Nutrição e esporte - uma abordagem bioqúmica

Nutrição e esporte - uma abordagem bioqúmica

(Parte 1 de 6)

Nutrição e Esporte

Uma abordagem bioquímica QBQ 2003

Departamento de Bioquímica

Instituto de Química USP

Nutrição e Esporte Uma abordagem bioquímica

Professores

Alexandre Z. Carvalho (ale.zat.carvalho@bol.com.br) André Amaral G. Bianco (biancob@iq.usp.br)

Daniela Beton (danielab@iq.usp.br)

Erik Cendel Saenz Tejada (esaenz@iq.usp.br)

Fernando H. Lojudice da Silva (lojudice@iq.usp.br) Karina Fabiana Ribichich (kribi@iq.usp.br)

Leonardo de O. Rodrigues (leonardo@iq.usp.br)

Sayuri Miyamoto (miyamot@iq.usp.br) Tie Koide (tkoide@iq.usp.br)

Supervisor Bayardo B. Torres (bayardo@iq.usp.br)

Cronograma das Aulas Nutrição e Esporte – Uma abordagem bioquímica (QBQ 2003)

Instituto de Química da USP – Bloco 6 inferior

Dia Período Tema Abordado

Manhã Apresentação do curso

Contração muscular e fibras Revisão de vias metabólicas

Tarde Adaptação

Manhã Lactato

Carboidratos

Lipídeos Intensidade do exercício físico

Tarde Proteínas

Manhã Estresse Oxidativo

Tarde Vitaminas

Sais Minerais

Câimbra Hidratação

Manhã Doping 13/02/2003

Tarde Suplementos Manhã Grupos Especiais 14/03/2003

Tarde Palestra

1. Contração Muscular e Fibras1
2. Revisão – Vias metabólicas16
3. ?-Oxidação23
4. Síntese de Ácidos Graxos28
5. Tomada de Oxigênio30
6. Déficit de O231
7. VO2max - Consumo máximo de oxigênio32
8. Recuperação após o exercício35
9. Limiar de Lactato40
1. Treinamento de longa duração e alta intensidade4
12. Exercícios de intensidade baixa e moderada46
13. Proteínas48
14. Carboidratos5
15. Lipídios57
16. Estresse Oxidativo, Defesa Antioxidante e Atividade Física61
17. Vitaminas e Minerais80
18. Adaptações ao exercício em diferentes populações91
19. Doping103
20. Suplementos119
21. Suplementação de Aminoácidos131
2. Hidratação135
23. Mitos e verdades acerca dos suplementos alimentares136

1. Contração Muscular e Fibras SISTEMA MUSCULAR

1.1. Introdução

Os músculos são órgãos constituídos principalmente por tecido muscular, especializado em contrair e realizar movimentos, geralmente em resposta a um estímulo nervoso. Os músculos podem ser formados por três tipos básicos de tecido muscular (figura 1):

Tecido Muscular Estriado Esquelético

Apresenta, sob observação microscópica, faixas alternadas transversais, claras e escuras. Essa estriação resulta do arranjo regular de microfilamentos formados pelas proteínas actina e miosina, responsáveis pela contração muscular. A célula muscular estriada chamada fibra muscular, possui inúmeros núcleos e pode atingir comprimentos que vão de 1mm a 60 cm.

Tecido Muscular Liso

Está presente em diversos órgãos internos (tubo digestivo, bexiga, útero etc) e também na parede dos vasos sanguíneos. As células musculares lisas são uninucleadas e os filamentos de actina e miosina se dispõem em hélice em seu interior, sem formar padrão estriado como o tecido muscular esquelético.

A contração dos músculos lisos é geralmente involuntária, ao contrário da contração dos músculos esqueléticos.

Tecido Muscular Estriado Cardíaco

Está presente no coração. Ao microscópio, apresenta estriação transversal. Suas células são uninucleadas e têm contração involuntária.

Figura 1: Os três tipos de tecido muscular Músculo Esquelético

Antes de prosseguirmos devemos nos recordar que os músculos esqueléticos não podem executar suas funções sem suas estruturas associadas (figura 2). Os músculos esqueléticos geram a força que deve ser transmitida a um osso através da junção músculo-tendão. As propriedades destes elementos estruturais podem afetar a força que um músculo pode desenvolver e o papel que ele tem em mecânicos comuns.

O movimento depende da conversão de energia química do ATP em energia mecânica pela ação dos músculos esqueléticos. O corpo humano possui mais de 660 músculos esqueléticos envolvidos em tecido conjuntivo. As fibras são células musculares longas e cilíndricas, multinucleadas que se posicionam paralelas umas às outras. O tamanho de uma fibra pode variar de alguns m como nos músculos dos olhos a mais de 100 m nos músculos das pernas.

Composição Química

Cerca de 75% do músculo esquelético e composto por água e 20%, proteína. Os 5% restantes consistem em sais inorgânicos, uréia, acida lático, fósforo, lipídeos, carboidratos, etc. As proteínas mais abundantes dos músculos são: miosina (60%), actina e tropomiosina. Além disso, a mioglobina também esta incorporada no tecido muscular (700 mg de proteína para 100g tecido).

Aporte Sanguíneo

Durante o exercício, a demanda por oxigênio é de 4.0L/min e a tomada de oxigênio pelo músculo aumenta 70 vezes, 11mL/110g/min, ou seja, um total de 3400mL por minuto. Para isso, a rede de vasos sanguíneos fornece enormes quantidades de sangue para o tecido. Aproximadamente 200 a 500 capilares fornecem sangue para cada mm2 de tecido ativo.

Com treinamentos de resistência, pode haver um aumento na densidade capilar dos músculos treinados. Além de fornecer oxigênio, nutrientes e hormônios, a microcirculação remove calor e produtos metabólicos dos tecidos. Há estudos utilizando microscopia eletrônica que mostram que em atletas treinados, a densidade de capilares é cerca de 40% maior do que em pessoas não treinadas. Essa relação era aproximadamente igual à diferença na tomada máxima de oxigênio observada entre esses dois grupos.

Figura 2: Estruturas associadas ao músculo.

Para entender a fisiologia e o mecanismo da contração muscular, devemos conhecer a estrutura do músculo esquelético.Os músculos esqueléticos são compostos de fibras musculares que são organizadas em feixes, (fascículos) (figura 3).

(Parte 1 de 6)

Comentários