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Didática

Profa. Dra. Edineide Jezine – Tutora de EAD

Curso de Matemática - UFPBVIRTUAL edjezine@hotmail.com

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Carga horária: 60 horasCréditos: 04

Ementa

A didática e suas dimensões político-social, técnica e humana e as implicações no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. O objeto da didática. Pressupostos teóricos, históricos, filosóficos e sociais da didática. Tendências pedagógicas e a didática. Planejamento de ensino. O ato educativo e a relação professor-aluno.

Descrição

A disciplina faz parte nos fundamentos para a formação do educador em Matemática e pretende promover a reflexão sobre a estrutura e dimensões das relações educativas, que se processam no cotidiano do espaço escolar e da sala de aula a partir da análise e crítica dos elementos envolvidos na prática didáticopedagógica do professor. Discute o ato de planejamento e avaliação como componentes indispensáveis à prática educativa, além das diferentes concepções e perspectivas de concretização da relação professoraluno, ensino/aprendizagem.

Objetivos

• Compreender as abordagens teórico-metodológicas da didática, situando-a no contexto histórico-político-social que envolve o ato educativo numa perspectiva participativa, criadora e transformadora da realidade.

Reconhecer os pressupostos históricos, filosóficos e sociais da didática que permeiam a relação Educação e Didática no contexto da sala de aula.

Refletir criticamente sobre os pressupostos teóricos da didática, destacando a sua multidimensionalidade na prática educativa, a fim de efetivar mudanças no pensar e fazer pedagógico.

Analisar a didática como disciplina teórica, capaz de oportunizar a reflexão sobre a prática educativa e sua relevância para a formação do educador crítico e comprometido com a transformação social da escola e da sociedade.

Analisar a Didática no contexto histórico e político da Educação, reconhecendo as diversas tendências pedagógicas que permeiam a prática do educador, refletindo sobre a própria postura teórico-metodológica como educador das Ciências exatas.

Construir novas perspectivas de planejamento, a partir da problematização da realidade e da participação, reconhecendo-se como elemento integrador e facilitador do processo ensinoaprendizagem.

Discutir a necessidade de intervenção e transformação da escola a partir do processo de elaboração e execução do planejamento de ensino de matemática.

Unidades Temática Integradas Unidade I Os Pressupostos Teóricos, Históricos, Filosóficos da Didática

A relação Educação - Didática. O objeto da didática A Didática e processo ensino-aprendizagem

Unidade I As Tendências Pedagógicas da Didática

As concepções liberais da Didática

Tendência tradicional; Tendência da Escola Nova Tendência Tecnicista

As Concepções críticas da Didática

Tendência Libertadora Tendência Crítico-social dos Conteúdos

Unidade I A Didática e a Formação do Educador

Os pressupostos teóricos e metodológicos da Formação do Educador A relação professor-aluno e a ação dialógica. Aspectos teóricos e metodológicos do cotidiano da sala de aula

Unidade IV Planejamento de Ensino.

Planejamento participativo. A integração entre escola e contexto. A ação interdisciplinar e a produção do conhecimento. O Planejamento de ensino e seus componentes curriculares

Unidade IOs Pressupostos Teóricos da Didática

1. Situando a Temática

A Didática é uma disciplina do núcleo obrigatório da formação do educador nos cursos de licenciatura. Seu eixo de trabalho é a relação educação e ensino-aprendizagem, que envolve as concepções de sociedade, educação e sujeito presentes na prática pedagógica do educador/professor.

Ao longo da história da educação a Didática vem mudando sua concepção na forma e no conteúdo, passando de uma dimensão instrumental/técnica para uma dimensão político/social do ato educativo e busca tratar as questões relacionadas à educação, a formação do educador e do processo ensino-aprendizagem como elementos inerentes do ato educativo que envolve diferentes concepções ideológicas.

Neste capítulo inicial iremos estudar os pressupostos teóricos da Didática, nos aspectos históricos, filosóficos e da relação educação e ensino-aprendizagem. Partiremos do conceito de educação em suas várias concepções e contextos, pois as práticas educativas sofrem modificações a partir das mudanças econômicas, sociais e culturais pelas quais passa a humanidade.

2. Problematizando a Temática

As mudanças conceituais acerca da educação relacionam-se com o desenvolvimento da natureza humana nos aspectos sociais, culturais e cognitivos. Por isso, antes de falarmos de prática educativa, da ação didática nos debruçaremos sobre as concepções de educação em seus diferentes contextos. Nesse sentido necessário se faz indagar: O que é educação? De que tipo de educação estamos falando? Para que tipo de sujeito e sociedade? As práticas educativas do processo de ensino-aprendizagem são as mesmas para a educação formal e informal?

A ação didática envolve uma reflexão filosófica sobre o ato educativo e seus desdobramentos sociais e políticos no contexto da ação dos sujeitos e da sociedade, pois o ato educativo envolve elementos da ação humana, técnica e político-social, portanto, não se caracteriza como uma ação neutra, ao contrário, guarda em sua essência a dimensão da ideologia, seja em uma perspectiva conservadora ou transformadora da realidade.

