Apostila-Sist Silviculturais (nota 10)

Apostila-Sist Silviculturais (nota 10)

(Parte 1 de 12)

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza

Agostinho Lopes de Souza e Fernando Cristóvan Silva Jardim ÍNDICE

PREFÁCIO2
1. COSIDERAÇÕES GERAIS3
2. SISTEMA SILVICULTURAIS APLICADOS NA ÁSIA4
2.1. Sistema de Corte Raso (SCR)5
2.2. Sistema Uniforme Malaio (SUM)5
2.3. Sistema de Seleção (SSE)8
2.4. Sistema de Talhadia (STA)12
2.5. Sistema de Cobertura nos Trópicos (SCT)14
2.6. Análise Comparativa dos Sistemas Silviculturais Aplicados na Ásia17
3. SISTEMAS SILVICULTURAIS APLICADOS NA ÁFRICA18
3.1. Técnicas de Melhoramento de Povoamentos19
3.2. Sistema de Corte raso (SCR)20
3.3. Sistema de Enriquecimento (SEM)21
3.4. Sistema de Seleção (SSE)2
3.5. Sistema de Cobertura nos trópicos (SCT)24
3.6. Discussão dos Sistemas Silviculturais Utilizados na África28
4.1. Sistema de Corte Raso (SCR)30
4.2. Sistema de Enriquecimento (SEM)31
4.3. Sistema Uniforme Malaio (SUM)3
4.4. Sistema de Seleção (SEE)34
4.5. Sistema de Cobertura nos Trópicos (SCT)41
5. CONCLUSÕES4
6. BIBLIOGRAFIA45
APÊNDICES56
APÊNDICE A57
APÊNDICE B59
APÊNDICE C61

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza

PREFÁCIO

Em tempos idos, a visão da humanidade sobre as florestas naturais era de inesgotabilidade, tendo em vista a sua extensão, exuberância e capacidade auto-regenerativa. Entretanto, com a utilização indiscriminada deste conceito de auto-regeneração, a partir da constatação de que o recurso florestal podia esgotar-se, caso não fosse convenientemente manejado.

O amadurecimento dessa visão sobre os recursos florestais edificou o conceito de manejo sustentável, que se pauta na satisfação da demanda das gerações presentes e futuras, mantendo-se, simultaneamente, níveis adequados de qualidade de vida e a biodiversidade em toda sua plenitude de formas e padrões de organização genética.

Nesse sentido, embasado nos modernos conceitos de auto-sustentabilidade e de auto-renovabilidade, o mérito do presente Documento reside na compilação dos diversos sistemas silviculturais aplicados nas três regiões de ocorrência natural de florestas tropicais

América, África, Ásia bem como na discussão da viabilidade econômica-ambiental

desses sistemas por meio de análise comparativa
no leitor a visão crítica desses conceitos

Este Documento certamente trará subsídios importantes à reavaliação de alguns conceitos radicais sobre manejo florestal. Uma vez que o rigor científico adotado na elaboração do trabalho e a forma clara de expor as idéias têm a capacidade de interiorizar Elias Silva

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza

1. COSIDERAÇÕES GERAIS

Houve um tempo em que as florestas eram abundantes, a população humana pequena e a demanda de madeira para fins energéticos e para outras finalidades reduzida. Entretanto, a revolução industrial, o crescimento da população humana e o aumento na demanda de madeira para diferentes fins levaram ao crescente esgotamento dos recursos florestais no mundo. Tudo isso gerou a preocupação com a escassez de madeira e com a necessidade de proteger as florestas, disciplinando a sua exploração a fim de que elas continuem a cumprir seu papel de produtoras de numerosos bens e serviços.

A satisfação das necessidades humanas foi o marco inicial do manejo florestal, que, inicialmente, nada mais era do que simples normas de regulação da exploração de florestas e espécies vegetais ameaçadas. Havia planos de regulação contra o fogo, de proteção de certas espécies para usos específicos, de proibição de abate de árvores de determinado tamanho, de demarcação de reservas florestais controladas e manejadas pelo Governo, e assim por diante. Portanto, o moderno conceito de manejo florestal foi formulado com base no princípio de conservação e proteção das árvores, e ainda guarda essas influências, que o impedem de assumir uma postura mais ampla, flexível e dinâmica no sentido de promover a produção e incrementar a produtividade das florestas para sortimentos específicos.

O objetivo básico do manejo florestal é manter a produtividade da floresta.

Segundo DAVIS (1966), o termo manejo para produção sustentável é aplicado no sentido de se obterem colheitas contínuas de uma propriedade florestal, por meio de um balanço aproximado entre crescimento líquido e colheita anual ou periódica. Segundo MEYER et al. (1961), produção sustentável é uma produção contínua de madeira de qualidade comercialmente utilizável, extraída de áreas regionais em quantidades anuais ou periódicas de igual ou crescente volume. Esse conceito pode ser entendido à matéria-prima florestal como um todo, em virtude do uso múltiplo que se pode dar a ela.

