(Parte 1 de 2)

A evolução da avicultura nos últimos anos colocou a atividade em posição privilegiada em relação a outras explorações animais, já que esta detém grande parte do acervo tecnológico do setor agropecuário.

O alojamento de matrizes de corte no Brasil, aumentou 6,65% em 2002, sobre o ano anterior, tendo atingido 30.499.156 cabeças, contra 29.597.273 em 2001. A previsão para 2003 é de um crescimento da ordem de 6%. Não só o aumento de aves alojadas, mas também o maior rendimento de aves de conformação, concorreram para um aumento substancial na produção brasileira de carne de frango em 2002: 7,449 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 13,5% sobre 2001 (6,564 milhões de toneladas). O Brasil atualmente é o 2º maior produtor de carne de frango e para 2003, a estimativa é de 8,045 milhões de toneladas produzidas. Os principais Estados produtores são: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. A região Centro-Oeste vem crescendo em produção. Beneficiada pela variação cambial, problemas sanitários no segmento de carnes no exterior, e conquista de novos mercados, a exportação de carne de frango brasileira conseguiu uma performance notável em 2002. A participação brasileira foi de 30% das exportações mundiais, com um volume de 1,600 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 28,36% sobre 2001. Em valor, as exportações realizadas em 2002 somaram US$1,393 bilhões. Para 2003 a previsão é de uma exportação de 1,760 milhões de toneladas. O consumo interno em 2002 foi de 5,849 milhões de toneladas, ou seja, houve um aumento de 6,7 % sobre 2001 (5,483 milhões de toneladas). Para 2003, espera-se um consumo de 6,285 milhões de toneladas. O consumo per capita foi de 31,8 kg em 2001, 3,7 kg em 2002 e deve chegar a 35,1kg em 2003.

Com relação à avicultura de postura, o plantel médio de poedeiras estimado para o ano de 2002 foi de 67.769.0 cabeças, um aumento de 6,5% sobre 2001, que já havia registrado um incremento de 4,4% sobre 2000. Devido ao menor alojamento de pintos comerciais em 2002 - quando foram alojados 54.965.527 pintos, um volume 16,2% menor em comparação a 2001 (65.603,024) - a previsão é de uma redução no plantel médio de poedeiras em 2003. A produção brasileira de ovos foi de 14, 796 bilhões de unidades em 2000, 15,276 bilhões em 2001 e 16,488 bilhões em 2002. Para 2003 é estimado um total de 15,200 bilhões de unidades. O consumo per capita foi de 9 ovos em 2002 e 94 em 2001 e 2000. A previsão é de uma redução deste volume para 92 ovos em 2003.

As perspectivas para a Avicultura brasileira de corte são de crescimento, especialmente no que se refere ao comércio exterior. A recuperação dos preços praticados vem sendo absorvida pela alta dos custos de produção, principalmente milho e soja. Já a Avicultura de Postura experimentará um ano de oferta restrita, com preços maiores, porém reduzindo o consumo, que já é um dos mais baixos do mundo (AVES E OVOS, 2003).

Na medida em que os países se desenvolvem economicamente, observa-se um crescimento paralelo na exploração de animais de menor porte e mais produtividade. A título de exemplo, cita-se

Instalações para frangos de corte e poedeiras - Área de CRA/DEA/UFV - Cecília de F. Souza et al. 2 que a tonelagem de carne de aves possível de ser obtida por ano numa determinada área, é cerca de 800 vezes superior à quantidade de carne bovina, considerando-se as mesmas medidas brasileiras obtidas na mesma área a tempo.

O Brasil acompanhou a evolução avícola mundial a foram notáveis os resultados advindos da transferência de tecnologia gerada em outros países. No entanto, em climas tropicais a subtropicais, a intensa radiação solar a os altos valores de temperatura e de umidade relativa do ar, no verão, têm-se mostrado limitantes ao desenvolvimento de alto índice de produtividade das aves.

Independente do modo pelo qual os organismos animais transformam a energia dos alimentos, tudo se passa como se houvesse a combustão das substâncias ingeridas, resultando nos produtos da oxidação e, no domínio energético, na produção de trabalho e calor. O organismo animal funciona como verdadeira fonte de calor, necessitando, para desenvolver sua atividade vital, de desnível térmico em relação ao meio externo.

