Diretrizes coletas final

Diretrizes coletas final

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Registro de exsicata: para controle, será lançado em um livro ou caderno, o número de registro, nome e número do coletor, local e data da coleta e nome científico.

Tratamento e conservação: é prudente fazer o tratamento das exsicatas, antes de inserí-las na coleção, para evitar a contaminação do acervo. A forma mais prática é por meio do congelamento, por um período de sete dias, quando for utilizado freezer comum. Pode-se fazer uso de Gastoxin a base de fosfina, seguindo as determinações técnicas, de uma empresa especializada. A coleção deve ser conservada a uma temperatura média de 18-23º C e umidade a 40-60% diariamente.

Reconhecer um espécime como uma unidade biológica é a principal preocupação que se deve ter para o estabelecimento da identificação científica como necessidade básica. Identificar nada mais é do que determinar a individualização do vegetal, ou seja, indicar nominativamente o valor sistemático do material botânico, debaixo do qual fica firmado cientificamente seu significado biológico.

Estudos morfológicos envolvendo caracteres vegetativos de espécies comerciais requerem tempo, visto que é muito difícil coletar material botânico fértil, primeiramente, pela dificuldade de acesso às árvores (distância x recursos), e, também pelas espécies apresentarem diferentes épocas de floração que muitas vezes não coincidem com as excursões botânicas, ou ainda, quando estão em período fértil, produzem flores diminutas a muitos metros do solo, passando desapercebidas pelos coletores.

A identificação científica requer conhecimentos de taxonomia e sistemática vegetal baseada em estruturas reprodutivas das plantas (flores e frutos), equipamentos e literaturas especializadas, além de uma larga experiência em trabalhos de laboratório. Estas tarefas demandam muito tempo que vão de encontro ao tempo necessários àas atividades de exploração madeireira na Amazônia.

Como solução a estes problemas podemos realizar a identificação através da dendrologia (ciência que realiza identificações, utilizando estruturas vegetativas). Na identificação dendrológica o identificador utiliza basicamente características de folhas e tronco, porém de forma bem detalhada e procurando fazer associações com os padrões que se repetem em muitos indivíduos observados.

São necessários conhecimentos básicos de morfologia vegetal e principalmente a confecção de um clapton herbário (coleção de plantas desidratadas dispostas em pastas arquivo), e a implementação de coletas botânicas com as respectivas amostras enviadas a um herbário para realizar as

Estruturas vegetativas básicas necessárias à identificação dendrológica FOLHA

Estípulas: na base das folhas; quando na base dos folíolos é denominada estipela

Domáceas: estrutura desenvolvida em algumas plantas para abrigar insetos

Pêlos/tricomas: podem estar em todas as partes da planta (ramos, pecíolos, limbos etc.)

Folha simples: limbo inteiro alterna espiralada

Folha composta: limbo dividido pecíolo

Limbo ou lâmina folíolo ráqui peciólulo pulvíno Filotaxia: disposição das folhas no ramo pecíolo alterna dísticaoposta dística pina

Pecíolo engordado e oco para abrigar formigas

Glândulas: segregam néctar que alimenta insetos (formigas) 36

Estruturas vegetativas básicas necessárias à identificação dendrológica FOLHA

Estípulas: na base das folhas; quando na base dos folíolos é denominada estipela

Domáceas: estrutura desenvolvida em algumas plantas para abrigar insetos

Pêlos/tricomas: podem estar em todas as partes da planta (ramos, pecíolos, limbos etc.)

Folha simples: limbo inteiro alterna espiralada

Folha composta: limbo dividido pecíolo

Limbo ou lâmina folíolo ráqui peciólulo pulvíno Filotaxia: disposição das folhas no ramo pecíolo alterna dísticaoposta dística pina

Pecíolo engordado e oco para abrigar formigas

Glândulas: segregam néctar que alimenta insetos (formigas)

MORFOTIPAGEM Consiste na separação de espécies por características morfológicas de tronco, folhas, flores e frutos. Apresentamos as características dendrológicas básicas que separam 25 das principais famílias de espécies florestais da Amazônia. PRINCIPAIS FAMÍLIAS DE ESPÉCIES FLORESTAIS DA AMAZÔNIA

Anacardiaceae (caju-açu, tatapiririca, muiracatiara): folhas alternas, compostas ou simples; resina ou látex estão presentes na casca e/ou folhas.