O verdadeiro manejo natural, segundo FAO (1989), não envolve praticamente nenhuma intervenção humana nos estágios de regeneração e de crescimento. Portanto, a concepção de manejo só existirá se a exploração for limitada ao incremento e se houver tempo suficiente para a reposição natural. Com o aumento na intensidade de exploração, torna-se necessário investir trabalho e recursos na manutenção de um sistema silvicultural.

De maneira geral, um sistema silvicultural consiste em três fases principais: a) colheita ou exploração de um crescimento prévio; b) regeneração ou recobrimento das áreas de colheita; e c) favorecimento dessa regeneração. Assim sendo, os sistemas silviculturais são distinguidos com base na intensidade, na natureza e na combinação das operações em cada uma dessas fases (Quadro 1).

(TROUP, 1966)

Como se pode observar, as variações na combinação das operações podem ir muito além dos fatores que influenciam os objetivos do manejo e das características da floresta a ser manejada. Segundo FAO (1989), as práticas variam de país para país e, até mesmo, dentro de cada país, com opiniões que defendem ora a regeneração natural, pra a artificial ou, ainda, ora um sistema silvicultural, ora outro. Entende-se por sistema silvicultural o processo pelo qual os constituintes de uma floresta são assistidos, removidos e substituídos por nova colheita, resultando na produção de madeira de uma forma distinta

Os sistemas silviculturais aplicados à florestas tropicais úmidas podem ser divididos em monocíclicos e policíclicos. Os sistemas monocíclicos são aqueles em que, em escala de compartimento, o ciclo do corte principal é igual à rotação. Os sistemas policíclicos são aqueles em que o ciclo do corte principal é menor que rotação. De acordo com Whitmore (1984), citado por SILVA (1989), a diferença entre os dois é que, no

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza

rotação

policíclico, a regeneração avançada é retida para produzir árvores comercializáveis em ciclos de corte posteriores, enquanto no monocíclico o crescimento já acumulado nessa regeneração não é considerável; nesse caso, o sistema depende quase que completamente das plântulas da regeneração para produzir uma colheita, que estará pronta somente numa

OperaçãoTipo Característica

Quadro 1- Caracterização dos Sistemas Silviculturais

Exploração Seletiva Corte seletivo em uma área específica, adotando-se um ciclo de corte.

Corte Raso Corte raso numa área, distribuído durante um número de anos.

Corte raso numa área, em uma única operação.

Regeneração Natural Mudas da regeneração natural ou rebrota. Artificial Mudas de viveiro.

Favorecimento De baixa intensidade

Fonte: FAO (1989)

De alta intensidade

SILVA (1989) cita, como exemplos de sistemas policíclicos, os sistemas de seleção e o sistema estratificado e, como monocíclicos, o sistema uniforme de cobertura (shelterwood uniform system), também conhecido como sistema uniforme.

Segundo MASSON (1983), os sistemas silviculturais tropicais evoluíram bastante nos últimos 75 anos, e os principais tipos os seguintes: 1. Os que se baseiam na regeneração natural: sistema de seleção, sistema uniforme malaio, sistema de cobertura nos trópicos e sistema de cobertura irregular. 2. Os que sae baseiam na regeneração artificial: sistema de corte raso, com plantios de espécies exóticas ou nativas, e sistema de enriquecimento.

2. SISTEMA SILVICULTURAIS APLICADOS NA ÁSIA

Segundo FAO (1989) e SILVA (1989), os principais sistemas silviculturais aplicados às florestas tropicais asiáticas são: - Sistemas de corte raso: aplicado na Índia.

- Sistema uniforme malaio: aplicado na Malásia peninsular, bem como em Sarwak e Sabah, com modificações.

- Sistemas de seleção: aplicado na Tailândia, na Indonésia, na Índia, na Malásia peninsular, em Sarawak e nas Filipinas.

- Sistema de cobertura nos trópicos, com as variações: sistema uniforme e sistema de cobertura irregular, aplicados na Índia peninsular e nas ilhas Andaman.

- Segundo PRIASUKMANA (1990), na Indonésia, atualmente, além do sistema de seleção, praticam-se também dois sistemas de corte raso: um com regeneração natural e outro com regeneração artificial.

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza

Ryes (1975 e 1778a), citado por SILVA (1989), menciona um sistema de porta sementes, além do sistema de seleção, no qual cerca de 16 a 20 árvores devem ser deixadas, por hectare, para garantir a regneração natural. A seguir, discute-se cada em dos sistemas.

