Macrofauna associada a alga Asparagopsis Taxiformis da Ilha Comprida (Tarituba) , ESEC Tamoios Paraty, RJ

Macrofauna associada a alga Asparagopsis Taxiformis da Ilha Comprida (Tarituba) ,...

INSTRUÇÕES PARA A PREPARAÇÃO DE trabalhos PARA O IX ENIC - USS 2010

Macrofauna associada à alga Asparagopsis taxiformis da Ilha do Sandri, ESEC Tamoios Paraty, RJ

Gabriela de Abreu e lima De´Carli1, Kelly Rocha Siqueira2, Ranyere Nascimento de Souza2,

Vania Filippi Goulart Carvalho Pereiran

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Resumo

Os costões rochosos são um dos ambientes marinhos costeiro mais rico em biodiversidade e um dos mais produtivos do planeta. Os animais que ali habitam têm uma grande importância ecológica e econômica, devido à grande quantidade de nutrientes provenientes dos sistemas terrestres, apresentando uma grande biomassa e produção primária de microfitobentos e macroalgas. Este presente estudo tem como objetivo o levantamento da macrofauna bentônica associada à alga Asparagopsis taxiformis da ilha do Sandri Paraty. O presente estudo foi desenvolvido na ilha do Sandri, situada na latitude sul 23°02’20’’ e longitude oeste 44°29’40’’, situada na Baia da Ilha Grande, Paraty, (RJ). A coleta do material foi realizada no mês do maio de 2010, no infralitoral do costão rochoso da praia; as amostras foram coletadas em duas profundidades (1m e 2m) por meio de mergulho em apneia. O material coletado foi triado no Laboratório de estudos Biológicos e Ecológicos, onde se encontra conservado em álcool 80%. No presente estudo verificou-se um total de 64 indivíduos divididos em três classes: Mollusca, Malacostraca e Polychaeta.

Palavras-chave: Fauna Associada, costão rochoso, infralitoral, fital, ESEC Tamoios

Área do Conhecimento: Taxonomia de Grupos Recentes.

Introdução

Os costões rochosos são um dos ambientes marinhos costeiro mais rico em biodiversidade e um dos mais produtivos do planeta. Os animais que ali habitam têm uma grande importância ecológica e econômica, devido à grande quantidade de nutrientes provenientes dos sistemas terrestres, apresentando uma grande biomassa e produção primária de microfitobentos e macroalgas.

O infralitoral é a região permanentemente submersa, apresentando seu limite caracterizado pela zona de Sargassum sp. e por mexilhões. O limite inferior pode ser determinado pelo encontro das rochas com o substrato arenoso, perpendicular ao costão. Nesta região começa a ter mais importância às relações bióticas (predação, herbívoria, competição) na determinação da distribuição dos organismos uma vez que os fatores ambientais são estáveis (NYBAKKEN,1997).

Quando se fala da diversidade de organismos marinhos, pouco se conhece sobre o que esta sendo preservado nas áreas costeiras do Brasil (HORTA, P.A.,2008). As macroalgas (organismos produtores do costão) e a cadeia trófica costeira possuem um grande elo, a macrofauna associada a algas é um importante elemento estruturador, na medida em que muitos organismos utilizam as algas como alimento.

Esta pesquisa faz parte de um dos objetivos do “PROJETO DE AVALIAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL (PAE) DA ESTAÇÃO ECOLÓGICA DE TAMOIOS”, desenvolvido na USS, que compreende o estudo da biodiversidade das ilhas do Sandri e Comprida (Tarituba) - ESEC Tamoios. Este presente estudo tem como objetivo o levantamento da macrofauna bentônica associada a alga Asparagopsis taxiformis da ilha do Sandri Paraty.

Material e Métodos

A observação da área da coleta está vinculada a uma reserva de proteção ambiental sendo está ESEC Tamoios, e encontra-se sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Esta reserva compreende 29 ilhas e uma área terrestre equivalente a 400 alqueires.

O presente estudo foi desenvolvido na ilha do Sandri, situada na latitude sul 23°02’20’’ e longitude oeste 44°29’40’’, situada na Baia da Ilha Grande, Paraty, (RJ).