Annonaceae (envira): folhas simples, alternas dísticas (espiraladas apenas em Tetrameranthus); fibrasou “envira” longas e resistentes na casca; o corte no tronco evidencia marcas de chama e exala odor forte; nas folhas ocorrem tricomas (”pêlos”) especialmente em Duguetia e Tetrameranthus.

Apocynaceae (araracanga, caraparanúba, sorva, sucuúba): folhas simples, opostas podendo ocorrer verticiladas ou alternas, exsuda látex branco as vezes visível apenas nos ramos terminais quando pode ser avermelhado

Bignoniaceae (parapará, ipê): folhas compostas e opostas, presença de glândulas em quase todas as estruturas vegetativas; nas lianas ocorrem gavinhas.

Bombacaceae (sumaúma): folhas alternas, simples (quando tem base trinervada) ou compostas palmadas (sumaúma), muitas vezes com pêlos estrelados ou escamas.

Boraginaceae (freijó): folhas simples, alternas, podendo ocorrer opostas ou verticiladas; uma folha na base da bifurcação dos ramos é encontrada.

Burseraceae (breu): folhas compostas, alternas, nos folíolos de Protium ocorrem pulvínulos (base do peciólulo engordada), a margem do folíolo pode ser inteira ou serreada; resina aromática é encontrada em quase todas as partes da planta.

Caryocaraceae (piquiá, piquiarana): folhas trifolioladas, alternas (Caryocar) ou opostas (Anthodiscus), margem denteada, estípulas e estipelas persistentes ou caducas (caem ao amadurecer), são pilosas; no tronco é comum a presença de lenticelas.

Celastraceae (cupiúba): folhas simples, alternas, estípulas caducas; um par de veias saindo da base e perpendiculares a veia principal é encontrado em Goupia.

Chrysobalanaceae (casca-seca, parinari, coco-pau): folhas alternas, simples, estípulas caduas ou persistentes; presença de um par de glândulas na base da lâmina, no pecíolo ou espalhadas na lâmina é comum na maioria das espécies.

Clusiaceae (bacuri, anani): folhas simples, opostas; exsuda látex colorido (bege, amarelo e alaranjado) no tronco e folhas. O padrão das nervuras (geralmente as terciárias são paralelas) é um carácter importante a ser observado.

Combretaceae (tanimbuca): folhas simples, alternas ou opostas, agrupadas no ápice dos ramos dispostos ritmicamente; presença de glândula na lâmina foliar e domáceas nas axilas das nervuras secundárias. Base do tronco geralmente com grandes sapopemas.

Elaeocarpaceae (urucurana): folhas simples, alternas ou opostas (Sloanea), pecíolos cilíndricos ou canaliculados, comumente dilatados na base. Base do tronco sempre com sapopemas.

Euphorbiaceae (seringueira): folhas simples e alternas na maioria das espécies, compostas em Hevea (seringueira) e opostas em Sandwithia, exsuda látex leitoso e é comum a presença de glândulas na base do limbo ou no ápice do pecíolo.

Flacourtiaceae (pau-jacaré): folhas simples, alternas dísticas ou agrupadas no ápice dos ramos (Carpotroche), a margem é geralmente serrilhada ou crenada; podem ocorrem pontuações translúcidas nas folhas e estípulas pequenas e caducas.

Lauraceae (louro, pau-rosa): folhas simples, alterno-espiraladas, raramente opostas (Licaria) ou dísticas, sem estípulas, é frequente estarem agrupadas no ápice dos ramos (Mezilaurus, Sextonia, Aniba, Endlicheria e Licaria). No tronco é comum a presença de lenticelas e ao corte exala odor forte.

Lecythidaceae (matamatá, tauari, sapucaia, castanha-do-pará): folhas simples, alternas, margem inteira ou serrilhada (sapucaia); no tronco ocorrem fibras (”enviras”) que pode confundir com Annonaceae, o cheiro é característico de linhaça. Em tauari ocorrem grandes sapopemas na base do tronco até quase a copa.

Leguminosae ou Fabaceae - Caesalpioideae, Mimosoideae e Papilionoideae (faveiras, angelins, cumaru): folhas geralmente compostas, podendo ocorrer folhas simples. Mimosoideae predomina o tipo bipinada

(pinada em Inga), glândulas ausentes (exceto em Dinizia e Entada), exsudam ao corte seivas coloridas e gomas; 38

Chrysobalanaceae (casca-seca, parinari, coco-pau): folhas alternas, simples, estípulas caduas ou persistentes; presença de um par de glândulas na base da lâmina, no pecíolo ou espalhadas na lâmina é comum na maioria das espécies.

