Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

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Outros fatores, como exigência de ritmo intenso de trabalho, conteúdo das tarefas, pressão, autoritarismo das chefias e avaliação de desempenho baseados em produtividade também favorecem o aparecimento de LER/DORT. Entretanto, para que esses fatores sejam considerados como de risco, é preciso observar sua intensidade, duração e freqüência.

O Ministério da Saúde adverte: repetir movimentos sem pausas causa inflamação

Conseqüências do excesso de trabalho TEXTO 10

•Segurança e Saúde noTrabalho22

Extraído do Protocolo de Investigação, Diagnostico, Tratamento e Prevenção de LER / DORT.Ministério da Saúde / 2000 – pg. 10.

O uso excessivo do teclado pode causar LER/DORT

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Uma funcionária da empresa CMR –

Indústria e Comércio Ltda. entrou com reclamação na 1aVara do

Trabalho de Jundiaí, SP, pedindo indenização por danos morais e materiais pela doença que adquiriu no trabalho. Condenada em 1ainstância, a empresa recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho alegando que não teve culpa pela doença da trabalhadora.

Para a empresa, a empregada não era submetida a ritmo acelerado de trabalho, já que cumpria jornada semanal de 36 a 40 horas. Mas a empresa foi condenada pelo Tribunal a pagar uma indenização de R$ 50 mil à trabalhadora.

O juiz da 5aCâmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15aRegião – Campinas, SP, deu a seguinte sentença:

O empregador é obrigado a conceder aos empregados intervalos extras para descanso quando as atividades exigirem movimentos repetitivos. Também deve permitir e exigir que seus funcionários reali- zem exercícios de alongamento e respiratórios, a fim de evitar a LER/DORT (distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho). Não adotando essas medidas, a empresa deverá indenizar o funcionário por danos morais e materiais pela doença adquirida em decorrência do trabalho realizado.

A perícia realizada concluiu que a funcionária adquiriu LER/DORT no braço esquerdo, o que limitou a força e execução de movimentos repetitivos, e que por isso ela ficou impedida de desempenhar o seu trabalho de costureira.

Para o juiz, a empresa agiu com culpa, pois, embora soubesse que a atividade exigia movimentos repetitivos, não incluiu nenhuma pausa extra, o que poderia evitar os efeitos maléficos do trabalho desenvolvido.

Segurança e Saúde no Trabalho•23

Empresa é condenada a indenizar trabalhadora com LER/DORT

Extraído de w.observatoriosocial.org.br/portalcontent/view/759/112/

Conseqüências do excesso de trabalho TEXTO 1

F oto: Sebastião Moreir

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Cuidados com o corpo TEXTO 12

•Saúde e Segurança no Trabalho24

Foto:Dida Sampaio / AE

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Organização Internacional do Trabalho, OIT, está propondo que se intensifique nos locais de trabalho a mobilização contra o HIV/AIDS na América Latina e no Caribe.

“Precisamos de mobilização, mobilização e mais mobilização”, disse o diretorgeral da OIT, Juan Somavia. “Nosso desafio é fazer com que o local de trabalho seja um local de proteção, prevenção, atenção e esperança no coração da resposta ao HIV e à AIDS.”

Cerca de 2 milhões de pessoas vivem com o vírus na América Latina e 600 mil morreram nos últimos 20 anos. A estimativa é de que cerca de 500 pessoas contraem o vírus diariamente na região, conforme informação divulgada no encontro “AIDS e o mundo do trabalho na América Latina e no Caribe”, realizado em Brasília em 2005.

“O local de trabalho é um reflexo da sociedade”, disse Somavia, acrescentando que “a lógica do compromisso da OIT é clara: a pandemia golpeia com maior força os indivíduos em idade produtiva”. Segundo dados divulgados na reunião, no mundo, 36 milhões de pessoas em idade produtiva estão afetadas pelo HIV/AIDS.

