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CICLO 2MÓDULO

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PROENFSESCADCUIDADOS DE ENFERMAGEM

117 AOS PORTADORES DE LESÕES

Enfermeira Estomaterapeuta. Professora Doutora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais

Para os profissionais que atuam no atendimento a pacientes portadores de ferida é imprescindível conhecer a fisiologia da cicatrização, bem como os fatores sistêmicos e locais que interferem nesse processo. Para isso, o profissional deve fazer a avaliação do paciente e de sua ferida e acompanhar a evolução da cicatrização, norteada por princípios objetivos que auxiliem na implantação e na implementação do tratamento.

As técnicas de cuidados com feridas têm sido registradas desde os tempos antigos pelos egípcios e gregos. Muitas dessas práticas foram baseadas em filosofia individual e dirigidas pelas necessidades do momento, como o tratamento de feridas de soldados durante as guerras. A partir do século X, trabalhos de pesquisa foram elaborados visando não apenas a identificar o melhor tratamento, mas também a alcançar uma melhor compreensão do processo de cicatrização, entendido como bastante complexo.

A compreensão do processo de cicatrização de feridas, em especial as localizadas na pele, é essencial na tomada de decisão do cuidar e na avaliação dos resultados alcançados.

Ao final da leitura deste capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:

Destacam-se, neste capítulo, os cuidados a ser implementados aos pacientes portadores de úlceras por pressão e úlceras venosas de perna, amparados em diretrizes nacionais e internacionais.

Cuidados de enfermagem aos portadores de lesões cutâneas

Anatomia e fisiologia da pele

Fase inflamatória ou defensiva Processo de cicatrização

Fase proliferativa ou fibroblástica Fase de maturação ou remodelação

Úlcera por pressão Lesões crônicas

Avaliação de risco e implementação de condutas

Recomendações para prevenção de úlcera por pressão em adultos em risco

Recomendações para tratamento de úlcera por pressão

Recomendações para tratamento de úlcera venosa de perna Úlcera venosa da perna

Limpeza das feridas Terapia tópica

Indicação de coberturas

Filme de poliuretano

Hidrocolóide Hidrofibra

Espuma Alginato de cálcio Prata

Carvão com prata Hidrofibra com prata Espuma com prata Prata nanocristalina Conclusão

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A pele, além de sua importância como cobertura cosmética, intimamente envolvida no conceito que temos sobre nós mesmos e de como os outros interagem conosco, também tem como importante papel a função de defesa do organismo.1 Assim, a pele tem como principais funções proteger o corpo de agressões externas, absorver e excretar líquidos, regular a temperatura, absorver luz ultravioleta, metabolizar vitamina D, detectar estímulos sensoriais, servir de barreira impedindo a penetração de microrganismos.

Histologicamente, a pele é formada por três estruturas tissulares:

A epiderme é a camada superficial da pele com espessura em torno de 0,05mm, sendo mais espessa (6mm) nas regiões plantares e palmares. É constituída por epitélio ceratinizado, escamoso e estratificado e avascular. Essa camada está constantemente sendo renovada em um processo que dura, em média, 60 dias. Do ponto de vista funcional, o estrato córneo e o basal são considerados os mais importantes, pois o primeiro é responsável pela manutenção da integridade da pele, e o segundo produz as células que permitem o crescimento das demais camadas.2

O estrato córneo constitui uma barreira muito efetiva que previne a entrada de microrganismos e substâncias químicas do meio externo e a perda de água do organismo. Este estrato contém lipídeos entre suas camadas, o que mantém um ótimo nível de hidratação pela regulação dos níveis de fator natural de umidade, uma mistura heterogênea de componentes higroscópicos. Qualquer alteração nessa camada pode permitir a entrada de patógenos ou de irritantes do ambiente.2

A derme origina-se no mesoderma. É a camada intermediária da pele e dá estrutura de suporte a esse órgão. É constituída por denso tecido fibroso e elástico, no qual se situam os nervos e os vasos. A principal célula da derme é o fibroblasto, que é responsável pela produção de seus elementos e é muito importante no processo da cicatrização. Sua principal proteína é o colágeno, essencial no processo de formação do tecido de granulação na fase proliferativa do processo de cicatrização. O colágeno é sintetizado pelos fibroblastos. A derme possui, ainda, outras células, como histiócitos, macrófagos, linfócitos e mastócitos, que também atuam no processo de cicatrização, principalmente na fase inflamatória.

A terceira estrutura da pele é formada pelo tecido celular subcutâneo ou hipoderme, originado do mesoderma. É a camada mais profunda da pele e é constituída por adipócitos (agrupamento de células adiposas) separados por tecido conectivo. Atua como isolante térmico e reserva nutritiva. Comporta-se como um amortecedor para os traumatismos externos, sustentando todas as camadas da pele.1

As estruturas anatômicas da pele estão apresentadas na Figura 1.

A pele produz secreção sebácea, que atua como lubrificante, emulsificador, e forma o manto lipídico da superfície cutânea que tem atividade antibacteriana e antifúngica. A pele excreta água e eletrólitos e, sob a ação da luz solar, sintetiza a vitamina D, que tem efeitos sobre o metabolismo do cálcio e dos ossos. Atua também como órgão sensorial vital para a percepção de pressão, de dor e de temperatura, bem como participa da termorregulação.2

1. Caracterize os seguintes componentes da pele:

A) Epiderme B) Derme C) Hipoderme 2. De que maneiras a pele cumpre seu papel de proteção do organismo?

Figura 1 – Estruturas anatômicas da pele Fonte: BORGES, E. L.; SAAR, S. R. C.; LIMA, V. L. A. N.; GOMES, F. S. L.; MAGALHÃES, M. B. B. Feridas: como tratar. Belo Horizonte: Coopmed, 2001

Pêlo

Glândula sebácea

Músculo eretor do pêlo

Glândulasudorípara Folículopiloso

Terminação nervosa

Células adiposas

Epiderme Derme

Hipoderme

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Pode-se considerar que a ferida é uma ruptura na pele, na membrana mucosa ou em qualquer outra estrutura do corpo causada por agente físico, químico ou biológico. Conforme a intensidade do trauma, a ferida pode ser considerada superficial, afetando apenas as estruturas da superfície, ou grave, envolvendo vasos sangüíneos mais calibrosos, músculos, nervos, fáscias, tendões, ligamentos ou ossos.

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