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Ameaças e Oportunidades para o Desenvolvimento do País

DIAGNÓSTICO e PLANO DE AÇÃO

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Índice

1. Introduç ão 3 2.Metodologia e Etapas do Trabalho9 DIAGN ÓSTI CO 13 3.O Transporte no Brasil a Partir dos Indicadores Básicos de Eficiência14 3.1. Aspectos Econômicos17 3.2. Oferta de Transporte19 3.3. Segurança21 3.4. Meio Ambiente & Energia24 4.Principais Causas que Afetam a Eficiência no Transporte de Cargas Brasileiro26 4.1. ODesbalanceamentoda Matriz de Transportes28 4.1.1. O Baixo Preço dos Fretes Rodoviários31 4.1.2. Poucas Alternativas ao Modal Rodoviário40 4.1.3. Barreiras para aIntermodalidade62 4.1.4. Priorização do Modal Rodoviário pelo Governo64 4.2. Legislação e Fiscalização Inadequadas66 4.2.1. Regulamentação do Transporte67 4.2.2. Legislação Tributária e Incentivos Fiscais 72 4.2.3. Fiscalizações Ineficientes75 4.2.4. Burocracia77 4.3. Deficiência da Infra-estrutura de Apoio79 4.3.1. Bases de Dados do Setor de Transportes 80 4.3.2. Tecnologia de Informação82 4.3.3. Terminais Intermodais84 4.4. Insegurança nas Vias86 4.4.1. Roubo de Cargas87 4.4.2. Manutenção das vias90 PLANO DE AÇÃO92

Ap resen tação 93 Frentes de Ação para Melhoria da Eficiência dos Transportes94 Apresentação das Propostas de Ação98 Ane xos 184

C E N T R O D E E S T U D O S E M L O G Í S T I C A 1. Introdução

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1. Introdução

•Fruto de um esforço conjunto da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Centro de

Estudos em Logística (CEL) do COPPEAD-UFRJ, este estudo tem como objetivo realizar um amplo e profundo DIAGNÓSTICO do setor de transporte de cargasno Brasil, assim como elaborar um PLANO DE AÇÃO capaz de atacar os problemas e alavancar oportunidades de melhoria da eficiência e da qualidade dos serviços prestados pelo setor.

•O setor vem convivendo há vários anos com graves problemas, que tem afetado o desempenho das empresas e a qualidade dos serviços oferecidos. Embora seus efeitos sejam conhecidos, faltava um estudo que identificasse suas causas e dimensionasse o tamanho e profundidade dos problemas.

•Para atingir este objetivo, adotou-se uma abordagem analítica rigorosa, que identificou sintomas, analisou problemas, selecionou causas, e elaborou um plano de ação capaz de atacar as causas e eliminar, ou atenuar os problemas.

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1. Introdução

•Para ser completa, uma análise do setor de transporte precisa ser abrangente, e analisar tanto os aspectos econômicos quanto os sociais. Neste estudo buscou-se adotar esta visão abrangente, examinando o setor através de aspectos econômicos, de energia e meio ambiente, de segurança, e de disponibilidade.

•Com o objetivo de mensurar a eficiência do setor no Brasil, fomos buscar comparações com parâmetros internacionais, que fossem considerados benchmark,e que tivessem como origem países com características geográficas semelhantes às nossas. Por esta razão fomos buscar prioritariamente nos Estados Unidos da América, país de dimensões continentais e voltado para a economia de mercado, os principaisparâmetros de comparação.

•O foco central deste trabalho são as ameaças e oportunidades comque se defronta o setor de transporte de cargas no Brasil. Para se entender a importância do mesmo na economia brasileira, basta examinar alguns dados estatísticos apresentados na tabela a seguir.

