Técnica de Apresentação de Dados TCU

Técnica de Apresentação de Dados TCU

(Parte 4 de 6)

Tipo "Pizza"Próprio para simples apresentações de alguns valores, especialmente quando se deseja ilustrar a contribuição relativa de vários itens para a soma total. Contudo, caso haja mais de seis itens para exibir, deve-se usar um gráfico de colunas ou barras. Duas ou mais "pizzas" podem ser apresentadas conjuntamente para ilustrar mudanças em um grupo ao longo do tempo ou para mostrar diferenças entre dois ou mais grupos.

Continua

Editora Keimelion: excelência em revisão de textos acadêmicos.

http://www.keimelion.com.br

LinhaPróprio para dados contínuos ao longo do tempo, especialmente séries temporais ou outros conjuntos de dados que gerem gráficos com colunas ou barras que pareçam sobrecarregados. Não se deve usar gráficos de linha quando houver alguns poucos dados descontínuos, pois, nesse caso, o gráfico poderá exibir um comportamento em ziguezague, com a inclinação ascendente ou descendente das linhas dominando, visualmente, os pontos referentes aos dados propriamente ditos, o que pode dar uma impressão equivocada aos leitores não-especializados.

Dispersão XY

Gráfico de duas dimensões que exibe como pares os resultados equivalentes de dois conjuntos de dados. O acréscimo de uma regressão linear ao gráfico pode indicar a direção e a natureza do relacionamento entre resultados. Se os pontos referentes aos pares estiverem concentrados em torno da linha da regressão, é improvável que o padrão revelado por essa linha seja acidental. Entretanto, se estiverem distantes da linha, pode-se concluir que uma proporção significativa da dispersão em exame permanece inexplicada. Importa notar que a distância relevante no presente contexto é a vertical.

Fluxograma

Proporciona um diagrama sobre como cada categoria pode ser decomposta em subcategorias.

"Caixa-e-Haste"

Mostra a amplitude semi-interquartílica, a mediana, os valores mais altos, mais baixos e "periféricos" de um conjunto de dados. Útil para comparar dois ou mais conjuntos de dados.

3.2. Projetando Gráficos

Uma vez escolhido o tipo apropriado, o gráfico ainda precisa ser projetado atentamente para que seja atingido o efeito desejado. Comparados com as tabelas, os gráficos possuem mais variáveis e falhas em potencial que precisam ser consideradas.

3.2.1. Tamanho, Forma e Escala

Nos gráficos com colunas, as categorias da variável analisada são colocados na abcissa (i.e., no eixo horizontal), enquanto que as variações apuradas nos dados são mostradas na ordenada (i.e., no eixo vertical). A mesma abordagem costuma ser seguida em gráficos de linha. Nos gráficos com barras, ocorre o oposto, plotando-se as categorias nas ordenadas e as variações nas abcissas. Em gráficos com duas variáveis, como os de dispersão, as variáveis dependente e explicativa são, normalmente, plotadas na ordenada e na abcissa, respectivamente.

Superdimensionar o tamanho de um gráfico simples (p. ex., uma “pizza” com três fatias) faz com que o gráfico pareça mal-acabado, bem como desperdiça espaço. Contudo, subdimensioná-lo (p. ex., ajustá-lo à margem de uma página) também pode suscitar problemas. Compor um histograma com colunas muito largas ou muito estreitas é

Editora Keimelion: excelência em revisão de textos acadêmicos.

http://www.keimelion.com.br igualmente desaconselhável. Efetivamente, convém que as colunas tenham a mesma largura, pois isso faz com que a apresentação do relatório pareça mais consistente. Em resumo, quanto mais simples for um gráfico, menor ele pode ser, desde que permaneça claro, acessível e bem-elaborado.

Em geral, define-se uma escala horizontal equivalente à largura do texto ou, se o gráfico for complexo, à largura da página. Uma abcissa menor pode ser apropriada no caso de gráficos simples.

