Gestão da Qualidade

Gestão da Qualidade

CAPÍTULO 4.

GERÊNCIA DE QUALIDADE

  1. Introdução

A gerência da qualidade não é um departamento ou uma pessoa isolada, mas todo o sistema da empresa - somos todos nós com nossos órgãos e funções que fazemos a qualidade. Assim não existe um departamento que trate da qualidade dos serviços de construção, dos materiais, das pessoas, etc., mas é cada setor que verifica se as entradas do seu micro sistema (os materiais, a mão-de-obra, os equipamentos, etc.) e os serviços estão sendo executados conforme o planejado e os padrões de qualidade previamente traçados pela empresa. É o que afirma Meseguer (1991, p. 17) quando explica que em todo processo de produção e na construção civil, o controle de qualidade se organiza através de um mecanismo duplo de ação, articulado entre si e constituído pelo controle de produção e controle de recepção.

Controle de produção visa fiscalizar e verificar o nível de qualidade dos serviços e materiais que estão sendo processados naquela etapa, enquanto que no controle de recepção, a qualidade controlada está relacionada aos insumos que chegam àquela etapa da produção, formando assim uma cadeia de CP e CR até se chegar ao produto final – a obra concluída.

Mas qual o conceito mais abrangente da qualidade? Não creio existir um único conceito suficiente abrangente para a qualidade, pois ela é muito mais uma filosofia, uma conscientização fruto de seu senso de responsabilidade e do grau de importância que o mesmo dá ao centro das atenções para suas ações. Por exemplo, segundo o enfoque baseado no usuário, a definição que prevalece é qualidade como “adequações ao uso”. Por sua vez para o enfoque baseado no valor a qualidade define-se em termos de custos e preços, ou seja, um produto apresenta qualidade se oferecer melhor desempenho a um preço aceitável.

Sob o ponto de vista de Juran (1992. p. 11), qualidade tem dois significados principais:

  1. Consiste nas características do produto que vão ao encontro das necessidades dos clientes, proporcionando satisfação em relação ao produto;

  2. Consiste na ausência de falhas.

Fechando tudo, qualidade é o grau em que o produto satisfaz as exigências do consumidor em termos de adequação ao uso, preços, prazo de entrega e atendimento ao cliente, ou seja, é “excelência nata”.

Nesse contexto, mostramos as metas do controle de qualidade a serem atingidos em cada etapa do processo construtivo, segundo Helene (1992, p. 34).

Controle de qualidade

Planejamento

atender as normas gerais de desempenho, código de obras, regulamentos

Projeto

atender às normas específicas de desempenho, às normas e documentos prescritivos

Materiais

produzir e receber de acordo com o especificado

Execução

atender ao projeto e ao especificado

Uso

assegurar a adequada utilização do produto.

2. OS 14 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO

Dr. Deming na sua obra: “Qualidade: a revolução da administração” apresenta 14 princípios descritos resumidamente a seguir, a servirem de orientação para os empresários que adotam um estilo de gerenciamento voltado para um inter-relacionamento de cooperação e respeito com os clientes e pessoal da sua empresa. São eles:

  1. Estabeleça constância de propósitos para a melhora do produto e do serviço, com o objetivo de tornar-se competitivo e manter-se em atividades, bem como criar emprego.

  2. Adote a nova filosofia. Estamos numa nova era econômica.

  3. Deixe de depender de inspeção para atingir a qualidade. Elimine a necessidade de inspeção em massa, introduzindo a qualidade no produto desde o seu primeiro estágio.

  4. Cesse a prática de aprovar orçamentos com base no preço. Ao invés disso, minimize o custo total. Desenvolva um único fornecedor para cada item, num relacionamento de longo prazo fundamentado na lealdade e na confiança.

  5. Melhore constantemente o sistema de produção e de prestação de serviços, de modo a melhorar a qualidade e a produtividade e, conseqüentemente, reduzir de forma sistemática os custos.

  6. Institua treinamento no local de trabalho.

  7. Institua liderança. O objetivo da chefia deve ser o de ajudar as pessoas e as máquinas e dispositivos a executarem um trabalho melhor

  8. Elimine o medo, de tal forma que todos trabalhem de forma eficaz para a empresa.

  9. Elimine as barreiras entre os departamentos. As pessoas engajadas em pesquisas, projetos, vendas e produção devem trabalhar em equipe, de modo a preverem problemas de produção e de utilização do produto ou serviço.

  10. Elimine lemas, exortações e metas para a mão-de-obra que exijam nível zero de falhas e estabeleçam novos níveis de produtividade. Tais exortações apenas geram inimizades, visto que o grosso das causas da baixa produtividade encontram-se no sistema, estando, portanto, fora do alcance dos trabalhadores.

  11. a. Elimine padrões de trabalho (quota) na linha de produção. Substitua-os por liderança.

b. Elimine o processo de administração por objetivos. Elimine o processo de administração por cifras, por objetivos numéricos. Substitua-os pela administração por processos através do exemplo de líderes.

