Cap11 - Uma - introdução - a-criatividade

Cap11 - Uma - introdução - a-criatividade

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Uma introdução à criatividade11

Sandra R.H. Mariano Verônica Feder Mayer

8 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

Meta Apresentar o conceito de criatividade.

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Iniciar um processo de resgate do potencial criativo. 2. Identificar o que é criatividade. 3. Diferenciar criatividade de inovação. 4. Identificar os mitos que envolvem a criatividade. 5. Avaliar as atitudes criativas.

Guia da Aula

1. O que é criatividade? 2. Criatividade e inovação 3. Mitos da criatividade4. A personalidade criativa

8 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder MayerAula 1 – Uma introdução à criatividade :: 9

A criatividade é ubíqua Domenico De Masi

Por onde quer que tenha passado, o homem pré-histórico deixou testemunhos da sua criatividade. Devido a uma confluência de causas econômicas, geográficas, climáticas, antropológicas e somáticas, essa faculdade única e multifacetada espalhou a sua fecundidade, sobretudo no Oriente Médio, mas pode-se afirmar que não exista lugar do planeta onde, desde a pré-história, primeiro os hominídeos e depois os seres humanos não tenham dado prova de fantasia e concretude.

Na África aprendemos a caminhar sobre os dois pés, a usar as mãos para construir utensílios, a valorizar o aparelho fonador para traduzir idéias em sons e sons em palavras. No Oriente Próximo, na França e na China aprendemos a transformar as pedras em facas e a caçar os animais usando armadilhas. Ainda na China nos tornamos hábeis no cultivo do bicho-daseda e na manufatura de tecidos vaporosos. Na região onde hoje fica Nice aprendemos a acender o fogo. Em Nazaré, a enterrar os mortos. Na Rússia começamos a admirar o mundo dos espíritos. Na França, no Brasil e no México pintamos figuras de viva beleza nas cavernas. Na Áustria aprendemos a moldar estatuetas de uma opulência inquietadora. No altiplano iraniano, na Mesopotâmia, na Palestina, na Anatólia e no Turquestão nos tornamos capazes de cultivar o trigo, de fazer girar a roda, de escrever, de usar os números, de interpretar o curso dos astros, assim como de comercializar com países longínquos.

Na Líbia cunhamos as primeiras moedas. No Peru e no México aprendemos a cultivar o milho e, mais tarde, na China aprendemos a produzir arroz. Para colher, guardar e esmagar esses cereais inventamos cestas, pilões e moendas.

Há vinte mil anos os nossos ancestrais siberianos já haviam povoado toda a América do Norte, e os antípodas, outros nômades, haviam chegado à Austrália e à Nova Guiné. A invenção do timão, da vela, da escrita e da moeda contribuiu para o incremento do comércio, o intercâmbio das mercadorias, das experiências e das culturas.

Talvez na Jordânia tenhamos aperfeiçoado a cerâmica e domesticado o cachorro para defesa e para tração; em várias regiões da Europa e do Oriente Próximo domesticamos a cabra para nos dar o leite, a ovelha como fornecedora da lã, o porco como fonte de carne, o cavalo para o nosso transporte, assim como as galinhas para a refeição. Certamente na Mesopotâmia tivemos a idéia genial de pôr o arreio nos bois, transformando-os em tratores.

Ubíqua

Propriedade de estar ao mesmo tempo em toda parte; onipresente.

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Na Sérvia inventamos o vilarejo pacífico, sem fortificações; já na Grécia criamos aquele mais belicoso e murado; ao longo do Danúbio inventamos os primeiros municípios. Nos Bálcãs aprendemos a forjar o bronze e na Anatólia inventamos fornos para a fusão do cobre.

Na Inglaterra conseguimos alçar ciclópicos megalíticos; na Palestina e no Egito aprendemos a construir templos e pirâmides de proporções incomensuráveis; na Espanha aprendemos a forjar o bronze em grande escala e na Turquia descobrimos e protegemos os segredos do ferro”.

Na Mesopotâmia redigimos as primeiras leis; no Egito recolhemos a palavra poética e teológica de Deus; na Grécia, a palavra dramática e filosófica dos homens. E se na Pérsia inventamos a ditadura, na Grécia criamos a democracia (DE MASI, Domenico. Criatividade e Grupos Criativos. Rio de Janeiro: Sextante, 2003, p. 122-123).

