Documentos143 - Coleta (Martins - da - Silva)

Documentos143 - Coleta (Martins - da - Silva)

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Documentos ISSN 1517-2201

Novembro, 2002Coleta e Identificação de Espécimes Botânicos

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

ISSN 1517-2201
Novembro, 2002

Documentos 143

Coleta e Identificação de Espécimes Botânicos Regina Célia Viana Martins-da-Silva

Belém, PA 2002

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Supervisor Editorial: Guilherme Leopoldo da Costa Fernandes Revisão de texto:Maria de Nazaré Magalhães dos Santos Normalização bibliográfica: Isanira Coutinho Vaz Pereira Editoração eletrônica: Euclides Pereira dos Santos Filho

1 edição 1 impressão (2002): 300 exemplares

Todos os direitos reservados. A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos Autorais (Lei n 9.610).

CDD © Embrapa – 2002

Autora

Regina Célia Viana Martins-da-Silva

Bióloga, M.Sc., Pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, Caixa Postal 48, CEP 6.017-970, Belém, PA, E-mail: regina@cpatu.embrapa.br rcvms@supridad.com.br

“Não se poderá obter o conhecimento perfeito da flora, sem uma nomenclatura que evite a confusão das espécies” (Ducke, 1949).

Apresentação

A identificação botânica não se trata de uma mera utilização de nomes latinizados, para designar de forma sofisticada as plantas, mas sim de uma atividade fundamental em qualquer área da ciência que envolva planta. Não há outra possibilidade de gerar dados sobre as plantas, sem ligá-los a determinada espécie; dessa forma, a necessidade de uma identificação correta, torna-se altamente relevante, caso contrário, os dados gerados perdem seu valor científico.

Na Amazônia, considerando sua extensão geográfica e o alto índice de biodiversidade, a identificação botânica torna-se uma atividade muito complexa, porém extremamente relevante no processo de conhecimento dos componentes vegetais dessa biodiversidade.

Este trabalho trata-se de um subsídio importante para o processo de identificação botânica, visto que a autora apresenta de forma simples e didática todo o processo de coleta, preparo e identificação de amostras botânicas, facilitando, dessa forma, a utilização por colegas que não são da área. A sugestão para que as amostras coletadas sejam encaminhadas aos principais herbários regionais para serem identificadas, é vista como uma maneira de aumentar o conhecimento inerente a flora regional.

Emanuel Adilson de Souza Serrão Chefe Geral da Embrapa Amazônia Oriental

Sumário Sumário

Coleta e Identificação de Espécimes Botânicas Regina Célia Viana Martins-da-Silva1

