Pro-rn drogas e lactação

Pro-rn drogas e lactação

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Diretores acadêmicos

Renato S. Procianoy Cléa R. Leone

Artmed/Panamericana Editora Ltda.

Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas.

A medicina é uma ciência em permanente atualização científica. À medida que as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências médicas, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que planejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.

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Elsa R. J. Giugliani é professora de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Camila Giugliani (colaboradora) é médica de Família e Comunidade, com especialização em Saúde Pública.

Antes de começarmos a abordagem do tema proposto para este capítulo, é importante escla recermos a definição de alguns conceitos básicos que serão utilizados ao longo do texto.

Droga: termo usado para medicamentos, fármacos, drogas de abuso, vacinas e outras substâncias tais como álcool, nicotina, ervas e produtos para tratamento de cabelo. Aleitamento materno, amamentação e lactação: termos usados como sinônimos. Lactantes, nutrizes: mulheres que amamentam.

Quase todas as mulheres que amamentam utilizam algum tipo de droga. Pesquisas realiza das em países ocidentais mostraram que 90 a 9% das mulheres que amamentam são medi cadas durante a primeira semana após o parto.1 Em média, são utilizados 3,3 fármacos dife rentes por mulher ao longo da amamentação.2

A maioria dos medicamentos é compatível com a amamentação; poucos são formalmente contra-indicados e alguns requerem cautela ao serem prescritos durante a lactação, devido aos riscos de efeitos adversos em lactentes ou de interferirem na síntese e/ou ejeção do leite materno.

AÇÃOFreqüentemente, profissionais de saúde recomendam a interrupção do aleitamento materno enquanto as mães são medicadas, simplesmente porque desconhecem o grau de segurança do uso das diversas drogas durante a lactação. Essa atitude, na maioria das vezes, é equivocada, privando, desnecessariamente, mãe e criança de todos os benefícios da amamentação.

Nem sempre o risco do uso de drogas pode ser adequadamente avaliado, ou por falta de estudos sobre os efeitos colaterais de muitas drogas – em especial as novas, que continua mente estão entrando no mercado – para as crianças amamentadas, ou por divergências quanto à segurança de sua utilização durante a amamentação. Além disso, é comum a discre pância entre informações contidas em bulas de medicamentos e as fornecidas em estudos científicos sobre o uso dos mesmos durante o aleitamento materno.3

Cabe ao profissional de saúde, antes de tomar qualquer decisão, avaliar os riscos e os bene fícios do uso de uma determinada droga em uma mulher que está amamentando.

Visando a auxiliar os profissionais de saúde em suas avaliações quanto ao uso de drogas na lactação, este capítulo tem como objetivos capacitar os leitores a:

121 ESQUEMA CONCEITUAL

Drogas e lactação

Fatores que influenciam a presença e a concentração de drogas no leite

Minimizando os riscos

Classificação das drogas quanto à segurança de seu uso durante a amamentação

Efeitos dos medicamentos de categorias farmacológicas selecionadas

Analgésicos

Antibióticos

Drogas cardiovasculares

Antidepressivos e outros psicofármacos

Drogas de abuso

Maconha Cocaína Alucinógenos

Ervas Vacinas Produtos para tratamento de cabelo

Drogas que inibem a produção do leite

Drogas que estimulam a produção do leite

Caso clínico

Manejo dos problemas diagnosticados

Conclusão

Acetaminofeno Ácido acetilsalicílico Dipirona Antiinflamatórios não-esteróides Narcóticos Metadona Anestésicos epidurais Penicilinas, cefalosporinas e ácido clavulânico Sulfonamidas Aminoglicosídeos Eritromicina Tetraciclinas Metronidazol Fluconazol e aciclovir Betabloqueadores Anti-hipertensivos Antiarrítmicos Diuréticos

Inibidores seletivos da recaptação da serotonina Antidepressivos tricíclicos Benzodiazepínicos Fenotiazínicos Antimaníaco Antipsicóticos

Estrogênio Bromocriptina Pseudo-efedrina Álcool Nicotina

Problema 1: mastite infecciosa Problema 2: asma brônquica Problema 3: depressão Problema 4: consumo social de álcool Problema 5: consumo ocasional de maconha Problema 6: risco de voltar ao tabagismo

As drogas passam do plasma para o leite materno principalmente por difusão. Em geral, os níveis plasmáticos da droga são o fator mais importante na determinação de sua presença e de sua concentração no leite materno, com a maior transferência ocorrendo no pico máximo de sua concentração no plasma. Porém, vários outros fatores podem influenciar a passagem do fármaco para o leite e o grau de exposição da criança a ele, tais como:

1. Qual das seguintes propriedades de um fármaco predispõe mais sua transfe rência para o leite materno?

A) Solubilidade lipídica. B) pH levemente ácido. C) Peso molecular grande. D) Elevada ligação protéica.

2. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso), fazendo as alterações necessárias.

B) (

A) ( ) Alguns fármacos não são absorvidos pelo trato gastrintestinal, outros são inativados pela acidez gástrica excessiva do estômago da criança ou são seqüestrados pelo fígado antes de atingirem o plasma. ) A via de administração oral do fármaco, em comparação com as vias

C) (

intravenosa e muscular, resulta em maiores níveis sangüíneos do fármaco na mãe, facilitando sua passagem para o leite. ) Quanto menor a meia-vida do fármaco, maior o risco de acúmulo na mãe

D) (

e na criança. ) No início da amamentação, as células alveolares são menores, e os es

E) (

paços intercelulares são maiores, facilitando a transferência da droga para o leite ) Em geral, os fármacos fortemente ligados a proteínas passam para o

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