Saúde do homem - oncologia

Saúde do homem - oncologia

(Parte 1 de 2)

Dr. Rodolfo Borges dos Reis Dr. Antonio Corrêa Lopes Neto Dr. Douglas Otto Verndl Dr. Limirio Leal da Fonseca Filho

Oncologia

Iniciativa e Realização: Iniciativa e Realização:

Diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia:

Secção São Paulo – Biênio 2008/2009

Presidente: Ubirajara Ferreira

Vice-Presidente: Rodolfo Borges dos Reis 1o Secretário: Wagner Eduardo Matheus 2o Secretário: Rodrigo Sousa Madeira Campos 1o Tesoureiro: Archimedes Nardozza Júnior 2o Tesoureiro: Fabiano André Simões

Delegados:

Celso Gromatzky

Douglas Otto Verndl

José Carlos Souza Trindade Filho

Limirio Leal da Fonseca Filho

Miguel Zerati Filho Renato Falci Júnior

Suplentes Delegados:

Antonio Corrêa Lopes Neto

César Nardy Zillo

Sérgio Félix Ximenes Walter Antonio Melarato Júnior

Expediente

Coordenação do Projeto: Wagner Eduardo Matheus • Ubirajara Ferreira

Coordenação Editorial: Dr. Rodolfo Borges dos Reis

Coautores: Dr. Antonio Corrêa Lopes Neto • Dr. Douglas Otto Verndl

• Dr. Limirio Leal da Fonseca Filho

Projeto Visual Gráfico: Lado a Lado Comunicação & Marketing (1) 3888-2 • w.ladoalado.com.br

Oncologia

Muitas vezes somos solicitados a orientar pacientes sobre quando e como realizar exames preventivos para a detecção precoce dos diferentes tipos de neoplasias. Esse fato associado ao atendimento de pacientes, de todas faixas etárias, com queixas clínicas inespecíficas que muitas vezes podem estar relacionadas à presença de tumores, nos estimulou a elaborar este fascículo.

Optamos por agrupar os tumores mais frequentes do sexo masculino dividindo-os por faixas etárias e, para tornar a leitura mais dinâmica e didática, baseamos nosso texto em perguntas e respostas, de forma simples e objetiva. Boa leitura!!

Dr. Ubirajara Ferreira Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia – Secção São Paulo

Dr. Wagner Eduardo Matheus Coordenador do Projeto Saúde do Homem

Editorial

I. Faixa etária: de 0 a 25 anos7
• Tipos mais frequentes de câncer7
• Quais os fatores de risco para cada tipo de tumor?7
• No entanto, algumas associações devem ser lembradas7
• Quais os sinais e sintomas mais frequentes?8
• Queixas mais comuns de pais/crianças com neoplasia8
• Quais exames devem ser solicitados para diagnóstico?9
• Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?10
I. Faixa etária: de 25 a 50 anos1
• Tipos mais frequentes de câncer1
• Câncer de pele não melanoma1
• Tumor de testículo13
• Linfoma não Hodgkin14
• Leucemia mieloide aguda (LMA)15
I. Faixa etária: mais de 50 anos16
• Tipos mais frequentes de câncer16
• Câncer de pele não melanoma16
• Neoplasia da próstata16
• Neoplasia de pulmão17
• Neoplasia gástrica18

Os cânceres pediátricos são raros, representando de 2% a 3% de todos os tumores malignos na população geral.

A incidência anual estimada de câncer infantojuvenil nos Estados Unidos é de 124 casos/ milhão de habitantes brancos e 98 casos/milhão de habitantes negros.

No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2008, foram estimados mais de 9.800 casos novos.

Introdução

Tipos mais frequentes de câncer:

} Leucemias/Leucoses } Tumores do sistema nervoso central (SNC)

} Linfomas

} Neuroblastomas

} Tumor de Wilms

Quais os fatores de risco para cada tipo de tumor?

Diferentemente da população adulta, em que fatores externos e comportamentais têm clara influência (tabagismo, etilismo, ingestão de gorduras, exposição solar etc), a criança ainda não teve tempo para se expor a agentes carcinógenos e, portanto, a ocorrência de câncer infantojuvenil está muito pouco relacionada a esses fatores.

No entanto, algumas associações devem ser lembradas

} Leucemias/Leucoses:

Exposição materna à radiação ionizante. Quimioterapia prévia. Anemia de Fanconi (leucemia mieloide aguda).