Introdução

Os inventários florestais, baseados em nomes vernaculares (populares), provocam muita confusão e, às vezes, até mesmo erros irreparáveis; essas denominações variam bastante de uma região para outra e, em muitos casos, dentro de uma mesma região, dependendo de quem as utiliza. Porém, a nomenclatura científica, expressa em linguagem universal, denomina a mesma planta, com um único nome, em qualquer lugar do planeta; oferecendo, dessa forma, maior segurança para os usuários. Por essa razão, a nomenclatura científica permite o diálogo entre cientistas de diferentes países e regiões, promovendo acesso às informações necessárias para o desenvolvimento de pesquisa em diversas áreas do conhecimento. Não existe uma padronização entre as nomenclaturas vernacular e científica; podendo uma espécie receber diversos nomes vernaculares, bem como várias espécies podem ser designadas por um único nome vernacular. Essa problemática encontra-se muito bem expressa no livro lançado pelo Laboratório de Produtos Florestais do Ibama (Camargos et al. 1996), o qual compreende uma relação de nomes científicos e vernaculares, no qual se pode observar que, para um mesmo nome vernacular, há uma relação contendo mais de dez nomes científicos; e que para um mesmo nome científico, há uma relação com diversos nomes vernaculares. Sendo, dessa forma, impossível relacionar um nome vernacular a um científico. A obtenção da nomenclatura científica de uma planta, a partir apenas de seu nome vernacular, é um procedimento duvidoso do ponto de vista científico, refletindo o desconhecimento da metodologia científica para identificação das espécies, a qual vem sendo utilizada pela comunidade científica há cerca de 200 anos. O uso apenas da nomenclatura vernacular seria um retrocesso científico à era anterior a Lineu, o qual faleceu em 1775, pois foi esse renomado botânico que propôs a nomenclatura científica binária em detrimento à vernacular que era utilizada na sua época. A identificação científica correta das espécies é fundamental para o desenvolvimento das ciências básica e aplicada, bem como para garantir a integridade das transações comerciais de madeiras e demais produtos vegetais retirados da floresta. Anos de trabalho científico com uma planta identificada erroneamente podem significar “tempo perdido” e/ou causar graves conseqüências, tanto para a ciência básica como para a aplicada. Por exemplo, supa-se que sejam realizados vários experimentos e observações inerentes ao processo de crescimento, sistema reprodutivo, germinação, produção de mudas, plantio, dentre outros, de uma Leguminosae designada Parkia pendula (Willdenow) Bentham ex Walpers; e, ao final do trabalho, quando se dispõe de uma quantidade de dados bastante significativa, descobre-se que as plantas usadas nos experimentos não eram P. pendula, mas P. platycephala Bentham, que é uma espécie muito parecida morfologicamente, mas por serem espécies distintas apresentam características fisiológicas peculiares, que conseqüentemente, originam dados totalmente diferentes. Caso esse erro de identificação não for descoberto antes da publicação, serão divulgados dados, que por falta de respaldo científico na identificação, poderão causar conseqüências graves, tanto em nível científico como em nível financeiro, se esses dados servirem como base para outras pesquisas com P. pendula ou forem usados por alguém que pretenda produzir mudas ou realizar plantio dessa espécie. A utilização apenas da nomenclatura vernacular, durante as transações comerciais de madeira, acarreta conseqüências financeiras graves, a exemplo do “tauari”, em que várias espécies de Lecythidaceae são designadas por esse nome vernacular, não havendo conseqüentemente homogeneidade nas características do produto. Por se tratar de diferentes espécies, as propriedades físicas e mecânicas, os dados tecnológicos, a secagem, trabalhabilidade, durabilidade, rendimento na serraria e o uso da madeira são diferentes, pois são peculiares a cada espécie, não fornecendo, portanto, a qualidade esperada do produto como um todo e causando, conseqüentemente, a queda do preço durante a comercialização. Essa problemática inerente à precisão da identificação científica torna-se ainda mais grave quando se refere a plantas medicinais, devendo-se ter certeza absoluta da denominação correta da espécie da qual estão sendo extraídos os princípios ativos e que, conseqüentemente, serão indicadas para uso terapêutico. Como foi comentado anteriormente, cada espécie apresenta características peculiares, e é por isso que os princípios ativos de cada uma apresentarão diferenças que causam efeitos diversos. Para a conservação das espécies, a precisão no processo de identificação é altamente relevante, visto que em muitos casos, pode estar havendo exploração de uma espécie rara ou em via de extinção, e que exista uma outra espécie capaz de originar um produto de qualidade similar, a qual poderia ser utilizada em substituição, preservando, dessa maneira, a espécie ameaçada. Considerando os problemas mencionados anteriormente, Harlow et