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Mais tarde nos Estados Unidos, os estudiosos dos métodos de extinção de incêndio verificaram a necessidade de proteger os bens que ainda não tinham sido atingidos pelo fogo e os que sofriam a ação destruidora dos agentes extintores, logo, organizaram novas instituições denominadas Patrulhas Seguradoras. A idéia de proteção no Corpo de Bombeiros surgiu no ano de 1926, tendo o então Tenente- Coronel Ernesto de Andrade, Comandante da Corporação, como precursor, após solicitação ao Exmº Sr Ministro da Justiça, para que criasse o serviço de salvamento no âmbito da Instituição.

No mesmo ano, pelo aviso Ministerial nº. 2.189, a autorização foi concedida (BG n.º 1, de 3 de janeiro de 1927), publicando a nomeação de uma comissão de oficiais do próprio Corpo de Bombeiros para organizar o referido serviço. Organizado e devidamente regulamentado, passou a funcionar com a denominação de Serviço de Salvamento e Proteção nos Incêndios.

É muito importante ressaltar que, embora seja ensinado ao profissional bombeiro como agir com coragem, autoconfiança, sabedoria e, em algumas circunstâncias, com demasiada ousadia, jamais deverá ser esquecido que sua vida está acima de tudo e que deverá sempre agir com cautela e segurança. Por isso, todos os trabalhos devem ser realizados por equipes que disponham de todos os materiais possíveis de proteção individual e coletiva.

Dessa forma, conceituamos a nossa atividade de salvamento como sendo toda e qualquer atividade realizada por equipe especializada, com conhecimentos táticos e técnicos adequados, com o objetivo de salvaguardar vidas e bens.

1.1 Generalidades

As operações de salvamento consistem, basicamente, na remoção de pessoas, animais e/ou bens dos mais variados sinistros ou calamidades, com a finalidade de salvaguardar sua integridade física e psíquica e/ou aplicar os atendimentos no que diz respeito ao primeiro exame (primeiros socorros), o que torna o serviço altamente especializado, o qual exigindo dos socorristas grande e amplo conhecimento profissional em função das diversificações das atividades e dos materiais nele empregados.

Em virtude das circunstâncias em que é efetuado o salvamento, encontramos grande esforço exercido pela guarnição em: 1) empregar corretamente as técnicas desenvolvidas; 2) empregar adequadamente os materiais; 3) atingir o objetivo da operação desenvolvida; 4) localizar e alcançar as vítimas; 5) assegurar-lhes a vida.

Os serviços de salvamento e primeiros socorros são interligados por natureza da profissão, nos quais os executantes de ambas as atividades são denominados de “socorristas”.

Pode-se dizer que os serviços de salvamento consistem na remoção cuidadosa de pessoas, animais e/ou objetos dos mais variados sinistros e do atendimento imediato em primeiros socorros, antes que os cuidados médicos sejam prestados.

A responsabilidade dessas vidas humanas, nas mãos desses socorristas, se dá devido às suas especialidades e ao grande conhecimento profissional. Não somente a predisposição do socorrista é fator essencial à missão; outras virtudes são de grande importância, tais como: coragem, vigor físico, calma, energia, inteligência, iniciativa, facilidade em improvisar com os meios existentes, etc. Dentre as várias modalidades de salvamento, o bombeiro, quando não é completo em suas qualidades, deve ser um bom conhecedor da modalidade em que irá agir. Podemos até citar, como exemplo, o salvamento a afogados, em que o bombeiro além de conhecer a técnica a será aplicada terá de ser um exímio nadador, pois, uma falha acarretará o perecimento da vítima e também colocará em risco, a própria vida do socorrista.

Nos salvamentos em altura, o bombeiro, além de suas habilidades, deverá ser isento de vertigens, para que não coloque em risco a vida pessoal e de terceiros. Os conhecimentos técnicos que justificam essas ações tornar-se-ão completos quando for observado o perfeito manuseio dos aparelhos, equipamentos e materiais próprios para o salvamento. E assim, com uma conduta definitiva, os trabalhos serão executados com rapidez e perfeita segurança.

O socorrista é sempre um profissional dotado de grandes qualidades, porém em situação alguma deverá trabalhar isolado nas operações de salvamento, tendo sempre de trabalhar em dupla, buscando o melhor desempenho e auxílio contra os riscos. Nas operações a serem desenvolvidas, o reconhecimento antecipado das condições existentes ajudará a evitar danos decorrentes do trabalho. É importante lembrar que o socorrista, quando de posse de informações, trabalhará com rapidez e seu rendimento será maior. A informação torna-se uma de suas garantias contra prováveis acidentes durante o serviço de salvamento.