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1. Introdução

1 Fonte: Balanço Energético Nacional -2000/MME (dados de 1999) e IBGE

2 Fonte: Pesquisa Anual de Serviços –IBGE (dados de 1999)

3 Fonte: Anuário Estatístico2001–Geipot(dados do ano 2000)

Valor adicionado pelo setor de transportes no PIB (%) 4,4%

Valor adicionado pelo setor de transportes no PIB (R$) R$ 42 bilhões

Empregos diretos gerados 1,2 milhões

Total de carga movimentada por ano (em TKU) 746 bilhões

•Sem transportes, produtos essenciais não chegariam às mãos de seus consumidores, indústrias não produziriam, não haveria comércio externo. Qualquer nação fica literalmente paralisada se houver interrupçãode seu sistema de transportes, além disso, transporte não é um bem importável. Nocaso de um país de dimensões continentais como o Brasil, este risco se torna mais crítico.

•O transporte também se caracteriza pelas suas amplas externalidades. Mais do que um simples setor, o transporte é um serviço horizontalizado que viabiliza os demais setores, afetando diretamente a segurança, a qualidade de vida, e o desenvolvimento econômico do país:

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1. Introdução

–Segundo estimativas retiradas do programa de redução de acidentes nas estradas, do

Ministério dos Transportes, os acidentes de trânsito no Brasil são o segundo maior problema de saúde pública do país, sóperdendo para a desnutrição. Alem disso 62% dos leitos de traumatologia dos hospitais são ocupados por acidentados no trânsito.

–Análises apresentadas neste estudo indicam, adicionalmente, que o número de mortes por quilômetro em estradas brasileiras éde 10 à70 vezes superior aquele dos países desenvol vidos.

–Com relação ao consumo de energia estima-se que para cada dólar gerado em nosso

PIB sejam gastos cerca de 84.0 BTUs no setor de transporte. Nos Estados Unidos este índice éda ordem de 65.0 BTUs.

–A produtividade do transporte de carga no Brasil, medida a partir da quantidade de toneladas quilômetro útil produzida por mão de obra empregada no setor, éde apenas 2% daquela apresentada no sistema americano.

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1. Introdução

•Como indicativo das ameaças impostas pela falta de planejamento e controle do setor de transportes nacional, pode-se citar o risco de se ter um transporte incapaz de acompanhar o crescimento da demanda por qualidade, gerando um possível colapso do sistema. Alguns sintomas deste risco jáestão presentes: frota rodoviária com idade média de cerca de 17,5 anos e locomotivas com idade média de 25 anos; estradas com condições péssima, ruim ou deficiente em 78% dos casos; baixa disponibilidade de infra-estrutura ferroviária; baixíssima disponibilidade de terminais multimodais; hidrovias sendo ainda pouco utilizadas para o escoamento de safra agrícola.

•Um pequeno indicativo de como uma melhora do setor de transportepode contribuir para o aumento da eficiência econômica do país pode ser encontrado nos estoques. Estimativas calculadas neste trabalho indicam que cerca de 118 bilhões de reais de excesso de estoque são mantidos pelas empresas brasileiras ao longo das cadeias produtivas como forma de se proteger das ineficiências do transporte, conseqüência de atrasos, acidentes e roubos de carga. Um setor de transportes mais confiável e eficiente poderia diminuir sobremaneira este valor, liberando recursos da ordem de bilhões de reais que poderiam ser reinvestidos em atividades produtivas.

C E N T R O D E E S T U D O S E M L O G Í S T I C A 2. Metodologia e Etapas do Trabalho

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2. Metodologia e Etapas do Trabalho

•Para fins de elaboração deste Diagnóstico, identificou-se a “ineficiência no setor de transportes do Brasil”como o principal problema a ser investigado. Sendo assim, todasas análises apresentadas terão sempre como foco a identificação de causas e soluções para as atuais ineficiências do setor.

•Vale lembrar que cada uma das causas detectadas seráestudada de forma que seja possível identificar qual sua influência no agravamento do problema. Essa investigação envolve a identificação das sub-causas dos problemas e facilitarão a identificação das ações de melhoria a serem priorizadas.

