Guia Prático do Estudante

Guia Prático do Estudante

(Parte 3 de 8)

COM HABILITAÇÃO SUPERIOR? MULHERES– São predominantemente do sexo feminino (69 por cento) e são também elas o maior grupo nos novos licenciados NORTE– É a região do país com mais inscritos (40 por cento) JOVENS– com menos de 35 anos, representam 72 por cento dos diplomados inscritos LICENCIADOS– A maior parte dos desempregados com habilitação superior são licenciados

ONDE SE FORMARAM ENSINO PÚBLICO– 65 por cento dos inscritos são do ensino público e 35 por cento do privado. UNIVERSIDADES– 62 por cento diplomou-se no ensino universitário e 38 por cento no ensino politécnico. De acordo com o relatório, os dados revelam “uma contribuição relativa maior por parte do ensino universitário para as inscrições no centro de emprego, uma vez que os diplomados do ensino politécnico entre 1997- 1998 e 2006-2007 representam 47 por cento do total dos diplomados, contra 53 por cento no ensino universitário”.

Desempregados por grupo etário

Desempregados inscritos no centro de emprego por níveis de ensino entre Dezembro de 2004 e Dezembro de 2008

Ainda que ter um diploma do ensino superior não seja garantia de entrada no mundo de trabalho, continua a ser uma ajuda no momento de procurar emprego. O número de desempregados inscritos com habilitação superior subiu de 35.210 para 42.219, entre Dezembro de 2004 e o mesmo período de 2006. No entanto, o número tem vindo a cair, e passou para 39.627 em 2007 e 38.018 em 2008. Tudo isto mostra que vale a pena estudar!

Em Portugal, existem mais de 400 mil desempregados. No caso dos que têm habilitação superior, a maioria dos que procuram emprego tem entre 25 e 34 anos. Em relação aos que não têm o canudo, a maior parte dos desempregados situa-se na faixa etária 35-54 anos.

Consulta o relatório no site do GPEARI - Gabinete de Planeamento Estratégia Avaliação e Relações

Internacionais http://www.estatisticas.gpeari.mctes.pt/?idc=21&idi=269328 LINKS ÚTEIS

14| Guia Prático do Estudante 2009

Como entrar no mundo do trabalho após concluir um curso do ensino superior? E mesmo enquanto estás a estudar, de que forma podes começar a criar laços com o mundo empresarial? Nós damos-te as respostas.

Texto: Cátia Felício

Ficar em casa colado à televisão a ver séries já era! Se queres saber como começar a trabalhar enquanto e mesmo após um curso, segue as nossas dicas e toma iniciativa. Parado não podes mostrar o teu valor. Informa-te sobre estágios profissionais, concursos, ninhos de empresas, cursos de empreendedorismo, que podem, inclusive, abrir-te as portas para o mundo dos negócios, inscreve-te em empresas de recursos humanos. Há muitas formas de te dares a conhecer às empresas. Deixamos-te algumas dicas.

Estágios Estabelecem a ponte entre o final da vida académica e a entrada no mercado de trabalho. Por um lado, é uma forma de te integrares no mundo laboral, e por outro uma mais-valia por todo o conhecimento que podes adquirir estagiando numa empresa ou instituição. Há, por exemplo, universidades que têm protocolos com empresas para estágios e que ajudam a encontrar emprego através de gabinetes de estágios (procura-o na instituição que vais frequentar!). Tem isso em conta no momento de escolheres onde vais tirar o curso – podes ver na informação que publicamos mais à frente sobre as instituições, quais as que têm esse apoio e as que não têm!

Há também programas de estágios profissionais oficiais em que podes tentar inscreverte. Toma nota de alguns:

PEPAL- Plano de Estágios Profissionais da Administração Local – permitem-te estagiar, por exemplo, nas autarquias locais. w.pepal.gov.pt/pepal

INOV Contacto- Programa de estágios internacionais de jovens quadros promovido pelo Ministério da Economia e da Inovação que apoia a integração de jovens quadros em mercados estrangeiros. http://live.networkcontacto.com/ pt/inovc/inovcontacto/Paginas/apresenta%C3%A 7%C3%A3o1.aspx

INOV Jovem– É uma medida que apoia a realização de estágios profissionais em Pequenas e Médias Empresas para jovens com uma qualificação superior em áreas de educação e formação relevantes para a inovação e a gestão dessas empresas. w.inovjovem.gov.pt/ presentationlayer/primeinov_Home_00.aspx

Programa de Estágios Profissionais do Instituto de Emprego e Formação Profissinal (IEFP)- Têm a duração de 12 meses e procuram facilitar a entrada no mundo do trabalho. Para tal, basta apresentares a candidatura conjunta da empresa onde pretendes estagiar e dos teus dados. É, assim, ums forma de facilitar a transição entre o sistema de qualificação e o mercado de trabalho. w.emprego2009.gov.pt/cidadao/medida_c1.htm

UNIVA É uma Unidade de Inserção na Vida Activa, financiada pelo IEFP, que desenvolve métodos de informação e orientação profissional para os jovens universitários. E é destinada a alunos finalistas e recém-licenciados e ainda aos que procuram trabalho temporário. São muitas as instituições que contam com este serviço.

