Manual de criação de ostras

Manual de criação de ostras

(Parte 1 de 5)

1. Introdução3
Espécies3
Ciclo de vida5
2. Seleção do local6
Aspectos legais6
Salinidade7
Produtividade primária8
Temperatura da água9
Condições de fundo9
Poluição9
Marés vermelhas10
Renovação da água10
Ação de ventos, ondas e correntes marinhas10
Áreas de navegação marítima1
Proximidade aos grandes centros urbanos1
Áreas de pesca1
3. Obtenção de sementes12
Em laboratório12
Com coletores12
Assentamento remoto14
4. Sistemas de cultivo15
Tipos de cultivo17
5. Manutenção do cultivo18
Manejo18
Organismos incrustantes, predadores e parasitas21
Predadores2
Parasitas24
Doenças25
6. Colheita26
Manejo27
Transporte28

Série Maricultura Cultivo de Ostras

Edição

Lúcia Valente

Baseado em textos originais da

PEREIRA, A.; TEIXEIRA, A. L.; POLI, C. R.; BROGNOLI, F. F.; SILVA, F. C.da; RUPP, G. S.; SILVEIRA JR, N.; ARAÚJO, S. C. Biologia e Cultivo de Ostras. Florianópolis: UFSC. 1998. 70p.

Produção e Editoração Multitarefa (Paula Arend Laier e Vinícius Carvalho)

Capa

Cultivo de ostras no Ribeirão da Ilha, produtor Ademir dos Santos. Foto de Lúcia Valente.

Ilustrações Ilustrativa (André Valente, Eduardo Belga e Paulo Faria)

Projeto Gráfico Cesar Valente

Impressão Gráfica Agnus

A série Maricultura compõe-se de cinco manuais, publicada pelo BMLP (Brazilian Mariculture Linkage Program – Programa Brasileiro de Intercâmbio em Maricultura)

Jack Littlepage – Diretor Geral Patricia Summers – Gerente de Projetos Carlos Rogério Poli – Diretor no Brasil e responsável técnico editorial da coleção

Endereço: multitarefa@terra.com.br DISTRIBUIÇÃO GRATUITA – VENDA PROIBIDA

1. Introdução

Este manual foi feito para ajudar pessoas que querem iniciar uma produção de ostras ou que já estão produzindo, mas que com alguma orientação, podem melhorar seu negócio.

Quando as pessoas que estudam ostras, por exemplo, se encontram com produtores podem trocar informações e aprimorar seu trabalho. Todos sempre acabam ganhando, ensinando e aprendendo.

Este manual não tem intenção de ensinar ou de falar de tudo, mas pode ajudar estas pessoas a acharem um melhor caminho.

Espécies

Ostras são moluscos bivalves que pertencem ao Phillum Mollusca e à Classe Bivalvia. As duas espécies mais encontradas no Brasil são a Crassostrea rhizophorae e a Crassostrea gigas.

4 – Manuais BMLP de maricultura A Crassostrea rhizophorae, ou ostra nativa, também é chamada por alguns de Crassostrea brasiliana. Normalmente, vive nas águas de manguezais ou em regiões estuarinas. Estes locais se caracterizam por terem águas com baixa salinidade e são conhecidas como águas salobras.

A outra espécie é a ostra do Pacífico, também conhecida como ostra japonesa, cientificamente denominada Crassostrea gigas. Estas ostras, apesar de serem originárias de lugares mais frios, adaptaram-se muito bem às águas frias do litoral catarinense.

As ostras possuem duas valvas, ou duas conchas, sendo que as ostras de boa aparência devem ter um lado côncavo, enquanto o outro lado é bem plano. Estas características dizem que uma ostra foi criada com o manejo correto, provém de boas sementes e teve espaço suficiente para crescer. Elas possuem também um músculo muito forte, chamado de adutor, que mantém as valvas fechadas e protegidas contra qualquer ameaça externa.

As ostras são animais filtradores e costumam manter parte das suas valvas ligeiramente abertas, por onde entra a água com a sua alimentação. Nestas horas, o músculo fica relaxado, mas, ao menor sinal de perigo, se contrai, fechando as valvas fortemente. Uma mesma espécie de ostra pode viver em muitos ambientes tais como baías, estuários, rios, enseadas e mar aberto.

Ostra nativa Ostra do Pacífico

Cultivo de ostras – 5 Ciclo de vida

Durante a sua vida, a ostra pode ser fêmea e depois macho, e ir se alternando entre ser macho e fêmea, até o dia de sua morte. As ostras jovens são, na maioria, machos. Depois da primeira desova elas poderão ser tanto machos quanto fêmeas. Geralmente ostras mais velhas (ou adultas) são fêmeas, mas elas podem trocar de sexo mais ou menos aleatoriamente, dependendo das condições de alimento, etc. Uma boa parte delas são hermafroditas. Boas condições ambientais fazem mais fêmeas.