É importante lembrar que, além de pessoas, animais e bens materiais retirados ou auxiliados em situações adversas (colocados ou transportados para locais apropriados), outros procedimentos também são de suma importância, tais como: escoramentos, coberturas, remoções, amarrações, abertura de portas, etc.

Podemos então afirmar que salvamento é toda e qualquer operação realizada por uma equipe de bombeiros ou não, com a finalidade de salvaguardar vidas e bens em situações de riscos.

1.2 Código de um combatente

Existem algumas normas fundamentais de procedimentos e comportamentos ditadas pelo bom senso e confirmadas pela experiência, as quais devem ser seguidas por todos os salvadores, sendo dispostas na seguinte ordem:

1) estar fisicamente preparado: cuidar para que tenha condições de tomar parte em qualquer atividade de salvamento; 2) estar psicologicamente preparado: sentir-se sempre à altura das circunstâncias e das responsabilidades inerentes à atividade, bem como dos riscos que ela possui, com uma decidida convicção interior; 3) estar tecnicamente preparado: manejar com destreza o material e adquirir a experiência necessária que permita tomar as decisões apropriadas, diante de qualquer problema, mantendo-se também atualizado quanto às novas técnicas, materiais e procedimentos; 4) conhecer as próprias limitações e reações (assim como as dos companheiros), frente às situações de emergência: permanecer sempre abaixo de suas possibilidades para conservar uma boa margem de segurança; 5) conhecer todos os riscos inerentes às atividades, bem como quais materiais e procedimentos podem ser utilizados para eliminá-los ou diminuí-los; 6) planejar bem as atitudes a serem tomadas, em função da ocorrência (riscos, pessoal, material disponível, vítimas, etc.); 7) saber renunciar, quando as condições do evento solicitarem uma mudança do plano de ação ou quando não se sentir seguro ou não estar condicionado a realizar a atividade; 8) estar consciente da responsabilidade sobre o cumprimento da ordem recebida, como fator preponderante no cumprimento do plano de ação e na solução do evento de forma coordenada;

9) cuidar para que os prejuízos não sejam aumentados por ações incorretas ou desnecessárias durante a atividade; 10) não transformar a atividade de salvamento (seja treinando, demonstrando ou até mesmo no socorro) em uma amostra exibicionista ou agressiva. As atividades desenvolvidas, de forma técnica e com correção, causam espanto e admiração até em ótimos profissionais.

1.3 Segurança e proteção (Procedimentos básicos de segurança nas atividades de salvamento)

Nas atividades de salvamento, as atenções deverão estar voltadas para os princípios de segurança nos locais de emergência ou inteiramente ligadas às ações de socorro, as quais são viabilizados os trabalhos individuais e coletivos, tanto para os componentes das guarnições envolvidas, quanto para os materiais, equipamentos, possíveis vítimas ou bens materiais que deverão ser protegidos.

As ações de segurança em uma operação de salvamento não deverão, em hipótese alguma, ser de responsabilidade única, mas de todos os integrantes das guarnições de salvamento. Apesar de cada elemento ter um senso de responsabilidade com os seus pertences de segurança, este jamais poderá deixar outros materiais de socorro sem a devida proteção e nem deixar de acompanhar os procedimentos realizados pelos seus companheiros de equipe.

Os cuidados deverão ser observados minuciosamente dentro de cada operação, devendo ser imputadas como características do socorrista o seu conhecimento individual, a atenção com relação à segurança e com o próprio salvamento em si.

A segurança e proteção são termos empregados pelos socorristas que visam expressar as ações realizadas com o intuito de minimizar, isolar, proteger, assegurar, evitar e dar condições ao bombeiro ou à sua equipe de trabalho dentro do risco ou, preferencialmente, sem risco.

A segurança é realizada quando utilizamos procedimentos, materiais e/ou equipamento que possibilitem a permanência e a realização dos trabalhos em locais de risco.

A falta de atenção, de certa forma, representa perigo tanto para a guarnição, quanto para o socorro de um modo geral.

1.3.1 Conceitos básicos de segurança

Segurança individual: é qualquer ação ou procedimento utilizado pelo bombeiro, com a finalidade de minimizar, prevenir ou isolar as possibilidades de acidentes pessoais (risco) em uma operação de salvamento.

Busca um só objetivo: executar a atividade sem colocar em perigo à própria vida.

Segurança coletiva: é todo o conjunto de procedimentos realizados com o intuito de assegurar a integridade física e/ou psicológica de um determinado grupo, envolvendo a atividade em si, bem como todos os integrantes da guarnição, as vítimas e os bens coletivos.

