Protocolo Saúde da Mulher

Protocolo Saúde da Mulher

(Parte 1 de 8)

Toda gestante da área de abrangência da unidade deverá ser estimulada a participar de acompanhamento pré-natal. Todas as informações deverão ser registradas em ficha clínica apropriada, preferencialmente na FICHA OBSTÉTRICA, nas planilhas do SISPRENATAL e do Sistema de Informação vigente e no CARTÃO DA GESTANTE. As consultas clínicas deverão ser realizadas a cada 4 semanas até 32 semanas, quinzenalmente de 32 a 36 semanas, e semanalmente a partir de 37 semanas até o parto. Primeira Consulta no Pré-Natal – Uma vez suspeitado, o diagnóstico de gravidez deverá ser confirmado o mais rápido possível, clínica ou laboratorialmente (TESTE DE URINA disponível em todas as unidades).

• A primeira consulta do pré-natal poderá acontecer quando a usuária chegar à unidade com queixa de atraso menstrual e teste de urina positivo ou pela ausculta dos batimentos cardíacos fetais.

• A primeira consulta de pré-natal poderá ser realizada por profissional médico ou enfermeiro. Neste momento deverá ser realizado o cadastro da gestante no SISPRENATAL e o nº deverá ser anotado no Cartão da Gestante e na Ficha Obstétrica.

• Caso não seja possível realizar primeira consulta no momento do diagnóstico a mesma deverá ser realizada o mais breve possível, não devendo ficar condicionada a resultados de exames, ou seja, não é necessário esperar chegar os resultados dos exames de pré-natal para a realização da primeira consulta.

Atraso menstrual de pelo menos 7 dias ou irregularidade

menstrual, náuseas e aumento do volume abdominal

Avaliar: ! Ciclo menstrual

! Data da Última Menstruação

! Atividade sexual

Atraso menstrual em mulher com

mais de 10 anos de idade com atividade sexual

Solicitar Teste Imunológico de Gravidez na urina

Resultado Negativo

Gravidez Confirmada Resultado Positivo

Iniciar acompanhamento da gestante

Repetir teste em 15 dias

Resultado Negativo Persistindo Amenorréia

Agendar consulta ginecológica

A Ficha Obstétrica e o Cartão da Gestante deverão ser minuciosamente preenchidos, em todas as consultas do pré-natal. Os exames alterados e tratamentos realizados deverão ser anotados na ficha obstétrica, cartão da gestante e prontuário, pois são informações importantes para toda a equipe de saúde e para futuros acompanhamentos. O profissional de saúde, através da história clínico-obstétrica e do exame clínico da usuária, fará avaliação do grau de risco desta gestação. Nos casos classificados como alto risco, a consulta médica deverá ser priorizada o mais rápido possível. Se a usuária já fez pré-natal nessa unidade, a ficha obstétrica do pré-natal anterior deverá ser localizada e revisada. A primeira consulta após a chegada dos resultados dos exames deverá ser realizada por profissional médico para avaliação dos mesmos. A partir de então, deverá intercalar o atendimento com o(a) enfermeiro(a), garantindo-se que a gestante seja acompanhada exclusivamente pelo médico a partir da 32a. Semana CRONOGRAMA PARA ATENDIMENTO DA GESTANTE A – BAIXO RISCO

Até a 32 semanas - consultas mensais 32 a 36 semanas - consultas quinzenais 37 semanas em diante - consultas semanais

Quando a primeira consulta for realizada pelo enfermeiro(a), deve-se fazer a solicitação dos exames de perfil obstétrico e agendamento da consulta médica. Nesta consulta será definido o risco da gestação, segundo padronização.

O acompanhamento pré-natal se encerra com o parto, ou seja, não existe “alta do pré-natal”. Os retornos deverão ser agendados até o parto.

sem

Consulta Médica

Consulta de Enfermagem

B – ALTO RISCO A gestante deverá ser acompanhada por médico em todas as consultas,na unidade, ou encaminhada ao Pré-Natal de Alto Risco caso se enquadre nos CRITÉRIOS PARA ENCAMINHAMENTO AO PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO.

1. Hipertensão Arterial Crônica: apenas os seguintes 1.1. Casos complicados por nefropatia ou cardiopatia. 1.2. Difícil controle de níveis pressóricos. 1.3. Má história obstétrica: pré-eclampsia/eclâmpsia, DPP ou natimorto em gestação anterior.

2. Hipertensão gestacional: 2.1. Difícil controle pressórico. 2.2. Evidência laboratorial de proteinúria. 2.3. Qualquer critério diagnóstico de pré-eclâmpsia.