A extensão vertical de um gráfico influencia a sua escala, que deve ser definida de tal forma que as variações que precisam ser mostradas pelo gráfico sejam claramente visualizadas. Quanto menores forem as variações que mereçam a atenção dos leitores, maior deve ser a escala vertical. Porém, ao se fixar uma escala, deve-se lembrar que os valores “periféricos” podem não ser grafados – normalmente, é preferível concentrar a atenção dos leitores no conjunto principal de dados do que em alguns resultados atípicos.

Em geral, o eixo vertical dos gráficos deve conter o zero, mas não pode ser superdimensionado. A não-inclusão do zero pode fazer com que os dados aparentem ter uma variabilidade maior do que aquela efetivamente apurada, suscitando desconfianças entre os leitores especializados.

Caso os dados formem um conjunto central compacto, havendo, todavia, alguns valores “periféricos” extremos, será preciso encurtar a escala vertical ou não representá-la por inteiro, devendo-se, nesses casos, inserir um ziguezague na escala para que os leitores sejam alertados. Ademais, procedimentos como esse devem ser relatados nos textos associados aos gráficos.

3.2.2. Rótulos

Os leitores precisam ser orientados sobre o que é mostrado no gráfico. As ilustrações devem ser numeradas seqüencialmente e ter títulos que descrevam claramente o que representam as linhas, barras, colunas ou fatias de “pizza”. As colunas, barras e linhas dos gráficos também devem ter rótulos claros. É comum a não-inclusão do rótulo referente às ordenadas em decorrência da convicção de que o título da ilustração proporciona orientação suficiente acerca do que está sendo mostrado. Porém, isso é uma falha, devendo-se rotular as ordenadas explicitamente, indicando-se a unidade na qual os dados são expressos. No caso de colunas, que freqüentemente não podem ser facilmente rotuladas no espaço disponível, costuma-se diferenciá-las por meio do emprego de legendas e de cores distintas para cada coluna. Já os gráficos com barras são usados quando os rótulos correspondentes são demasiadamente extensos.

3.2.3. Notas Explicativas e de Rodapé

A exemplo do que ocorre com as tabelas, é importante que os gráficos sejam tão auto-explicativos quanto possível. Conseqüentemente, convém que os gráficos sejam acompanhados de uma nota explicativa claramente visível que resuma, em uma ou duas linhas, os principais achados retratados. A nota deve ser descritiva e não tão sintética quanto o título, bem como identificar acuradamente as principais propriedades do gráfico.

As notas de rodapé são, às vezes, necessárias. Todavia, deve-se tomar cuidado para que não se introduzam notas em grande quantidade ou notas muito extensas. As notas devem ser claramente separadas tanto da abcissa, como da nota explicativa, devendo, preferencialmente, usar um tamanho de fonte menor do que qualquer outro utilizado na composição do gráfico.

3.2.4. Linhas de Grade e Marcas de Intervalo

Em gráficos de linha e de dispersão, marcas regulares em ambos os eixos devem mostrar os intervalos-chave do conjunto de dados. Os eixos não devem ser sobrecarregados com muitas marcas. Dependendo da resposta dada ao critério “o que os leitores precisam saber”, as linhas de grade podem ser associadas:

Ademais, as linhas de grade devem ser nítidas, mas sem dificultar a compreensão do gráfico.

Nos gráficos com colunas, a abcissa precisa conter somente as marcas de intervalo, enquanto que a ordenada precisa tanto das marcas, como de algumas linhas de grade. Já nos gráficos com barras, as grades de linhas devem cortar a abcissa.

3.2.5. Cores

A disponibilidade de impressoras coloridas é um aspecto importante que deve ser considerado pela equipe de auditoria. Isso torna factível o uso de ilustrações mais complexas, que permitem uma melhor compreensão pelos leitores dos dados apresentados, pois linhas, barras e colunas potencialmente confusas podem ser identificadas por cores diferentes. Contudo, é igualmente importante que o uso dado pelos leitores aos relatórios de auditoria seja avaliado realisticamente. Freqüentemente, os relatórios em questão são fotocopiados, em todo ou em parte, em circunstâncias que podem ser cruciais para a difusão dos resultados do trabalho. Assim, uma parte substancial do conjunto de leitores poderá manusear apenas versões fotocopiadas do relatório, nas quais gráficos e tabelas coloridas são exibidas de forma pobre, com algumas linhas, barras ou colunas confundindo-se entre si ou com algumas cores claras sequer aparecendo, o que pode, por associação, depor contra a qualidade do trabalho da equipe de auditoria.

