Revolution9909 - pt

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(Parte 1 de 3)

Revolution 9-09 é uma exposição sobre design português nas áreas de design gráfico e de produto. Reunindo cerca de 190 projectos de mais de 70 designers e estúdios, apresenta uma visão da produção nacional dos últimos 10 anos através de um acervo que ultrapassa as 420 peças.

Com um horizonte temporal definido, esta retrospectiva propõe uma perspectiva curatorial específica e não exaustiva, apresentando um dos muitos olhares possíveis sobre o design português da última década. Sem nunca pretender identificar ou definir um “design nacional”, propõe acima de tudo abrir caminho à reflexão e ao debate em torno da existência de linguagens e metodologias específicas ao contexto geográfico e cultural português, registando e celebrando a sua vitalidade.

Revolution 9-09 combina duas vertentes distintas no itinerário expositivo. Na área do design de produto, e através de uma diversidade de tipologias, materiais e escalas, reflecte algumas das problemáticas e explorações conceptuais que têm inspirado vários designers portugueses. São mostradas peças únicas, edições limitadas ou peças destinadas à produção em série para o grande público.Como exemplo de denominadores comuns nesta selecção palácio quintela / 17 Jun — 5 Set 2010 podemos identificar aspectos de ordem social e económica ligados à produção industrial, bem como o seu impacto cultural e ambiental; a junção da herança do fabrico artesanal com a lógica do pensamento projectual contemporâneo e os requisitos do mercado, e um forte sentido de humor e do lúdico.

No âmbito do design gráfico, o panorama é tão heterogéneo quanto rico em vocabulários, formatos e contextos. O aumento do fluxo e intensidade da comunicação visual da última década significou uma multiplicação de mensagens e suportes por parte de empresas, organismos oficiais e pequenos agentes independentes, com destaque para a indústria cultural. No design gráfico, a perspectiva curatorial de Revolution 9-09 não inclui o trabalho realizado por agências de publicidade, centrandose em designers mais experimentalistas, que assumem uma postura francamente autoral. Juntamente com peças de grande distribuição como cartazes, convites ou brochuras e exemplos de design editorial, Revolution 9-09 integra ainda packaging e design de fontes, áreas em que os designers portugueses se têm destacado nos últimos anos.

A narrativa da exposição segue uma organização por autor sem colocar em diálogo directo o design de produto e o design gráfico. No site específico, e de forma a permitir diferentes leituras da selecção curatorial, são apresentados dois percursos, um idêntico ao do Palácio Quintela e outro que organiza os dois acervos por cada um dos 10 anos que definem o horizonte temporal de Revolution 9-09.

Para a experimentadesign, a realização de Revolution 9-09 é uma forma de assinalar os 10 anos da Bienal EXD em Lisboa e, acima de tudo, é um modo de celebrar o dinamismo e importância do design português.

5ALvA
9André Cruz
1Andrew Howard
13António Policarpo
14Barbara Says...
18Cãoceito
21Carvalho Bernau
2Cristina Reis
24Dino dos Santos
25Drop
27FBA.
28Filho Único
30Flúor
31Gráficos do Futuro
32Henrique Cayatte Design
34Joana & Mariana
36João Maio Pinto
39João vinagre
40Mackintóxico
42MAGA
43Manuel Granja
4Marco Oliveira
46Mário Feliciano
47Martino & Jaña
48Musa WorKlab
50-Nada-
51Nuno Coelho
52Pacifica
54Pedro Falcão
56R2
57Rev Design
58RMAC
60Silva!designers
63vera Tavares
64vivóeusébio
6Alda Tomás
68Cal Design Dedicado
69Daniel Caramelo - Diverge Design
70Dasein
71Eduardo Benamor Duarte e Caterina Tiazzoldi
72Elder Monteiro
73Experimenta o campo
75Fernando Brízio
7Filipe Alarcão
78Francisco Providência
80Gonçalo Prudêncio
81Henrique Ralheta
82Hugo Amado
83Hugo Silva
84Joana Morais e Joana Tordo (JOMOJOTO)
85João Sabino
86Jorge Luis (Bleach Design)
87José viana
8KrvKurva (Jorge Moita e Daniela Pais)
89Luís Pessanha
90Marco Sousa Santos
91Miguel Rios Design
92Miguel vieira Baptista
95Naulila Luís
96Patricia Aguiar
97Pedrita
100Pedro Silva Dias
101Pedro Sottomayor
102Rita Filipe
103Rui Sampaio de Faria
104Sam Baron e Júlio Dolbeth
106Studio veríssimo
107Susana António
108The-home-project
110Por ano
122Bios

