Nutrição Esportiva 09

Nutrição Esportiva 09

(Parte 1 de 3)

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 4, p. 40-48, Julho/Agosto, 2007. ISSN 1981-9927.

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva ISSN 1981-9927 versão eletrônica

Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b n e . c o m . b r

Cyntia Cristina Piaia1,2

Fernanda Yakubiu Rocha 1,3

Giovanna D. B. F. Gomes do Vale1,4

A obesidade ocorre quando se tem uma perda de equilíbrio entre a ingestão alimentar e o gasto energético. O exercício físico tem sido indicado como um mecanismo para a redução da gordura corporal e o controle de peso. Sabe-se que uma dieta adequada auxilia o desempenho, já que fornece os substratos energéticos e a prática de exercícios regulares melhora a habilidade do organismo em utilizar os nutrientes. Em geral as proporções de macronutrientes da dieta de atletas não são muito diferentes das recomendações para indivíduos sedentários. Em função da demanda energética acentuada imposta pelo exercício físico, esses indivíduos têm necessidades aumentadas de calorias, sendo que grande parte desta energia deverá ser às custas de carboidratos. Além da quantidade, a escolha do tipo dos carboidratos ingeridos é importante na melhora do desempenho físico e no processo de recuperação. Porém, certos cuidados devem ser tomados na adequação dos carboidratos em indivíduos que buscam o controle de peso corporal. O presente trabalho tem como objetivo verificar as quantidades e os tipos de carboidratos utilizados para a melhora do desempenho, sem causar prejuízo para os atletas que visam a redução de gordura corporal associada com a prática de exercício físico.

Palavras-chave: Obesidade, Exercício físico, Carboidratos, Gordura corporal e Índice glicêmico.

1- Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Nutrição Esportiva da Universidade Gama Filho - UGF 2- Bacharel em Nutrição pela Universidade Federal do Paraná - UFPR 3- Bacharel em Nutrição pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-PR 4- Bacharel em Nutrição pela Universidade Tuiuti - UniTUIUTI-PR

The obesity happens when a balance loss is had between the alimentary ingestion and the energy expense. The physical exercise has been indicated as a mechanism for the reduction of the corporal fat and the weight control. It is known that an appropriate diet aids the acting, since it supplies the energy substrata and the practice of regular exercises improves the ability of the organism in using the nutrients. In general the proportions of macronutrientes of the athletes' diet are not very different from the recommendations for sedentary individuals. In function of the accentuated energy demand imposed by the physical exercise, those individuals have increased needs of calories, and great part of this energy should be to the carbohydrates costs. Besides the amount, the choice of the type of the ingested carbohydrate is important in the improvement of the physical acting and in the recovery process. However, certain carefuls should be been in the adaptation of the carbohydrates in individuals that look for the control of corporal weight. The present work has as objective verifies the amounts and the carbohydrates types used for the improvement of the acting, without causing damage for the athletes that seek the reduction of corporal fat associated with the practice of physical exercise

Key-words: Obesity, Physical exercise, Carbohydrate, Body fat and Index glicemic.

Endereço para Correspondência:

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 4, p. 40-48, Julho/Agosto, 2007. ISSN 1981-9927.

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Nas últimas décadas tem havido rápido e crescente aumento no número de pessoas obesas, o que tornou a obesidade um problema de saúde pública. Essa doença tem sido classificada como uma desordem primariamente de alta ingestão energética. No entanto, evidências sugerem que grande parte da obesidade é mais devida ao baixo gasto energético que ao alto consumo de alimento, enquanto a inatividade física da vida moderna parece ser o maior fator etiológico do crescimento dessa doença nas sociedades industrializadas (Ciolac e Guimarães, 2004).

Há uma importante relação entre a nutrição e o exercício físico, pois a capacidade de rendimento do organismo melhora com uma nutrição adequada, e ingestão equilibrada de todos os nutrientes (Araújo e Soares, 1999).

A prática de exercício físico leva a um aumento do gasto energético e das necessidades calóricas. Para um indivíduo que busca melhora no desempenho esportivo é essencial que estas necessidades sejam alcançadas. Por outro lado, quando a intenção é a perda de gordura corporal é necessário que ocorra não só um aumento do gasto energético como uma diminuição no consumo calórico.

A redução do consumo calórico significa principalmente a diminuição da gordura, mas também do carboidrato na alimentação.

As duas principais fontes de energia durante o trabalho muscular são as gorduras e os carboidratos armazenados no organismo. Muitas pesquisas mostram a importância do glicogênio muscular e hepático na redução da fadiga. Com isso os estoques de glicogênio corporal e a manutenção da glicemia durante o exercício serão determinantes na performance esportiva.

Dietas que contenham altos teores de carboidratos são necessárias para a manutenção da glicemia durante o exercício intenso (Simonsen e colaboradores, 1991).

Apesar de sua importância para a realização do exercício, o consumo de alguns tipos de carboidratos pode atenuar a lipólise corporal. Alguns trabalhos colocam que os alimentos com alto índice glicêmico podem inibir a lipólise por permitir maior liberação de insulina plasmática.

Assim, o presente trabalho tem como objetivo verificar as quantidades e os tipos de carboidratos utilizados para a melhora do desempenho, sem causar prejuízo para os atletas que visam à redução de gordura corporal associada com a prática de exercício físico.