al. (1991) afirmaram que os nomes vernaculares não devem ser utilizados em comunicações científicas, em razão da ausência de precisão. Conforme comenta Murça-Pires em: Pires-O’Brien & O’Brien (1995), os inventários realizados com objetivo estritamente econômico, usando apenas a nomenclatura vernacular, apresentam limitações do ponto de vista científico. A obtenção da nomenclatura científica requer metodologia específica que deve ser criteriosamente utilizada, a fim de minimizar erros. A identificação correta das espécies é um dos pré-requisitos para o sucesso do manejo da biodiversidade de forma racional, ou seja, propiciando a continuidade das espécies. Para que haja êxito na implantação de um plano de manejo de uma floresta, é fundamental, entre outras atividades, que se conheçam as espécies utilizadas no manejo, a fim de se planejar o seu uso, de forma a garantir a continuidade das mesmas. Segundo Marchiori (1995), nenhum profissional pode manejar uma floresta sem conhecer a identidade das árvores. É importante lembrar, que uma floresta não é composta apenas de árvores, mas de arbustos, ervas, lianas, epífitas, parasitas, pteridófitas, briófitas, fungos, bactérias, algas, animais uni e pluricelulares, solo, clima, ar, água, nutrientes e energia, funcionando harmoniosamente; tornando-se necessário que se conheçam os processos que regem o equilíbrio entre esses componentes capazes de manter esse ecossistema. Não se deve esquecer que uma espécie, independentemente da sua importância econômica atual, não pode ser considerada isoladamente, pois suas populações dependem de vários fatores, como a presença de polinizadores e dispersores, os quais dependem de suas próprias interações com essa e com outras espécies vegetais. O desenvolvimento econômico da Amazônia vem ocorrendo de maneira descontrolada e mal planejada. Nesse tipo de desenvolvimento, as leis ecológicas são desrespeitadas, resultando em um declínio rápido e irreversível da diversidade vegetal e, conseqüentemente, na diminuição das opções de utilização desses recursos naturais. Para avaliar e melhorar esse modelo de desenvolvimento caótico e predatório, é necessária a obtenção de maiores informações sobre a biodiversidade regional. A Amazônia, atualmente, ocupa papel de destaque na questão ambiental em nível internacional, pois possui uma das últimas reservas de floresta tropical do mundo, abrangendo aproximadamente 6 milhões km2, dos quais o Brasil possui 60%, constituindo o maior reservatório de biodiversidade da terra, com cerca de 21 a 80 mil espécies apenas de Angiospermas (segundo Rodrigues em Monteiro & Kaz, 1993- 1994). Assim sendo, a Amazônia tornou-se um dos assuntos mais polêmicos, em razão das potencialidades que possui, sobretudo, de vegetais para indústria, alimentação, agricultura, medicina e outros fins, podendo ser a base para exploração racional e conseqüente desenvolvimento do País. Porém, é importante observar que o desenvolvimento não deve ser baseado em uma economia predatória, mas em bases científicas que possam garantir a disponibilidade dos recursos para gerações futuras. Tanto na Amazônia como em outras regiões tropicais, não há outras possibilidades de identificar a biodiversidade regional se não for pela comparação com o material existente nas coleções científicas. Isso é válido tanto para a Botânica quanto para a Zoologia. Os próprios especialistas que podem identificar as espécies utilizando os herbários e as coleções zoológicas, lamentavelmente, são uma categoria em processo de extinção. Além dos investimentos técnico e financeiro, é importante estimular o interesse pela Taxonomia e Sistemática, nos cursos de graduação, mostrando a importância dessas áreas como ciência fundamental capaz de subsidiar as ciências aplicadas. Atualmente, declara-se de forma enfática e autoritária que o futuro da Amazônia será solucionado pela utilização dos recursos genéticos, da biodiversidade regional; porém, a maioria das pessoas que faz essas afirmativas não se dá conta de que os herbários amazônicos armazenam um número bastante significativo de amostras dos recursos genéticos vegetais da região, altamente importante no processo de planejamento de utilização, capazes de promover a identificação das espécies e fornecer informações relevantes, como as áreas de ocorrência dessas espécies, suas características morfológicas vegetativas e reprodutivas, bem como seus usos. Dessa forma, transformando esses herbários em patrimônio da humanidade, uma vez que a floresta amazônica é um dos últimos representantes de floresta tropical úmida, onde se abriga o maior índice de biodiversidade do planeta. Havendo, portanto, necessidade de conservar esses acervos e aumentá-los de forma a se obter a representatividade da magnitude da flora amazônica. Porém, o número insuficiente de recursos humanos, principalmente pesquisadores especializados em taxonomia, é o fator limitante para essa situação, fato que dificulta tanto a conservação quanto o crescimento desses acervos, o qual vem preocupando a comunidade científica, não só nacional, como internacional.