Concursos Há já muitas empresas que estreitam a sua relação com o mundo académico através de desafios lançados aos alunos. Fica atento(a) a tudo o que possa valorizar o teu trabalho e talento. Nada te garante que ganhes, mas vale sempre a pena tentar. Aqui ficam alguns exemplos: Concursos do grupo Lena: “Engenho e Arte” e “Lena Business”; Prémios Secil Universidades; Programa Talento; Sonae – programa Contacto; Microsoft – Imagine Cup.

Como desenvolver competências

Juntamente com ambição, capacidade de trabalho e dinamismo, “os jovens, em particular, não tendo, à priori qualquer experiência profissional, devem aproveitar as oportunidades que existem, como sejam os estágios profissionais promovidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional para adquirirem alguma experiência profissional em contexto real e, durante a licenciatura, aproveitarem também ao máximo oportunidades que lhes possam surgir para o desenvolvimento de actividades extra-curriculares que lhes possam permitir desenvolver outras competências que não as que adquirem no decorrer do respectivo curso superior”. O conselho é deixado por Filipe Neves, da IPN Incubadora, que instiga ainda os jovens a não serem conformistas e a nãose contentarem em estar apenas sentados nas salas de aula a ouvir os professores. “Na medida do possível, vão para além disso”. E frisa: “Desenvolvam actividades extra-curriculares, viagem em Portugal e no estrangeiro, conheçam outras culturas, aprendam idiomas, desenvolvam as vossas capacidades de relacionamento inter- -pessoal, uma vez que os empregadores cada vez mais valorizam as relações humanas e a capacidade de relacionamento que os seus colaboradores demonstram”.

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empresasTudo conta! Não podes é ficar parado,

Se há dentro de ti a ambição de criares a tua própria empresa, por que não começares já a trilhar o caminho para tornares esse sonho realidade? Damos-te algumas dicas, desde cursos de empreendedorismo, a seminários, incubadoras de porque “tempo é dinheiro”.

Criar a própria empresa Se queres aventurar-te em negócios inovadores, podes sempre recorrer às incubadoras de empresas, que podem ou não estar integradas em universidades. Caso a universidade que escolheres ainda não tenha uma incubadora, porque não fazeres a sugestão após ingressares no curso? Ninhos de Empresas (como o Parkurbis - Parque da Ciência e Tecnologia da Covilhã) são um dos apoios para quem quer criar a sua própria empresa, em especial na vertente tecnológica. O objectivo é promover o empreendedorismo, tanto a nível local como regional, proporcionando às novas empresas um espaço físico onde podem exercer actividade nos primeiros anos de funcionamento. Estes ninhos empresariais são ainda um estímulo para ligar a investigação académica ao mercado de trabalho. Para saberes mais, aconselhamos-te o Guia de Empreendedorismo, disponível em http://eusouempreendedor.files.wordpress.c om/2008/12/guia-empreendedorismo.pdf

Formação para o Empreendedorismo As Universidades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior, na Covilhã, em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria do Centro, têm vindo a promover o Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica. Um dos objectivos é estimular as capacidades necessárias à criação de empresas de base tecnológica e podem inscrever-se recém-licenciados, alunos finalistas e de pós-graduação, empresários, quadros de empresas, docentes e investigadores com espírito de iniciativa e com perfil empreendedor. O curso foi distinguido com o 2.º lugar na categoria “Promoção da Iniciativa Empresarial” dos Prémios Europeus de Iniciativa Empresarial (European Enterprise Awards 2008), promovidos pela Comissão Europeia. Para mais informações consulta os sites e informações disponibilizadas pelas universidades envolvidas. Lembra-te que as incubadoras são uma boa forma para pôr em prática o empreendedorismo. Também a Universidade do Porto estimula o espírito empreendedor através do SpieUP – Semana da Promoção da Inovação e do Empreendedorismo, um evento internacional onde podes assistir a seminários. Vê mais em w.spie.up.pt.

Incubadora portuguesa é sucesso mundial

A IPN Incubadora, criada em 2002 por iniciativa do Instituto Pedro Nunes (IPN) e da Universidade de Coimbra, é a segunda melhor incubadora de empresas do mundo. O prémio foi alcançado numa competição entre 53 incubadoras, de 23 países diferentes, na sétima edição do concurso internacional “Best Science Based Incubator”.

Filipe Neves é gestor de projectos nesta incubadora e diz que uma das vantagens é “termos um modelo e práticas de gestão que nos permitem a autosustentabilidade, com claras vantagens de independência quando comparados com muitas outras incubadoras” .

A IPN incubadora promove a criação de empresas, apoiando ideias inovadoras e de base tecnológica oriundas dos laboratórios do IPN (que ministra formação a póslicenciados), de instituições do ensino superior, em particular da Universidade de Coimbra, do sector privado e de projectos de I&DT em consórcio com a indústria.

