Nutrição Esportiva 03

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Champe e Harvey (1997) sugerem que os aminoácidos mais abundantes seria a glutamina, encontrada no músculo esquelético e no plasma sanguíneo, atua em funções como o aumento da síntese protéica, manutenção do volume muscular e aumento da função imunológica, e os BCAAs que são os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, isoleucina e valina).

De acordo com Maestá e Burini (2002) estes compostos estimulam e participam na manutenção do crescimento muscular e da força, aumentam a utilização de energia e podem também estimular a formação do GH. Champe e Harvey (1997) afirmam que quando a ingesta de carboidratos é baixa, os aminoácidos são desaminados a fim de fornecer esqueletos de carbono para a síntese de glicose, e servir de substrato para o sistema nervoso central.

O BCAA é um conjunto de aminoácidos que têm efeito ergogênico, pode auxiliar no anabolismo muscular, na manutenção da glutamina e favorecer a gliconeogênese. São formados por três aminoácidos: leucina, valina e isoleucina, mais encontrados principalmente na proteína animal (Wilmore e Costil, 2001).

McArdle e Katch (2003) ainda sugerem que os BCAA’s podem combater os sinais da fadiga no cérebro, a fadiga central.

As proteínas apresentam por volta de 4 kcal de energia por grama. Champe e Harvey (1997) sugerem que a ingestão recomendada é de 0,8 g/kg de peso corporal, para adultos. Bertolucci citando Lemon e colaboradores (2002) sugere a ingestão de 1,6 a 1,7 g/kg do peso corporal para atletas de resistência.

Proteínas em excesso podem ser desaminadas e os esqueletos de carbono resultantes são metabolizados para fornecer energia ou acetil CoA para a síntese dos ácidos graxos (Champe e Harvey, 1997).

A gordura contém os mesmos elementos químicos que o carboidrato, e quando armazenada é a principal fonte de substrato para o exercício prolongado, as moléculas de gordura contêm grande quantidade de energia por unidade de peso (Powers e Howley, 2006).

Bacurau (2007) afirma que algumas estratégias de treino, para exercícios que duram acima de 60 minutos quando os estoques de glicogênio estão esgotados e ocorre a fadiga, seria poupar os carboidratos através da utilização de lipídios. De acordo com Powers e Howley (2006) as gorduras são lipossolúveis e podem ser encontradas na forma de ácidos graxos (principal fonte de energia utilizada pelas células), de triglicerídeos (forma em que o acido graxo é armazenado no organismo), fosfolipídos (fonte de energia pelo músculo esquelético durante o exercício) e esteróides (usados como fonte de energia e síntese de hormônios).

Champe e Havey (1997), afirmam que a gordura na dieta pode produzir uma sensação de saciedade e ser necessária para a absorção de vitaminas lipossolúveis.

Vitamina é uma substância química orgânica essencial para a regulação das funções metabólicas nas células e nos processos bioquímicos que liberam energia através de alimentos. Podem ser lipossolúveis ou hidrossolúveis (Reader’s Digest, 2001).

A vitamina C (ácido ascórbico), por exemplo, é hidrossolúvel e pode fortalecer os capilares e paredes celulares, é essencial na formação de colágeno prevenindo equimoses, ajudando na cicatrização e mantendo fortes tendões, ligamentos (Fernandez, Saíns e Garzon, 2002). Outra vitamina importante, segundo Bertolucci (2002), seria as do complexo B, que estão relacionadas com a produção de energia, síntese de proteínas e no reparo celular.

De acordo com Reader’s Digest (2001) os minerais estão presentes em pequenas quantidades no corpo e representam apenas 4%da composição corporal. São substâncias inorgânicas encontradas na crosta terrestre e também em vários alimentos. Darden (1993) afirma que são incorporados nas estruturas e

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Os minerais são muito importantes para o organismo, como por exemplo, o cálcio, que atua na formação dos ossos, coagulação sanguínea e contração muscular (Fernandez, Saíns e Garzon, 2002). Segundo o Reader’s Digest (2001) o zinco é um mineral essencial, necessário para todas as células do corpo – do crescimento celular à manutenção sexual e imunidade. Bertolucci (2002) afirma que em atletas, o ferro é o mineral que apresenta maior deficiência entre eles. O ferro de acordo com Connors, e colaboradores (1992), é necessário para a formação de hemoglobina e mioglobina, além de ajudar no metabolismo das proteínas.

Cada mineral tem uma função diferente no corpo, assim como as vitaminas devem ser consumidos diariamente e podem ser encontrados em diversas fontes alimentícias (Darden, 1993).

De acordo com Maestá e Burini citando o Dietary and Suplements Health and Education Act (2002), suplementos dietéticos são produtos entendidos para suplementar a dieta e melhorar a saúde, que inclui vitaminas, minerais, aminoácidos, ervas e outros botânicos, sendo que não é representado como alimento convencional ou um único item de uma refeição ou dieta.

