Avaliação de sistemas de restauração florestal

Avaliação de sistemas de restauração florestal

(Parte 1 de 7)

JERÔNIMO MONTEIRO ESPÍRITO SANTO 2010

Monografia apresentada ao Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito para o título de Engenheiro Florestal.

JERÔNIMO MONTEIRO ESPÍRITO SANTO 2010 i i

Aos amados (Jacir e Ana)

(Antônio, Natalina e Constância) Reinaldo (in memoriam)

"Que nada te perturbe que nada te apavore tudo passa só Deus não muda a paciência tudo alcança!”

Santa Teresa d’ Ávila iv AGRADECIMENTOS

A Deus, pelo dom da vida e por todo amor a mim dedicado! E a Nossa Senhora, que com seu amor inestimável de mãe, sempre me aconchegou!

Aos meus queridos pais, Jacir e Ana, que mesmo na distância sempre se fizeram presentes, me incentivando e fortalecendo com sua dedicação. Amo muito vocês!

A toda minha família, pelo apoio e carinho. Especialmente aos meus avós

(Antônio, Natalina, Constância), irmãos (Jô, Dinho e Werike) e sobrinhos (Maria Victória, Otávio, Anna Luisa e Klara), estes, mesmo pouco ou não conversando, muito me deram forças.

Aos amigos do EJC, formamos sim uma família! Muitos foram os momentos da mais pura alegria presenciada!

conversas,

Ao Prof. Roberto, por nestes quase quatro anos de convivência, tanto ter me ensinado. Obrigado pela confiança, pelas dicas, ensinamentos, bolsas,

Ao meu conselheiro Hugo R. Guariz, por todo apoio e ao amigo Rômulo (Bitoca), pela inestimável colaboração na estatística deste trabalho.

Aos estagiários do Laboratório de Geoprocessamento (Monge, Cássio e

Maycon) e aos novos (Vitor, Igor e George), pela ajuda nos trabalhos laboratoriais e de campo, além de toda amizade e confiança. Muita fraude junta! Valeu pessoal!

Aos professores responsáveis e aos técnicos dos Laboratórios de Física do Solo e LAFARSOL, por me propiciarem o utilização do espaço e ajuda nas análises.

À Prefeitura Municipal de Alegre e ao Sr. Francisco Rodrigues Sobrinho, por ter me concedido autorização para realização deste trabalho na ARIE “Laerth Paiva Gama” e em seu sítio, respectivamente.

Aos estimados amigos: Douglas (Mexicano), Brunela, Heitor, Flávio,

Pompeu, Dyeime, Alice e Guilherme. (Quanta murrinhagem!) Obrigado por todos os momentos compartilhados, pelos almoços, churrascos, festas... E especialmente a minha irmãzinha Dany, pelas noites de estudo, pelas brigas, conselhos, alegrias e tristezas. Firmamos uma grande amizade.

A toda a turma de Engenharia Florestal 2006/1, pelos cinco anos de convivência e alegria. Espero que pelos caminhos desta vida, possamos nos encontrar sempre!

àqueles de quem eu tenha me esquecido

Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente contribuíram para que esse trabalho tivesse êxito, obrigado por poder contar com vocês e perdão Muito obrigado! vi RESUMO

Restaurar um ecossistema florestal pressupõe um retorno mais próximo posssível às suas condições primárias, isto é, aquelas existentes antes do processo de degradação ocorrido na área. Uma das necessidades hoje evidenciadas em restauração florestal, consiste em avaliar a efetividade dos projetos de restauração que historicamente foram instalados de forma empírica. Objetivou-se com o presente trabalho avaliar dois sistemas de restauração florestal implantados na Área de Relevante Interesse Ecológico “Laerth Paiva Gama”, em Alegre – ES, comparandoos com a mata nativa (MN) e o uso do solo anterior (café - CAF). Os sistemas de restauração avaliados foram: sistema utilizando consórcio entre eucalipto e acácia (REA) e, sistema com espécies diversas (RED). Avaliaram-se os seguintes atributos do solo: granulometria, massa especifica do solo e de partículas, porosidade total, macroporosidade e microporosidade, carbono orgânico total e matéria orgânica, nas profundidades de 0 a 20 e 20 a 40 cm, e a serrapilheira acumulada nos pisos florestais. De forma geral não ocorreu interação estatística significativa entre os atributos nas profundidades. A MN apresentou os melhores índices para qualidade do solo e ambos os reflorestamentos proporcionaram estatisticamente as mesmas variações para os atributos avaliados, não apresentando assim, superioridade de um em relação ao outro. Os atributos do CAF foram equiparados aos dos sistemas de restauração.