Este estudo baseou-se nos conceitos de uma das mais consagradas ferramentas de gestão da qualidade –o Diagrama Espinha de Peixe. A ferramenta consiste na construção de um diagrama, onde épossível visualizar, de forma estruturada, as principais causas de um problema específico, que precisa ser resolvido.

Diagrama Espinha de Peixe (ouIshikawa) Causa Causa Causa

Causa

Problema Causa

Causa

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2. Metodologia e Etapas do Trabalho

•As três principais etapas deste trabalho são apresentadas abaixo:

•Etapa 1 : Levantamento de dados estatísticos e informações disponíveis em institutos, órgãos públicos e outras instituições:

Consistiu na coleta e análise de indicadores que retratam a situação atual e evolução de cada um dos sub-setores de transporte em relação a tópicos relevantes tais como taxa de acidentes; roubos; características da frota; entre outros.

•Etapa 2 : Entrevistas com membros das associações do setor, órgãos governamentais, usuários, prestadores de serviço eorgãosfinanceiros:

Esta etapa envolveu a preparação, marcação e execução de entrevistas, bem como a compilação de todo o conjunto de informações e sugestões obtidas.

•Etapa 3 : Preparação do DIAGNÓSTICO e sugestão doPLANO DE AÇÃO:

Esta etapa incluiu a organização das informações e conclusões geradas nas etapas anteriores, bem como reuniões de discussão e validação com a Confederação Nacional do Transportes e com os Presidentes das Seções de Especialidades

O trabalho foi dividido em três principais etapas: levantamento de dados secundários; entrevistas com profissionais e especialistas do setor; preparação do diagnóstico e sugestão de planos de ação.

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Etapa 1: Levantamento de Dados Estatísticos

CNT NTC ANT F Ministério dos Transportes Ministério do Planejamento Ministério do Desenvolvimento GEIPOT IPEA IBGE BNDES Banco Mundial Bureau ofTransportation Statistics–EUA Association of A merican R ailroads – EUA International Road Transport Union Pamcary Centronave Anfavea

2. Metodologia e Etapas do Trabalho

O levantamento de dados estatísticos foi realizado a partir da consulta a documentos e relatórios em 17 principais fontes de informações secundárias. Jáa obtenção de dados primários foi realizada a partir de 31 entrevistas com profissionais e. representantes do setor.

Rodoviário

NTC ABTC CNT Brasil Caminhoneiro FETRABENS ANT T DNIT Min. Transportes Pamcary Merc úri o Rapi dão Cometa Araçatuba Expresso Jundiaí Liderbrás Miche lon Luft Gafor

Ferroviário

ANT F ANT T Min. Transportes DNIT Ferron orte Ferrob an Novoeste FCA EFC EFVM CFN

Aquaviário

Syndarma Fenavega CNT ANT AQ Min. Transportes DNIT Multiterminais Aliança Docenave Mercosul Line Hermasa Come rci al Quinte lla

Etapa 2: Entrevistas com Representantes do Setor

Usuários

Cargill Quaker Reckitt

Inst. Financeira BNDES

Ameaças e Oportunidades para o Desenvolvimento do País

3. O Transporte no Brasil a Partir dos Indicadores Básicos de Eficiência

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"Talvez nunca consigamos medir quanto as deficiências da nossa infraestrutura de transportes atrasam o nosso desenvolvimento. Mas que atrasam, atrasam. E muito.“

Geraldo Vianna Presidente da NTC

“Só a melhoria do transporte tornará o país competitivo no contexto internacional”

Newton Gibson Presidente ABTC

3. O Transporte no Brasil a Partir dos Indicadores Básicos de Eficiência

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3. O Transporte no Brasil a Partir dos Indicadores Básicos de Eficiência

•Os parâmetros utilizados para medir a eficiência do transporte de cargas -aquilo que se busca avaliar nesta pesquisa –foram: Aspectos Econômicos; Oferta de Transporte; Segurança e Energia & Meio Ambiente;

•Estes parâmetros são baseados nos objetivos estratégicos do DOT –Departamento de Transporte dos EUA –e visam um maior desenvolvimento econômico e social do país.