Bacurau (2007) afirma que o uso destas substâncias também pode prevenir doenças e atuar no ganho ou perda de peso. Platonov (2005) sugere que facilitam a recuperação das reservas de energia e o equilíbrio do organismo em situações de estresse.

Segundo o Reader’s Digest (2001), os suplementos vêm a oferecer um poderoso recurso para promoção da saúde e bem estar pessoal, mas, ao mesmo tempo têm algumas substâncias que podem gerar efeitos colaterais e, tóxicos se usados com imprudência.

De acordo com Maughan e Burke (2004) podem ser encontrados na forma de pílulas, cápsulas ou pós, líquido e barras. Suas definições variam de país para país de acordo com a regulamentação dos produtos alimentícios e farmacêuticos.

Bacurau (2007), afirma que no Brasil estas substâncias são classificadas por categorias, como repositores eletrolíticos, alimentos protéicos, alimentos compensadores, entre outros, foi denominado suplemento alimentar: bebidas que contêm carboidratos e eletrólitos, suplementos com alto conteúdo de carboidrato, vitamínicos, multivitamínicos e suplementos minerais, refeições liquidas e suplementos a base de cálcio.

prazo

De acordo com Maughan e Burke (2004) a maioria dos suplementos que provocam efeitos diretos no desempenho está relacionada com medicamentos e hormônios. Antes de utilizar um suplemento, é importante uma consulta com um nutricionista especializado, na dosagem e qual suplemento deverá ser ingerido. Segundo Carmina e Kazapi (2004) o uso incorreto de suplementos pode ser prejudicial à saúde a longo e médio

Deve-se prestar atenção nos rótulos, nome e endereço da empresa, recomendações para armazenamento, designação, declaração da estrutura e função (cientificamente comprovada), composição, orientações e data de validade (Reader’s Digest, 2001).

Bacurau (2007) sugere que os suplementos podem ajudar quando há dificuldade na ingesta de grande quantidade de alimento necessário para demanda energética de uma atividade intensa ou competitiva, podem ser úteis na perda de massa corporal com intuito de melhorar o desempenho. São de utilidade quando o atleta deseja reduzir a necessidade de defecação durante a competição, auxiliam na dieta da supercompensação, na obtenção de uma recuperação rápida e também para auxiliar o indivíduo que tem restrições calóricas a obter os nutrientes necessários evitando carências alimentares.

Este estudo teve como objetivo verificar o uso de suplementos entre atletas do sexo masculino na idade entre 15 e 60 anos, participantes da segunda travessia da lagoa do Peri de 3000.m em Florianópolis, Santa Catarina.

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A pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa descritiva. Segundo Thomas e Nelson (2002) pesquisa descritiva é aquela que levanta dados da realidade sem nela interferir.

A população do estudo N = 200 corresponde ao número de participantes da travessia da lagoa do Peri. Destes foram selecionados uma amostra n = 56, intencional, por atender a alguns critérios: gênero masculino, ter assinado o termo de consentimento livre e esclarecido, com idades entre 15 e 60 anos que participaram da travessia da Lagoa do Peri de 3000m.

Foi aplicado aos atletas um questionário previamente adaptado de Silvestre, (2002). Com questões abertas, apresentando perguntas como idade, tempo que participa de travessias, se faz ou não uso de suplementos, qual suplemento é consumido, entre outras. Os dados são avaliados através estatística descritiva de freqüência simples, realizados pelo Excel ®.

Observa-se a prevalência de idades entre 15 e 29 anos, sendo que o mais velho apresentava 60 anos e o mais novo 15 anos.

Figura 1: Dados descritivos da idade dos amostrados

36 40 anos acima 40 anos

Estudos de Carmina e Kazapi (2004) com atletas de voleibol a idade média foi de 18 anos. Sendo que a atleta mais velha tinha 20 anos enquanto a mais nova apresentava 16 anos. Um estudo sobre o perfil de surfistas, que também analisava o uso de suplementos entre eles de Huei Liu e colaboradores (2006), obteve uma média de idade de 24,5 anos. Em outro estudo de Araujo, Andreolo e Silva

(2002) sobre suplementos alimentares e uso de anabolizantes por praticantes de musculação em uma academia de Goiânia, os entrevistados apresentaram idades entre 13 e 18, todas estas modalidade apresentam similaridade na faixa etária com os presentes amostrados.

Os amostrados apresentaram um tempo de pratica variante de 0 a 15 anos.

Figura 2: Dados descritivos do tempo de prática de travessias entre os amostrados:

0 a 5 anos 6 a 10 anos 1 a 15 anos

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0 a 2 anos (30%)

Na análise dos dados percebeu-se uma média de tempo de prática de travessias de três anos e quatro meses. Entre os atletas, doze estavam participando da travessia pela primeira vez. Nos estudos de Santos e Santos (2002), sobre o uso de suplementos alimentares em academias de ginásticas, os entrevistados apresentaram um tempo de prática maior: de acima de 30 anos (35%) e de

A sessão de treino destes atletas tem uma média de uma hora e trinta minutos de duração de quatro a cinco vezes por semana.