Tendo em vista estes aspectos, as construções destinadas à criação de aves de corte e de postura devem ser planejadas adequadamente de forma a não somente considerar o fluxograma de funcionamento da exploração em nível interno e externo, mas também os aspectos ambientais que possam interferir na produtividade animal.

Quando da seleção de áreas para implantação de uma exploração avícola devem ser observados os seguintes aspectos: - Proximidade aos centros de consumo;

- Infra-estrutura relacionada à comunicação, insumos (ração, matrizes), energia elétrica, abastecimento d'água, crédito, assistência técnica,etc; - Clima no que se refere às condições adequadas de temperatura e umidade relativa do ar, ventilação, radiação, etc. Normalmente, são estabelecidas condições próprias para cada idade e na maioria das vezes, é preferível instalar a granja em locais de temperaturas médias a com boa ventilação natural. Considerando-se aves adultas, a zona de conforto térmico está limitada por temperaturas efetivas ambientais entre 15 e 25º C. Umidades relativas do ar entre 40 e 70% são adequadas para as aves em virtude da utilização das formas latentes para dissipação do calor corporal em situação de estresse calórico, principalmente a perda de umidade à partir do trato respiratório, que carreia grande quantidade de calor; - O local deve apresentar boas condições de salubridade no que se refere à drenagem do solo, ventilação, insolação, espaço físico, topografia (terreno com inclinação mais suave), vias de acesso apropriadas para períodos chuvosos e secos, controle de trânsito; - Enfim, o próprio espaçamento entre galpões é fator de suma importância, o que justifica a preocupação com o espaço físico disponível. Normalmente, para evitar a transmissão de doenças, galpões que abrigam animais de mesma idade são espaçados entre si 10, 20 até 30 metros a os que abrigam animais de idades diferentes, 100 à 200 metros.

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I. CONSTRUÇÕES 1) Requisitos básicos: - simplicidade; - rapidez de execução;

-segurança;

- baixo custo;

- bom fluxograma de funcionamento;

- controle ambiental e aproveitamento dos recursos naturais de

acondicionamento.

2) Componentes da Granja: a) Setor de Produção: galpões para aves b) Setor de Preparo de Alimentos: armazéns ou silos, fábricas de ração, paiol, etc. c) Setor Administrativo: escritório, almoxarifado, controle (portão de entrada). d) Setor Sanitário: fossas, crematório (animais mortos), pedilúvio para desinfecção dos pés na entrada, rodolúvio para desinfecção dos pneus dos veículos. e) Setor Residencial: casa sede, casas de empregados. t) Setor de Apoio: galpão-oficina. g) Setor Externo: posto de vendas (depósito de ovos, sala de classificação a embalagem), abatedouros, cooperativas.

Instalações para frangos de corte e poedeiras - Área de CRA/DEA/UFV - Cecília de F. Souza et al. 4 IV. AVICULTURA DE CORTE

Cama – Tem sido a única forma de criação de frangos no Brasil, tendo sua utilização acentuada desde fins da década de 60 e início da década de 70, quando o problema do “calo ósseo no peito”, ocasionado por criações em sistemas de “gaiolas” passou a ser entrave na comercialização dos cortes. O sistema “cama” consta do galpão com piso de concreto sobre o qual é colocada uma camada de material absorvente como maravalha, palha de arroz, sabugo triturado (500 a 600 kg/1000 aves), etc. Esse galpão é utilizado para cria das aves desde a fase de “pintos de um dia” até a idade de abate. No início da década de 60, o número de dias necessários à produção de um frango pronto para o abate era de 120. Em 1988 eram necessários 49 dias para se obter um frango com 2 kg de peso corporal e em 1998, com 39 dias já se conseguia obter o mesmo resultado, o que foi atribuído à evolução das pesquisas na área de genética e nutrição. Atualmente se considera em média 32 a 39 dias para obtenção de um frango com peso corporal variando entre 1,5 e 2,0 kg, conforme exigência do mercado. Para o planejamento do processo produtivo, considera-se peso vivo 2,1 a 2,4 kg num período de uso do galpão de 42 a 45 dias. O período de uso do galpão ainda abrange o tempo necessário à limpeza e desinfecção, de 14 a 16 dias. Com relação à densidade populacional, o galpão pode ser projetado considerando-se o que se chama de densidade normal, de 10 a 14 aves por metro quadrado. Mas, no início da década de 90, no Brasil, a criação em alta densidade passou a ser priorizada, com lotação de 15 a 18 aves por metro quadrado. Atualmente, considerando-se a oferta no mercado de sistemas modernos (automatizados) para servir ração e água às aves (comedouros e bebedouros) e ainda de sistemas de acondicionamento térmico (equipamentos para climatizar os galpões), são adotadas densidades de 18 até 2 aves por metro quadrado. A alta densidade também pode ser entendida como a produção de mais carne de ave por unidade de área construída, podendo-se chegar, ao final da produção, até a 40 kg por metro quadrado. Valores superiores a 30 kg por metro quadrado já são entendidos como alta densidade. É importante frisar que, considerando-se a localização do Brasil no Globo, próximo à linha do equador, numa das regiões mais quentes do mundo, as criações em alta densidade somente se tornam viáveis com a utilização de artifícios de acondicionamento naturais e artificiais aplicados aos galpões, que permitam a obtenção do ambiente adequado,ou seja, que minimizem o estresse calórico, comumente observado nas aves. Torna-se também importante considerar, entre outros aspectos, aqueles relativos à nutrição, manejo, adequação às novas necessidades de comedouros e bebedouros, programas de luz, previsão de geradores e paisagismo circundante.