I. Faixa etária: de 0 a 25 anos

} Tumores do SNC Radioterapia prévia.

} Linfomas

Doenças infecciosas: • vírus da hepatite B;

• vírus Epstein-Barr;

• HIV. Sistema imune comprometido: • doenças genéticas hereditárias;

• drogas imunossupressoras.

} Tumor de testículo

Criptorquidia. Distopias testiculares.

Quais os sinais e sintomas mais frequentes? Em estádios iniciais é sempre difícil diagnosticar o câncer infantojuvenil, pois apresenta sinais e sintomas inespecíficos que mimetizam doenças próprias da infância, como febre e adenomegalia, que podem fazer parte de um simples quadro viral.

Sendo assim, quando sinais e sintomas são muito duradouros ou inexplicáveis, a suspeita de câncer deve ser lembrada.

Queixas mais comuns de pais de crianças com neoplasia:

} Leucemias/leucoses

Fraqueza generalizada/Febre. Palidez. Epistaxe ou sangramentos espontâneos. Adenomegalia. Hepatoesplenomegalia.

} Tumores do SNC

Cefaleia matinal/náuseas e vômitos. Quadros convulsivos. Alterações motoras e comportamentais. Paralisia de nervos.

} Linfomas

Fraqueza generalizada/febre. Adenomegalia. Hepatoesplenomegalia. Edema de cabeça e pescoço.

} Neuroblastomas

Fraqueza generalizada/febre. Adenomegalia. Equimose periorbitária (sinal do guaxinim). Massa abdominal palpável que geralmente ultrapassa a linha média. Hepatoesplenomegalia. Hematúria é rara. Idade mediana de aparecimento: 2 meses.

} Tumor de Wilms

Massa abdominal palpável que não ultrapassa a linha média. Hematúria (30% dos casos). Idade mediana de aparecimento: 4 anos.

} Tumor de testículo Nódulo indolor palpável no testículo.

Quais exames devem ser solicitados para diagnóstico?

} Leucemias/Leucoses

Hemograma. Leucograma. Dosagem de plaquetas. Biópsia de medula óssea (mielograma).

} Tumores do SNC

Tomografia computadorizada de crânio. Ressonância nuclear magnética.

} Linfomas

Hemograma. Leucograma. Dosagem de plaquetas. Biópsia de linfonodo.

} Neuroblastomas

Ultrassom total de abdome. Tomografia computadorizada de abdome. Dosagem de catecolaminas urinárias.

} Tumor de Wilms

Ultrassom total de abdome. Tomografia computadorizada de abdome.

} Tumor de testículo

Ultrassom de escroto. Tomografia computadorizada de abdome e pelve. Marcadores séricos: • alfafetoproteína;

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como? Como não existem evidências científicas que permitam apontar fatores de risco, a prevenção ainda é um desafio.

A apresentação clínica inespecífica muitas vezes é causa de diagnóstico tardio.

A melhor maneira de suspeitar dessas neoplasias é sempre colocá-las entre os diagnósticos diferenciais.

O exame médico periódico, analisando a condição clínica geral e a palpação abdominal, visa descartar a presença de massas abdominais e hepatoesplenomegalia.

A palpação de escroto e testículos também é importante, principalmente nas crianças com antecedentes de criptorquidia.

I. Faixa etária: de 25 a 50 anos

Tipos mais frequentes de câncer

} Linfoma não Hodgkin

} Leucemia mieloide aguda (LMA)

Câncer de pele não melanoma

Quais os fatores de risco para cada tipo de tumor?

} Carcinoma basocelular

Predisposição genética. Tipo de pele, cabelos e olhos claros sensibilidade à queimadura solar. Histórico de exposição crônica ao sol.

} Carcinoma espinocelular (CEC)

Exposição crônica ao sol. Tipo de pele. Pode se desenvolver em: • cicatrizes;

• úlceras crônicas.

Quais os sinais e sintomas mais frequentes?

} Carcinoma basocelular

• eventualmente ulceração central.

Tipo superficial: • placas eritematoescamocrostosas evoluindo para infiltração.

Tipo esclerodermiforme: • placas escleróticas, endurecidas.

• coloração escurecida.

Lesões exofíticas e hiperqueratósicas: • normalmente ulceradas em áreas expostas ao sol, face, membros superiores e inferiores.