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procura de um tostãoEsta podia ser a história da Carochinha se ela

Quem quer pagar o curso à Carochinha, que é bonita e formosinha? E para conquistá-la e satisfazer tal pedido, o João Ratão caiu no caldeirão à precisasse de encontrar uma forma de pagar os estudos. Quanto a ti, não precisas de contar tostões e fica a saber que a linha de crédito com garantia do Estado é a melhor escolha para quem quer financiar os estudos superiores através de empréstimos. Mas há outras formas de pagar um curso: part-times, bolsas de mérito ou de acção social das universidades, entre outras.

SEM CAIR NO CALDEIRÃO Texto: Cátia Felício

Crédito com garantia mútua A linha de crédito do Estado português permite que os empréstimos aos estudantes sejam pagos 10 anos após a conclusão do curso. O fundo de garantia mútua possibilita aos estudantes do ensino superior (público e privado) beneficiarem de empréstimos a custos reduzidos, sem fiador, de forma a financiarem a sua formação superior. Até Dezembro de 2008, foram concedidos 5.500 empréstimos bancários ao abrigo do Sistema de Empréstimos a Estudantes do Ensino Superior com Garantia Mútua, do Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. A linha de crédito do Estado já existe desde Setembro de 2007 e quer criar “melhores condições de financiamento junto de instituições bancárias”.

Como funciona? De acordo com osite da Direcção-geral do Ensino Superior, os empréstimos são concedidos sem necessidade de recorrer a avales e garantias patrimoniais, e os alunos beneficiam de uma taxa de juro mínima, com um spread máximo de 1%, apurada com base na taxa dos “swaps”. Esta taxa poderá ser reduzida para os alunos com melhor aproveitamento escolar. Os empréstimos são reembolsáveis entre 6 e 10 anos após a conclusão do curso, com pelo menos 1 ano adicional de carência de capital. O montante poderá variar entre 1.0 euros e 5.0 euros por ano de curso, com um máximo de 25.0 euros (em cursos de 5 anos).

Para mais informações, consulta o site da Direcção-geral do Ensino Superior: http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Estudantes/Emprestimos/

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Protocolos com o Estado •Banco BPI - Crédito Formação Garantia Mútua

•Banco Comercial Português (Millennium BCP) -

Crédito Universitário com Garantia Mútua

•Caixa Geral de Depósitos - Crédito Garantia Mútua

•Banco Montepio Geral - Crédito Universitário

•Grupo Banco Internacional do Funchal (BANIF), incluindo o Banco Comercial dos Açores- Crédito Universitário com Garantia Mútua •Grupo Crédito Agrícola - Crédito Universitário

Bolsas Uma das formas para pagar os estudos é através de bolsas. Além das de mérito, em que os alunos com boas notas podem ter direito a bolsas atribuídas pelas universidades públicas a alunos excepcionais, há ainda as de estudo. Sabe mais sobre bolsas de estudo e outros apoios para o ensino superior em http://www.dges.mctes.pt. Toma nota:

Acção social Com o intuito de dar resposta às necessidades dos estudantes, as universidades ajudam os alunos a pagar os estudos através de atribuição de benefícios sociais. Para tal, deves dirigirte aos serviços de acção social da universidade na qual ingresses.

Autarquias

Contacta a câmara municipal da tua área de residência. Algumas apoiam os estudantes financeiramente, como Vila de Rei (Castelo Branco), Gavião (Portalegre), Abrantes, Sines (Setúbal), Vouzela (Guarda), Olhão (Faro), Oliveira do Hospital (Viseu), entre outras.

Instituições de Utilidade Pública Fica atento e informa-te sobre instituições como a Fundação Calouste de Gulbenkian e Fundação Oriente que atribuem bolsas aos alunos mais carenciados, com boas notas ou que fazem investigação em áreas específicas.

Trabalhar para pagar estudos O estatuto trabalhador-estudante é uma das opções para quem quer conciliar estudos e trabalho. Permite acumular experiência, ingressar no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, juntar alguns euros no bolso para as tuas despesas e não só. Trabalhos como freelancer ou em part-time, como promotor, por exemplo, são opções que podes agarrar enquanto frequentas um curso superior.

Estatuto Trabalhador- -estudante Tanto em part-time como em full-time (a tempo parcial ou inteiro) tens direito, do ponto de vista legal, ao estatuto do trabalhador-estudante que te protege junto da entidade patronal e da instituição de ensino, de forma a garantir as melhores condições enquanto estás a frequentar um curso no ensino superior. Vê mais sobre o estatuto no site da Inspecção-Geral do trabalho: /w.igt.gov.pt/DownLoads/content/Esta tuto_Trabalhador_EstudanteJO.pdf Se tiveres dúvidas, aqui tens uma forma rápida de te esclareceres em: w.igt.gov.pt/IGTi_P14.aspx?cat=Cat_F aq_Trabalhador_Estudante&lang=

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