(Parte 5 de 9)

Cochonilhas, Podridão apical, Virose “vira-cabeça”, Podridão, Mosca-branca (Bemisa tabaci), Vírus dourado

Míldio (Erysiphe graminis), Ferrugem (Puccinia graminis tritici e Puccinia glumarum), Míldio (Erysiphe cichoracearum), Míldio (Botrytis sp.), Podridão-seca-da-espiga (Diploid zea), Sarna (Streptomyces scabiel)

Brusone (Piricularia oryzae), Ferrugem (Puccinia graminis tritici),

Ferrugem (Hemilela vastatrix)

Lagarta rosada (Platyedra gossypiella)

Baixa resistência

Oidium hevea e Phylophthora sp. Broca do colmo (Elasmopalpus lignosellus)

Raphanus raphanistrum Brachiaria plantaginea Bidens pilosa Pteridium aquilinum Cyperus rotundus

Urtiga urens *Adaptado de Ana Primavesi, in Agricultura Sustentável, Nobel; São Paulo - 1992.

Solos carentes em boro e manganês. Solo com laje superficial e falta de zinco.

Solos de média fertilidade.

Excesso de alumínio tóxico.

Solos ácidos, adensados, mal tratados, possível deficiência de magnésio.

Excesso de nitrogênio livre, carência em cobre.

Nabisco ou nabo bravo Papuã Picão preto Samambaia Tiririca Urtiga

Observe, na tabela, como as pragas e doenças de determinadas culturas agrícolas determinam algumas deficiências nutricionais:

Entendendo os princípios básicos

É importante ressaltar que nem tudo se detecta no solo por meio da observação da natureza. Isso requer, sempre que possível, uma boa análise de solo em laboratório. As análises de solo laboratoriais ajudam a quantificar, de forma mais exata, algumas deficiências e a recomendar adubações orgânicas com melhor precisão. Mas para que a recomendação não seja meramente uma reposição química de nutrientes, é imprescindível que haja o processo de análise do agroecossistema em questão.

dA sucessão vegetal e a formação dos solos

Para entender melhor a função que as plantas e os organismos vivos do solo têm a cumprir, é importante compreender o conceito de sucessão vegetal e como isto se relaciona com a formação dos solos.

Desde quando uma rocha começa a se desmanchar para se tornar solo, surge uma colonização de plantas que irá acompanhar todo o processo de amadurecimento deste solo, até que ele atinja o grau de desenvolvimento e complexidade de uma vegetação que chamamos de clímax, característica do ambiente de uma floresta. Durante todo esse processo de amadurecimento do conjunto solo-planta, a colonização vegetal estará continuamente se modificando. As espécies de plantas irão se sucedendo umas às outras com um objetivo bem definido: permitir que a vida se instale cada vez mais neste ambiente.

Cada planta, ou conjunto de plantas, além de nos informar o estágio de maturidade em que este ambiente se encontra (por isso plantas indicadoras), prepara as condições para que esse processo tenha continuidade, permitindo o surgimento de outras espécies que trarão suas contribuições para essa “caminhada” que a rocha faz para virar solo. A sucessão vegetal é como se fosse um plano oculto guiado pelas leis da natureza, o qual conduzirá a recuperação de uma área que foi modificada pela ação humana.

Num agroecossistema, aquele solo formado pelo desenvolvimento solo-planta, a partir da rocha préexistente, dá lugar a um solo que continuamente se transforma, a partir da interação da biodiversidade com o ciclo da água. A água tem o poder de desagregar elementos na superfície e reagrupá-los no subsolo. Já os organismos vivos do solo, juntamente com as plantas, têm o poder de desagregar os elementos no subsolo e depositá-los na superfície do solo, numa contínua ciclagem de nutrientes.

agroecossistema que se analisa

A Agroecologia ensina que é preciso unir os saberes de observação da natureza e do entendimento do agroecossistema e alguns métodos modernos das ciências agrárias (GOMES, 1999). Assim, uma análise de solo laboratorial se torna um método científico complementar a um processo de entendi-mento profundo do

A pergunta importante aqui é: se a natureza tem um trabalho a fazer com a sucessão ecológica e a ciclagem de nutrientes, como podemos nos beneficiar desse trabalho ecológico realizado pela natureza, para obter dela o que queremos de maneira sustentável? A resposta é: praticando uma agricultura de base ecológica.

A Cartilha Agroecológica

Afinal, o(a) agricultor(a) deve ou não capinar a terra?

É impossível que o(a) agricultor(a) consiga atingir seu objetivo de deixar sua lavoura limpa, pois os impulsos naturais da sucessão ecológica sempre estarão presentes. Assim, à medida que tentamos limpar a terra, estamos, na verdade, impedindo que o solo amadureça através do processo de sucessão vegetal e, com isto, dando as condições necessárias para que apareçam plantas cada vez mais difíceis de serem manejadas. Sempre vem uma planta com maior capacidade de proteger o solo, e conseqüentemente, mais difícil de ser erradicada.

Portanto, o controle das chamadas ervas daninhas (plantas invasoras) é feito não por sua eliminação sistemática por meios mecânicos ou químicos, mas sim por meio de práticas de manejo que promovam mudanças na qualidade do solo, de modo a propiciar o aparecimento de espécies menos agressivas e menos competidoras com as culturas plantadas.