A coleta do material foi realizada no mês do maio de 2010, no infralitoral do costão rochoso da praia; as amostras foram coletadas em duas profundidades (1m e 2m) por meio de mergulho em apnéia, onde foi usado um quadrado de 1m² contendo dezesseis subquadrados de 25 cm². Este quadract foi colocado onde houve comunidades de algas das espécies Asparagopsis taxiformis, estas foram coletadas aleatoriamente escolhendo um dos 16 subquadrados. As amostras foram recolhidas com ajuda de uma espátula, e envolvendo-as em sacos de tecido de algodão, preservando em solução de formol 4%. Em laboratório o processo das amostras envolveu sucessivas lavagens das algas em bandejas de plástico, para triagem da macrofauna foi utilizado pinça e lupa, posteriormente os espécimes foram separados em classes.

Todo o material encontra-se depositado no Laboratório de Estudos Biológicos e Ecológicos da USS.

Resultados

No presente estudo verificou-se um total de 64 indivíduos divididos em três classes: Mollusca, Malacostraca e Polychaeta.

Na profundidade de 1m foram encontrados 90% de indivíduos da classe Malacostraca (Decapoda 8% e Amphypoda 82%) e a classe Polychaeta com 10% dos indivíduos. Não foi encontrado indivíduos da classe Mollusca nessa profundidade.

Na profundidade de 2m foram encontrados da classe Malacostraca 28,6% dos indivíduos sendo este apenas da ordem Amphypoda, a classe Polychaeta com 35,7% de indivíduos e a classe Mollusca com 35,7% divididos em Chapéu chinês com 7,1% e Gastrópoda com 28,6%.

O filo Mollusca habita água doce, salgadas, ambientes úmidos e sombreados. São distinguidos por um pé muscular rastejante chato utilizado para locomoção e uma cabeça fracamente desenvolvida. A maioria dos indivíduos apresenta concha calcária dorsal em forma de escudo secretado pela parede corporal adjacente, o manto. Representam mais de 4/5 das espécies (HICKMAN et. al.,2004).

O Filo Polychaeta é em sua maioria marinhos podendo ser encontrados em grandes profundidades dos oceanos, flutuando próximos da superfície ou enfiados em rochas ou na areia das praias. Pensa-se que são também os organismos mais primitivos do filo Annelidea. Possuem corpo segmentado interna e externamente, com segmentos ou somitos numerosos. Cabeça distinta do corpo, sexos separados, com fecundação externa e desenvolvimento indireto (HICKMAN et. al.,2004).

Os Decapodas e Amphipodas pertencem a classe Malacostraca. Os amphipodas são crustáceos pequenos, consumidores primários em muitas cadeias alimentares, sendo de grande importância em habitat pelágicos e bentônicos. Possuem olhos compostos, um par de maxilípedes e ausência de carapaça. Seu corpo é comprido lateralmente e seu desenvolvimento é direto. Os Decapodas possuem três pares de maxilípedes e cindo pares de apêndices ambulatórios, cujo primeiro par é modificado em vários grupos para formar quelas (pinças). São representados pelos caranguejos, lagostas, siris, camarões e lagostins (HICKMAN et al.,2004).

Discussão

As três classes presentes associadas à alga Asparagopsis taxiformis, isto é, classe Mollusca, Malacostraca e Polychaeta são normalmente encontradas associadas a macrofitas bentônicas.

A comparação de fitais de diversos mares do mundo mostrou que anfípodas e moluscos são os grupos mais abundantes da macrofauna neste ambiente, provavelmente pelo fato destes organismos se alimentarem do substrato, enquanto que bivalves e decápodas procuram abrigo entre os talos, provavelmente contra predadores (MASUNARI, 1998).

Apoio Financeiro

Agradecemos à FUNADESP pelo apoio financeiro para o desenvolvimento do Projeto PAE; à USS, pelo transporte terrestre mensal; à ESEC Tamoios pelo transporte marítimo mensal.

Referências

HICKMAN, C.P., ROBERTS, L.S., LARSON, A. Princípios integrados de Zoologia. 11 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, C 2004 846p.

HORTA, P.A., SALLES, J.P., BOUZON, J.L., SCHERNER, F., CABARL, D.Q & BOUZON, Z.L., 2008Composição e Estrutura do fitobentos do infralitoral da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, Santa Catarina, Brasil - Implicações para a Conservação. Oecol. Bras., 12 (2): 243-257.

MASUNARI, S. 1998. A arquitetura do habitat nos ecossistemas marinhos costeiros. IV Simpósio de Ecossistemas Brasileiros. Publicações ACIESP, São Paulo, 104, 147-165.

NYBAKKEN, J.W. 1997, Marine Biology: an ecological approach, 4. ed., Califórnia : Addison Wesley, Longman, 481p.

IX Encontro de Iniciação Científica da Universidade Severino Sombra - 2010

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