Nutrição 04

Nutrição 04

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Revista Brasileira de Nutrição Esportiva ISSN 1981-9927 versão eletrônica

Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b n e . c o m . b r

Na atividade física ocorrem alterações significativas em relação aos parâmetros estudados. A tabela 1 apresenta análise da glicemia e da concentração de cortisol do grupo placebo, demonstrando os seguintes dados: A glicemia e o cortisol apresentaram alterações significativas pós-exercício em relação ao pré-exercício, com a glicemia diminuindo sua concentração e o cortisol aumentado. Após vinte e quatro horas ocorreram alterações significativas.

A tabela 2 apresenta as alterações encontradas na análise da glicemia e do cortisol do grupo carboidrato e também a correlação com o grupo placebo, onde ocorreram alterações significativas na glicemia e no cortisol pós-exercício quando comparado ao pré-exercício. E vinte e quatro horas após exercício não houve alterações significativas. Observamos uma diminuição da glicemia pósexercício em relação ao pré-exercício, porém ainda mais elevada quando comparada ao grupo placebo. O cortisol pós-exercício aumentou em relação ao pré-exercício, mas quando comparado ao grupo placebo pósexercício, essa elevação foi menor.

Tabela 1. Análise da glicemia e da concentração de cortisol do grupo placebo (PLA).

Resultados expressos em média ± D.P. a – diferença da coleta pré-marcha. Tabela 2. Análise da glicemia e da concentração de cortisol do grupo carboidrato (CHO).

Resultados expressos em média ± D.P. a – diferença da coleta pré-marcha. b – diferença do grupo placebo na mesma coleta.

O presente estudo teve como objetivo observar o comportamento da glicemia e da concentração de cortisol (glicocorticóide) durante a atividade física prolongada. Diversos estudos anteriores já demonstram que a suplementação através de carboidratos tem efeitos positivos durante a prática do exercício físico (Coggan e Coyle, 1991; Costill e Hargreaves, 1992; Bacurau e colaboradores, 2002). Os substratos energéticos mais importantes durante um exercício de endurance são o glicogênio muscular, glicose sanguínea e os ácidos graxos livres. A maior oferta de glicose para o músculo durante o exercício prolongado, deverá ocorrer pela sua manutenção através da liberação dos estoques hepáticos e/ou da suplementação de carboidrato. A utilização da glicose plasmática também pode reduzir a taxa de glicogenólise muscular, promovendo um efeito poupador de glicogênio (Aoki e colaboradores, 2003). A glicemia apresentou uma diminuição após o exercício (PLA* = 3,6 ± 0,5/ CHO* = 4,2 ± 0,4 mmol/L) e (tabela 3). O grupo suplementado com carboidrato manteve sua glicemia mais elevada em relação ao grupo placebo. Apesar de não ter sido avaliado no trabalho, acreditamos que o melhor controle glicêmico causado pela suplementação pode ter induzido o efeito poupador de glicogênio muscular. Este mecanismo poderá ter efeitos benéficos sobre o desempenho no exercício de longa duração (Coggan e Coyle, 1991; Davis e colaboradores, 2000).

A concentração do cortisol apresentou-se elevada nos dois grupos, sendo que no grupo carboidrato, este aumento foi atenuado (COR PLA* = 671,2 ± 122,3/ CHO* = 553,7 ± 70,3). De acordo com Weineck (1999), este hormônio apresenta efeito

PLACEBO (n =16) Pré Pós

CARBOIDRATO (n =16) Pré Pós

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 3, p. 18-2, Maio/Junho, 2007. ISSN 1981-9927.

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Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b n e . c o m . b r imunossupressor. A suplementação de carboidrato reduziu a resposta de secreção do cortisol em função do exercício. Estes dados apresentados no presente trabalho confirmam que a suplementação de carboidratos é fundamental para manutenção da glicemia, exercendo controle também sobre secreção de cortisol.

A suplementação de carboidratos é capaz de modular a resposta hormonal e imunológica durante o exercício extenuante (Bacurau e colaboradores, 2002), mantendo as concentrações da glicemia e também controlando o aumento da concentração de cortisol (Bacurau e colaboradores, 2002). Dessa forma, esta estratégia pode reduzir as chances de infecções no período de recuperação “janela aberta” (Pedersen e Hoffman-Goetz, 2000).

Portanto no presente estudo foi observado que a suplementação de carboidratos foi capaz de favorecer o controle da glicemia e atenuar a secreção de cortisol, apresentado uma vantagem considerável ao consumo apenas de líquido como realizado pelo grupo placebo.

1- ACSM. Exercise and Fluid Replacement – Position stand, 2007

2- Aoki, Marcelo Saldanha, Belmonte, Mônica Aparecida, Seelaender, Marília Cerqueira Leite. Influência da Suplementação Lipídica Sobre A Indução Do Efeito Poupador de Glicogênio em Ratos Submetidos ao Exercício de “Endurance” Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, 17(2): 93-103, jul./dez. 2003

3- Bacurau, Reury Frank Pereira; Bassit, Reinaldo Abunasser; Sawada, Letícia; Navarro Francisco; Martins Junior, Eivor; Costa Rosa, Luís Fernando Bicudo Pereira. Carbohydrate supplementation during intense exercise and the immune response of cyclists. Clinical Nutrition, v. 21; n. 5, p. 423-429, 2002.

4- Borg, G.; Noble, B.J. Perceived exertion. In: Exercise and sport science review. Editor J. Wilmore, 131-153. New York: Academic Press.

5- Coggan, A.R.; Coyle, E.F. Carbohydrate ingestion during prolonged exercise: effects on metabolism and performance. Exerc Sport Sci Rev. 19, p. 1 – 40. 1991.

6- Costill, D.L.; Hargreaves, M. Carbohydrate nutrition and fatigue. Sports Med. 13, p.86-92. 1992.

7- Davis, S.N.; e colaboradores. Effects of antecedent of hypoglycaemia on subsequent counterregulatory responses to exercise. Diabetes. 49, p.73-81. 2000.

8- Guedes, D.P.; Guedes, J.E.R.P. Crescimento, Composição Corporal e Desempenho Motor. São Paulo. CLR Balieiro. 1998.

9- Guyton, A.C. Fisiologia humana. Dinâmica da membrana capilar, os líquidos corporais e o sistema línfático. 6a edição. Rio de Janeiro. Guanabara koogan. 1988. (271-286).

10- Nieman, D.C. Exercise efects on systemic immunity. Immunology and Cell Biology. n.78, p.196-501. 2000.

1- Pedersen B.K.; Hoffman-Goetz L., Exercise and the Immune System: Regulation, Integration, and Adaptation, Physiological Reviews v. 80, n.3. 2000.

12- Powers, S.; Howley, E. Fisiologia do Exercício, Manole, São Paulo, 2000.

13- Wilmore, Jack H., Costil, David L. Fisiologia do esporte e do exercício, Manole, São Paulo, 2º edição, 2001, pág. 452.

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