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(Parte 1 de 5)

PROENF | SAÚDE DO ADULTO | Porto Alegre | Ciclo 2 | Módulo 1 | 2007

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As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

Estimado leitor

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na web e outros), sem permissão expressa da Editora.

Os inscritos aprovados na Avaliação de Ciclo do Programa de Atualização em Enfermagem (PROENF) receberão certificado de 180h/aula, outorgado pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e pelo Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância (SESCAD) da Artmed/ Panamericana Editora, e créditos a serem contabilizados pela Comissão Nacional de Acreditação (CNA), para obtenção da recertificação (Certificado de Avaliação Profissional).

PROENFSAÚDE DO
TOSESCADGERENCIAMENTO DO CUIDADO

Raquel Rapone Gaidzinski – Enfermeira. Diretora do Departamento de Enfermagem do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP). Professora Associada do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da USP

Antônio Fernandes Costa Lima – Enfermeiro. Diretor da Divisão de Enfermagem Clínica do Departamento de Enfermagem do Hospital Universitário da USP. Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP

As profundas transformações que estão ocorrendo na economia mundial, geradas por uma crescente integração e socialização dos meios de comunicação e dos recursos de informática, exigem, cada vez mais, uma rápida adaptação dos setores da indústria e de serviço, que precisam desenvolver novas habilidades e atitudes para conseguirem alcançar seus objetivos por meio das pessoas. Nesse contexto, os principais problemas enfrentados nas organizações de saúde, prestadoras de serviços, têm sido a má alocação dos recursos, a desigualdade nas condições de acesso, a ineficiência e os custos crescentes.

Diante da realidade da assistência à saúde do adulto, e para corresponder aos desafios da sobrevivência mercadológica, a enfermagem precisa criar perspectivas de trabalho, com aquisição de novos conhecimentos e habilidades que permitam à enfermeira desempenhar melhor sua função gerencial.2 Dessa forma, visando contribuir com o favorecimento da capacitação das pessoas, temos buscado instrumentos que possibilitem uma melhor gerência dos profissionais de enfermagem, por meio de conhecimentos, habilidades e competências que permitam realizar um melhor planejamento do cuidado de enfermagem.

A gerência pode ser definida como a arte de pensar, de decidir e de agir; a arte de fazer acontecer, de obter resultados. Resultados que podem ser definidos, previstos, analisados e avaliados, mas que têm de ser alcançados por meio de pessoas e por uma interação humana constante.3

Não há mais como negar a importância da função gerencial como instrumento de trabalho da enfermeira, entendida numa lógica que privilegie os interesses coletivos, de forma a concretizar uma assistência segura que leve em consideração às necessidades da clientela. Podemos inclusive afirmar que a enfermeira é o elemento da equipe de saúde que gerencia o cuidado prestado ao cliente/paciente.

O gerenciamento não implica apenas um processo científico e racional no domínio dos conhecimentos técnicos-administrativos, mas também consiste em um processo de interação humana que lhe confere a capacidade de compreender a dinâmica maior das determinações sociais presentes nas organizações e, portanto, uma dimensão psicológica, calcada no intuitivo, no emocional e no espontâneo.3

A atividade gerencial é extremamente dinâmica, dialética, em que as dimensões técnica, política e comunicativa estão permanentemente exigindo constante reflexão/ tomada de decisão por parte do agente executor da mesma.4

A dimensão técnica da gerência refere-se aos aspectos mais gerais e instrumentos do próprio trabalho, tais como o planejamento, a coordenação, a supervisão, o controle e a avaliação, no que diz respeito ao manejo de recursos humanos, físicos (equipamentos e instalações) adequados à finalidade que direciona o processo de trabalho.

A dimensão política da gerência articula o trabalho gerencial ao projeto que se tem a empreender, implicando uma articulação do processo interno de trabalho e as determinações externas deste, que dizem respeito às políticas sociais e de saúde em específico e às contradições e conflitos presentes na sociedade para sua efetivação.

