Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

Coleção Cadernos EJA - 10 Segurança e Saúde no Trabalho

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21.14Os locais destinados às privadas serão arejados, com ventilação abundante, mantidos limpos, em boas condições sanitárias e devidamente protegidos contra a proliferação de insetos, ratos, animais e pragas. (121.017-3 / I1)

Segurança e Saúde no Trabalho•45 FonteNR21 do Ministério do Trabalho e Emprego

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De acordo com o recenseamento de 2000, no Brasil há cerca de 64 milhões de pessoas ocupadas em vários tipos de trabalho. Quase metade delas trabalha mais que as 4 horas semanais previstas na Constituição como a jornada máxima de trabalho semanal.

Assim sendo, existe muita gente que, além de trabalhar mais que o número de horas semanais previstas em lei, ainda o faz em horário noturno.

Calcula-se que mais de 10% da população brasileira ativa trabalha em turnos ou à noite. Talvez essa porcentagem seja até maior, já que a oferta de serviços que funcionam dia e noite, inclusive nos fins de semana e feriados, aumentou muito de alguns anos para cá: são serviços de telecomunicações, de processamento bancário, de distribuição de correspondência, shopping centers e supermercados, hotéis, cinemas, restaurantes, academias de ginástica, clubes sociais e esportivos etc.

Como se pode observar, além dos serviços essenciais, há uma quantidade cada vez maior de produção de bens e prestação de serviços que funcionam o tempo todo. Para que esses bens sejam produzidos e os serviços prestados, aumenta a população que trabalha em turnos, em horário noturno ou em horários irregulares.

Não há como negar, portanto, a existência de uma "sociedade 24 horas", que depende de um grande contingente de trabalhadores. Trabalhadores estes sujeitos à exposição de fatores que podem estragar a sua saúde.

A SAÚDE NA SOCIEDADE24 HORAS

Excesso de trabalho TEXTO 23

•Segurança e Saúde no Trabalho46

Fonte (São Paulo em Perspectiva ISSN 0102-8839 versão impressa São Paulo Perspec. v.17 n.1 São Paulo jan./mar. 2003 - fragmento)

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A legislação trabalhista específica para a indústria e a aplicação de produtos tóxicos prevê que:

Normas de segurança TEXTO 24

Extraído de http://www.andef.com.br/epi/

Oempregador poderá responder na área criminal ou cível, além de ser multado pelo Ministério do Trabalho. O funcionário está sujeito a sanções trabalhistas, podendo até ser demitido por justa causa.

É recomendado que o fornecimento de

EPI, bem como treinamentos ministrados sejam registrados através de documentação apropriada para eventuais esclarecimentos em causas trabalhistas.

Os responsáveis pela aplicação devem ler e seguir as informações contidas nos rótulos, bulas e nas Fichas de Informação de Segurança de Produto (FISPQ) forneci- dos pelas indústrias sobre os EPI que devem ser utilizados para cada produto.

O papel do engenheiro agrônomo durante a emissão da receita é fundamental para indicar os EPI adequados, pois, além das características do produto, como a toxicidade, a formulação e a embalagem, o profissional deve considerar os equipamentos disponíveis para a aplicação (costal, trator de cabina aberta ou fechada, tipos de pulverizadores e bicos), as etapas da manipulação e as condições da lavoura, como o porte, a topografia do terreno, etc.

É obrigação do empregador Pfornecer os EPI adequados ao trabalho Pinstruir e treinar quanto ao uso dos EPI Pfiscalizar e exigir o uso dos EPI Prepor os EPI danificados

É obrigação do trabalhador Pusar e conservar os EPI

Segurança e Saúde no Trabalho•47

Quem falhar nestas obrigaçõe s poderá ser responsabilizado

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As reclamações do organismo podem ser ao mesmo tempo inoportunas e salvadoras

Ele não saberia dizer exatamente quando isso aconteceu, mas lá pelas tantas começou a ouvir a voz de seu corpo. Ou, melhor dizendo, as vozes eram várias. Mas tinham um característico comum: sempre reclamavam. “Você está acabando conosco”, protestavam os pés quando ele tinha de assistir a alguma cerimônia sem poder sentar. “Você está me castigando com essa comida”, gemia o estômago cada vez que ele comparecia a um jantar da empresa. Ele escutava, apreensivo, tais protestos, rezando para que não fossem audíveis, para que ficassem só entre ele e o corpo, inesperadamente transformado em adversário.

Por algum tempo optou por ignorar as reivindicações. Mas, então, ocorreu o incidente que mudou sua existência. Ele estava numa reunião importante, com dois diretores da companhia em que trabalhava, quando, de repente, ouviu uma voz surda, cavernosa, vinda das profundezas do ventre:

— Quero ir ao banheiro. Era o intestino, claro. E o pedido tinha fundamento: saíra apressado, sem tempo de fazer as necessidades. Agora vinha a cobrança.

Mas não podia ir ao banheiro, não naquele momento. De modo que sussurrou: — Agora não dá. Esta reunião é muito importante.

— Você disse alguma coisa? – perguntou um dos diretores, franzindo o cenho. Ele desconversou: não, não dissera nada, resmungara algo para si próprio. O homem ainda desconfiado voltou à longa agenda da reunião, mas aí ele ouviu de novo a voz, insistente:

Cuidados com o corpo TEXTO 25

Moacyr Scliar

•Segurança e Saúde no Trabalho48

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Segurança e Saúde no Trabalho•49

— Vamos ao banheiro, ou faço aqui mesmo, e você vai morrer de vergonha.

Era uma ameaça terrorista, obviamente, mas ele sabia que era para valer. Levantou-se e, pedindo desculpas, disse que tinha de ir ao banheiro.

— O momento não é oportuno – disse o outro diretor, num tom ácido, ominoso, um tom que continha uma clara advertência: se você sair desta sala, seu emprego pode ir para o espaço.

Mas agora ele já não agüentava mais. Saiu correndo, embarafustou pelo banheiro. E ficou lá muito tempo: o intestino, numa espécie de brincadeira perversa, resolvera funcionar lentamente.

Mas foi sua sorte. Porque, enquanto ele estava sentado no vaso, quatro seqüestradores entraram na sede da empresa e levaram os dois diretores. Que ainda estão em lugar incerto e não sabido.

Com o que ele resolveu mudar de vida. Pediu demissão do emprego, mora num sítio, onde passa a maior parte do tempo de papo para o ar. Só que o dinheiro economizado está para terminar, e a mulher (de quem está separado) quer saber o que pretende fazer no futuro. Ele não diz nada. Aguarda pela voz do corpo. Que, no entanto, nunca mais se fez ouvir.

Trecho do do livro O Imaginário Cotidiano,de Moacyr Scliar Editora Global – São Paulo – 2edição 2002.

Ilustr ação:

Alcy

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AOIT considera a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assi- métricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-a a desistir do emprego.

A Organização Internacional do Trabalho classifica a violência como praga global

Riscos do ambiente de trabalho TEXTO 26

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