2.1. Sistema de Corte Raso (SCR)

O sistema de corte raso mencionado por FAO (1989), para áreas da Índia, é adotado com os seguintes objetivos: a) aumentar a proporção de espécies valiosas nas floretas mistas e melhorar as condições de áreas degradadas; b) mudar completamente a composição florística, pela introdução de espécies exóticas.

Segundo FLOR (1985) e FAO (1989), o SCR consiste na completa remoção da vegetação preexistente, em uma única operação, no recobrimento da área, via regeneração natural ou artificial. De acordo com FAO (1989), o uso da regeneração natural está em declínio, estando restrito às áreas onde ela ocorre em profusão. A regeneração artificial é usada quando se pretende uma significativa melhoria da composição ou quando novas espécies serão introduzidas. Apesar disso, SILVA (1989) menciona que a regeneração artificial foi usada para contornar problemas decorrentes da condução da regeneração natural.

Ainda de acordo com FAO (1989), a rotação varia entre espécies e entre regiões, para a mesma espécie. Para Tectona grandis, varia de 50 a 120 anos; para Shorea robusta, de 80 a 90 anos e, para Eucalyptos sp., de sete a 15 anos. A rotação é também influenciada pelo tipo de produto, que, por sua vez, depende do mercado.

Depreende-se, da literatura, que o processo do sistema depende de profundos conhecimentos de fenologia e ecofisiologia das espécies que se pretende manejar.FLOR (1985) e FAO (1989) indicam Tectona grandis e Shorea robusta como espécies adequadas para a regeneração natural, mas demonstram que as opções para esse processo não são muitas. No caso da regeneração artificial, é evidente que o número de espécies potenciais é muito maior, porém muita pesquisa precisa ser feita acerca da auto-ecologia dessas espécies. Disso resulta a principal vantagem da regeneração natural, pois as espécies, perfeitamente adaptadas ao sítio, terão maior vigor em face da ausência de traumas na fase inicial de crescimento e serão produzidas a baixíssimo custo em relação à regeneração artificial. Enquanto, em muitos casos, espécies exóticas apresentam produtividade que as espécies nativas.

2.2. Sistema Uniforme Malaio (SUM)

O sistema uniforme malaio (malayan uniform system-MUS), segundo

JONKERS (1987), WADSWORTH (1987), FAO (1989) e SILVA (1989), foi formulado em 1948, considerando três fatores: a) a adequada regeneração natural de espécies valiosas, a qual respondia imediatamente a uma abertura do súbita e drástica no dossel; b) necessidades econômicas, que forçaram a execução da exploração em uma única operação, em virtude da mecanização; c) a alta demanda de madeira e ausência de demanda de lenha.

O SUM é o mais conhecido sistema silvicultural aplicado às florestas de dipterocarpáceas, e, segundo Nicholson (1958) e Whatt-Smith (1963) citado por SILVA (1989) e NOR (1983), seu sucesso está condicionado à presença de adequado estoque de

MANEJO FLORESTAL DEF/UFV Prof. Agostinho Lopes de Souza plântulas de espécies valiosas de rápido crescimento, na época da derrubada. Isso, segundo HURTADO (1990), é facilmente obtido com as dipterocarpáceas, quase todas de valor comercial e de relativa uniformidade quanto aos requerimentos silviculturais.

De acordo com Wyatt-Smith (1963), citado por FAO (1989) e THANG (1987), o sistema busca, basicamente, a conversão de uma floresta tropical virgem-portanto hetero- genia em espécies e idades em uma floresta mais ou menos homogênea em idade, com grande proporção de espécies comerciais. Assim, o SUM promove a liberação de regeneração natural das espécies desejáveis por meio da exploração e do envenenamento de indivíduos das espécies indesejáveis. É um sistema monocíclico no qual, segundo Lee (1982a), citado por SILVA (1989) e THANG (1987), a regeneração natural avançada foi aceita, porém não era a base da próxima colheita nem merecia contra danos provocados pela exploração.

Tecnicamente, o SUM, segundo FAO (1989) e WADSWORTH (1987), envolve a derrubada e a extração, em uma única operação, de todas as árvores, comerciais ou não, até um limite mínimo de 45 cm de DAP. Além disso, o sistema propicia a liberação da regeneração natural, principal de espécies heliófilas de densidade leve a média, seguida de uma operação de envenenamento de árvores defeituosas e espécies não-comerciais, até um DAP mínimo de 5 a 15 cm. Após um período de cinco a sete anos de execução dessas operações, uma amostragem linear era efetuada para avaliar tratamentos silviculturais.

SUM

No Quadro 2 é apresentada a seqüência cronológica original das operações no

(Parte 1 de 12)

Comentários