  1. a. Remova as barreiras que privam o operário horista de seu direito de orgulhar-se de seu desempenho. A responsabilidade dos chefes deve ser mudada de números absolutos para a qualidade.

b. Remova as barreiras que privam as pessoas da administração e da engenharia de seu direito de orgulharem-se de seu desempenho.

13. Institua um forte programa de educação e auto-aprimoramento.

14.Engaje todos da empresa no processo de realizar a transformação.

3. Sistemas de Qualidade – Ler material na xerox

3.1. A série de normas ISO 9000

Instrumentos para a qualidade

  1. Times de Qualidade

Constituem-se equipes de trabalho, com a função de encontrar soluções para os problemas identificados na empresa e para o aperfeiçoamento dos níveis de qualidade e produtividade de uma determinada atividade ou processo. Também é função dos times de qualidade identificar as falhas que diminuem a qualidade e a produtividade de um determinado processo e depois propor ações corretivas, a fim de melhorar o desempenho e evitar erros.

As atividades desenvolvidas pelo Time de qualidade devem passar por um processo evolutivo que compreende as seguintes fases:

  • Conscientização, para absorver a filosofia da qualidade. Para tal, os seguintes itens devem ser abordados:

  • política da qualidade da empresa;

  • ferramentas para identificação e análise de processos

  • Entendimento do processo (as etapas construtivas, materiais, fornecedores e clientes, etc.)

  • Resoluções de problemas e tomada de decisão.

1) Membros do time da qualidade

Um time de qualidade é composto por uma equipe multidisciplinar, formada por operários engenheiros e outros colaboradores que, de acordo com as suas funções, estejam envolvidos com o processo em análise ou aptos a definir melhorias para os problemas identificados.

2)Regras para as reuniões do time de qualidade

  • A pauta do dia deve ser preparada e distribuída com antecedência pelo secretário do time de qualidade;

  • O coordenador deve conduzir a reunião de forma e encorajar todos os membros a participar e abordar alternativas de soluções;

  • O coordenador deve evitar que o grupo vote a respeito de algum assunto. Em lugar disso devem ser usadas técnicas de tomada de decisão por consenso.

  • O secretário deve emitir relatórios, simples e sucintos, registrando o andamento das ações do time de qualidade e o progresso da equipe em relação às suas metas.

Ferramentas gerenciais para a garantia da qualidade.

  1. Ciclo PDCA

Refere-se a uma metodologia de trabalho a ser utilizada em cada etapa do processo produtivo, seguindo o mesmo raciocínio da cadeia CP (Controle de Produção) e CR (Controle de Recepção).

A(ACTION)

P(Plan))

D(DO)

C(CHECK))

Atuar

corretiva-

mente

Definir

metas

Definir os mé-

todos para ope-

racion. das metas

educar e treinar

Executar a tarefa Coletar dados

Verificar os

resultados da

tarefa executada

b – As seis perguntas 5W2H (em anexo-JUNIOR)

c. Os Cinco Sensos “5S”

O programa 5S consolidou-se no Japão a partir da década de 50, significando seiri (senso de utilziação); seiton (sendo de ordenação); seisou (senso de limpeza), seiketsu (senso de saúde) e shitsuke (senso de autodisciplina).

  1. Senso de utilização

VISA: Utilizar os recursos disponíveis de acordo com a necessidade e adequação, evitando excessos, desperdícios e má utilização.

BENEFÍCIOS:

  • Liberação de espaços;

  • Reaproveitamento de recursos;

  • Distribuir/racionalizar excesso de pessoal;

  • Combate à burocracia;

  • Diminuição de custos

  1. Senso de ordenação

VISA: Dispor materiais/itens de forma sistemática (leiaute das instalações e postos de trabalho, guarda de materiais, arquivos) e estabelecer um excelente sistema de comunicação visual para rápido acesso aos mesmos.

BENEFÍCIOS:

  • Economia de tempo;

  • Diminuição do cansaço físico por movimentação desnecessária

  1. Senso de limpeza

VISA: Eliminar todo e qualquer traço de sujeira e agir na causa fundamental (inclui limpeza de equipamentos)

BENEFÍCIOS:

  • Bem-estar pessoal;

  • Manutenção dos equipamentos;

  • Prevenção de acidentes;

  • Causa boa impressão aos clientes.

  1. Senso de saúde

VISA: manter as condições de trabalho, físicas e mentais, favoráveis à saúde; Ter todos os empregados cumprindo procedimentos de segurança e preocupados com a saúde em sentido amplo.

BENEFÍCIOS:

  • Local de trabalho agradável;

  • Ausência de acidentes;

  • Economia no combate a doenças (preventivo);

  • Empregados saudáveis e bem dispostos

  1. Senso de autodisciplina

VISA: Ter os empregados comprometidos com o cumprimento rigoroso dos padrões éticos, morais e técnicos e com a melhoria contínua a nível pessoal e organizacional

BENEFÍCIOS:

  • Previsibilidade dos resultados;

  • Auto-inspeção e autocontrole;

  • Melhoria contínua a nível pessoal e organizacional.

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