Clusiaceae (bacuri, anani): folhas simples, opostas; exsuda látex colorido (bege, amarelo e alaranjado) no tronco e folhas. O padrão das nervuras (geralmente as terciárias são paralelas) é um carácter importante a ser observado.

Combretaceae (tanimbuca): folhas simples, alternas ou opostas, agrupadas no ápice dos ramos dispostos ritmicamente; presença de glândula na lâmina foliar e domáceas nas axilas das nervuras secundárias. Base do tronco geralmente com grandes sapopemas.

Elaeocarpaceae (urucurana): folhas simples, alternas ou opostas (Sloanea), pecíolos cilíndricos ou canaliculados, comumente dilatados na base. Base do tronco sempre com sapopemas.

Euphorbiaceae (seringueira): folhas simples e alternas na maioria das espécies, compostas em Hevea (seringueira) e opostas em Sandwithia, exsuda látex leitoso e é comum a presença de glândulas na base do limbo ou no ápice do pecíolo.

Flacourtiaceae (pau-jacaré): folhas simples, alternas dísticas ou agrupadas no ápice dos ramos (Carpotroche), a margem é geralmente serrilhada ou crenada; podem ocorrem pontuações translúcidas nas folhas e estípulas pequenas e caducas.

Lauraceae (louro, pau-rosa): folhas simples, alterno-espiraladas, raramente opostas (Licaria) ou dísticas, sem estípulas, é frequente estarem agrupadas no ápice dos ramos (Mezilaurus, Sextonia, Aniba, Endlicheria e Licaria). No tronco é comum a presença de lenticelas e ao corte exala odor forte.

Lecythidaceae (matamatá, tauari, sapucaia, castanha-do-pará): folhas simples, alternas, margem inteira ou serrilhada (sapucaia); no tronco ocorrem fibras (”enviras”) que pode confundir com Annonaceae, o cheiro é característico de linhaça. Em tauari ocorrem grandes sapopemas na base do tronco até quase a copa.

Leguminosae ou Fabaceae - Caesalpioideae, Mimosoideae e Papilionoideae (faveiras, angelins, cumaru): folhas geralmente compostas, podendo ocorrer folhas simples. Mimosoideae predomina o tipo bipinada (pinada em Inga), glândulas ausentes (exceto em Dinizia e Entada), exsudam ao corte seivas coloridas e gomas;

Caesalpinoideae ocorrem bipinada, pinada e bifoliolada, glândulas presentes somente em Batesia e Cassinae; Papilionoideae encontram-se folhas pinadas, trifolioladas, unifolioladas, ausência de glândulas e o corte no tronco exsuda seiva colorida e goma.

Meliaceae (andiroba, cedro, mogno): folhas compostas com folíolos alternos ou opostos; nectários extraflorais podem ser encontrados no pecíolo e ráquis; glândulas podem estar dispersas na lâmina foliar.

Moraceae (tatajuba, amapá): folhas alternas (alternas em Bagassa), espiraladas (Ficus) ou dísticas, estípulas presentes em geral no fim dos ramos; presença de látex leitoso no tronco e folhas.

Myristicaceae (ucuúba): a plagiotropia dosgalhos (disposto na horizontal) é característico; as folhas são alternas dísticas, sem estípulas e com pecíolo canaliculado; a casca ao corte quebra em quadrados e exsuda seiva avermelhada ou translúcida que em contato com o ar oxida a vermelha.

Rutaceae (pau-amarelo): folhas basicamente alternas, raramente opostas, simples ou compostas; a principal característica é a presença de pontos translúcidos na lâmina foliar. Acúleos podem ser encontrados no caule ou nas folhas.

Sapotaceae (maçaranduba, maparajuba, abiu, curupixá): folhas alternas, espiraladas, raramente opostas, agrupadas no ápice dos ramos ou dísticas. A presença de látex branco no tronco é característico, mas este pode estar ausente em algumas espécies.

Simaroubaceae (marupá): folhas alternas, compostas, sem estípulas e as vezes com glândulas no ápice dos folíolos.

Vochysiaceae (quaruba, mandioqueiro): folhas simples, opostas ou verticiladas, pequenas estípulas estão presentes assim como glândulas junto ao pecíolo.

