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SOBRE CIÊNCIA 2010

Resumo Executivo

O atual statusda ciência em torno do mundo

Representação no Brasil

ORelatório UNESCO sobre Ciência 2010completo foi produzido pela equipe da Divisão de Política Científica e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO. A tradução para o português do resumo executivo deste relatório foi produzida pelo setor de Ciências Naturais da Representação da UNESCO no Brasil.

Créditos do Relatório completo:

Diretora de Publicações: Lidia Brito Editora: Susan Schneegans Assistente Administrativa: Sarah Colautti

Agradecemos aos membros da equipe do Instituto de Estatística da UNESCO, por terem contribuído com um vasto acervo de informações para o relatório: Simon Ellis, Ernesto Fernández Polcuch, Martin Schaaper, Rohan Pathirage, Zahia Salmi, Sirina Kerim-Dikeni e a equipe de Indicadores Educacionais.

O relatório se baseia amplamente na experiência dos autores convidados a abordar as principais tendências e o desenvolvimento em pesquisa científica, inovação e educação superior no país ou na região de sua origem. Assim, aproveitamos a oportunidade e para agradecer a cada um dos 35 autores pelo seu comprometimento com a elaboração deste importante relatório.

Créditos da versão em português:

Tradução: Dermeval de Sena Aires Júnior Revisão: Reinaldo Lima Reis Diagramação da versão em português: Paulo Selveira

Agradecemos aos autores Carlos Henrique de Brito Cruz e Hernan Chaimovich pela redação e revisão do capítulo sobre o Brasil.

© UNESCO 2010 SC-20/WS/25

Impresso no Brasil

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

Representação no Brasil

ApresentaçãoIrina Bokova, Diretora-geral da UNESCO

Capítulo 1O crescente papel do conhecimento na economia global Hugo Hollanders e Luc Soete

Capítulo 2Estados Unidos da América J. Thomas Ratchford e William A. Blanpied

Capítulo 3Canadá Paul Dufour

Capítulo 4América Latina

Mario Albornoz, Mariano Matos Macedo e Claudio Alfaraz

Capítulo 5Brasil

Carlos Henrique de Brito Cruz e Hernan Chaimovich

Capítulo 6Cuba Ismael Clark Arxer

Capítulo 7Países da CARICOM Harold Ramkissoon e Ishenkumba Kahwa

Capítulo 8União Europeia Peter Tindemans

Capítulo 9Sudeste Europeu Slavo Radosevic

Capítulo 10Turquia Sirin Elci

Capítulo 11Federação Russa Leonid Gokhberg e Tatiana Kuznetsova

Capítulo 12Ásia Central Ashiraf Mukhammadiev

Capítulo 13Estados Árabes Adnan Badran e Moneef R. Zou’bi

Capítulo 14África Subsaariana

Kevin Urama, Nicholas Ozor, Ousmane Kane e Mohamed Hassan

Capítulo 15Ásia do Sul Tanveer Naim

Capítulo 16Irã Kioomars Ashtarian

Capítulo 17Índia Sunil Mani

Capítulo 18China Mu Rongping

Capítulo 19Japão Yasushi Sato

Capítulo 20República da Coreia Jang-Jae Lee

Capítulo 21Sudeste Asiático e Oceania

Tim Turpin, Richard Woolley, Patarapong Intarakumnerd e Wasantha Amaradasa

Anexos Anexo de Estatísticas

A versão em português do Relatório UNESCO sobre Ciência 2010inclui o capítulo 1 sobre o crescente papel do conhecimento na economia global e o capítulo 5 sobre o Brasil. O Relatório completo consiste nos capítulos indicados abaixo.

UNESCO SOBRE CIÊNCIA 2010

O Relatório UNESCO sobre Ciência é um espelho do desenvolvimento da ciência nos cinco anos recentes, após a publicação do seu antecessor em 2005. Em particular, ele nos mostra como a proliferação da informação digital e das tecnologias de comunicação estão modificando cada vez mais a imagem global, ainda que as disparidades entre os países e as regiões continuem imensas. A acessibilidade à informação codificada em torno do mundo está tendo um efeito radical na criação, acumulação e disseminação de conhecimento, enquanto proporciona, ao mesmo tempo, plataformas especializadas para o trabalho em rede por comunidades científicas que operam em nível global.