Nas pesquisas de Silva e Silva (2002), os amostrados demonstraram que a maioria treina 5 vezes por semana (56%) e a minoria 4 vezes (12%) por semana. Nos estudos do perfil do treinamento de surfistas profissionais de Huei Liu e colaboradores (2006) 50% dos entrevistados treinam até 2 horas por dia e 56,25% treinam de três a cinco vezes por semana. De acordo com estudos de Soares e Machado (2004) sobre o perfil do atleta de moutain bike 50% dos entrevistados treinam até duas horas por dia.

Figura 3: Dados descritivos da sessão de treino dos amostrados em minutos por semana

Em relação às atividades extras praticadas além da natação, constatou-se que a corrida foi a atividade mais praticada ente os entrevistados.

Figura 4: Dados descritivos das atividades extras dos amostrados sim nao

Dos 56 amostrados, 38 (67,8%) fazem alguma atividade física além da natação, conseqüentemente, 18 dos entrevistados só praticam natação durante a semana.

A corrida foi o esporte extra mais praticado com 71,1% das respostas. Segundo um estudo de Carmina e Kazapi, (2004), entre jogadoras de vôlei que tomam suplementos 89% das entrevistadas praticam musculação como atividade extra. No caso do presente estudo, a musculação é praticada por 4,7% dos amostrados. De acordo com os estudos de Huei Liu et al (2006) sobre o perfil de surfistas profissionais, a atividade extra mais praticada entre os amostrados foi a corrida (70%). Nas pesquisas de Soares e Machado (2004) sobre o perfil do atleta de moutain bike 18% dos entrevistados praticam musculação como atividade extra.

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Tabela 1: Atividades extras realizadas pelos amostrados

Em relação ao uso de suplementos entre os entrevistados, de 56 atletas 26 tomam algum tipo de suplemento, enquanto 30 atletas não fazem uso dos mesmos.

Figura 5: Dados descritivos do uso de suplementos entre os amostrados sim nao

Percebe-se que a maior parte dos entrevistados não faz uso de suplementos, 53,3%. No estudo de Carmina e Kazapi (2004) 37,23% das entrevistadas faziam uso de algum tipo de suplemento e entre alunos de uma academia de ginástica, 23,9% consumiam suplemento (Pereira, Lajolo E Hisrchbruch, 2003). Estudos de Maughan e Burke (2004) demonstram que entre atletas, 50% fazem uso de suplementos, entre atletas de elite a percentagem chega a 60% e entre atletas de força e culturismo 100% fazem uso de algum tipo de suplemento.

Dos 26 atletas que tomam suplemento, foram analisados quais as substâncias mais citada entre eles.

Conforme a tabela, o suplemento mais citado foi a Maltodextrina, com 41,32%, em seguida foi o Whey Protein com 38,46%. Os menos citados foram algumas vitaminas e minerais. De acordo com uma pesquisa de Silvestre 2002, sobre o uso de suplementos entre praticantes de musculação, os mais citados foram as proteínas com 31,1%, creatina com 17,7% carboidratos com 14,4% e bcaa com 12,2%. Já em um estudo de Carmina e Kazapi, 2004 com atletas femininas de vôlei, os suplementos mais citados foram os carboidratos com 62%, aminoácidos com 50%, creatina com 31,6% proteínas com 16,07% e por último os minerais com 5,36%. E em estudos de Pereira, Lajolo e Hirschbruch (2003) em academias de ginástica de Campinas o suplemento mais utilizado é a proteína, com 38,9%. Nas pesquisas de Huei Liu et al (2006) com surfistas profissionais de Santa Catarina, 40% dos que dos entrevistados que tomam suplementos fazem uso do carboidrato como suplemento e 30% de aminoácidos e 10% de vitaminas e minerais.

Absoluta

Freqüência

Relativa

Freqüência

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Tabela 2: Dados descritivos dos suplementos citados entre os amostrado

Entre atletas de moutain bike 18% fazem uso de maltodextrina e 12,5% de Bcaas (Soares e Machado 2004).

Dos 26 atletas que tomam suplemento 53,85% tomam suplementos por recomendação do nutricionista, enquanto 19,23% tomam por conta própria.

A maioria dos amostrados procurou um nutricionista para indicar o suplemento, o que confronta os dados de Camina e Kapazi (2004) em seus estudos com atletas jogadoras de vôlei, 45% das atletas citaram o técnico como indicador do suplemento e apenas 21,21% indicaram o nutricionista, e também confronta os dados de Silvestre (2002), entre os praticantes de musculação 31,5% dos suplementos foram indicados por amigos, 29,8% pelo professor da academia e 15,7 pelo nutricionista. Estudos de Pereira, Lajolo e Hirschbruch (2003) mostraram que 31,1% dos suplementos formam indicados por professores de academia e instrutores, em seguida por amigos, com 15,6%%, auto - indicação 15,6 e por nutricionistas apenas 1,1%.

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