deSign gráfico deSign de produto

4 Design Gráfico alva lux Jazz Sessions (convite), 2007

alva luX passagem de ano 2007/08 (convite), 2007

alva luX 10º aniversário (convite), 2008

alva catálogo offf , 2009 redBull lXtaster2009, 2009

andrÉ cruZ the laSt poetS (mupi), casa da Música, 2009 Mupi para concerto dos norte-americanos The Last Poets, é parte de uma série de 7 cartazes para promoção do festival Música e Revolução que decorre em Abril na Casa da Música. Procura retratar o ambiente que propiciou a formação deste grupo, em luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos. No “braço” pode ler-se um pormenor de um poema de Little Willie Kgostile, figura que deu origem ao nome do grupo.

andrÉ cruZ neXuS (revista), 2008 Publicação independente, produzida com recursos escassos, e que compila uma série de entrevistas realizadas à volta do tema “Práticas Interdisciplinares”. Com ilustrações de Catarina Martins, este livro foi publicado sem capa, com a costura da lombada visível.

andreW hoWard

MãoS 31 (revista), 2008 O design gráfico é um processo de dar forma. As formas que cria não são meros portadores de conteúdos antes tornamse parte dele, pois as escolhas do tipo de letra e do arranjo tipográfico, da cor, espaço, tratamento fotográfico, papel, técnica de impressão, formato e acabamento, tornam-se um meio para transmitir algo. E cada uma dessas escolhas tem implicações na forma como o conteúdo é entendido e interpretado. É esta a beleza e a magia do design. A Mãos é uma publicação dedicada à temática das artes e ofícios, quer tradicionais, quer contemporâneos; uma actividade que envolve a utilização meticulosa de grande variedade de materiais, técnicas e aplicações. Este foi o ponto de partida para o novo design da Mãos: reflectir e espelhar a riqueza e diversidade das actividades artesanais, criando um design que varia de número para número, um design que explora as possibilidades da impressão e adopta diferentes linguagens visuais, conforme os vários temas e tópicos. Deste modo esperamos atingir uma relação mais próxima e mais expressiva entre forma e conteúdo e produzir uma publicação que seja, ela própria, um objecto artesanal.

idioMS (livros), 2006-08 Na nossa vida quotidiana vemosnos rodeados de múltiplas formas de comunicação visual. Em todo o lado deparamo-nos com o trabalho de designers gráficos; das caixas de cornflakes, impressos das Finanças, jornais e sinais de trânsito aos livros, anúncios publicitários, logótipos de empresas e web design. Todo este trabalho gráfico envolve uma busca de formas visuais através das quais transmitir exprimir mensagens, informação e ideias. O resultado desta busca vai moldar a aparência das coisas mas simultaneamente vai fazer com que o trabalho do desgner penetre muito para além da superfície. Cada escolha de imagem, selecção de palavras, combinação gráfica, solução visual se torna numa forma de dizer algo, uma narrativa visual que se torna parte do nosso dialogo social, convertendo assim a natureza daquilo que é transmitido na comunicação de âmbito público numa problemática que a todos diz respeito.

perSonal vieWS (flyers), 2008 Concebida por Andrew Howard, esta série de conferências reuniu na ESAD Matosinhos um notável conjunto de designers, autores e docentes da esfera do design gráfico. O objectivo era analisar as definições e práticas no design gráfico contemporâneo, através da discussão e partilha de experiências, valores e objectivos dos intervenientes.

ahaB editora (livros), 2009 Esta pequena editora independente especializa-se em literatura em língua estrangeira nunca antes traduzida para o mercado português. Para além da identidade, foi concebido o projecto gráfico – formato, tratamento tipográfico e layout – para todos os livros. Em vez de um sistema gráfico fixo para todas as capas, optou-se por estabelecer um princípio orientador: explorar a disposição dos principais elementos – título e autor – criando uma ilustração textual, uma composição interpretativa para cada título.

andreW hoWard

antónio policarpo feito à Mão (packaging), 2009 Dentro do conceito Food+Design, desde 2004 o projecto Boa Boca Gourmet tem vindo a aliar a produtos alimentares artesanais portugueses de elevada qualidade uma imagem sofisticada e apelativa, visível na identidade e no packaging.