São pequenas coleções de referência montadas em folhas de cartolina no tamanho A4, armazenadas em sacos plásticos bemvedados para evitar a entrada de insetos e xilófagos eorganizadostos em fichários “tipo A-Z”

Quando não dispor do espaço exigido, ou mesmo de recursos financeiros, para instalar uma coleção tipo “mini-herbário”, esta coleção poderá ser organizada em forma de fichários, procedendo da seguinte maneira: - coletar as amostras de acordo com as técnicas de coleta e herborização de material botânico; - das amostras coletadas, enviar uma para identificação em herbário;

- separar outra para montar uma pequena amostra em cartolina no tamanho A4, acompanhada da etiqueta com todas as informações coletadas no campo e nome científico determinado pela identificação em herbário; - colocar cada mini-exsicata em sacos plásticos do tipo fichário, do mesmo tamanho da cartolina, vedados e protegidos contra o ataque de insetos; - organizar em fichários tipo A-Z e guardar em locais com pouca umidade e temperatura controlada.

Estas amostras podem ser levadas ao campo pelo identificador quando for necessário.

No caso de empresas madeireiras, pequenas amostras de madeira evidenciando os três cortes (transversal, tangencial e radial), associadas às respectivas amostras botânicas podem formar uma “mini xiloteca” e auxiliar no processo de identificação, também pela madeira.

São pequenas coleções de referência montadas em folhas de cartolina no tamanho A4, armazenadas em sacos plásticos bemvedados para evitar a entrada de insetos e xilófagos eorganizadostos em fichários “tipo A-Z”

Quando não dispor do espaço exigido, ou mesmo de recursos financeiros, para instalar uma coleção tipo “mini-herbário”, esta coleção poderá ser organizada em forma de fichários, procedendo da seguinte maneira: - coletar as amostras de acordo com as técnicas de coleta e herborização de material botânico; - das amostras coletadas, enviar uma para identificação em herbário;

- separar outra para montar uma pequena amostra em cartolina no tamanho A4, acompanhada da etiqueta com todas as informações coletadas no campo e nome científico determinado pela identificação em herbário; - colocar cada mini-exsicata em sacos plásticos do tipo fichário, do mesmo tamanho da cartolina, vedados e protegidos contra o ataque de insetos; - organizar em fichários tipo A-Z e guardar em locais com pouca umidade e temperatura controlada.

Estas amostras podem ser levadas ao campo pelo identificador quando for necessário.

No caso de empresas madeireiras, pequenas amostras de madeira evidenciando os três cortes (transversal, tangencial e radial), associadas às respectivas amostras botânicas podem formar uma “mini xiloteca” e auxiliar no processo de identificação, também pela madeira.

BIBLIOGRAFIA BOLD, H. C. O reino vegetal. São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo. 1972. 189p. CAMARGOS, J. A A.; CZARNESKI, C.M.; MEGUERDITCHIAN, I.; OLIVEIRA, D. de. Catálogo de árvores do Brasil. Brasília: IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis); Laboratório de Produtos Florestais. 1996. 887p. FONT QUER, P. Dicionario de Botánica. Barcelona: Ed. Labor S. A. 1993. IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Laboratório de Produtos Florestais. Normas de procedimentos em estudos de anatomia de madeira: I. Angiospermae, I. Gimnospermae. Brasília: LPF - Série Técnica, n. 15. 1991. 19p. INPA/KEW, Manual de Herbário. Apostila de acompanhamento do Curso Internacional de Técnicas de Herbário. Manaus, Junho/1998. 151p. INSTITUTO DE BOTÂNICA (São Paulo). Técnicas de Coleta, Preservação e Herborização de Material Botânico. 1984. 61p. (Manual N0 4) IVANCHECHEN, S.L. Estudo morfológico e terminológico do tronco e casca de 30 espécies arbóreas em floresta ombrófila mista. Curitiba: Universidade Federal do Paraná.(Dissertação de Mestrado) 1988. 221p. KUNIOSHI, Y. S. Equipamentos de coleta de espécies florestais nativas. Informe de Pesquisa. (Fundação Instituto Agronômico do Paraná-IAPAR). Paraná, ano I, n.016, 1979. MARCHIORI, J.N.C. Elementos da dendrologia. Santa Maria: Ed. UFMS, 1995. 1630. MARTINS-DA-SILVA, R.C.V. Curso de identificação de espécies florestais. Embrapa Amazônia Oriental, 2001. 60p. MARTINS-DA-SILVA, R.C.V. Identificação de espécimes botânicos. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2001, 60p. (Apostila) Métodos de escaladas em árvores. Curso de coleta de essências florestais. (Apostila)

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