É preferível, por exemplo, uma roçada do que uma capina, pois o solo exposto é inimigo número um da fertilidade da terra, visto que destrói a matéria orgânica que está na superfície. Mantê-lo coberto, seja com cobertura morta de uma roçada ou com vegetação, significa aproveitar a energia constante que nos é fornecida pelo sol e pela água de forma gratuita. Capiná-lo, de forma mecânica até a terra ficar nua, significa perder a possibilidade de, constante e gratuitamente, armazenar energia e fertilidade no solo. E “capiná-lo quimicamente”, por meio de herbicidas, mata a vida no solo.

invasoras e equilibrando os sistemas

No caso da roçada ser insuficiente para cobrir o solo ou as plantas invasoras não permitirem o crescimento adequado de uma cultura de interesse comercial, podemos, aos poucos, ir substituindo essas plantas invasoras por plantas recuperadoras de solo, conhecidas como adubos verdes. Estas plantas, como veremos no capítulo de Práticas Agroecológicas, ajudam a fixar nitrogênio, mobilizar substâncias de partes mais profundas do solo e acumular biomassa (massa verde) no sistema. Essa biomassa será incorporada no solo e servirá como cobertura de solo, abafando as plantas Instituto Giramundo Mutuando29 ficar livre da capina significa mais forca de trabalho para realizar outras tarefas que me ajudarao a melhorar a propriedade!

Entendendo os princípios básicos

Outro fator fundamental para ter um solo fértil é o que chamamos de Biomassa. A Biomassa, ou massa verde, contribui de diversas formas para a fertilidade circular no solo. Produzir biomassa ajuda a manter o solo sempre coberto por vegetação. Manter o solo coberto é manter umidade no solo. O solo úmido ajuda a manter uma temperatura equilibrada e é favorável à manutenção da vida que nele existe, entre outras coisas.

Esta função de cobertura de solo é favorecida com o plantio de adubação verde, pois, como veremos mais adiante, a adubação verde propicia a ciclagem de nutrientes no solo, ou seja, mobiliza nutrientes das camadas mais profundas e os deposita na superfície do solo. Isso aumenta a quantidade de nutrientes disponíveis para as culturas de interesse comercial.

Aumentar e fazer circular a fertilidade!

Na Agroecologia trabalhamos com a idéia de que o importante para o solo é criar e fazer circular o máximo possível a fertilidade dentro do agroecossistema. Tudo aquilo que faz circular a fertilidade (adubação verde, compostagem, arbustos e árvores, por exemplo), pode ser chamado de mediador de fertilidade. A criação de animais pode ser um excelente mediador, tranformando massa verde em esterco rico para as plantas. A arte de produzir está na arte de fazer circular a fertilidade.

Todo o excedente produzido num determinado local, mas não vendido nem consumido (subproduto), deverá ser manejado e retornado para contribuir com a fertilidade da terra. O esterco, as folhagens secas, os talos e frutos não aproveitados, a cama de frango, entre outros, poderão ser compostados, para que voltem a servir de alimento ao solo (veja no capitulo 5 desta cartilha orientações sobre como fazer compostagem).

O lema é: aumentar a massa verde e fazer circular a fertilidadee

A Cartilha Agroecológica

Instituto Giramundo Mutuando31 f Controle biológico e fisiológico

Como vimos anteriormente, num determinado agroecossistema, com boas condições de vida no solo, podemos encontrar uma grande diversidade de insetos, ácaros, nematóides, fungos, bactérias, vírus, entre outros organismos. Muitos desses organismos dependem uns dos outros para a manutenção da vida, estabelecendo relações de predador e presa entre si. Como exemplo temos:

- pulgão (“praga”), que é alimento para a joaninha (predador); - lagarta da soja (“praga”), que é infectada pelo Baculovirus (parasita).

Animais maiores também são muitíssimo importantes como predadores das pragas, entre eles: aves, morcegos, tatus, cobras, rãs, sapos e aranhas.

A análise dessas relações entre presa e predador possibilitou a compreensão do conceito de “inimigos naturais”, ou seja, há determinados organismos encontrados no próprio local que são inimigos naturais de outros organismos. Assim, se propiciamos um ambiente adequado ao desenvolvimento de uma grande diversidade de organismos, eles se equilibram entre si, o que é chamado de controle biológico natural.

Seguindo essa lógica podemos afirmar que: - há muitas espécies que são predadoras ou parasitas das pragas e doenças que atacam os cultivos agrícolas; - uma praga ou doença aparece num agroecossistema quando não há diversidade de organismos para um eficiente controle biológico natural; - quando o ambiente está desequilibrado, as plantas e animais ficam com a sua capacidade de defesa comprometida, propiciando o aumento demasiado de um determinado organismo (praga); - um organismo presente em demasia no agroecossistema é tornado praga e causador de uma determinada doença, por uma falha do próprio agroecossistema.

Ops! Entendendo os princípios básicos

Biose =existência de vida

Trofo = alimento

Portanto, na agricultura de base ecológica trabalhamos para maximizar o controle biológico natural e para equilibrar o agroecossistema como um todo.

No entanto, quando a infestação de uma determinada praga representa uma ameaça econômica para o(a) agricultor(a), devemos trabalhar para diminuir sua infestação e fortalecer a planta, pois sabemos que as plantas e animais saudáveis são mais resistentes. Neste caso, podemos utilizar defensivos alternativos e até inserir inimigos naturais que sejam comprovadamente predadores da praga. Esses inimigos naturais podem ser produzidos na própria propriedade ou adquiridos no mercado de produtos para controle biológico na agricultura de base ecológica.

Existem outros fatores que podem determinar um aumento descontrolado de uma população de praga ou de uma doença. Um deles é o que acontece por dentro da planta, chamado controle fisiológico, como veremos a seguir.

Como funciona o controle fisiológico?

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