A compreensão dos fatores que influenciam o balanço energético é de fundamental importância para o entendimento da regulação da massa corporal. O balanço energético é determinado de um lado pelo consumo e de outro pelo dispêndio de energia. Tais fatores podem levar a um acúmulo ou redução excessivos de energia armazenada endogenamente como gordura corporal. Freqüentemente, a obesidade é o resultado do desequilíbrio entre ingestão e gasto energético (Meirelles e Gomes, 2004).

O componente mais variável do gasto energético total é o efeito termogênico do exercício físico. Este pode ser aumentado através da prática de exercícios físicos, o que auxilia na produção de um balanço energético negativo quando a ingestão alimentar também é controlada (Meirelles e Gomes, 2004).

Programas que combinam dieta de restrição e exercícios aeróbios vêm sendo indicados para a redução ponderal há bastante tempo, o que se justifica pelo papel do exercício físico em otimizar as perdas de gordura.

Para o tratamento da obesidade é necessário que o gasto energético seja maior que o consumo energético diário, o que nos faz pensar que uma simples redução na quantidade calórica através da dieta alimentar seja suficiente. No entanto, isso não é tão simples. Demonstra-se que mudança no estilo de vida, através de aumento na quantidade de exercício físico praticado e reeducação alimentar, é o melhor tratamento (Ciolac e Guimarães, 2004).

Vários estudos mostram que a maioria dos indivíduos obesos recupera o peso perdido quando cessam o programa de exercício físico (Miller, 2001).

Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 4, p. 40-48, Julho/Agosto, 2007. ISSN 1981-9927.

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Morris e Zemel (1999) têm mostrado que quanto maior o conteúdo de carboidrato na dieta, principalmente na forma simples, representa um fator de risco para o desenvolvimento da obesidade.

Indivíduos obesos apresentam uma tendência a consumirem maior quantidade de alimentos de alta densidade energética, principalmente com alto conteúdo de lipídeos e menor quantidade de alimentos de baixa densidade energética comparados aos indivíduos não obesos, contribuindo assim, para o aumento da gordura corporal.

Para o cálculo das necessidades nutricionais devem ser levadas em consideração a modalidade esportiva praticada, intensidade, duração e freqüência do exercício. As necessidades energéticas são calculadas por meio da soma da necessidade energética basal, gasto energético em treino e consumo extra ou reduzido para controle de peso corporal.

Os macronutrientes são essenciais para a recuperação muscular, manutenção do sistema imunológico, equilíbrio do sistema endócrino e manutenção e/ou melhora da performance (Diretriz Brasileira de Medicina do Esporte, 2003).

O gasto energético durante o exercício físico aumenta de 2 a 3 vezes e, portanto, a distribuição de macronutrientes na dieta varia nos indivíduos fisicamente ativo e/ou nos atletas. Essa distribuição normalmente é de 50 a 5% de carboidratos, 30 a 35% de lipídios e 10 a 15% de proteína nos indivíduos sedentários.

Segundo a Diretriz Brasileira de

Medicina do Esporte (2003) esses valores se alteram para 60 a 70% de carboidratos, 20 a 30% de lipídios e 10 a 15% de proteínas nos indivíduos ativos. Sendo assim, uma disponibilidade adequada de carboidrato é fundamental para o treinamento e sucesso do desempenho atlético.

A Sociedade Brasileira de Medicina do

Esporte (2003) recomenda uma ingestão entre 5 -10g/kg/dia de carboidratos dependendo do tipo e da duração do exercício físico escolhido e do objetivo do indivíduo como perda de gordura ou ganho de massa magra.

Da quantidade total de carboidratos consumidos, apenas 10% deve ser oriundo de açúcares simples, pelo fato de apresentarem menor densidade nutricional. Deve-se optar por alimentos ricos em carboidratos complexos, já que apresentam outros nutrientes associados, como os cereais, as leguminosas e alguns vegetais (por exemplo às batatas).

A quantidade de glicogênio muscular consumida depende, naturalmente, da duração do exercício. Para provas longas, os atletas devem consumir entre 7 e 8g/kg de peso ou 30 a 60g de carboidrato, para cada hora de exercício, o que evita a hipoglicemia, depleção de glicogênio e fadiga. Freqüentemente os carboidratos consumidos fazem parte da composição de bebidas especialmente desenvolvidas para atletas. Após o exercício exaustivo, recomenda-se a ingestão de carboidratos simples entre 0,7 e 1,5g/kg de peso no período de quatro horas, o que é suficiente para a ressíntese plena de glicogênio muscular.

A contribuição de carboidrato e gordura como substratos durante o exercício físico depende de uma variedade de fatores, como intensidade e duração do exercício, dieta e condições ambientais. A oxidação de aminoácidos, até mesmo em condições extremas (exercício prolongado e condição de jejum) representa uma fração relativamente pequena da utilização como substrato (Jeukendrup, 2003).

O carboidrato é armazenado como glicogênio no músculo e fígado e a gordura é armazenada na forma de triacilglicerol no tecido gorduroso subcutâneo e muscular.

A duração do exercício afeta a oxidação do substrato. A oxidação da gordura aumenta e a oxidação do carboidrato diminui com o aumento da duração do exercício. Isto ocorre provavelmente para poupar o glicogênio muscular para fases posteriores do exercício prolongado. A redução no glicogênio muscular é o principal fator da fadiga (Jeukendrup, 2003).

A reserva de glicogênio muscular é a principal fonte de glicose para o exercício. Quando esta baixa, a glicogenólise e a gliconeogênese mantêm o suprimento de glicose (Krause, 2002).

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A oxidação de carboidratos, a utilização de glicogênio durante o exercício físico e o tempo de exaustão é maior quando há uma dieta rica em carboidratos.

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