A distribuição dos esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre o Norte e o Sul tem se modificado com a emergência de novos atores na economia global. Um mundo bipolar, no qual a ciência e a tecnologia (C&T) eram dominadas pela Tríade composta por União Europeia, Japão e EUA, está se transformando gradualmente em um mundo multipolar com um crescente número de centros de pesquisa públicos e privados no Norte e no Sul do globo. Os antigos novatos e os recémchegados à arena de C&T, incluindo a República da Coreia, o Brasil, a China e a Índia, estão criando um ambiente global mais competitivo, desenvolvendo suas potencialidades nas esferas da indústria, da ciência e da tecnologia. Uma consequência é o aumento da competição entre os países para atraírem cientistas do exterior e manterem ou chamarem de volta seus melhores pesquisadores e pós-graduados que vivem no exterior.

Uma constatação encorajadora do relatório é que o financiamento de P&D continuou expandindo-se globalmente como resultado de um reconhecimento mais forte pelos governos em torno do mundo quanto à importância crucial da ciência para o desenvolvimento socioeconômico. Os países em desenvolvimento que progrediram mais rapidamente nos anos recentes são os que adotaram políticas para a promoção da ciência, da tecnologia e da inovação. Ainda que a África continue atrasada em relação às outras regiões, sinais de progresso podem ser observados em alguns países do continente, que representam hoje uma crescente contribuição ao esforço global de P&D. A contribuição cada vez maior do continente ao acervo global de conhecimentos é uma boa notícia – ainda mais, quando sabemos que a África é uma prioridade da UNESCO. Esse progresso mostra que políticas públicas conscientes e bem direcionadas podem fazer diferença se forem implementadas com compromisso e dedicação, mesmo em meio a circunstâncias difíceis.

No entanto o relatório também aponta para persistentes disparidades entre os países, e, em particular, para a contribuição marginal feita pelos países menos desenvolvidos (na sigla inglesa, LDCs) à ciência global. Essa situação serve como um apelo a todas as partes interessadas, incluindo a UNESCO, para que renovem o seu apoio aos LDCs em termos de investimento na ciência, transformando o ambiente político e promovendo os ajustes institucionais necessários – em outras palavras, para permitirem que a C&T realize o seu potencial como uma alavanca fundamental no desenvolvimento. Essa é uma tarefa ampla e complexa que só poderá ser cumprida por meio de uma grande mobilização de políticas públicas em favor da ciência. A mobilização das políticas públicas continua sendo crucial para a construção das capacidades humanas e institucionais a fim de se vencer o hiato do conhecimento e empoderar os países em desenvolvimento na construção de habilidades adequadas de pesquisa científica, para que possam lidar com os desafios nacionais e globais. Para nós, é um imperativo moral fazer com que a ciência global se torne uma ciência inclusiva.

Existem dois cenários possíveis para a maneira como a geopolítica da ciência moldará o futuro. Um se baseia na parceria e na cooperação, enquanto o outro, na busca pela supremacia nacional. Estou convencida de que, mais do que nunca, a cooperação científica regional e internacional será vital para lidarmos com os desafios interligados, complexos e crescentes com que nos defrontamos. Cada vez mais, a diplomacia internacional tomará a forma da diplomacia científica nos próximos anos. A esse respeito, a UNESCO deve se esforçar e se esforçará para fortalecer as parcerias e a cooperação internacional, em particular a cooperação Sul-Sul. A dimensão científica da diplomacia foi um dos motivos originais para a inclusão da ciência no mandato da UNESCO. Ela tem um significado fundamental para a Instituição nos dias atuais, pois a ciência alcançou um tremendo poder de moldar o futuro da humanidade, e já não faz sentido planejar políticas científicas em termos estritamente nacionais. Essa realidade se mostra de maneira mais evidente nas questões ligadas às mudanças climáticas globais, e na maneira como as sociedades precisarão lidar com ela por meio de economias verdes.

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