Comunicação e Expressão

Comunicação e Expressão

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Princípio da Sistematicidade: todo falante, ao adquirir uma língua, aprende toda a estrutura dela.

Princípio do Processo Analógico: o falante tende a tornar regular as formas irregulares da língua. Ex. Eu fazi um trabalho (por analogia a Eu corri lá fora). (São frases ditas por crianças. Elas entendem que o verbo é conjugado da mesma forma que, por exemplo, “comer”, “bater” e “ler”)

Princípio da Criatividade Lingüística: afirma que somente o homem é capaz de criar novas estruturas para descrever situações atípicas.

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Em 1916, com a publicação do livro Cours de Linguistique General de Ferdinad Saussure, fundou-se a Lingüística. Essa ciência estuda a linguagem verbal (palavra escrita ou falada) humana. Não cabe aos lingüistas dizer o que é certo ou errado na língua, apenas analisar os vários usos e estruturas que a mesma apresenta em grupos sociais, a fim de descrevê-la. Na Lingüística, dizer “Nóis fumo, vortemo e nada incontremo” não é errado, se o emissor comunica a sua mensagem. O lingüista vai analisar essa frase dentro do contexto comunicativo em que ela foi dita e ver o porquê dessa estrutura gramatical, sem se preocupar em dizer que ela está errada, pois não está de acordo com a língua-padrão.

Para melhor entendermos a afirmação acima, vamos tratar da variação lingüística.

Variação lingüística e sua importância para o falante nativo

Como já foi dito anteriormente, não podemos esperar que se fale a mesma língua portuguesa em todas as regiões do Brasil. A língua varia de acordo com a necessidade do falante, ou seja, toda vez que precisarmos de uma estrutura nova ou adaptada, nós mudaremos a nossa língua. É importante lembrar que TODAS AS LÍNGUAS, segundo o Princípio da Variação Lingüística mudam no tempo e no espaço. Vamos ver alguns exemplos:

Ex.: “Veio ainda infante Claudio Manuel da

Costa para a cidade do Rio de Janeiro a fim de receber a sua educação litteraria. Tinham os jesuítas as melhores escholas; pertenciam á Companhia os mais affamados mestres: freqüentou elle as escholas dos Jesuítas; aprendeu latim, rhetorica, philosophia, rudimentos de mathematicas (...)” (trecho do livro “Os varões illustres do Brazil durante os tempos coloniáes, 1858, p.12)

Por incrível que pareça, o trecho acima foi escrito em português, o mesmo que falamos agora, mas diferente porque pertence a outra época, provando que a língua muda de um período para outro.

No Rio Grande do Sul, os gaúchos fazem rancho (compras de comida) passam pela lombada. Esperam o ônibus na faixa(na rua) e comem negrinhos (brigadeiros).

Existem alguns motivos que levam a língua a variar, como os que seguem:

Região: cada região tem características próprias em termos geográficos, climáticos, cultu- rais. Por isso, existem termos próprios usados somente nelas. No Norte, por exemplo, temos a disputa do boi Garantido versus o Caprichoso. Para isso, existe toda uma linguagem que se refere a essa disputa. No Sul, temos o tradicionalismo gaúcho, rico em expressões e ditados que são desconhecidos dentro do próprio Rio Grande do

Sul, se o falante não fizer parte do movimento. Ex. “Mais perdido que cusco em tiroteio”

(ditado gaúcho)

Vamos ver um exemplo da linguagem nortista, que aborda a maior festa dessa região:

Os bois e os sons das toadas na floresta no Festival de Parintins. O som das toadas e o repique dos tambores. No centro, figuras típicas como Pai Francisco, Mãe Catirina, Tuchauas, Cunhã-Poranga, Pajé e diversas tribos indígenas cantam e dançam no ritmo alucinante e contagiante das toadas de boi. Esta é uma das cenas que podem ser vistas durante o Festival de Parintins, considerado uma das maiores manifestações culturais do Brasil.

O espetáculo se transforma numa verdadeira batalha folclórica, em que os guerreiros são os simpatizantes dos

“Festival de Parintins”

Variações lingüísticas e sua importância para o falante nativo Comunicação e Expressão

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Faixa Etária: nossa linguagem muda con- forme a idade, tendo em vista o interesse que temos em cada faixa etária. A linguagem de uma criança é diferente da linguagem de um adolescente e essa é diferente da linguagem de um adulto, conforme os exemplos abaixo.