BarBara SayS...

flirt 6-17 (revistas), 1998-2000 “Flirt é: um fax, um computador e uma carrinha.” dizia o editorial do número zero. A flirt foi um projecto editorial, uma joint-venture entre a Zé dos Bois e a barbara says que durou 27 números. Em tempo de vacas gordas com a Expo’98 à porta, a flirt era um bastião da resistência underground e a prova que havia vida cultural no outro extremo da cidade. Design gráfico: António Silveira Gomes, Nuno Horta Santos e José Albergaria

BarBara SayS...

aniverSário ZdB (cartaz), 2005 Cartaz do 10º aniversário da zdb muzique. O lettering foi exectuado com o letraset para desenho electrotécnico. Tocaram os Xiu Xiu, Electronicat e Miss le Bomb. Designer Gráfico: António Silveira Gomes coSMopoliS (cartaz), 2005 Um festival de música distribuído por vários espaços de Lisboa, patrocinado por um “Cosmos” de marcas de cerveja, instituições culturais publicas e privadas, e outras entidades. A ZDB recebeu 4 dias de concertos intensivos, com bandas como os Duran Duran Duran, Blevin Blectum, My Cat is an Alien e o nosso Rafael Toral. Designer Gráfico: António Silveira Gomes

BarBara SayS...

cineMa portugal + pic (cartazes e programa), 2006 -07 Campanha de promoção do cinema português. Decidiu-se reapropriar a linguagem das plantas de salas de cinema, visto que o projecto pretendia reflectir sobre o cinema enquanto espaço e local de sociabilização. Direcção de arte e design: António Silveira Gomes. Project manager: Cláudia Castelo. Designer gráfico: Marco Balesteros

oporto (flyers), 2006-2010 Oporto é um estúdio e uma sala de visionamento em Lisboa. Ocupando as antigas instalações do sindicato dos marinheiros mercantes, apresenta ocasionalmente um filme ou vídeo experimental. O espaço é dirigido pelo artista Alexandre Estrela, em colaboração com o atelier e o artista Miguel Soares. Os flyers são produzidos em vários meios de impressão ex: offset, xerografia, tipografia e Riso print gocco.

BarBara SayS...

rigo 23 (cartaz), 2006 “Quando um Sábio aponta para a lua o idiota olha para o dedo. Nós somos o idiota.” (citação de um filme de Bruce Lee) Usufruindo de três materialidades diferentes - offset, serigrafia e Xerox - estes cartazes conjugam os processos de trabalho do estúdio com os do artista Rigo 23: apropriação, a acção social, o vernaculismo e a poesia. Direcção de arte, design gráfico e produção: António Silveira Gomes. Designer gráfico: Marco Balesteros

cãoceito

“anatomia electrónica”, umbigu (cd-r), 2005 “Anatomia Electrónica” de Umbigu apresenta-se como a edição de estreia da Cãoceito. Umbigu é um projecto sonoro experimental de David Francisco, designer de som e realizador de videoclips que se dedica - com o mesmo entusiasmo - a uma série de outros projectos. A destacar: Moopie videos e UNI-FORM. Esta anatomia, à qual empresta a voz Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta) no tema “Cérebro analógico” é vestida pela Cãoceito com a ajuda de radiografias, serigrafia e máquina de costura.

“e se abanasse o corpo como um estremecimento e por baixo dele deixasse de haver erva”, pedro ferreira (cd-r), 2005 Criação de um músico e artista plástico, o projecto sonoro de Pedro Ferreira apresenta-se como um conjunto de experimentações e apontamentos que, depois de muito tempo a maturar conheceram a exposição pública. Criação de Pedro Ferreira é ainda a ilustração no interior da embalagem, a qual arquiva também um CD-R pintado a ouro com a ajuda de telas e tintas para serigrafia.

cãoceito

”the new house of little porcs”, the rose Buttons (cd-r), 2005 Em 2003, dos extintos Smoke the Pipe (Évora, Portugal), nascem os The Rose Buttons, formação com quatro elementos. A esse número par somam-se mais valores na forma de participações especiais, como a de Hugo Frota, vocalista dos Houdini Blues, banda Eborense que conta já com mais de uma dezena de anos. Este EP, inspirado pela oferta gastronómica da Mealhada, foi feito com recurso à serigrafia e a fotocópias a preto e branco.

