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O desenvolvimento e a consolidação da cultura metrológica vem-se constituindo uma estratégia permanente das organizações, uma vez que resulta em ganhos de produtividade, qualidade dos produtos e serviços, redução de custos e eliminação de desperdícios. A construção de um senso de cultura metrológica não é tarefa simples, requer ações duradouras de longo prazo e depende não apenas de treinamentos especializados, mas de uma ampla difusão dos valores da qualidade em toda a sociedade.

Cientes dessa responsabilidade, o INMETRO e o SENAI celebram um convênio de cooperação, que prevê o desenvolvimento de ações conjuntas nos campos da metrologia, da normalização e da avaliação da conformidade, abrangendo, inclusive, a produção e a disseminação de literatura especializada.

A presente publicação se inscreve, certamente, nesse contexto.

Ao disponibilizá-la, o INMETRO e o SENAI têm presente a expectativa de difundir conhecimento, tornando mais acessíveis conceitos e informações básicas para um público especializado, bem como para toda a sociedade.

ARMANDO MARIANTE CARVALHOJOSÉ MANUEL DE AGUIAR MARTINS Presidente do INMETRODiretor-Geral do SENAI/DN

O Presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO, no uso de suas atribuições;

Alterar os termos do Art 1º da Portaria nº 102, de 10 de junho de 1988, que passa a ter a seguinte redação:

“Adotar, no Brasil, a nova versão do Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia, em anexo, baseada na 211ª edição (1993) do documento elaborado pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), pela Comissão Internacional de Eletrotécnica (IEC), pela Federação Internacional de Química Clínica (IFCC), pela Organização Internacional de Normalização (ISO), pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP), com a devida adaptação ao nosso idioma, às reais condições existentes no país e às já consagradas pelo uso.”

Permanecem inalterados os demais artigos estabelecidos na Portaria nº 102, de 10 de junho de 1988.

Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação.

JÚLIO CESAR CARMO BUENO Presidente do INMETRO

No presente trabalho, elaborado e consensado com significativa parcela da comunidade técnica e acadêmica, atuante no campo da metrologia, buscouse não apenas enfocar os aspectos da adequada correspondência dos termos entre as línguas estrangeiras envolvidas, mas também da própria filosofia de concepção do Vocabulário. Os esforços foram aqui direcionados no sentido de se atender ao máximo as diferentes correntes de opinião, decorrentes de processos culturais já consagrados em várias regiões de nosso país. Buscou-se, desta maneira, a desejável e necessária padronização, respeitando-se o atual “estado da arte” da linguagem metrológica brasileira.

Pelas premissas expostas, alguns verbetes são expressos de duas formas diferentes para uma mesma definição, ora para atender às necessidades brasileiras, ora simplesmente para acompanhar as versões inglesa e francesa. Porém, de um modo geral, nestes casos, manteve-se no corpo do texto os verbetes listados em primeiro lugar, devendo, no futuro, cair em desuso as respectivas segundas opções.

O uso de parênteses “(...)” separando palavras e alguns termos significa, como na edição original, que estas palavras podem ser omitidas, sem prejuízo de conteúdo ou risco de confusão.

Foi introduzida, nesta versão brasileira, a colocação dos termos originais (em inglês e francês) ao lado de cada termo correspondente em português, o que, juntamente com o índice trilíngüe, deverá facilitar sobremaneira a pesquisa de um determinado termo.

Obviamente, não poderíamos ter a pretensão de produzir um trabalho unânime, até mesmo porque se admitem imperfeições na publicação original. No entanto, esperamos que seja atingido seu estrito objetivo de contribuir para a harmonização interdisciplinar de terminologia metrológica.

Observacões: 1) O termo “grandeza” pode referir-se a uma grandeza em um sentido geral (veja exemplo a) ou a uma grandeza específica (veja exemplo b).

Exemplos: a) Grandezas em um sentido geral: comprimento, tempo, massa, temperatura, resistência elétrica, concentração de quantidade de matéria; b) Grandezas específicas: - comprimento de uma barra

- resistência elétrica de um fio

- concentração de etanol em uma amostra de vinho.