Elaborar gráficos tendo os leitores em mente significa, por conseguinte, cuidar para que as principais conclusões das ilustrações sejam claramente reproduzidas nas fotocópias. Especificamente, convém tomar as seguintes precauções:

• cores claras devem ser usadas somente em funções acessórias, pois costumam confundir-se com o branco nas fotocópias;

• cores sutilmente diferentes não devem ser usadas no mesmo gráfico, pois costumam formar uma tonalidade cinza indissociável;

• cores muito escuras não são usadas para linhas que se cruzam ou para barras ou colunas (ou seus componentes) que sejam adjacentes, pois costumam confundir-se com o preto;

· pode-se usar diferentes estilos de hachura para cada segmento de barra ou coluna ou para outras áreas; em gráficos de linha onde dois ou mais conjuntos de dados se sobrepõem, pode-se distingui-los empregando-se diferentes estilos de linha ou de marcadores de linha;

• deve-se conferir se as barras, colunas ou outras áreas ficariam mais nítidas se fossem delimitadas por traços escuros;

• se uma ilustração continuar apresentando problemas mesmo após terem sido tomados todos esses cuidados, deve-se considerar a possibilidade de dividi-la em duas ou mais ilustrações mais simples.

Como teste decisivo, todos os gráficos devem ser fotocopiados, para que se confira se a reprodução obtida é aceitável.

Nos casos que demandarem três ou mais cores para que as conclusões do gráfico sejam transmitidas claramente ou quando as recomendações relacionadas acima não puderem ser plenamente atendidas sem que algumas das suas principais propriedades fiquem comprometidas, convém usar setas ou rótulos para as linhas, barras ou colunas para evitar ambigüidades que poderiam aparecer nas fotocópias. Diferentes marcadores de linha também podem ser usados em gráficos de linha.

A Figura 3 ilustra as principais características de um gráfico com barras, quais sejam: identificação seqüencial (i.e., “Figura 3”); título do gráfico (i.e., “Tempo Médio para Tramitação dos Processos de Desapropriação”); rótulos das abcissa (i.e., “Meses”), ordenada (i.e., “Unidade da Federação”) e barras (p. ex., “Ceará”); e notas-derodapé, incluindo, obrigatoriamente, a fonte e, quando necessário, notas específicas. Também convém notar o seguinte: o destaque dado à média nacional por intermédio de caracteres em negritos e de uma cor-de-fundo distinta; barras ordenadas segundo o tamanho; e a presença de marcas de intervalo na abcissa.

FIGURA 3: EXEMPLO DE GRÁFICO COM BARRAS

1 m. 18 d.

6 m. 23 d.

7 m. 1 m.

15 m.

Unidades da Federação

Meses

Fonte: dados colhidos, por amostragem, nas Superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra nos Estados do Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nota: a média nacional foi estimada a partir dos prazos apurados nas unidades auditadas.

Fonte: TCU. “Relatório de Auditoria Operacional: Considerações Acerca da Questão Fundiária”. Auditorias do Tribunal de Contas da União, n. 5, 1999, p. 61.

3.2.6. Gráficos Bi e Tridimensionais

Os modernos editores de planilhas eletrônicas oferecem gráficos nos formatos bi e tridimensional. A esse respeito, recomenda-se evitar o último formato, dado que não acrescenta qualquer nova informação ao gráfico. Efetivamente, os leitores podem achar os gráficos tridimensionais menos claros do que os bidimensionais, que são mais simples. Ademais, o efeito tridimensional pode obscurecer outros dados e é mais difícil de ser ajustado às necessidades do trabalho (p. ex., o ângulo de rotação de um gráfico – para cima ou para baixo, ou para a direita ou para a esquerda – pode ter de variar de uma figura para outra para que suas propriedades tridimensionais sejam empregadas da melhor maneira possível; nesse caso, porém, os diferentes ângulos de visão de um conjunto de gráficos poderão dar a impressão de que o relatório é inconsistente).

