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Para que a guarnição e a vítima tenham proteção e segurança durante a realização do resgate, é preciso que os integrantes da guarnição conheçam alguns meios empregados para se evitar danos durante as atividades. São eles:

Uso do próprio corpo: são as técnicas empregadas na segurança individual e coletiva quando não existirem materiais ou pontos que favoreçam tal procedimento. Nessas técnicas, fazemos uso dos componentes da guarnição, para servir como base de segurança e até mesmo como pontos de ancoragem quando dispomos de cabos e mosquetões para a atividade.

Uso de pontos naturais: é quando utilizamos materiais para realizar as ancoragens de segurança, tendo pontos naturais (as árvores, as rochas e raízes, etc.) como base.

Uso de pontos nas instalações urbanas: são os meios encontrados nas estruturas urbanas, utilizados para auxiliar na segurança da equipe. Também podemos fazer uso dos meios acessórios existentes, os quais classificamos como meios de fortuna.

O aspecto mais importante dentro da cadeia de segurança é manter sempre a sua atenção voltada para o que está sendo realizado tanto individualmente, quanto pelos seus companheiros de equipe.

1.4 Guarnição de salvamento

Para organizar uma guarnição de salvamento, todos os componentes devem ser integrantes de um sistema de segurança. Deve ser observado também a atividade que será realizada, sendo selecionada dentro de um critério de atendimento a ocorrências sendo ainda definida como urgente ou não urgente.

Figura 2: composição básica de uma guarnição de salvamento.

Dentro dessas ocorrências, podemos determinar o grau de risco que cada uma oferece, de acordo com o seguinte:

Situações urgentes: são aquelas nas quais estão envolvidas vidas ou patrimônio de real valor em risco imediato de dano.

Situações não urgentes: são aquelas que não acarretam risco às vidas ou ao patrimônio e que independem de tempo para a sua execução.

Segundo o sistema de segurança e as diversas áreas de ação que conduzem uma equipe para desenvolver uma atividade profissional (atividade-fim), uma guarnição de salvamento poderá variar tanto na sua formação quanto na sua organização, porém, é indicada, como ideal, uma guarnição operacional constituída por 5 (cinco) componentes (socorristas), identificados da seguinte forma: chefe de guarnição e os auxiliares n.º 1, n.º 2, n.º 3, e n.º 4.

1.4.1 Capacitação técnico-profissional da guarnição

Durante a atividade de resgate, devem-se ter claras as atribuições técnico-profissional previstas para cada membro da equipe, para que todos saibam, de antemão, o que será cobrado ao longo do atendimento:

Chefe de guarnição: comandante da guarnição e responsável direto pela coordenação e orientação dos elementos integrantes da guarnição.

Auxiliar nº. 1: é o elemento que conhece e é capacitado a empregar as técnicas de primeiros socorros.

Auxiliar nº. 2: é o elemento que conhece e é capacitado a empregar as técnicas de salvamento terrestre.

Auxiliar nº. 3: é o elemento que conhece e é capacitado a empregar as técnicas de salvamento aquático.

Auxiliar nº. 4: é o elemento que conhece e é capacitado a empregar as técnicas de salvamento em altura.

Observação: o condutor de viatura é auxiliar especializado na condução e operação de viaturas e equipamentos motorizados de salvamento, não sendo encaixado na guarnição em razão de sua operacionalidade se diferenciar das ações de trabalho realizadas pela guarnição.

Podemos até encontrar, em alguns conceitos ou manuais, o motorista como sendo o 6º componente da guarnição, mas não há uma padronização, em conseqüência das funções ou características que cada componente da guarnição tem de desenvolver.

Apesar de cada componente da guarnição padrão de salvamento ter sua função e especialização, cada um possui também várias atribuições fundamentais na realização das diversas técnicas de salvamento e no cumprimento de ordens específicas dadas pelo chefe de guarnição, as quais objetivam levar a operação ao sucesso.

1.4.2 Competência dos componentes da guarnição

É importante que todos os integrantes conheçam, previamente, suas atribuições para que as operações ocorram de forma rápida, sem tumulto e sem que vários socorristas realizem a mesma ação ou se esqueçam de realizar outras necessárias à atividade. Por isso, serão especificadas as ações imputadas para cada membro da guarnição em um salvamento.

Figura 3: a guarnição de socorro é constituída de chefe de guarnição e auxiliares

Chefe de guarnição: 1) coleta dados referentes à ocorrência; 2) analisa esses dados e antecipar uma avaliação das condições de trabalho no local; 3) procede a um rápido estudo da situação; 4) verifica o material a ser empregado na operação; 5) verifica se há necessidade de reforço, policiamento, etc.; 6) comanda e coordenar a operação; e 7) auxilia na execução da atividade, se for preciso.

Auxiliar nº. 1: 1) aplica seus conhecimentos especializados de acordo com o material disponível; 2) verifica as condições de segurança do local; e 3) executa outras atividades pré-determinadas pelo chefe de guarnição.

Auxiliar nº. 2: 1) porta o material a ser utilizado na operação de salvamento, dentro de sua especialidade levando-o até o local da ocorrência; 2) opera esse material de maneira adequada e com eficiência; e 3) exerce outras atividades, sob a orientação do chefe.

Auxiliar nº. 3: 1) providencia o material que vai ser utilizado na ação de salvamento, dentro de sua especialidade; 2) inicia as atividades sob orientação do chefe; e 3) exerce outras atribuições ordenadas pelo chefe.