Instalações para frangos de corte e poedeiras - Área de CRA/DEA/UFV - Cecília de F. Souza et al. 5 B) DETALHES CONSTRUTIVOS DOS GALPÕES:

Considerando-se a criação em densidade normal e aproveitamento das condições naturais de acondicionamento e ainda as produções rurais em menor escala, a largura a ser considerada para o galpão pode ser definida da seguinte maneira.

* 8,0 a 10,0 m para clima úmido; * 10,0 a 14,0 m para clima quente e seco.

Da mesma forma, o pé direito do galpão pode ser estabelecido em função da largura adotada, de forma que os dois parâmetros em conjunto favoreçam a ventilação no interior do galpão.

TABELA 1 - Relação entre Largura a Pé-direito do Galpão.

* Largura (m) * Pé direito (m)

Até 8,0 8,0 a 9,0 9,0 a 10,0 10,0 a 12,0 12,0 a 14,0

2,80 3,15 3,50 4,20 4,90

sul, é de 3,50 m

Existe, porém, uma tendência mundial, no caso das produções em grande escala, de se construir galpões com 12,0 m de largura por 100,0 a 140,0 m (em média 125,0 m) de comprimento, com objetivo de otimização do uso de equipamentos, mão-de-obra, etc. Nesse caso, para a largura de 12,0 m, nas regiões mais quentes do país o pé-direito ideal é de 4,20 m, e nas mais frias, como o

Pilares: podem ser de concreto armado traço 1:2,5:4 ou em madeira tratada (roliça, preferencialmente). Atualmente, quase totalidade dos galpões para frangos de corte em construção empregam estruturas pré-moldadas de concreto, estruturas metálicas ou mistura de ambos, compondo praticamente todo o arcabouço da construção (pilares e estrutura do telhado). Os pilares geralmente são afastados de 5,0 m, sustentando tesouras ou pórticos com apenas dois apoios de tal forma a manter o vão do galpão totalmente livre.

Fundação: direta descontínua em concreto ciclópico no traço 1:4:8 com profundidade variando de 0,50 à 1,0 m sobre leito bem compactado, para o caso dos galpões menores. Nos grandes galpões, a fundação descontínua é formada por sapatas armadas. Para apoiar as alvenarias das faces leste e oeste do galpão, podem ser feitos alicerces contínuos e para apoiar as muretas das faces norte e sul, alicerces contínuos rasos (de pequena profundidade).

Piso: concreto simples 1:4:8 revestido com argamassa 1:4 de forma que a espessura fique em tomo de 0,05 à 0,06 m. Em alguns casos, pode-se utilizar piso de terra batida, mas deve ser evitado sempre que possível. Deve ser considerada uma declividade de 2% no sentido de uma canaleta central ou de duas canaletas internas ao galpão e paralelas ao seu eixo longitudinal. Tais canaletas a "céu aberto" deverão possibilitar um escoamento de 1% para o exterior dos galpões de forma a facilitar a retirada das águas de limpeza e drenagem da umidade da cama.

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Alvenarias : faces leste e oeste fechadas com tijolos maciços e dotadas de portal grandes e faces norte a sul com mureta até a altura de 20-40 cm, sendo o restante fechado com tela metálica # 1" (2,5 cm) + cortina plástica ou de sacos de aniagem, usada em casos de chuva e de incidência de raios solares.