Taxonomia

Pode-se dizer que a disciplina botânica iniciou-se com o estudo das plantas medicinais, pois os primeiros registros sobre plantas estão contidos nos livros dos templos egípcios: “Livro dos Mortos” e “Livro dos Vivos”. No primeiro, há descrições de plantas e suas aplicações no embalsamamento de cadáveres; no segundo, há descrições e usos de plantas no combate a diversas doenças. Os gregos também deixaram registradas observações bem primitivas sobre plantas. À medida que o conhecimento sobre as plantas aumentava, foi houve a necessidade de organizá-lo (Gemtchújnicov, 1976). Foi o grego Aristóteles (370 a C.) que tentou fazer o primeiro sistema de classificação de plantas, separando-as em árvores, arbustos e ervas. Esse sistema foi utilizado durante a maior parte da idade média, podendo-se dizer que esse foi o início da sistemática botânica. Quando os árabes invadiram a Europa por volta do século IX a XIII, os europeus, em contato com essa nova cultura, aumentaram seus conhecimentos sobre as plantas e as coleções existentes na Europa cresceram bastante, havendo necessidade de ordenar todos esses conhecimentos. Desde essa época, vários sistemas foram propostos, porém o sueco Karl von Lineu (1707-1775) foi quem revolucionou a sistemática, sendo por isso reconhecido como o pai, tanto da sistemática botânica quanto da zoológica (Gemtchújnicov, 1976). Antes de Lineu, cada planta era designada por um conjunto de nomes vernaculares, os quais formavam praticamente uma descrição, em latim, das características apresentadas, como por exemplo: Nepeta floribunda spicatis pedunculatis (Nepeta com flores dispostas em espiga, verticilada e pedunculada), a primeira palavra do polinômio designava o gênero ou grupo ao qual a planta pertencia. À medida que crescia o número de espécies conhecidas, evidenciava-se a impraticabilidade desse sistema. Lineu propôs a nomenclatura científica, utilizando terminologias lógicas e designação binária, tanto para plantas como para animais, a qual é utilizada até os dias atuais, e introduziu o conceito de espécie e gênero. A nomenclatura binária, como o próprio nome define, é baseada em dois nomes, que devem ser grafados em itálico ou sublinhados, seguidos do autor da espécie ou seja, o botânico que realizou a diagnose da mesma; o primeiro designa o gênero e deve começar com letra maiúscula, o segundo é escrito em minúscula e refere-se ao epíteto específico. Por exemplo, Carapa guianensis Aublet., Carapa é a denominação do gênero, o qual foi escolhido por ser utilizado, em tribos da América do Sul, para designar o óleo dessa espécie (Barroso, 1991); guianensis é o epíteto específico utilizado para caracterizar que são plantas das Guianas; e Aubl. é a abreviatura do nome do botânico que realizou a diagnose dessa espécie, o qual se chamava Jean Baptiste Christophore Fusée Aublet (Gemtchújnicov, 1976; Fernandes, 1996). É importante considerar que a ciência deixou de utilizar a nomenclatura vernacular há cerca de 200 anos em detrimento da nomenclatura científica criada por Lineu. Segundo Cronquist (1988), a Taxonomia reflete a necessidade que o homem tem de entender o padrão de diversidade entre os organismos e de explicar a origem de sua própria espécie. A Taxonomia ou Sistemática Vegetal é uma área da Botânica que visa estabelecer uma imagem completa da grande diversidade de organismos, através da organização das plantas em um sistema filogenético, considerando suas características morfológicas internas e externas, suas relações genéticas e suas afinidades. Compreende a identificação, a nomenclatura e a classificação (Lawrence, 1956; Weberling, 1986). Identificação é a determinação de um táxon, como idêntico ou semelhante a outro já existente, utilizando-se a comparação com material de herbário devidamente identificado, as chaves dicotômicas de identificação e a literatura específica. Durante o processo de identificação, podem ser encontrados táxons novos para a ciência, os quais devem ser descritos de acordo com as normas preconizadas pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica - CINB. O conhecimento da morfologia vegetal é fundamental para o sucesso da identificação científica, porém, modernamente, a Taxonomia vem utilizando não apenas características morfológicas para identificar os táxons, mas também se fundamenta na anatomia, palinologia, embriologia, citologia, matemática, química analítica ou de produtos secundários, enzimas e DNA nuclear, mitocondrial ou de cloroplasto (Harlow, et al., 1991; Subrahmanyam, 1995). Nomenclatura relaciona-se com o emprego correto do nome científico das plantas regido pelo CINB, o qual corresponde a um conjunto de princípios, regras e recomendações aprovados e atualizados a cada 4 anos durante os Congressos Internacionais de Botânica. Classificação é a ordenação das plantas em níveis hierárquicos, de acordo com as características apresentadas, de modo que cada nível reúna as características do superior. Por exemplo, as espécies de um determinado gênero devem apresentar as características desse gênero; os gêneros de uma determinada família devem apresentar as características dessa família e assim por diante (Fig. 1).

Quando se denomina uma planta já descrita, está ocorrendo determinação ou identificação, enquanto, quando se procura localizar uma planta ainda não conhecida, dentro de um sistema de classificação, está ocorrendo classificação.

Fig. 1. Classificação e ordenação das espécies Carapa guianensis Aubl. E Carapa procera DC., segundo Cronquist (1968)

A Taxonomia é dinâmica, preocupando-se com a segurança do nome científico atualizado, o qual pode ser modificado, à medida que o conhecimento avança, objetivando uma identificação perfeita das plantas. O êxito da identificação taxonômica de espécimes botânicos depende, em grande parte, da maneira como as amostras são coletadas, preparadas, transportadas até o local de estudo e das anotações realizadas no campo. As amostras botânicas coletadas e tratadas segundo determinadas técnicas básicas poderão fazer parte do acervo dos herbários, servindo como documentação científica dos trabalhos realizados e como referência às identificações taxonômicas. Essas amostras contribuem para maximizar o número de plantas catalogadas no País, elevando o conhecimento da biodiversidade vegetal brasileira e promovendo, conseqüentemente, o uso racional dos recursos florestais.

Metodologia de coleta de amostras botânicas

O material utilizado para coleta de amostras botânicas encontra-se discrimado na Tabela 1.

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