A segurança coletiva é determinada a partir da avaliação prévia da situação, para a qual serão tomadas as decisões de como assegurar a realização da operação, dependendo, basicamente, do número de vítimas envolvidas, das condições e características do local, além das proporções do evento.

Os principais riscos que afetam os trabalhos realizados na segurança coletiva são: a perda do controle da situação, a falta de conhecimento, de experiência e de domínio emocional.

A segurança coletiva jamais poderá ser baseada simplesmente nas proporções do evento ou mesmo no número de vítimas que poderemos encontrar. O número de vítimas e o estado em que se encontram podem tornar a situação mais difícil, porém a segurança dependerá de uma correta avaliação do que detectamos preliminarmente, tais como: natureza do evento, viabilidade de se prestar um bom atendimento (socorro), situação e condições dos materiais a serem empregados dentro da operação, etc.

Entende-se por segurança coletiva tudo o que já foi comentado, porém, a ênfase da segurança coletiva é baseada no objetivo principal do zelo mútuo, empregado pela guarnição/equipe, visando preservar a sua integridade física dentro de uma operação.

Exemplo: a técnica dos “seis olhos” (ver pág. X). Ninguém deve executar qualquer atividade, sem que seus companheiros tenham ciência dos atos a serem praticados.

Segurança das vítimas: é o objetivo principal de atuação de uma guarnição de socorro numa operação, assegurando-lhes a sua integridade.

Segurança dos materiais: quando se empregam materiais de forma adequada e dentro dos procedimentos técnicos para os quais foram desenvolvidos, estes passam a ser fatores básicos de segurança e proteção para a guarnição na operação e são elementos essenciais para o bom desempenho e funcionamento dos materiais e equipamentos utilizado.

A guarnição desenvolverá melhor o seu papel quando conservar todos os materiais e equipamentos, pois a existência de riscos dentro da operação será menor.

Para ter uma ampla compreensão da segurança dos materiais, precisamos conhecer os seus aspectos principais, que são: 1) aspecto técnico: é a forma adequada de manusear os materiais. 2) aspecto psicológico: é a confiança adquirida na utilização do equipamento, a qual também proporcionar a autoconfiança. 3) aspecto educacional: é o exato conhecimento da estrutura física e resistência dos materiais e equipamentos empregados nas mais diversas operações.

Segurança e proteção de bens materiais: os bens deverão ser protegidos desde que essa ação não coloque em risco vidas. Para tanto, é importante verificar as condições do local, a existência de materiais adequados para tal proteção, os fatores adversos que impossibilitam a proteção, além de identificar os principais pontos a serem protegidos.

Tem como objetivos principais proteger e assegurar a integridade física dos bens materiais encontrados.

A identificação dos riscos existentes é a principal preocupação da guarnição de socorro, em razão de ela necessitar empregar materiais e equipamentos adequados na proteção dos bens e desde que a ação não coloque vidas em risco. Se tiver que danificar um bem, de qualquer espécie, que se faça da forma mais tênue possível, para que os danos não sejam maiores que o necessário.

Proteger é um ato de guardar e resguardar uma vida ou um bem de uma situação adversa.

1.3.2 Condições básicas para a realização de uma atividade de salvamento com segurança

Para se ter segurança durante qualquer atividade de salvamento, o socorrista precisa: 1) controle emocional próprio, da situação, dos materiais, e das vítimas; 2) executar as atividades com convicção; e 3) dispor os materiais em local seguro e de fácil acesso.

1.3.3 O que deverá ser observado pelas guarnições

Durante o atendimento a ocorrência de resgate, a guarnição como um todo deve observar o seguinte: 1) a falta de conhecimento durante a execução de qualquer atividade.

2) as condições do local para o acondicionamento dos materiais e equipamentos; 3) as condições de isolamento do local; 4) os materiais destinados à proteção; 5) a situação dos materiais que serão protegidos; 6) as condições dos materiais que serão protegidos; 7) os fatores que impossibilitem a proteção; 8) a realização da proteção e segurança; 9) as técnicas a serem desenvolvidas, a fim de obter um melhor aproveitamento do pessoal e materiais utilizados.

É válido lembrar que, no salvamento, a proteção e a segurança são fatores observados por todos os componentes da guarnição (técnica dos seis olhos), primeiro individualmente, depois pelo seu companheiro mais próximo e, em seguida, uma prévia revisão realizada pelo chefe de guarnição ou por alguém que esteja fiscalizando as atividades.

Figura 1: esquema do sistema de segurança.

1.3.4 Meios empregados na proteção e segurança

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