formadas, cujas raízes se distribuem por um volume maior de solo. A aplicação de P para restabelecer a fertilidade do solo deve ser criteriosa e ser maior no plantio do que na manutenção do pasto. Pois, segundo NOVAIS (1999), existe uma relação fonte-dreno nos solos tropicais intemperizados e argilosos que impõem serias restrições na disponibilidade de fósforo, no sentido de transformá-lo em formas lábeis, ou seja, indisponíveis para as plantas

Em estádios mais avançados de degradação podem ser necessárias outras práticas, tais como sobressemeadura de gramíneas ou leguminosas, uso de herbicidas em área parcial ou total, etc.

Uma avaliação criteriosa do estádio de degradação da área da pastagem é fundamental para a definição da estratégia de recuperação. Aspectos como invasoras, erosão, insetos, suscetibilidade do solo a erosão, adequação da espécie forrageira ao sistema de produção, etc., devem ser avaliados e, se necessário, quantificados. Na definição da estratégia devem-se avaliar os custos e riscos de degradação ambiental das práticas a serem adotadas.

O processo de recuperação pode ser também uma excelente oportunidade para a introdução de leguminosas em áreas de pastagens. A sobressemeadura e o plantio em faixas podem ser estratégias adequadas para a implantação de leguminosas forrageiras em áreas de pastagem em processo de degradação.

O controle mecânico ou químico das gramíneas em faixas e a introdução de leguminosas forrageiras tem dado bons resultados utilizando-se a leguminosa Arachis pintoi em áreas de Brachiaria humidicola e B. dictyoneura (RINCONetal. 1992).

5 – RENOVAÇÃO DE PASTAGENS

Pastagens consideradas degradadas (com alta infestação de invasoras, sulcos de erosão, baixa fertilidade, alta compactação, baixo estande de plantas forrageiras etc.) necessitam, muitas vezes, de procedimentos agronômicos mais intensivos, visando o aumento de sua capacidade produtiva. A reforma de pastagens degradadas compreende, de forma geral, o controle geral da vegetação existente por meios mecânicos (preparo de solo) ou químicos (dessecação), a aplicação de corretivos, fertilizantes e outros insumos e o restabelecimento das pastagens.

Este restabelecimento pode ser feito em plantio direto ou convencional. O plantio direto tem diversas vantagens, dentre as quais o menor risco de erosão, a manutenção da estrutura física dos solos, a não mobilização do solo e consequentemente menores perdas de fósforo por imobilização e menor emergência de plantas invasoras, etc. Dentre as principais limitações, destaca-se a necessidade de equipamentos de plantio apropriados, uma maior presença de insetos e a necessidade de se ter sementes com maior vigor. Espera-se também que haja menores problemas de emergência de plântulas em espécies com maior tecido de reserva (por exemplo Brachiarias). Alves (1999 – dados não publicados) tem observado que o tratamento das sementes com fungicidas e inseticidas tem, em algumas ocasiões, possibilitado a diminuição do risco de estabelecimento. Sementes tratadas ficam menos sujeitas ao ataque de insetos e fungos de solo, o que pode ser importante, principalmente em áreas de plantio direto ou de sobressemeadura.

Observa-se em diversas regiões, a reforma de pastagens associada com lavouras anuais. Os benefícios da reforma de pastagens com culturas anuais são:

1) recuperação eficiente da fertilidade do solo;

2) implantação de pastagens com custos baixos;

3) facilidade na renovação da pastagem;

4) melhoria nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo;

5) controle de pragas, doenças e invasoras;

6) reciclagem de nutrientes do solo;

7) aproveitamento do adubo residual;

8) aumento da produção de grãos e resíduos no sistema;

9) facilidade de aplicar práticas de conservação do solo;

10) diversificação do sistema produtivo;

11) aumento da produtividade e lucratividade.

O número de cultivos agrícolas é variável e depende, entre outros fatores, de aspectos econômicos, presença de restrições edáficas, das plantas invasoras presentes na área e do tipo de cultura utilizada na sucessão. O grau de infestação das diferentes espécies invasoras em áreas de pastagens é importante na decisão da estratégia da reforma. Após a avaliação das espécies, podem ser definidos o modo e o tempo necessário para se reformar a pastagem.

Diversos cultivos agrícolas são utilizados nas áreas de reforma: soja, milho, sorgo, mandioca, algodão, amendoim, etc. Além dos cultivos de grãos, utiliza-se em muitas áreas, o plantio de forrageiras anuais: aveia preta, milheto, sorgo forrageiro, guandú, etc.

Quando se observa uma alternância temporária (rotação) de cultivos para grãos e pastagens de gramíneas ou leguminosas, tem-se adotado o nome de “integração lavoura – pecuária”. Ou seja, a integração lavoura pecuária é mais do que utilizar ocasionalmente uma lavoura para reformar uma área de pastagem, é antes de tudo um sistema planejado de utilização racional do solo, em que participam lavouras e animais, com vantagens para ambos (Alves e Moraes, 1999 – não publicado).

Existem pelo menos duas possibilidades maiores de integração lavoura – pecuária:

  • a rotação de cultivos anuais de grãos com pastagens perenes

  • a utilização na alimentação animal de plantas de cobertura e/ou pastagens anuais em rotação com cultivos anuais de grãos

Na rotação de cultivos anuais de grãos com pastagens perenes, as forrageiras normalmente produzem grande quantidade de matéria seca, com alta relação C:N, mantém o solo coberto por períodos e diminuem a incidência de pragas e doenças nas culturas subsequentes. Por outro lado, a agricultura permite recuperar a produtividade das áreas de pastagem, com rápido retorno financeiro, possibilidade de fornecimento de nutrientes de forma econômica (principalmente nitrogênio) e diminuição de pragas e doenças nas forrageiras. A utilização de plantas forrageiras anuais para alimentação animal pode tornar viável a terminação de bovinos e a suplementação alimentar para o gado no período de inverno, aumentando desta forma a oferta de carne e leite durante este período e garantindo maior renda para os produtores.

Os benefícios econômicos da diversificação de propriedades agrícolas através da integração lavoura-pecuária podem ser resumidos em: aumento da rentabilidade; diminuição da dependência dos produtores dos cultivos de grãos de verão; diminuição de riscos de inviabilização do negócio agrícola e produção de carne de forma altamente competitiva em relação a custo e qualidade.

Apesar das inúmeras vantagens da integração lavoura pecuária, é ainda pequeno o número de propriedades que a utilizam de forma tecnificada. Ainda persistem muitas dúvidas sobre o efeito da entrada dos animais em áreas de lavouras, quais espécies utilizar e como manejá-las. Novos projetos de pesquisa tem sido iniciados visando estudar as interações entre solo, planta e animal em sistemas de integração lavoura - pecuária e visando desta forma dar subsídios para o estabelecimento de sistemas de produção mais sustentáveis (Alves e Moraes, 1998).

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o inevitável declínio da fertilidade natural do solo, ao longo do tempo, em ecossistemas de pastagens cultivadas de caráter extensivo, a estratégia para uma condição ecologicamente estável seria o uso de espécies menos exigentes, adaptadas ao meio, incluindo-se leguminosas forrageiras compatíveis à consorciação, para garantir o suprimento de N na matéria orgânica do solo.

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