Sistema Solar

Sistema Solar

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Fundamentos de Astronomia – Cap. 3 - O Sistema Solar (Gregorio-Hetem & Jatenco-Pereira) 28 Capítulo 3

Este capítulo será dedicado ao estudo do sistema solar, principalmente no que se refere aos componentes que orbitam o Sol, nossa estrela. Nesta primeira parte discutiremos então a respeito dos planetas e dos corpos menores que compõem o meio interplanetário. Por se tratar de um tópico bastante extenso, não nos aprofundaremos no estudo individual dos planetas, apresentando somente suas características mais relevantes. Na segunda parte, a formação do sistema solar será apresentada, num estudo também conhecido como cosmogonia.

Parte I Meio Interplanetário

Planetas

Corpos Menores

Satélites e Anéis Asteróides Cometas Meteoros e Meteoritos

Gás e Poeira Zodiacal

Parte I Formação do Sistema Solar

Movimento dos Planetas Teoria de Formação Disco Protoplanetário

Bibliografia

• Introductory Astronomy & Astrophysics, de Zeilik & Smith (cap. 7) • Astronomy: a beginner's guide to the Universe, Chaisson & McMillan (cap. 4)

Fundamentos de Astronomia – Cap. 3 - O Sistema Solar (Gregorio-Hetem & Jatenco-Pereira) 29 O Novo Sistema Solar

Em 24 agosto de 2006 durante a XXVI Assembléia Geral da União Astronômica

Internacional foi aprovada a nova definição de planeta como sendo um corpo celeste que (a) orbita o Sol; (b) esteja em equilíbrio hidrostático, ou seja, possui massa suficiente para que a auto-gravitação supere a rigidez do material, tomando a forma esférica; e (c) não possua corpos de massa semelhante nas proximidades de sua órbita. Com esta resolução o Sistema Solar oficialmente fica constituído por oito planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Uma nova classe de objetos chamados Planetas Anões foi criada, sendo Ceres, Plutão e Eris os primeiros membros desta nova categoria. Um planeta anão satisfaz os itens (a) e (b) acima mas não o (c). Uma nova classe de objetos também foi reconhecida, os objetos Trans-Netunianos, sendo Plutão o protótipo dessa nova classe.

Meio Interplanetário

O Sol e seus oito planetas são os principais constituintes do Sistema Solar, que além desses componentes possui vários outros elementos, como planetas anões, satélites, asteróides, meteoróides, cometas e poeira zodiacal. Por concentrar quase a totalidade da massa do Sistema Solar (9,87%), o Sol exerce uma poderosa atração sobre os demais corpos, fazendo-os gravitar ao seu redor.

A órbita de Netuno representa o tamanho aparente do Sistema Solar e a luz do Sol leva ~ 4 horas para chegar até esse planeta. Este tempo é bastante curto quando comparado com a distância média até as estrelas vizinhas, que é de aproximadamente 5 anos-luz. Para termos uma idéia das escalas de distâncias envolvidas, poderíamos supor que dois sistemas planetários vizinhos seriam como dois vilarejos com extensão de apenas 1km cada, ambos localizados no Continente Sul Americano; um no extremo sul e outro no extremo norte.

Apresentamos nas figuras 1a, 1b e 1c as órbitas dos planetas, planetas anões e asteróides do Sistema Solar. Na Fig. 1a vemos as órbitas dos planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte e do planeta anão Ceres. Próximo à órbita de Ceres encontram-se centenas de milhares de asteróides conhecidos. Na Fig. 1b vemos em detalhe as órbitas dos planetas Júpiter e Saturno (em verde) e o sistema solar interno (órbitas azuis). Entre Júpiter e Marte temos o cinturão de asteróides. O tamanho dos planetas está fora de escala. Já na Fig. 1c, são mostradas as órbitas dos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Nesta escala mal podemos ver o Sistema Solar interno e aparecem trechos das órbitas dos planetas anões Plutão e Éris.

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Figuras 1a, 1b e 1c. Representação em perspectiva do Sistema Solar. As órbitas dos planetas estão aproximadamente no mesmo plano. Netuno se encontra a cerca de 4,5 bilhões de km do Sol ou aproximadamente 30 UA.

Créditos: Prof. Gastão B. Lima Neto (IAG/USP) (http://w.astro.iag.usp.br/~gastao/).

Figura 1a

Figura 1c Figura 1b

Fundamentos de Astronomia – Cap. 3 - O Sistema Solar (Gregorio-Hetem & Jatenco-Pereira) 31 PLANETAS

Como já vimos anteriormente a palavra planeta é de origem grega e significa astro errante. Somando a massa de todos os planetas verificamos que ela corresponde a uma pequena fração (0,134%) da massa de todo o Sistema Solar.

A massa dos planetas é determinada aplicando-se a terceira lei de Kepler, com base no movimento de seus satélites. No caso de Mercúrio e Vênus (que não têm satélites), a massa é determinada pela análise de perturbações gravitacionais que esses planetas exercem no movimento de outros planetas, asteróides ou cometas.

Júpiter, Saturno, Urano e Netuno (também chamados planetas externos) têm baixa densidade e são classificados como planetas jovianos, pois seu protótipo é o planeta Júpiter. Seus principais constituintes são substâncias livres: hidrogênio e hélio gasoso, gelo de água, metano, dióxido de carbono e amônia.

Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são os planetas com densidade maior, formando a classe dos planetas telúricos (neste caso, o protótipo é a Terra). São constituídos de rochas (silicatos e óxidos) e metais, como níquel e ferro.

Figura 2. Representação em escala dos tamanhos relativos dos planetas, planetas anões e o Sol. Créditos: União Astronômica Internacional, NASA, APOD 28 de agosto de 2006 e Prof. Gastão B. Lima Neto (IAG/USP).

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Os corpos menores, com dimensões inferiores às dos planetas e planetas anões, têm enorme importância no estudo da formação do Sistema Solar. Muitos não foram submetidos a altas pressões e temperaturas, portanto não sofreram metamorfismos decorrentes da fusão e fracionamento gravitacional. Os que permaneceram longe do Sol retiveram os compostos voláteis originais. São considerados verdadeiras “relíquias” por ainda guardarem o registro das condições físicas e químicas primordiais do Sistema Solar.

(a) Satélites e anéis

Fazem parte do meio interplanetário os satélites que orbitam ao redor dos planetas e também os anéis que os planetas jovianos possuem. Nas tabelas a seguir, são listados os números de satélites e de anéis dos planetas até 2009.

Planeta Mercúrio Vênus Terra Marte No de satélites 0 0 1 2

Planeta Júpiter Saturno Urano Netuno No de satélites 63 62 27 13 Anéis 1* 7 13 3*

(* ) O sistema de anéis de Júpiter é composto de um halo interior, um anel principal e um anel difuso exterior. Um dos anéis de Netuno é composto de quatro arcos.

(b) Asteróides

O significado da palavra Asteróide está relacionado a “objeto com aparência estelar”.

Por se encontrarem relativamente próximos, os asteróides apresentam movimento próprio. Quando tomamos uma fotografia de longa exposição o asteróide deixa traços sobre o fundo de estrelas fixas.

Antigamente, os asteróides recebiam nomes mitológicos como por exemplo, Ceres (hoje em dia classificado com planeta anão) foi considerado o primeiro asteróide grande descoberto em 1o de janeiro de 1801 por Giuseppe Piazzi, em Palermo, Itália. Atualmente os asteróides são designados pelo ano de descoberta seguido de duas letras.

A maior parte dos asteróides já catalogados (mais de 3000) têm órbitas levemente elípticas e localizam-se no cinturão de asteróides, que fica entre Marte e Júpiter. Sondas espaciais constataram que ele é surpreendentemente desprovido de poeira fina. Um subgrupo de asteróides (Troianos) é encontrado na mesma órbita de Júpiter.

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O tamanho de um asteróide pode ser determinado quando uma estrela é ocasionalmente ocultada, ou então, através da medida da quantidade de luz solar que ele reflete. Somente 16 asteróides têm dimensões maiores que 240 km. Através de ocultação de estrelas foram descobertos asteróides duplos. Em 1993 a sonda espacial Galileu fotografou o asteróide Ida, com cerca de 56 km junto com sua lua esférica, Dáctil, de 1,5 km.

Por não apresentarem simetria esférica e por possuírem movimento de rotação, seu brilho, devido à reflexão da luz solar, não é constante. Essas modulações da curva de luz permitem inferir o período de rotação que varia de horas a anos.

A determinação da massa é feita através da medida da perturbação gravitacional, por ocasião de um encontro próximo ou demorado entre dois asteróides. Juntos, todos os asteróides têm apenas um centésimo da massa de Mercúrio. Através de espectrofotometria podemos estudar sua composição química. Cerca de 75% dos asteróides têm composição similar àquela dos meteoritos carbonáceos, são escuros e orbitam na parte externa do cinturão. Cerca de 17% são rochoso-ferrosos (rochas, ferro e níquel em partes iguais), mais claros e têm órbitas mais internas. Os demais têm composição ferrosa.

Figura 3. Fotos obtidas pela sonda espacial Galileu. (a) Asteróide Gaspra (diâmetro ~ 20 km) fotografado a uma distância de 1600 km (b) O asteróide Ida (diâmetro ~ 50 km) visto a 3400 km. Ao lado de Ida aparece sua lua esférica Dáctil, com 1,5 km de diâmetro. Créditos: NASA, JPL, Projeto Galileu.

O Sistema Solar vai muito além dos planetas. Depois da órbita de Netuno (30 UA) encontra-se o cinturão de Kuiper (que se estende até 50 UA), contendo planetas anões e corpos congelados e onde se acredita que seja a origem dos cometas de curto período. Ao redor do Sistema Solar, com uma distribuição esférica está a Nuvem de Oort entre 50 e 100 mil UA (que será discutida no item (c) Cometas). Em novembro de 2003 foi detetado, por astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), da Universidade Yale e do Observatório Gemini (EUA), o objeto mais distante em órbita do Sol, chamado Sedna. Apresentando uma órbita muito excêntrica com afélio estimado em

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975 UA e periélio em 76,16 UA. Calcula-se que o tempo para Sedna dar uma volta em torno do Sol esta entre 10.500 e 12.0 anos.

Figura 4. Nestes painéis são mostrados, em ordem crescente de distância ao Sol: (i) ao alto e à esquerda o cinturão de asteróides entre as órbitas de Marte e Júpiter; (i) ao alto e à direita o cinturão de Kuiper após a órbita de Netuno; (i) abaixo e à esquerda a borda interna da Nuvem de Oort. No último painel detalhe da órbita de Sedna.

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