Auxiliar nº. 4: 1) providencia os materiais que serão empregados na operação, dentro de sua especialidade; 2) inicia as atividades, preservando os princípios de segurança; 3) exerce outras atividades determinadas pelo chefe.

O chefe de guarnição, ao concluir sua linha de trabalho, faz convergir os esforços ao objetivo imediato, coordenando o trabalho de salvamento, mesmo que essas atividades sejam aquáticas, terrestres ou em alturas.

O fato de os integrantes da guarnição de salvamento possuir especializações ou funções previamente determinadas não os exime da necessidade de cada um estar capacitado a exercer as tarefas dos demais, pois todos devem conhecer o trabalho (função) de cada componente, porém, o ideal é que haja entre os integrantes um socorrista com as qualidades físicas condizentes para cada atividade; e intelectuais (técnicas) para tarefas específicas (primeiros socorros, ações terrestres, ações aquáticas e ações em altura).

Somente em caso excepcional, o socorrista poderá trabalhar isolado na realização das operações de salvamento. Em princípio, todo e qualquer trabalho deve ser realizado por duplas, no mínimo, tendo em vista a manutenção da segurança e a proteção contra possíveis riscos durante a operação desenvolvida.

A inspeção prévia e o reconhecimento das condições do local ajudarão a evitar os perigos no decorrer da ação de trabalho. O desenvolvimento e o rendimento do socorrista dar-se-ão mediante sua ciência de que está seguro durante a execução do salvamento.

É importante lembrar que todo socorrista deverá estar, nas suas ações de trabalho, munido de materiais e/ou de equipamentos de proteção individual (EPI), entre esses, os mais importantes são: luvas, mosquetão, cabo da vida, capacete, roupa de aproximação, botas, (coturnos), equipamento autônomo de respiração, etc.

As atribuições de cada componente da guarnição de salvamento são inúmeras, portanto caberá sempre ao chefe da guarnição atribuir as respectivas responsabilidades a cada um dos integrantes dentro de cada atividade específica e de acordo com o trabalho a ser executado.

A relevância de elaborar um capítulo para tratar de corda está no fato de que toda atividade de salvamento utiliza cordas e, por isso, os socorristas devem conhecer bem as suas especificações e limitações para utilizá-las de acordo com atividade a ser realizada.

Entenda-se por corda o conjunto de fibras torcidas ou trançadas, dentro ou não de uma capa, que forma um feixe longitudinal e flexível (conceito estabelecido pelo Centro de Treinamento Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal).

Figura 4: exemplo de corda de salvamento

2.1 Generalidades

As cordas utilizadas nos serviços de salvamento são consideradas pelos seus fabricantes e pela normatização internacional que as controlam como cordas para atividades profissionais (industriais) ou como cordas de resgate. Essas cordas têm bitolas superiores a 1 m chegando até 13 m e são consideradas, basicamente, estáticas ou semi-estáticas, de acordo com a diferenciação de elasticidade. No contexto geral, uma corda empregada no âmbito profissional (nas atividades de bombeiro) só poderá ser vista de duas formas: estática ou dinâmica, contudo, pela própria normatização, bem como em função do emprego de cada uma delas e por serem apresentadas em diâmetros diferentes, são classificadas como: cordas auxiliares (ou cordeletes), cordas duplas e cordas simples.

Cordas auxiliares: são cordeletes com diâmetro inferior a 8 m, que auxiliam nas progressões verticais, sendo empregadas em outras cordas de bitolas superiores.

Cordas simples: são classificadas como cordas simples as que possuem diâmetros entre 10,4 m e 1 m, devendo ainda ser observado como elas estão sendo empregadas, pois, apesar de sua bitola, estará trabalhando sozinha e o seu uso não traz prejuízos à atividade que está sendo realizada, tanto na prática desportiva, quanto dentro de uma operação de salvamento (resgate).

Cordas duplas: são as cordas que, em razão da aplicação requerida, precisam ser empregadas duas cordas dentro da operação.

Os conceitos citados anteriormente estão relacionados com as atividades técnico-profissionais. Apresentaremos a seguir outros conceitos que são reconhecidos por normas específicas.

2.1.2 Especificações técnicas

Cordeletes auxiliares: cordeletes com bitolas inferiores a 8 milímetros, chegando até uma dimensão mínima de emprego (6 milímetros), porém, outras bitolas poderão ser encontradas, chegando até 3 milímetros. Esses cordeletes, quando empregados em conjunto com cordas de bitolas diferentes, têm como finalidade auxiliar progressões verticais. Esses cordeletes também são chamados de cabinhos, cabinhos para prusik, etc.

Cordas simples: são aquelas com bitolas entre 1 e 12,5 m, empregadas dentro das atividades profissionais (pelo bombeiro), sabendo-se, porém, que em muitas atividades empregamos cordas de 12,5mm duplas ou dobradas, uma vez que elas passam a trabalhar sob tensão e com cargas, sendo que a razão principal desse uso é assegurar o melhor desempenho durante a realização das atividades, buscando fornecer uma maior segurança e, principalmente, aumentar a resistência da corda dentro do trabalho executado.

Cordas duplas: cordas com bitolas que podem variar entre 8 e 10,5 m, sendo que a sua utilização passa a ser permeada (dobrada) ou dupla, aumentando a sua massa para facilitar a frenagem; essas cordas não são empregadas nas atividades profissionais de bombeiros e, normalmente, possuem características de cordas dinâmicas, podendo ser empregadas até mesmo no âmbito profissional, nas atividades de segurança.

2.2 Constituição básica das cordas

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