3. Diabetes Mellitus Pré-Gestacional (todos) 3.1. TIPO 1. 3.2. TIPO 2.

4. Diabetes gestacional (todos) 4.1. Glicemia de jejum > 110 mg% ou Teste de sobrecarga simplificado (50 g dextrosol) com valor de uma hora> 200 mg % ou teste de tolerância a glicose oral (100 g dextrosol) com pelo menos dois valores alterados (refs jejum=95, 1 hora= 180, 2 horas= 155, 3 horas=140).

5. Hipertireoidismo e Hipotireoidismo

6. Má história Obstétrica: 6.1. Abortamentos de repetição (3 ou mais). 6.2. Antecedente de natimorto de causa ignorada. 6.3. Antecedente de DPP de causa ignorada. 6.4. Antecedente de pré-eclâmpsia/eclâmpsia antes de 32 semanas. 6.5. Antecedentes de partos prematuros ou circlagem.

7. Restrição de crescimento intra-uterino 8. Polidrâmnio ou oligoâmnio acentuado 9. Idade materna maior ou igual a 40 anos 10. Obesidade mórbida (IMC no início da gestação > ou = a 40) 1. Gestações gemelares MONOCORIÔNICAS

12. Gestações trigemelares 13. Cardiopatias maternas 14. Asma brônquica

15. Toxoplasmose: Atenção ao protocolo de interpretação de sorologias (ver fluxograma neste protocolo): encaminhar apenas as gestantes com IgM > 1,0; IgM zona cinza em dois exames consecutivos é considerada cicatriz sorológica 16. Anemia severa: hemoglobina < 8 g%.

17. Anemia falciforme ou Talassemia 18. Doença inflamatória intestinal 19. Antecedente de três ou mais cesareanas E placenta prévia 20. Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar 21. Insuficiência renal crônica 2. Púrpura trombocitopênica imunológica 23. Epilepsia 24. Síndrome de anticorpo antifosfolípide

Observações: 25. Malformações fetais: todos os casos de fetos malformados deverão ser encaminhados ao Ambulatório de Medicina Fetal do CAISM-UNICAMP.

26. Lupus Eritematoso Sistêmico: os casos deverão ser encaminhados ao Ambulatório de Pré-Natal Especializado (PNE) do CAISM-UNICAMP.

27. Sífilis: tratar na Unidade Básica de Saúde. Encaminhar apenas os casos suspeitos de sífilis terciária ou que necessitem de avaliação liquórica.

28. Hepatite B: encaminhar apenas as gestantes com doença crônica em atividade ou seja com HbsAg persistente e alterações de função hepática. NÃO HÁ NECESSIDADE DE ENCAMINHAR GESTANTES COM HbsAg positivo sem evidência de doença crônica.

29. Hepatite C: não deve ser pedido de rotina, apenas para gestantes de risco de infecção (contactuantes, transfundidas antes de 1993, usuárias de drogas endovenosas). Os casos positivos deverão ser encaminhado ao infectologista para seguimento. NÃO HÁ NECESSIDADE DE ENCAMINHAR.

30. Citomegalovírus: não deve ser pedido de rotina.

31. Doenças psiquiátricas (depressão severa, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia): encaminhar ao PNE-CAISM/UNICAMP ou HMCP-PUCC.

32. Drogadição severa: deverão ser encaminhados ao CRIAD da Secretaria de Saúde.

3. Condilomatose Genital: encaminhar ao Ambulatório de Genitoscopia da Secretaria de Saúde.

34. Alterações de citologia oncótica: as gestantes com lesões intra-epiteliais de alto grau e/ou carcinoma in situ ou invasor deverão ser encaminhadas ao Ambulatório de Patologia Cervical do CAISM/UNICAMP. NÃO HÁ NECESSIDADE DE ENCAMINHAR GESTANTES COM LESÕES DE BAIXO GRAU OU ASCUS/AGUS.

35. Isoimunização Rh: encaminhar ao Ambulatório de Medicina Fetal do CAISM/UNICAMP.

36. HAS crônica sem complicação: seguir na Unidade Básica de Saúde, uma vez que a maioria destas mulheres não necessita de tratamento e evolui de maneira benigna.

37. Pielonefrite: encaminhar apenas após o segundo episódio na gestação, manter nitrofurantoína (100 mg/dia) até o puerpério.

38. Situações específicas e imprevistas: deverão ser discutidas antes do encaminhamento, uma vez que esta situação (“Alto Risco”) gera dúvidas e ansiedades maternas muitas vezes injustificadas e desnecessárias.

(Parte 1 de 8)

Comentários