Palavras – chave: Serrapilheira. Qualidade do solo. Física do solo. Recuperação de áreas degradas.

vii

LISTA DE FIGURASviii
LISTA DE TABELASix
1 INTRODUÇÃO1
1.1 O problema e sua importância2
1.2 Objetivos2
1.2.1 Objetivo geral2
1.2.2 Objetivos específicos3
2 REVISÃO DE LITERATURA4
2.1 Restauração florestal4
2.1.1 Serrapilheira e Matéria orgânica do solo6
2.2 Qualidade do solo8
2.2.1 Granulometria10
2.2.2 Massa específica do solo1
2.2.3 Massa específica de partículas12
2.2.4 Porosidade13
3 MATERIAL E MÉTODOS14
3.1 Caracterização da área em estudo14
3.2 Avaliação dos atributos em estudo18
3.2.1 Análise granulométrica18
3.2.2 Massa específica do solo (Ms)19
3.2.3 Massa específica de partículas (Mp)19
3.2.4 Microporosidade, Porosidade Total (PT) e Macroporosidade19
3.2.5 Carbono orgânico total (COT) e Matéria orgânica (MO)19
3.2.6 Serrapilheira acumulada20
3.3 Análise estatística20
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO21
4.1 Granulometria21
4.2 Massa específica do solo e Massa específica de partículas2
4.3 Porosidade total, macroporosidade e microporosidade24
4.4 Serrapilheira28
4.5 Carbono orgânico total e Matéria orgânica30
4.6 Avaliação geral dos atributos nos diferentes sítios32
5 CONCLUSÕES34
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS35
APêNDICE43

viii

Figura 1: Localização e delimitação da área em estudo14
Figura 2: Gráfico termopluviométrico de Alegre - ES15
Figura 3: Delimitação dos sítios amostrais15
Figura 4: Vista parcial no interior da mata nativa16
Figura 5: Vista parcial no interior do Reflorestamento com eucalipto e acácia17
Figura 6: Vista parcial no interior do Reflorestamento com espécies diversas17
Figura 7: Vista parcial no interior do Cafeeiro18
ES21

Figura 8: Proporção dos componentes granulométricos presentes nos sítios em estudo (CAF – cafeeiro, REA – Restauração com eucalipto e acácia, RED - Restauração com espécies diversas e MN - Mata nativa) no município de Alegre -

eucalipto e acácia, e CAF – cafeeiro) no município de Alegre – ES2

Figura 9: Médias da massa especifica do solo obtidas para os sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração com

ES24

Figura 10 : Médias para a massa específica de partículas do solo encontradas nos sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração com eucalipto e acácia, e CAF – cafeeiro) no município de Alegre -

eucalipto e acácia, e CAF – cafeeiro) no município de Alegre - ES26

Figura 1: Médias da macroporosidade do solo obtidas para os sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração com

com eucalipto e acácia, e CAF – cafeeiro) no município de Alegre - ES26

Figura 12: Médias para a porosidade total do solo obtidas para os sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração

Restauração com eucalipto e acácia) no município de Alegre - ES28

Figura 13: Médias para a serrapilheira acumulada no piso florestal dos sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas e REA –

com eucalipto e acácia e CAF – cafeeiro) no município de Alegre - ES30

Figura 14: Médias do carbono orgânico total presente no solo dos sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração

Figura 15: Médias da matéria orgânica do solo presente no solo dos sítios em estudo (MN - Mata nativa, RED - Restauração com espécies diversas, REA – Restauração com eucalipto e acácia e CAF – cafeeiro) no município de Alegre - ES. .................. 31 ix

com espécies diversas e MN - Mata nativa) no município de Alegre - ES25

Tabela 1: Interação entre os fatores da microporosidade para os sítios em estudo (CAF – cafeeiro, REA – Restauração com eucalipto e acácia, RED - Restauração

nos sítios em Alegre – ES4

Tabela 2: Análise de variância dos atributos granulométricos (areia total, silte e argila), massa específica do solo (Ms) e massa específica de partículas, estudados