O esforço de conceituar educação traz subjacente outros conceitos que dão suporte aos argumentos apresentados ao longo do texto, pois a educação, como as demais práticas sociais, acontece em contextos históricos e culturais que lhe impõem exigências e lhe conferem características. Por isso, o conhecimento dos aspectos histórico-culturais de uma determinada formação social é imprescindível para que se possa compreender a educação e perceber os objetivos que lhe são atribuídos. De modo, que para o alcance do sucesso da disciplina faz-se necessário que leiam o texto e complementem as informações com a pesquisa bibliográfica em outras fontes.

3 Conhecendo a Temática

3.1. Educação e Didática

A história da Educação no Brasil nos aponta os vários significados que a educação vem adquirindo ao longo do tempo, variando em suas concepções filosóficas e ideológicas, adquirindo ressonância diferenciada nos diversos contextos políticos, sociais, econômicos e culturais. Destes, é possível apontar duas visões fundamentais acerca da educação: a educação funcional e a educação crítica.

As concepções de educação funcional e crítica em seus diversos contextos de produção da ação educativa apresentam tendências pedagógicas, corporificando o fazer didático e sua expressão no currículo escolar, indicando as concepções político-ideológicas de quem a planeja e executa. De modo que para a efetivação de uma pedagogia crítica da educação se assinala a necessidade de envolvimentos dos atores educativos com a realidade social, política e cultural que estão envolvidos.

Em uma visão funcional, a educação é vista como “a ação exercida pelas gerações mais antigas sobre os que ainda não estão prontos para a vida social”. (DURKHEIM, 1967, p. 41). Nessa perspectiva, a educação é denominada de formal e se insere em um contexto de uma prática institucionalizada, planejada, sistemática, objetivada a dar respostas científicas a determinados fenômenos sociais. Essa concepção de educação se insere no conjunto da teoria positivista que não considera a realidade social e cultural dos sujeitos para os processos de produção do conhecimento e é concebida como uma transmissão unilateral do processo de conhecer.

O principal fundador desta concepção foi Comenius (1592-1670) com a obra “Didactica Magna” (1657) em que indica as bases para uma educação universal, a partir da didática vista como a “arte de ensinar tudo a todos”. Sua pedagogia é impregnada de uma forte conotação ético-religiosa para a formação do “homem virtuoso”, indicando para isso a necessidade de professores dotados de um bom método de ensino.

Para Comenius, o sucesso escolar reside no “método único”, em que a chave metodológica é a repetição. “Embora as escolas sejam diferentes, não se ensinam, porém, matérias diferentes, mas sempre as mesmas de maneira diversa, ou seja, todas aquelas coisas que podem tornar os homens realmente homens”. (apud. CAMBIO, 1999, 288). Isso significa que os conteúdos desconsideram os elementos diferenciadores de sua realidade e da estrutura escolar, devem ser repetidos com graduais e progressivos níveis de aprofundamento e reelaboração de acordo com a classificação da estrutura cognitiva do aluno. Sob o princípio da contradição teoria e prática; conteúdo e realidade; professor e aluno, funda-se o germe da racionalidade iluminista, que vai predominar na modernidade1, como sendo o fundamento da divisão do trabalho, do conhecimento, da ideia de escola e de ensino-aprendizagem como um processo de memória e repetição.

A ideia do método único não indica rupturas ideológicas ou pedagógicas entre o modelo das escolas monásticas2 e o proposto por Comenius na sua “Didática Magna” (1657), pois o centro da problemática, a dicotomia teoria-prática, escola-realidade, continua a existir. Essa concepção unívoca tem permeado a prática pedagógica de inúmeros educadores que desejam encontrar no método e nas técnicas as soluções para os diversos problemas de aprendizagem, focados aqui sob o prisma da neutralidade ideológica. Nesta visão de educação se apregoa uma sociedade harmônica e sem conflitos, propícia ao desenvolvimento da alienação pelo trabalho e da promoção das habilidades individuais, em que a educação transforma-se em elemento de segregação e classificação dos que sabem e dos que não sabem.

Ao contrário do que a sociedade do capital enseja outro olhar se destina a perceber a sociedade e a educação. Na tentativa de mostrar as contradições e os conflitos da sociedade capitalista, Marx lhe atribui novos significados aos conflitos sociais, como assevera Florestan (1987, p. 149).

Trabalho e Capital estão presos um ao outro no modo específico de produção capitalista, não só estruturalmente, mas dinamicamente, por meio de contradições que impõem, com o crescimento constante do capital e do trabalho, a rebelião autoemancipadora dos trabalhadores.

Pensar a construção de uma educação crítica em uma sociedade capitalista exige a superação da lógica desumanizadora do capital e a separação entre homo faber e homo sapiens, ou seja, entre o fazer e o pensar, entendendo que a educação não se encerra no terreno estrito da escola e da sala de aula, da pedagogia, mas deve sair às ruas para os espaços públicos, abrir-se para a sociedade, promover a participação de seus agentes em movimentos da sociedade, a fim de construir novas possibilidades de organização e de conhecimentos.

Ante estas duas visões acerca da educação torna-se fundamental a compreensão do contexto histórico, filosófico e cultural em que se processam as diversas concepções pedagógicas, a fim de se proceder interrelações acerca da ação didática do professor.

Dialogando e Construindo Conhecimento

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