Ciclópicos megalíticos

É o termo que designa construções de grandes blocos de pedras, típicas das sociedades pré-históricas, edificadas essencialmente no período neolítico. Os ciclópicos megalíticos são gigantescos monumentos de pedra que, entre o quinto e o segundo milênio a.C. apareceram sobre uma vasta área que se estende da costa atlântica de Portugal, da França e das ilhas britânicas até ao Oriente mediterrâneo. Algumas lajes atingem o peso de mais de cinqüenta toneladas. O monumento Stonehenge, que foi projetado para permitir a observação de fenômenos astronômicos, é o mais visitado e conhecido dos círculos de pedra da Inglaterra, localizado próximo a Amesbury, a cerca de 10 quilômetros a Noroeste de Salisbury.

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1. O que é criatividade?

Você pôde ver, no texto de abertura da aula, que a criatividade é uma manifestação existente desde os primórdios da história humana.

A capacidade de criar é uma característica marcante do homem, o único animal que desenvolveu a espiritualidade, sonha com o futuro, desenvolve tecnologia e se expressa por meio da arte.

Para onde quer que nos voltemos, encontramos os frutos (bons ou maus) da criação do homem. Estamos cercados pela inovação, pelas idéias e pela força da inventividade. A criatividade está presente nas artes, na medicina, na sociologia, no marketing, nas finanças, na educação, na administração, no jornalismo, e até nas mais simples tarefas do dia-a-dia. Enfim, em tudo. A diversidade de manifestações criativas explica as muitas visões que se tem da criatividade.

Mas você acha que é possível dizer que a criatividade é a mesma na dança, no teatro, nas artes plásticas, nos negócios e na ciência? Apesar de constituírem campos bastante diferentes, com objetivos distintos e manifestações características, as pesquisas sobre o funcionamento do cérebro humano indicam que o processo criativo envolve as mesmas funções e áreas cerebrais, tanto na arte como na ciência e nos negócios.

Em uma perspectiva abrangente, a criatividade pode ser definida como o processo mental de geração de novas idéias por indivíduos ou grupos. Uma nova idéia pode ser um novo produto, uma nova peça de arte, um novo método ou a solução de um problema. Podemos usar a criatividade para divertir, inovar, transformar a sociedade e para deixar uma marca no tempo.

A criatividade é, portanto, um processo cognitivo ligado ao desenvolvimento de uma idéia, concepção ou descoberta. É uma poderosa técnica para solucionar problemas e requer uma atitude aberta e questionadora perante o mundo. Como é um processo, a criatividade pode ser estudada, compreendida e aperfeiçoada.

Cognitivo

Derivado de cognição.

O conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, reconhecimento etc.

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2. Criatividade e Inovação

Inovação e criatividade são coisas diferentes. Mas, você sabe qual é a diferença entre elas? Enquanto a criatividade é o processo de gerar idéias e pensar coisas novas, a inovação é o processo de transformar idéias em produtos, processos ou serviços que tenham valor para a sociedade. Portanto, a inovação é a consolidação de uma idéia.

Na verdade, a criatividade está na base do processo de inovação. Sem geração de idéias não há como inovar. E para promover a inovação, é necessário desenvolver a capacidade criativa dos indivíduos e da organização.

Curiosidade Johnny e as moedas

Os amigos de Johnny, um garoto australiano de cinco anos, lhe oferecem uma escolha entre duas moedas: uma maior, de $1, e outra menor, de $2, dizendo que ele pode ficar com uma delas. Ele escolhe a moeda maior, de $1. Seus amigos consideram-no estúpido por não saber que a moeda menor vale o dobro. Sempre que querem que ele passe por bobo, os amigos lhe oferecem a mesma escolha e Johnny sempre apanha a moeda de $1, parecendo que nunca aprende.

Um dia, um adulto que observou a transação chama Johnny de lado e lhe diz que a moeda menor, na verdade, vale mais que a maior – embora possa parecer o contrário.

Johnny escuta educadamente e diz: “Sim, eu sei disso. Mas quantas vezes você acha que eles iriam me oferecer moedas, se eu tivesse escolhido a moeda de $2 na primeira vez?” (DE BONO, 2008).

Curiosidade

Inovação Idéia

Segundos os especialistas em Marketing e Propaganda, Roberto Duailibi e

Harry Simonsen Jr., toda empresa é a solução criativa para uma angústia gerada por um problema. O homem de negócios identifi ca uma necessidade não satisfeita, ou mal satisfeita, e vê nela a oportunidade de inovar e empreender.

Idéia Idéia

Idéia Idéia

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Idéia

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