Na reunião se discutiu sobre a maneira de abordar o tema HIV/AIDS no local de trabalho. Foram discutidas ações que poderão ser levadas adiante por governos, empregadores e trabalhadores.

Desde 2000 existe o Programa

OIT/AIDS, que cuida especialmente de enfrentar os desafios gerados pela pandemia no local de trabalho e que atualmente coopera com os esforços nacionais em mais de 40 países.

Para Somavia, um desafio fundamental é lutar contra a discriminação – um dos princípios da Agenda de Trabalho Decente promovida pela Organização –, de forma a garantir a vida laboral de pessoas afetadas e seu acesso a um tratamento adequado: “É possível contribuir para eliminar o medo, a desconfiança, o estigma e a discriminação”.

As ações no local de trabalho também são consideradas fundamentais para intensificar a prevenção por meio da educação e de medidas práticas de apoio aos trabalhadores e proporcionar atenção e tratamento.

Saúde e Segurança no Trabalho•25

Extraído de w.oitbrasil.org.br/news/nov/ler_nov .php?id=1439 Para maiores informações sobre OIT/AIDS:w.ilo.org/aids

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Ambiente de trabalho TEXTO 13

•Segurança e Saúde no Trabalho26 As ameaças ao equilíbrio emocional do trabalhador

Ilustr ação:

Alcy

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A pesquisa também mostra que 4,37% dos bancários já pensaram em suicídio devido à pressão emocional que sofrem no trabalho.“Tremores nas mãos”,“falta de apetite”e “chorar mais do que de costume”foram outros itens mencionados.

A principal conseqüência relatada pelas vítimas é nervosismo,tensão ou preocupação.Em menor escala,o bancário dorme mal,se cansa com facilidade,se sente triste,tem dores de cabeça,dificuldade para realizar com satisfação suas atividades,sentese cansado o tempo todo,tem sensações desagradáveis no estômago e má digestão.

Os sintomas de depressão muitas vezes aparecem porque a pessoa pensa que a culpa é dela,está com esse peso e não consegue distinguir o que é erro dela e o que é do chefe.

Mais da metade das mulheres e um pouco menos dos homens entrevistados se dizem estressados.Diferentemente do esperado,boa parte das agressões morais sofridas pelos bancários no ambiente de trabalho não são feitas pelo chefe.Ele continua sendo o maior agressor,mas não o único. Os colegas,inclusive os subordinados,são apontados por boa parte dos entrevistados.

pesquisa "Assédio Moral no Trabalho: Impactos sobre a Saúde dos Bancários e sua Relação com Gênero e Raça", realizada pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco em 2006, apontou que mais de 40% dos bancários de todo o país sofrem agressões morais no trabalho e quase um terço dos trabalhadores do setor se diz estressado. Foram ouvidos 2.609 trabalhadores e trabalhadoras de bancos públicos e privados de todo o país.

De acordo com o estudo, as agressões duram quase o ano todo: metade dos casos ocorre várias vezes por semana. A maior queixa é de que “o chefe o enche de trabalho”. Outras situações descritas: “O chefe prejudica sua saúde”; “Dá instruções confusas e imprecisas”; “Pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade”. Entre as 20 situações colocadas como agressivas, estão também: “chefe falar mal de você em público”; “proibir seus colegas de falar/almoçar com você”; “forçar você a pedir demissão” e “insinuar e fazer correr boato de que você está com problema mental ou familiar”. Esta última é a situação mais freqüente entre as mulheres. Já para os entrevistados do sexo masculino é o fato de o chefe “não lhe dar qualquer ocupação”.

De acordo com os pesquisadores, a violência moral é “a exposição do trabalhador a situações constrangedoras com objetivo de desestabilizar a relação no ambiente de trabalho, diminuir a auto-estima e atentar à dignidade da pessoa”. A diferença entre a falta de educação e o assédio moral, é “usar de valores culturais, sexuais ou que deixem a pessoa fragilizada para humilhá-la, para atingir a dignidade”.

Segurança e Saúde no Trabalho•27 Fonte http://www.cut.org.br/

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