Sexo: homens e mulheres não falam a mesma linguagem. Pessoas do sexo feminino, por exemplo, preferem frases mais longas e elaboradas, tendo em vista as revistas direcionadas a esse público. Já os homens são mais objetivos, por isso as frases são mais curtas e truncadas. Também o vocabulário difere, uma vez que os assuntos têm focos distintos. Em revistas femininas, encontramos questões que lidam com a vida amorosa, relacionamentos. Já as masculinas, tratam de futebol, carros e viagens. Há muito mais figuras nessas últimas do que nas primeiras.

Ex. “A linguagem do diretor de redação,

Felipe Zobaran, é direta o objetiva, procurando se aproximar o máximo possível do seu sujeito interpretante:

Fonte 3 - Filologia

Ex. “Eu e os meus irmãozinhos fomos a uma festinha na casa de amiguinhos.”

“Eu e os brothers fomos a uma balada na baía da galera.”

“Eu e amigos fomos a uma reunião na casa de amigos.”

Estou sentado na cadeira de diretor de redação da VIP e a vista daqui não é nada má, garanto a você. Estou muito bem cercado. Se giro a cadeira, vejo Sabrina, a musa instantânea, no seu primeiro ensaio caliente para uma revista. Delícia. Giro de novo e é só prazer, acredite.

Este é o mundo de

VIP. E meu trabalho é tratar muito bem dele. Como se fosse você, meu caro, sentado nessa cadeira.” Font e 4 - SX luxo, fantasias e muita coreografia.

A grande festa começa com uma recepção chamada “Festa dos Visitantes” que acontece no Clube Ilha Verde e nos currais dos bumbas Garantido e Caprichoso.”

Bumbás Garantido (Vermelho e Branco) e Caprichoso (Azul e Branco). Na avenida, durante quase seis horas, a cada noite, sempre no final do mês de junho, eles encenam um verdadeiro ritual festivo, que encanta. São belas mulheres e homens,

Fonte 1 - Amazônia

Fonte 2 - SXC

Estudo: quanto mais educação intelectual tiver o falante nativo, mais rica será a sua linguagem. Isso se dá pelo acesso ä leitura, a novos conhecimentos. Infelizmente, no Brasil, a educação, com tudo que diz respeito a ela, é cara. Logo, são poucos que podem ter uma linguagem mais diversificada em todos os aspectos. É através do conhecimento que podemos conhecer e dominar os diferentes níveis de linguagem para, da melhor forma, adequá-los aos contextos comunicativos. Ex. “ Fomos ao médico para consultá-lo so- bre dores de cabeça” “Fumo ao médico para consultar ele sobre dor de cabeça.” Tribos ou grupos sociais: cada vez mais, em busca de uma identificação e individualização em um mundo tão globalizado. Tribos ou grupos sociais se formam em cada canto do planeta. Além de roupas, comportamentos e ideologias diferentes, esses grupos se caracterizam por uma linguagem própria. A pessoa que não

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No próximo capítulo você aprenderá os níveis e funções da linguagem. É muito importante que você lembre da variação lingüística, porque, somente assim, você entenderá que a língua tem diferentes níveis e que o falante tem diferentes objetivos no processo comunicativo.

Como se pode ver, esses e outros aspectos fazem com que a nossa língua mude sempre que acharmos necessário. É importante termos essa consciência para que possamos evitar atitudes preconceituosas e excludentes. Não podemos exigir que todos falem a mesma língua, pois a mesma veste diferentes roupagens, a fim de atender nossas necessidades diárias. O importante, neste caso, é comunicar, ou seja, passar a mensagem para alguém, adequando o nível de linguagem ao contexto comunicativo.

Arquivo

“Dropei a onda, peguei um tubo e levei uma vaca!”

Ar quivo

Surfistas:

Funkeiros:

“Fui a um baile que era uma maresia. Conheci um alemão que tinha o maior conchavo. Dava corte em todas as princesas. Um verdadeiro playboy.”

Ar quivo domina os aspectos lingüísticos da tribo, não pode participar da mesma. Vamos aos exemplos:

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