Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

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Texto 5/ Acidentes de trabalho 05•CA08T05P3.qxd 15.12.06 0:03 Page 16 sangue de Eugênio. Os homens correram numa só direção. Trouxeram depois um corpo ensangüentado e o puseram aos pés de Eugênio, como se – deus cruel – ele tivesse pedido aquele sacrifício. Fazendo um enorme esforço para vencer o tremor das pernas, ele se inclinou. Não havia mais nada a fazer. O crânio do operário estava todo esfacelado, seu rosto absolutamente irreconhecível. O corpo perdera quase a forma humana. No chão ao redor do cadáver, se formava uma poça de sangue.

O pavor estrangulava aqueles homens, reduzindo-os ao silêncio. Os olhos do chefe das máquinas se conservaram frios e seu rosto era uma máscara inumana de pedra.

Quando tornou a sentar-se à sua mesa, Eugênio teve a impressão de que saíra dali não apenas havia vinte minutos mas sim vinte anos. Sentia-se mais velho, mais cansado e amargurado. Ficou com os cotovelos fincados na mesa, as mãos segurando o rosto, a olhar fixamente para o tinteiro. Do pátio interno chegava até ele, através das janelas, um rumor de vozes. – Mandem tocar de novo as máquinas – disse o gerente.

OuroPor que era que os homens não se esqueciam

– Não podemos ficar parados. Tempo é ouro. nunca do ouro? Ouro lhe lembrava outra palavra: sangue. Tempo também era sangue. Ouro se fazia com sangue.

Segurança e Saúde no Trabalho•17 Trecho do livroOlhai os Lírios do Campo, Porto Alegre, Globo, 1981.

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CIPA, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, é velha conhecida dos trabalhadores brasileiros. Foi criada em novembro de 1944, por ato do Presidente Getúlio Vargas. Ao longo desses mais de sessenta anos, muita coisa mudou no Brasil, mas na estrutura de funcionamento das CIPAs, quase nada.

No dia-a-dia, os “cipeiros” eleitos pelos companheiros encontram muitas barreiras para desenvolver suas funções, mas, apesar dos problemas impostos pela lei e pelos patrões, devem continuar procurando utilizar a Cipa como instrumento de organização e de melhores condições de trabalho e saúde. Para isso é fundamental:

•Que os cipeiros eleitos trabalhem em conjunto e de forma organizada em torno dos principais objetivos.

•Que nunca trabalhem rachados, pois a desunião enfraquece a luta.

•Que façam um planejamento de trabalho, para cada mandato, pois ele é muito curto e sem organizar o trabalho não se obtêm conquistas.

•Que os cipeiros vão as reuniões bem preparados, com clareza dos problemas que serão discutidos: devem organizar a pauta de reivindicações e discutir os problemas por ordem de prioridade.

•Que os funcionários tomem cuidado para não se deixar envolver por falsas promessas de solução dos problemas que os cipeiros indicados costumam fazer. Não esquecer que eles representam os interesses da empresa.

•Que o cipeiro acompanhe a investigação dos acidentes e levante suas possíveis causas.

Isto também é válido quando houver suspeita ou diagnóstico de doenças.

•Os cipeiros devem ter em mente que foram eleitos pelos companheiros de trabalho para representá-los. Por isso, é fundamental discutir com eles e encaminhar suas reivindicações.

Sem o apoio dos colegas, os cipeiros não têm força para negociar com a empresa. Buscar informação e assessoria no sindicato também é importante.

Prevenção de acidentes TEXTO 6

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Extraído de Livro da CIPA, publicação da FUNDACENTRO – MTE.

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Prevenção de acidentes TEXTO 7

EPI(Equipamento de Proteção Individual) são ferramentas de trabalho que visam proteger a saúde do trabalhador rural que utiliza produtos fitossanitários, reduzindo os riscos de intoxicações. O uso de EPI é uma exigência da legislação trabalhista brasileira e o seu cumprimento poderá acarretar processos, além de multas aos infratores.

Por que usar EPI?

A função básica dos EPI é proteger o organismo do produto tóxico, minimizando o risco de contaminação. Intoxicação du- rante o manuseio ou a aplicação de pro- dutos fitossanitários é considerada acidente de trabalho.

PROTEGER É DELEI O equipamento individual, em certos casos, é obrigatório

Extraído e adaptado de http://www.andef.com.br/epi/

Ilustr ação:

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veis pelos acidentes

Durante muito tempo acreditou-se que o problema dos acidentes e doenças relacionados ao trabalho era assunto para engenheiros de segurança, médicos, gerentes e outros especialistas. Pensava-se que só eles tinham conhecimento para analisar os riscos e propor soluções. Nessa visão, os trabalhadores seriam meros e passivos coadjuvantes, apenas para fornecer informações ou se submeter aos exames e responder perguntas aos médicos. Isso quando não eram acusados como responsá-

Obviamente, essa falsa visão não interessa aos trabalhadores, embora ainda hoje esteja presente em muitas empresas. A análise dos riscos nos locais de trabalho deve contar com a vivência, o conhecimento e a participação dos trabalhadores, já que são eles que realizam o trabalho cotidiano e sofrem seus efeitos. Portanto, são eles os mais indicados para identificar, eliminar e controlar os riscos.

Os trabalhadores passam a ter voz ativa na análise dos perigos típicos de seu ambiente profissional

Cuidados com o local de trabalho TEXTO 8

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Extraído dewww.instcut.org.br/pub3.htm Série: Cadernos de Saúde do Trabalhador - Nº3

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Já diz a sabedoria popular que nosso corpo é nosso maior tesouro. E o povo sabe muito. O nosso corpo é nossa morada e nossa melhor ferramenta. A ciência ensina que ele é uma máquina perfeita, feito para durar e funcionar por muito tempo. Comer, andar, correr, dan- çar, nadar no rio ou no mar, tomar chuva de vez em quando, descansar e dormir são cuidados importantes que devemos ter para que esta máquina funcione de maneira equilibrada e supra suas próprias necessidades.

Sentimentos, sensações e atitudes não estão fora de nosso corpo. Eles têm funções diferentes e sustentam a vida tanto quanto a respiração, a digestão ou a circulação de nosso sangue. O corpo é bom para trabalhar, para brincar, para descansar, para amar, para estar com outro corpo. E, evidentemente, ninguém vive sem um corpo!

Nosso tesouro, morada, máquina é sempre bonito.

Estar de bem com ele é sinal de muita saúde..

O TEMPLO DA SAÚDE Nosso corpo é uma máquina perfeita, mas exige manutenção

Cuidados com o corpo TEXTO 9

Trecho do livroCrianças em Férias- Alcides P. da Fonseca - Quatá - SP, 1943, citado em CUT – Todas as Letras, Caderno do Educando.

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ER/DORT significa lesão por esforço repetitivoe distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. A sigla foi criada para identificar um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões e membros superiores (dedos, mãos, punhos, antebraço, braços e pescoço). São inflamações provocadas por atividades do trabalho que exigem movimentos manuais repetitivos, continuados, rápidos ou vigorosos, durante um longo período de tempo.

Não há uma causa única e determinada para a ocorrência de LER/DORT – vários fatores podem contribuir para seu surgimento: repetitividade de movimentos, manutenção de posturas inadequadas por tempo prolongado, esforço físico, invariabilidade de tarefas, pressão mecânica sobre determinadas partes do corpo, trabalho muscular estático, choques e impactos, vibração, frio etc.

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