(COT) e matéria orgânica do solo (MO), estudados nos sítios em Alegre – ES4

Tabela 3: Análise de variância dos atributos microporosidade (micro), macroporosidade (macro), porosidade total (PT), carbono orgânico total do solo

1 1 INTRODUÇÃO

A expansão da fronteira agropecuária, ainda baseada no binômio produçãoárea, desde o inicio da colonização brasileira, requer grandes extensões de terra advindas de processos de desmatamento das florestas naturais existentes, levando muitas vezes, à degradação ambiental da área.

A supressão parcial de florestas traz consequências diretas para a biodiversidade regional, causando efeitos como a redução do fluxo gênico e extinção de espécies da fauna e flora; e de forma indireta, modificando fatores abióticos regionais (MARTINS, 2001; KAGEYAMA, GANDARA, 2003).

A crescente onda de preocupação ambiental em todo o planeta, com especial enfoque na necessidade de recuperação e/ou restauração das áreas degradadas é uma das grandes problemáticas do século XXI, por estar intimamente ligada à perda de quantidade e qualidade dos corpos hídricos, ocorrência de erosão e desertificação.

A meta da restauração ambiental é construir um ambiente o mais próximo possível do original, de modo a criar condições de biodiversidade renovável, onde as espécies regeneradas artificialmente tenham condições de serem auto-sustentáveis (KAGEYAMA, GANDARA, 2003).

No processo de restauração, segundo Longo et al. (1999), ao se considerar as modificações antrópicas no meio, deve-se observar a estreita relação entre o solo e a vegetação. Além disso, deve-se, a fim de se avaliar os mecanismos formados a partir da implantação desses sistemas de restauração florestal, utilizar-se de indicadores de qualidade, seja do solo ou da vegetação.

Stenberg (1999), citado por Carvalho (2005), enfatiza que nenhum indicador individualmente consegue descrever e quantificar todos os aspectos da qualidade do solo. Nem mesmo uma única função do solo é suficiente, já que deve haver uma relação entre todos os seus atributos, sendo assim, deve haver um número mínimo de indicadores selecionados. Lima et al. (2007) enfatiza ainda que os indicadores físicos (atributos físicos) representam grande relevância no monitoramento da qualidade do solo.

1.1 O problema e sua importância

O processo de restauração florestal pode ser implantado por diferentes metodologias descritas na literatura, como a nucleação, os modelos sucessionais, os sistemas agroflorestais e o plantio ao acaso. Contudo, pela ausência de conhecimento e/ou de profissionais habilitados, os projetos de restauração florestal são implantados de forma empírica, freqüentemente não existindo um sistema de monitoramento e/ou de avaliação do mesmo.

Barbosa (2000) afirma ainda que, apesar da existência de diferentes modelos de repovoamento florestal heterogêneo para recuperação de áreas degradadas, nenhum deles pode ser considerado ideal para todos os casos de degradação. Isso é devido ao grande número de variáveis possíveis de interferir no desempenho das espécies, seja por características intrínsecas do local ou do modelo adotado. Portanto, torna-se imprescindível para cada local, estudos que idealizem os modelos mais adequados e suas variáveis adaptativas para implantação.

Franco et al. (1992) sugere que em sistemas de restauração ecológica devese sempre utilizar de associações de espécies florestais que promovam não apenas rápido crescimento, mas que sejam capazes de melhorar o solo por meio do aporte de serrapilheira e a sua incorporação como matéria orgânica.

Contudo, observa-se carência de estudos que relacionem a restauração florestal com os atributos físicos do solo (NOGUEIRA JUNIOR, 2000; FRANCO, 2006; SAMPAIO, 2006), a fim de fornecer subsídios indicativos da qualidade do solo e da influência originada pela implantação do sistema no local. De forma geral, necessita-se de mensurações práticas sobre a interação solo-planta, no que tange os atributos físicos do solo, para validar sistemas de restauração florestal implantados e o seu monitoramento temporal.

1.2 Objetivos

(Parte 1 de 7)

Comentários