Nas épocas de reprodução, a fecundação se dá no meio ambiente. A reprodução é externa, pois acontece na água. Nesta ocasião, uma ostra inicia a liberação dos ovócitos ou esperma na água. Isto faz com que todas as ostras que estejam próximas formando o “banco de ostras” iniciem o processo simultâneo de desova. A desova de apenas uma ostra funciona como uma espécie de gatilho que dispara o aviso de que é a hora de se reproduzirem.

Da fecundação nasce uma larva que é livre e nada constantemente no plâncton. Fica neste estágio uns vinte dias, dependendo da temperatura da água, passando por diferentes fases de vida denominadas de véliger e pedivéliger, quando então se forma um pé com o qual ela busca, tateando, um substrato onde se fixar. Aí viverá para sempre, se esta fixação ocorrer no meio ambiente e de forma natural.

Véliger: segunda fase da larva, quando começa a apresentar uma conchinha em forma de “D”.

Pedivéliger: estágio larval no qual o pé fica ativo na busca de local para a fixação

2. Seleção do local

As ostras se desenvolvem bem em diversos ambientes costeiros, mas deve-se considerar alguns fatores que podem limitar seu cultivo. Os mais importantes são a tecnologia de cultivo e a poluição ambiental. Além destes, quando se escolhe um local para criar ostras, deve-se também estar atento para outros fatores enumerados a seguir:

Aspectos legais

Toda atividade que usa recursos naturais, como o mar por exemplo, deve seguir a lei.

Existem algumas orientações obrigatórias para que a atividade cresça, mas não prejudique o meio ambiente e as pessoas da comunidade. São regulamentos federais e estaduais que a organizam e que devem ser seguidos pelo produtor. No estado de Santa Catarina, por exemplo, o órgão responsável pela licença ambiental da atividade é a FATMA (Fundação Estadual do Meio Ambiente) da Secreta- ria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambien-

Licença ambiental: autorização de órgãos ambientais do governo para a extração de recursos naturais.

Cultivo de ostras – 7 te. Em outros estados deve-se procurar a Secretaria da Agri- cultura ou o serviço de extensão local.

Em Santa Catarina, para conseguir esta licença são necessários vários documentos, mas o órgão que ajuda e orienta o produtor é a Epagri. Antes de pagar por qualquer serviço de regularização de sua área consulte um técnico da Epagri.

Salinidade

Existem ambientes junto à costa cuja salinidade varia bastante, de zero a 35‰, resultado dos regimes de chuvas e marés. Os locais mais variáveis geralmente ficam próximos a desembocadura de rios. A salinidade é mais instável em lagoas costeiras e baías, porém em ambientes de mar aberto ela é mais estável.

A ostra do Pacífico cresce e se desenvolve muito bem em ambientes com salinidade de 18 a 32‰. Quando a salinidade varia um pouco acima ou um pouco abaixo destes valores, ela também sobrevive, porém seu crescimento é afetado, ficando mais lento. Deve-se ter bastante cuidado ao escolher locais próximos a rios e manguezais, onde a salinidade pode permanecer próxima a zero por longos períodos, por causa das chuvas torrenciais, causando mortalidade.

8 – Manuais BMLP de maricultura Produtividade primária

As ostras se alimentam filtrando a água e capturando organismos microscópicos: fitoplâncton, que são microalgas, zooplâncton, que são os protozoários e ainda partículas orgânicas, ou detritos, todos eles espalhados no ambiente marinho. Chama-se de produtividade primária essa oferta de alimento existente no ambiente. Os ventos e as correntes levantam sedimentos do fundo e movimentam as águas. Estes nutrientes servem como adubo aos microorganismos, que, por sua vez, servirão de alimento às ostras. As microalgas são os alimentos mais importantes para os moluscos. Para medir a produtividade de um local, verifica-se a quantidade de “clorofila a”, ou a quantidade de biomassa fitoplântica num certo volume de água. Mas, sabe-se, com certeza, que os locais mais ricos são as regiões costeiras, principalmente onde existem rios.

Clorofila a: é uma das pigmentações do fitoplâncton e existe em todos os organismos fotossintetizantes.

Biomassa fitoplântica: conjunto de seres vivos composto por organismos autótrofos clorofilados que representam importante papel na cadeia alimentar do meio aquático.

Cultivo de ostras – 9 Temperatura da água

Como a temperatura da água influencia no metabolismo das ostras e a ostra do Pacífico é originária de um clima temperado, mais frio, ela cresce melhor no inverno. A temperatura ideal, portanto, é de 14,5 °C. Durante o verão, quando a temperatura sobe até 28°C estas ostras diminuem ou interrompem seu crescimento, podendo, às vezes, morrer.

Condições de fundo

Deve-se observar se o local tem fundo lodoso, pois aliado a outras condições, pode causar mortalidade de verão.

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