A dimensão comunicativa da gerência compreende o caráter de negociação presente ao lidar com as relações de trabalho na equipe e nas relações da unidade com a comunidade.4,5

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

Ao conjunto de instrumentos técnicos próprios da gerência somam-se outros saberes relativos ao gerenciamento de materiais, equipamentos e instalações, bem como o desenvolvimento de habilidades sobre custos, como mais uma ferramenta a ser utilizada nos processos decisórios.6

O gerenciamento do cuidado tem como foco o paciente e envolve o planejamento, a direção, a supervisão e a avaliação das atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem. Abrange a coordenação das atividades desenvolvidas com os pacientes por pessoas de outros serviços, bem como a coordenação das atividades do pessoal de apoio no que se refere aos recursos materiais.7

O exercício da função gerencial centralizada na assistência ao paciente, norteado pela compreensão e pelo conhecimento do mesmo como pessoa e de suas necessidades específicas, deve orientar as ações do(a) enfermeiro(a) na implementação de um método para sistematizar o cuidado de enfermagem.

Dentre os métodos propostos para o planejamento da assistência de enfermagem, o mais difundindo na formação da enfermeira é o processo de enfermagem, também denominado de sistematização da assistência de enfermagem, que se fundamenta na resolução de problemas.

O processo de enfermagem focaliza a individualização do cuidado, cuja efetiva operacionalização depende da participação ativa do paciente e/ou de seus familiares.8 Quando é praticado como uma forma de investigação, conduz o(a) enfermeiro(a) ao desenvolvimento de um estilo de pensamento que direciona os julgamentos na forma de diagnósticos de enfermagem, fornecendo base para o gerenciamento do cuidado.9

ADUL TOMuitos estudiosos da enfermagem deram suas contribuições por meio de estudos sobre o processo, suas etapas ou sobre a metodologia de assistência de enfermagem, contextualizando a problemática e os desafios a serem superados em cada cenário analisado.10

Para implementar o processo de enfermagem, há pelo menos dois grandes desafios para serem superados: um relacionado à escolha do modelo conceitual e o outro à sua operacionalização no contexto da prática.8

Os modelos teóricos têm contribuído como referencial para a sistematização do cuidado. A teoria guia e aprimora a prática, dirigindo a observação dos fenômenos, a intervenção de enfermagem e os resultados esperados.

A sistematização dos cuidados, com base em modelos teóricos, proporciona meios para organizar as informações e os dados dos clientes para analisar os resultados do processo de cuidar. Assim, os processos de cuidar da enfermagem refletem os resultados daquilo que se conhece, do que se pesquisa e de como os profissionais são formados nas escolas.1 Isso porque, as teorias de enfermagem: ■■■■■buscam o saber específico, a identidade e a autonomia profissional;

No que se refere à operacionalização do processo de enfermagem na prática, há na literatura inúmeras publicações que se referem às condições necessárias, bem como às barreiras a serem enfrentadas no cotidiano do trabalho de enfermagem.

Nossa experiência profissional tem nos mostrado que, geralmente, os(as) enfermeiros(as) possuem conhecimento teórico em relação ao processo de enfermagem, contudo, a maioria alega pouca ou nenhuma experiência na sua execução prática.

Este capítulo tem por finalidade sensibilizar os(as) enfermeiros(as) para as oportunidades de intervenção e de transformação na sua prática assistencial, por meio do planejamento sistematizado, ou seja, pela utilização do processo de enfermagem como forma de gerenciar o cuidado em saúde do adulto.

PROENFSAÚDE DO
TOSESCAD

1.Leia as afirmações abaixo e assinale verdadeiro (V) ou falso (F). Considerando as profundas transformações que estão ocorrendo na economia mundial, é possível afirmar que:

A)() são geradas por uma crescente integração e socialização dos meios de comunicação e dos recursos de informática.

B)() exigem adaptação gradativa dos setores da indústria que precisam desenvolver novas habilidades e atitudes para conseguirem alcançar seus objetivos.

D)() os principais problemas enfrentados nas organizações de saúde gerados pelas transformações na economia mundial têm sido a má alocação dos recursos, a desigualdade nas condições de acesso, a ineficiência e os custos crescentes.

2.A partir das atividades próprias da gerência, relacione as colunas.

Respostas no final do capítulo

3. Quais os fatores envolvidos pelo gerenciamento do cuidado com foco no paciente, e o que este tipo de gerenciamento abrange?