Variações clínicas do CEC: • doença de Bowen (CEC in situ);

• eritroplasia de Queyrat (CEC in situ em mucosas — a região peniana pode ser envolvida — glande e prepúcio).

Quais exames devem ser solicitados para o diagnóstico? } Biópsia incisional ou excisional.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

} Exame clínico anual em pacientes com predisposição individual (pele clara e exposição solar crônica) e antecedentes familiares.

Quais os diagnósticos diferenciais? } Micoses (blastomicose).

} Úlceras crônicas.

Tumor de testículo É o tumor sólido mais frequente entre 20 e 34 anos de idade.

Quais são os fatores de risco? } Criptorquidia: aumenta de 7 a 14 vezes o risco.

} Raça: maior frequência em brancos e judeus.

} Hereditariedade.

} Fatores genéticos: mais frequente em gêmeos idênticos.

} Tumor testicular prévio contralateral.

Quais os exames que devem ser indicados para o diagnóstico? } Ultrassom escrotal.

} Marcadores tumorais: • βHCG;

• alfafetoproteína;

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

Quais os diagnósticos diferenciais? } Orquiepididimite.

} Hidrocele.

} Hérnia inguinoescrotal.

É o tumor sólido mais frequente entre 20 e 34 anos de idade. Fatores genéticos: mais frequente em gêmeos idênticos.

Quais os exames que devem ser indicados para o diagnóstico?

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como? criptorquidia.

Linfoma não Hodgkin

Quais são os fatores de risco?

} Imunossupressão: • pacientes HIV-positivos;

• drogas imunossupressoras.

} Infecções: • vírus Epstein-Barr;

• HTLV1. } Radiação ionizante prévia.

} Agentes químicos: • pesticidas;

• solventes;

• fertilizantes (nitrato).

Quais são os sinais e sintomas mais frequentes? } Aumento dos linfonodos de pescoço, axilas ou inguinais.

} Sudorese noturna excessiva.

} Febre.

} Perda de peso inexplicada.

Quais exames devem ser solicitados para o diagnóstico? } Biópsia ganglionar.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

Sim, em trabalhadores que utilizam as substâncias citadas anteriormente. Indivíduos irradiados (concomitantemente ao seguimento de sua neoplasia primária) e pacientes com HIV devem sempre ser acompanhados quando portadores de adenopatias.

Quais os diagnósticos diferenciais? } Mononucleose infecciosa.

} Toxoplasmose.

} Citomegalovírus.

} Quadros atópicos.

} Hepatopatias (prurido).

Leucemia mieloide aguda (LMA)

Quais são os fatores de risco? } Quimioterapia prévia.

} Radiação ionizante.

} Agentes químicos: benzeno e solventes orgânicos.

Quais são os sinais e sintomas mais frequentes? } Anemia: astenia, palidez, dispneia e dor em membros inferiores.

} Hematomas frequentes e petéquias.

} Esplenomegalia geralmente transitória.

Quais exames devem ser solicitados para o diagnóstico? } Hemograma.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

Hemograma anual para pacientes expostos a irradiação, agentes químicos tóxicos e portadores de síndrome de Down.

Quais são os diagnósticos diferenciais? } Doenças imunossupressoras.

} Tuberculose.

Quais exames devem ser solicitados para o diagnóstico? Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

I. Faixa etária: mais de 50 anos

Tipos mais frequentes de câncer:

} Câncer de pele não melanoma } Neoplasia da próstata

} Neoplasia de pulmão

} Tumor de cólon e reto

Neoplasia da próstata

Quais são os fatores de risco?

} Hereditariedade: o risco relativo aumenta de acordo com o número de membros familiares afetados, grau de parentesco e idade na qual eles foram afetados.

} Inflamação e infecção: indivíduos portadores de sífilis, HPV e herpes vírus apresentam maior incidência de câncer da próstata, segundo alguns autores. } A influência da dieta no câncer da próstata é incerta. Entretanto, já está

comprovado que dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais e com menos gordura, principalmente as de origem animal, pode ajudar a diminuir o risco de câncer prostático.

Quais são os sinais e sintomas mais frequentes?

Geralmente insidioso, com sintomas confundindo-se com hiperplasia prostática benigna, envelhecimento e estenose de uretra.