Cobertura: estrutura composta por tesouras ou pórticos, com telhas de cerâmica (melhores), dotada de lanternim (Figuras 1 e 2), para o caso de largura do galpão maior que 8 m e beiral amplo variando de 1,0 a 2,5 m de largura nas faces norte e sul do telhado, de acordo com o pé-direito e com a latitude. A cumeeira deve ser orientada no sentido leste-oeste.

FIGURA 1 – Esquemas para desenho do lanternim.

Instalações para frangos de corte e poedeiras - Área de CRA/DEA/UFV - Cecília de F. Souza et al. 7 FIGURA 2 – Corte transversal do Galpão mostrando detalhe do lanternim (PEREIRA, 1986).

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Sistema de Iluminação Artificial: a iluminação artificial é utilizada para aumentar o período diário de luz natural (fotoperíodo) a dessa forma induzir a ingestão de alimentos resultando em maior ganho de peso das aves. Pode ser utilizado o tipo incandescente ou o tipo fluorescente, sendo que este último fornece maior número de lumens (intensidade de iluminação), consome menos energia, é mais durável a além de tudo, o primeiro é de custo inicial mais elevado. Recomenda-se utilizar de 10 a 12 lumens por metro quadrado de galpão. De forma mais simples, a fiação e as lâmpadas podem ser sustentadas por um sarrafo fixado à altura desejada ao longo do galpão. Para galpões maiores, formam-se várias fileiras de lâmpadas acompanhando o comprimento do galpão. O programa de luz é variável de empresa para empresa.

TABELA 2 - Número de lúmens fornecidos por cada tipo de iluminação.

15 500 - 700 15 125 20 800-1.0 25 225 40 2.0 – 2.500 40 430 75 4.0 – 5.0 50 655 200 10.0-12.0 60 810

N = Período de uso do galpão/Período de comercialização

Período de uso: 56 dias (contando até 42 dias para criação das aves e 14 dias para desinfecção e limpeza) Normalmente considera-se:

N = 3 (venda mensal); N = 5 (venda quinzenal); N = 10 (venda semanal).

A saída por ano em cada galpão pode ser determinada, em alguns casos, da seguinte forma: 365/56 = 6lotes/galpão/ano.

Aquecimento: devido ao fato do sistema termorregulatório ainda não estar bem desenvolvido, os pintinhos precisam ser aquecidos até os 14/15 dias de vida e em alguns casos, como nos locais de climas caracterizados por temperaturas baixas, até 21 dias de vida. Para isso, são colocados em lotes de 500 a 700 dentro de círculos de proteção feitos, mais comumente, de chapas de eucatex ou de outros materiais como as chapas galvanizadas. Os círculos normalmente têm altura de 0,40 m e diâmetro 3,0 m e em cima dos mesmos é afixada a campânula, elétrica ou à gás, para aquecimento dos pintinhos, sendo esse o sistema mais usado atualmente.

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Comedouros: uma bandeja de 40x60x6 cm feita de eucatex e pinho ou cedro é utilizada para 100 pintos na primeira semana de vida. Esta mesma bandeja para 50 pintos na segunda semana de vida. Da terceira semana até o abate, são utilizados comedouros tubulares na ordem de 1 para 25 aves. Ainda podem ser utilizados os comedouros automáticos, disponíveis no mercado diversas marcas que atendem as aves desde os primeiros dias de vida.

Bebedouros: copos de pressão com capacidade para armazenar aproximadamente 4 litros de água, são utilizados na ordem de 1 para 100 aves na primeira semana e 1 para 50 aves na segunda semana. Da terceira semana até o abate, 1 bebedouro pendular para cada 50 aves é suficiente. Atualmente, visando manutenção da cama mais seca e otimização do consumo de água, tem sido bem utilizado o bebedouro “nipple”, constando de água canalizada distribuída às aves por meio de um “nipple” instalado à cada 20 cm na tubulação, sendo que cada um atende a 12,5 aves. Os sistemas com água corrente em calha estão em desuso por causarem excesso de umidade na cama.

Cortina de proteção: normalmente é plástica e é acionada por carretilha, manivela e cordões em roldanas presas à estrutura do telhado. É utilizada quando há incidência de ventos fortes, chuvas, insolação excessiva e em casos de mudanças bruscas de temperatura, sendo recomendada a abertura de cima para baixo, visando controle da movimentação do ar dentro do galpão.

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