( 1 )Dimensão técnica da gerência ( 2 )Dimensão política da gerência ( 3 )Dimensão comunicativa da gerência

()articula o trabalho gerencial ao
()refere-se aos aspectos mais gerais
()compreende o caráter de

projeto que se tem a empreender. e instrumentos do próprio trabalho. negociação presente ao lidar com as relações de trabalho na equipe e nas relações da unidade com a comunidade.

ADUL TO 4. Quais os dois grandes desafios que devem ser superados para a implementação do processo de enfermagem?

A)A supervisão e o recrutamento e seleção de pessoal. B) O dimensionamento de pessoal de enfermagem e o planejamento. C) A escolha do modelo conceitual e a sua operacionalização no contexto da prática. D) A avaliação dos resultados e do desempenho profissional.

Resposta no final do capítulo

5. O que proporciona a sistematização dos cuidados com base em modelos teóricos?

Ao final da leitura deste capítulo, espera-se que leitor seja capaz de:

Gerenciamento do cuidado em saúde do adulto

O processo de enfermagem: operacionalização do gerenciamento do cuidado em saúde do adultoDesafios organizacionais Desafios grupais e individuais

O processo de enfermagem como instrumento gerencial do cuidado de enfermagem na prática

A trajetória percorrida rumo à mudança no gerenciamento do cuidado

A realização do estudo preliminar

Monitorando a mudança no processode gerenciamento do cuidado O subprojeto 1

O subprojeto 2 O subprojeto 3

Conclusão

PROENFSAÚDE DO
TOSESCADO PROCESSO DE ENFERMAGEM: OPERACIONALIZAÇÃO DO

A Resolução do Conselho Federal de Enfermagem - COFEN nº 272, de 27 de Agosto de 2002,12 ao dispor sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) nas Instituições de Saúde Brasileiras, resolve que:

Artigo 1º – Ao enfermeiro incumbe privativamente a implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do Processo de Enfermagem. Para a implementação da assistência de enfermagem devem ser considerados os aspectos essenciais das seguintes etapas: histórico de enfermagem; exame físico; diagnóstico de enfermagem; prescrição de enfermagem; evolução de enfermagem.

Artigo 2 – A implementação da SAE deve ocorrer em toda instituição de saúde, pública e privada.

Artigo 3 – A SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente/usuário, devendo ser composta por: histórico de enfermagem, exame físico, diagnóstico de enfermagem, evolução da assistência de enfermagem e relatório de enfermagem.

No cenário que se apresenta, em que o(a) enfermeiro(a) é responsabilizado(a) legalmente pela SAE, percebe-se que a lacuna referente ao ensino e à prática da operacionalização do processo de enfermagem representa uma deficiência que precisa ser sanada. Essa responsabilidade deve ser compartilhada não só pelos profissionais, que devem buscar meios para o seu próprio desenvolvimento, mas, também, pelas instituições de saúde que, por sua vez, deverão colaborar na capacitação desses profissionais.

Para viabilizar a operacionalização do processo de enfermagem como instrumento do gerenciamento do cuidado na prática cotidiana é necessário enfrentar vários desafios organizacionais, grupais e individuais.7

Em relação aos desafios organizacionais, podem ser observadas dificuldades decorrentes da cultura, da política, das diretrizes, dos objetivos, da estrutura administrativa, dos recursos (pessoas, materiais e equipamentos) e da dinâmica institucional.7

Para a compreensão da realidade organizacional, há necessidade de se captar o maior número de elementos da estrutura formal e informal, analisando-os de maneira conjunta, tanto em relação aos regulamentos, regimentos e organogramas, como também no que se refere aos padrões culturais específicos e aos processos e às relações de poder que determinam a dinâmica organizacional.13 Dessa forma, valores e princípios que norteiam uma prática participativa possibilitam a implementação do processo de enfermagem pelo envolvimento e aplicação de habilidades de vários profissionais.7

ADUL TOParticipação é um processo compartilhado no qual ocorre o envolvimento emocional das pessoas em situações de grupo, que as encorajam a contribuir para os objetivos do grupo, e a assumir a responsabilidade de alcançá-los. Dessa forma, as decisões devem ser do grupo, mediante consenso e o máximo envolvimento e comprometimento das pessoas.14

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