Quais exames devem ser indicados para o diagnóstico? A biópsia da próstata é o único exame que fornece o diagnóstico de certeza.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

A avaliação preventiva, PSA e o toque retal devem ser realizados segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a partir dos 45 anos de idade, antecipando-se cinco anos para homens de cor negra e com antecedentes familiares.

Quais os diagnósticos diferenciais? } Hiperplasia benigna de próstata.

} Prostatites.

} Estenose de uretra.

Neoplasia de pulmão

Quais são os fatores de risco? } Tabagismo: presente em 90% dos casos.

} Agentes químicos: arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, níquel, cádmio e cloreto de vinila, encontrados principalmente no ambiente ocupacional. } Fatores dietéticos: baixo consumo de frutas e verduras.

} Doença pulmonar obstrutiva crônica.

} Enfisema pulmonar e bronquite crônica.

Quais são os sinais e sintomas mais frequentes?

} Localização central: tosse, sibilos, estridor, dor torácica, escarros hemópticos, dispneia e pneumonias de repetição.

} Localização periférica: geralmente assintomáticos, quando invadem a pleura ou a parede torácica, causam dor, tosse e dispneia do tipo restritiva.

} Localizado no ápice pulmonar (tumor de Pancoast): pode acometer o oitavo nervo cervical e os primeiros nervos torácicos, levando à dor no ombro correspondente, que se irradia para o braço.

Quais os exames solicitados para o diagnóstico? } Raio X do tórax.

} Broncoscopia: deve ser realizada para avaliar a árvore traqueobrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

duas a tres semanas. Esta sendo avaliada a possibilidade de realização de tomografia de baixa radiação a cada dois anos.

Quais os diagnósticos diferenciais? } Broncopneumonia.

} Tuberculose.

} Doença pulmonar obstrutiva crônica.

Neoplasia gástrica

} Raça: amarela apresenta maior incidência.

} Hereditariedade: aumento de duas a quatro vezes na incidência, quando câncer gástrico presente em familiares.

} Alimentação: maior incidência em indivíduos com alimentação pobre em vitamina A,

C e E, leite, carnes e peixes, aliando-se ao alto consumo de nitrato, alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados no sal.

} Fatores ambientais: má conservação dos alimentos e ingestão de água proveniente de poços, que contenham uma alta concentração de nitrato, também se relacionam com maior incidência. } Hábitos: fumo e álcool aumentam a incidência.

} Cirurgias prévias do estômago: gastrectomias aumentam a incidência de câncer gástrico, após 20 anos de cirurgia, em razão da gastrite alcalina.

} Fatores de risco patológicos: • gastrite atrófica com hipo ou acloridria;

• metaplasia intestinal;

• infecções pelo Helicobacter pylori (no caso específico do linfoma gástrico);

Quais são os sinais e sintomas mais frequentes?

} Não há sintomas específicos do câncer de estômago, o que leva ao diagnóstico por vezes tardios.

} Massa palpável na parte superior do abdome e a presença de linfonodo na região supraclavicular esquerda (gânglio de Virchow-Troisier) indicam a presença de doença avançada.

} Sangramentos gástricos são incomuns em lesões malignas, entretanto, a hematêmese ocorre em cerca de 10% a 15% dos casos de câncer avançado.

Quais os exames solicitados para o diagnóstico?

} A endoscopia digestiva alta é o método mais eficiente, pois permite a avaliação visual da lesão e a realização de biópsias.

Está indicada a realização de exames preventivos? Quando e como?

Não está indicada a realização de rastreamento em nosso meio. A mudança de enfoque está na indicação de endoscopia perante qualquer quadro de dispepsia leve, mesmo em populações jovens.

Quais os diagnósticos diferenciais? } Dispepsias benignas (esofagites, gastrites e quadros ulcerosos).

Tumor de cólon e reto

} História pessoal ou familiar de pólipos adenomatosos (principais lesões precursoras primárias).

} História pessoal ou familiar de câncer colorretal, tumor de ovário, endométrio ou mama.

} Distúrbios hereditários conhecidos como polipose adenomatosa familiar e câncer colorretal hereditário sem polipose.

} Portadores de doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e reto colite ulcerativa).

} Colite e retite actínica: muito conhecidas pelos urologistas no tratamento radioterápico do câncer de próstata e de bexiga. } Ureterosigmoidostomia.

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