•É interessante ressaltar que a análise de cada um destes parâmetros depende de medidas comparativas, sem as quais não se pode fazer qualquer tipo de conclusão sobre o atual estágio do transporte no Brasil. Existiu, portanto, a preocupação em comparar nossos dados com os de outros países, principalmente com os dos EstadosUnidos que possui extensão territorial semelhante a do Brasil e que pode ser consideradobenchmarkmundial em termos de eficiência no setor de transportes.

Segurança

Segurança Aspectos

Econômicos

Aspectos

Econômicos Energia e Meio

Ambien te

Energia e Meio

Ambien te Oferta de

Transporte

Oferta de Transporte

A eficiência do transporte de cargas brasileiro é avaliada, neste estudo, a partir de parâmetros relacionados com aspectos econômicos, oferta de transporte, segurança e energia, e meio ambiente.

Fonte : DO T – U.S.Depa rtmen t of Transpo rta tion Eficiência do Transporte: Parâmetros de Análise

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3.1. Aspectos Econômicos

A produtividade do transporte de cargas no Brasil é apenas 2% daquela registrada no sistema de transporte dos Estados Unidos.

3.1.1. Produtividade do Transporte de Cargas no Brasil

Aquaviário

Brasil EUA

Ferrovi ári o

Brasil EUA

Rodoviário

Brasil EUA

•Uma das mais importantes dimensões a serem analisadas no transporte de cargas brasileiro é a econômica. É interessante ressaltar que umtransporte eficiente economicamente gera grande valor para o desenvolvimento regional e internacional de um país.

•Dentro das questões econômicas, uma das mais importantes medidas é a produtividade do setor. Com relação à esta medida, verifica-se uma grande deficiência no transporte de cargas no Brasil.

•Os gráficos ao lado mostram o quanto cada trabalhador dos diversos subsetores do transporte de cargas produz anualmente em termos de milhões de toneladas quilômetro útil (medida adotada para produção de transporte).

•A produtividade global do sistema de transporte de cargas brasileiro é ainda mais baixo do que aquela encontrada para cada modal individualmente. Explica-se: Ao fazer a opção pelo uso intensivo do modal rodoviário, intrinsicamentemenos produtivo, gera-se um pior desempenho no sistema como todo.

Produtividade do

Setor de Transporte de Cargas 1,0

Brasil EUA Fontes:Geipot2001; Pesquisa Anual de Serviços; IBGE/1998; Bureau ofTransportation Statisticse Bureau of LaborStatistics2000

Produtividade

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3.1. Aspectos Econômicos

A produtividade do transporte de cargas no Brasil também apresenta um baixo desempenho quando comparado com outros setores de nossa economia.

3.1.1. Produtividade do Transporte de Cargas no Brasil

•O gráfico ao lado mostra como diversos setores da economia brasileira se comparam com seus pares nos Estados Unidos, em termos de produtividade da mão-de-obra. Para efeito de comparações, a produtividade americana em cada um dos setores estudados foi estipulada como 100%.

Varejode Alimentos

Proc. Alimentos

Transportede Cargas Au topeça s

Construção Civil

Mon tadoras

Bancosde Varejo Telecomunicaçõe s Transporte Aéreo

Siderurgia

Benchm ark -E UA •A pesquisa que serviu de fonte para este quadro foi realizada pelo InstitutoMcKinseycom dados de 1998, e foi composta por 9 estudos de caso em diversos setores da economia brasileira e dos Estados Unidos.

•Como a produtividade do setor de transporte de cargas brasileiro não fez parte daquele estudo, incluimos nossos cálculos de produtividade como forma de avaliarmos a situação deste setor no contexto da produtividade brasileira.

•O que se percebe, é que o transporte de cargas no Brasil é um setor com produtividade bem abaixo da mediana nacional, ficando à frente de apenas dois setores; varejo e processamento de alimentos.

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