2) Grandezas que podem ser classificadas, uma em relação a outra, em ordem crescente ou decrescente, são denominadas grandezas de mesma natureza.

3) Grandezas de mesma natureza podem ser agrupadas em conjuntos de categorias de grandezas, por exemplo: - Trabalho, calor, energia.

- Espessura, circunferência, comprimento de onda.

4) Os símbolos das grandezas são dados na norma ISO 31.

Exemplo: As grandezas comprimento, massa e tempo são geralmente tidas como grandezas de base no campo da mecânica.

Observação: As grandezas de base correspondentes às unidades de base do Sistema Internacional de Unidades (SI) são dadas na observação do item 1.12.

Em um sistema que tem como grandezas de base o comprimento, a massa e o tempo, a velocidade é uma grandeza derivada, definida como: comprimento dividido por tempo.

Observações: 1) Os fatores que representam as grandezas de base são chamados “dimensões” dessas grandezas de base. 2) Para detalhes da álgebra pertinente ver ISO 31-0.

Observações: 1) Unidades de medida têm nomes e símbolos aceitos por convenção. 2) Unidades de grandezas de mesma dimensão podem ter os mesmos nomes e símbolos, mesmo quando as grandezas não são de mesma natureza.

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Exemplos: a) Comprimento de uma barra: 5,34m ou 534cm; b) Massa de um corpo: 0,152kg ou 152g; c) Quantidade de matéria de uma amostra de água (H2 O): 0,012 mol ou 12 mmol.

Observações: l ) O valor de uma grandeza pode ser positivo, negativo ou nulo. 2) O valor de uma grandeza pode ser expresso por mais de uma maneira. 3) Os valores de grandezas adimensionais são geralmente expressos apenas por números. 4)Uma grandeza que não puder ser expressa por uma unidade de medida multiplicada por um número, pode ser expressa por meio de uma escala de referência convencional, ou por um procedimento de medição, ou por ambos.

2) Valores verdadeiros são, por natureza, indeterminados.

3) O artigo indefinido “um” é usado, preferivelmente ao artigo definido “o” em conjunto com “valor verdadeiro”, porque pode haver muitos valores consistentes com a definição de uma dada grandeza específica.

Observações: 1) “Valor verdadeiro convencional” é às vezes denominado valor designado, melhor estimativa do valor, valor convencional ou valor de referência. “Valor de referência”, neste sentido, não deve ser confundido com “valor de referência” no sentido usado na observação do item 5.7.

2) Freqüentemente, um grande número de resultados de medições de uma grandeza é utilizado para estabelecer um valor verdadeiro convencional.

Observação: As operações podem ser feitas automaticamente.

A metrologia abrange todos os aspectos teóricos e práticos relativos às medições, qualquer que seja a incerteza, em quaisquer campos da ciência ou da tecnologia.

c) O efeito Doppler utilizado para a medição da velocidade; d) O efeito Raman utilizado para medição do número de ondas das vibrações moleculares.

Os métodos de medição podem ser qualificados de várias maneiras; entre as quais: - método por substituição;

- método diferencial;

- método “de zero”.

Um procedimento de medição é usualmente registrado em um documento, que algumas vezes é denominado procedimento de medição (ou método de medição) e normalmente tem detalhes suficientes para permitir que um operador execute a medição sem informações adicionais.

Exemplo: Pressão de vapor de uma dada amostra de água a 20oC.

Observação: A especificação de um mensurando pode requerer informações de outras grandezas como tempo, temperatura ou pressão.

Observação: O sinal de entrada de um sistema de medição pode ser denominado estímulo; o sinal de saída pode ser denominado resposta.

- ao resultado não corrigido;

- ao resultado corrigido; e se corresponde ao valor médio de várias medições.

2) Uma expressão completa do resultado de uma medição inclui informações sobre a incerteza de medição.

2) A grandeza pode ser um mensurando, um sinal de medição ou uma outra grandeza a ser usada no cálculo do valor do mensurando.

3) Para uma medida materializada, a indicação é o valor a ela atribuído.

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