“armadilha engolida de vidro”, Zurrapa (cd-r), 2005 Cor granada viva. Distinto e com carácter. Entrada de ouvido de intensidade considerável, com prolongamento de audição sempre a evoluir em elegância. Pedro Ferreira, Nuno Messias e Pedro Januário são a essência deste projecto que, desde o primeiro minuto, demonstra estrutura e consistência na prova. Foi de copo cheio que a Cãoceito montou esta embalagem com sabor a mistura de várias colheitas. A saber: Tetra Pak, veludo auto-adesivo, serigrafia e gravura.

cãoceito

“lisbossa”, teppe (cd-r), 2006 Foi aos 19 anos que Teppe deixou o Japão (de onde é natural) para se tornar um viajante. Das várias sonoridades com as quais contactou destacou uma para este disco: a brasileira Bossa Nova, que trabalhou e amadureceu em Lisboa, cidade pela qual se apaixonou e que escolheu para viver. Xilol, serigrafia, fotocópias a preto e branco e uma máquina de costura para rematar a saudade foram as matérias e ferramentas usadas pela Cãoceito, para dar forma a esta viagem, com música.

carvalho Bernau poSter (cartaz para projecto neutral), 2005 Cartaz de uma série desenhada por vários designers para o projecto Neutral de Kai Bernau, simultaneamente uma fonte neutra e um manifesto de questionamento sobre a neutralidade. O ponto de partida foi a “ideia” de cartaz e de autoreferencialidade que foi uma pedra de toque para todo o projecto. Qual é o aspecto de um cartaz? Ou melhor dizendo, como são desenhados os seus componentes e estrutura? Com o seu cabeçalho de grande dimensão, área de fundo definida (com ou sem imagem) e informação adicional, este cartaz explica o que é um cartaz na sua forma mais simplificada e convencional.

criStina reiS dom João e fausto, 2001 a cadeira, 2005 filoctetes, 2006 ifigénia na táurida, 2009 Cartazes para o Teatro da Cornucópia.

criStina reiS afabulação, 2000 história do Soldado, 2002 filodemo, 2004 Cartazes para o Teatro da Cornucópia.

dino doS SantoS ventura, 2006-2007 apud, 2010 capsa, 2008 drop curtaS vila do conde (mupis), 2007 e 2009

Teatro Nacional São João coronel páSSaro, teatro carlos alberto (mupi), tnSJ, 2008 de hoMeM para hoMeM, tnSJ, 2008 a partir de fotografias de Bernardo Sassetti drop

fBa.

colecção “teatro”, cena lusófona (livros), 1999-2005 O projecto desta colecção de dramaturgias responde a um programa que privilegia a unidade da série por oposição à diversidade de matérias. Reunindo textos de todos os países lusófonos, o projecto tem por base a diversidade das expressões locais a partir de uma matriz linguística comum.

colecção fenda ediçõeS (livros), 2005-2010 O projecto desta série baseia-se na restrição auto-imposta que tem por objectivo explorar a expressividade do texto. Todas as capas são desenhadas a duas cores – preto e vermelho – sobre um fundo branco. Para além do símbolo da editora, surgem apenas os caracteres da Monotype Modern Extended, uma fonte tipográfica mais para ser vista que para ser lida. A grande diversidade de temas e épocas nesta colecção reflecte-se no desenho das capas, onde o tratamento tipográfica procura o sentido e o sabor de cada texto e de cada autor.

filho Único

Manuel Mota, “ghost e caveira no lux frágil”, 2007 !calhau!, “Sarau com david grubbs e calhau! no Museu do chiado” , 2008 Sofia roJaS, “deerhunter e ariel pink no lux frágil”, 2009 filho Único

Margarida garcia, “curia e patricia Machás / Barry Weisblat”, 2008 Jucifer, “ Sarau com Black dice no Museu do chiado”, 2009 Márcio MatoS, “Black lips & the Sticks na caixa económica operária”, 2009

fluór

MateriaiS de coMunicação eXd ’03, 2003 Os trabalhos desenvolvidos pela Flúor para a “EXD ‘03” pretenderam estabelecer uma ligação ao tema “Para Além do Consumo”, independentemente do objectivo específico de cada peça. Quer se trate de um convite, uma brochura ou um folheto, questionou-se sempre a forma como o utilizador manipula, entende e interpreta cada peça. Desta forma conseguiu-se transpor a barreira da utilização, dando lugar por vezes a um não objecto – quebrando a tipologia e reinterpretando o seu objectivo.

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