A Figura 4 ilustra os cuidados que devem ser tomados no caso de gráficos do tipo “pizza”, quais sejam: percentuais informados; rótulos próximos do gráfico; “pizza” representada por circunferência plana e fechada (i.e., sem o uso de efeitos tridimensionais e sem o destaque ou “explosão” dos seus segmentos); e segmentos identificados por intermédio de motivos e cores-de-fundo simples (i.e., que não desviem a atenção do leitor da informação contida no gráfico). Ademais, os segmentos devem estar ordenados. No exemplo exibido abaixo, a ordenação adotada baseia-se no próprio objeto do gráfico, qual seja, o tempo de funcionamento dos CAICs.

FIGURA 4: EXEMPLO DE GRÁFICO DO TIPO “PIZZA”

TEMPO DE FUNCIONAMENTO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO INTEGRAL ÀS CRIANÇAS E AO ADOLESCENTE (CAICs)

Até 1 ano 20%

De 1 a 2 anos 35%

De 2 a 3 anos 37%

De 3 a 4 anos 7%

De 4 a 6 anos 1%

Fonte: questionários preenchidos pelos CAICs em outubro e novembro de 1996 (251 respostas válidas aos 341 questionários enviados).

Fonte: TCU. “Relatório de Auditoria Operacional: Avaliação das Atividades dos Centros de Atendimento Integral às Criança e ao Adolescente (CAICs)”. Auditorias do Tribunal de Contas da União, n. 2, 1998, p. 71.

3.2.7. Ilustrações de Fundo

Atualmente, os relatórios gerenciais costumam apresentar gráficos ou fotografias como fundo para algumas ilustrações, especialmente gráficos de linha ou com barras ou colunas bem espaçadas. A escolha de um gráfico ou de uma fotografia apropriada pode transmitir informações valiosas aos leitores acerca do conteúdo da ilustração, tornando-a mais compreensível e ajudando os leitores a melhor distinguir as ilustrações, especialmente quando uma seqüência de ilustrações semelhantes precisa ser apresentada.

Sempre que uma ilustração for usada como fundo, vários detalhes devem ser conferidos cuidadosamente. As ilustrações de fundo devem ter cores claras, reservandose as cores escuras para os dados do gráfico mostrado em primeiro plano. Essas ilustrações devem ter uma aparência homogênea, sem grandes trechos em branco, e não devem conter formas que possam ser confundidas com os dados do gráfico – essa recomendação deve ser observada tanto na versão impressa do relatório, como na versão fotocopiada.

3.2.8. Números, Textos e Símbolos

Comparados às tabelas, os gráficos tendem a tornar os dados menos precisos.

Dessa forma, há situações que demandam a inclusão de elementos adicionais para que a ilustração seja plenamente compreensível para os leitores. Esses elementos, porém, não devem desviar a atenção dos aspectos centrais da ilustração ou divergir de seu estilo básico.

A inclusão de valores críticos nos gráficos com barras ou colunas pode ser útil para dar aos leitores informações mais precisas sobre o que as barras ou colunas mostram. Convém evitar a colocação de totais no topo das colunas ou no final das barras, pois isso distorce o efeito visual. É preferível por esses totais dentro das barras ou colunas (normalmente, é mais fácil colocar valores dentro de uma barra do que de uma coluna). O tamanho dos números deve ser pequeno, escolhendo-se a escala apropriada: porcentagens, sem casas decimais, costumam caber, mas não um valor como, p. ex., 13.189.292, que pode ser representado como 13,2, com a escala fixada em milhões. O tamanho da fonte deve ser legível, mas não desproporcional em relação ao conjunto do gráfico.

(Parte 4 de 6)

Comentários