MANUAL animais peconhentos

MANUAL animais peconhentos

(Parte 1 de 5)

Manual de

Diagnóstico e

Tratamento de

Acidentes por

Animais Peçonhentos

Manual de

Diagnóstico e

Tratamento de

Acidentes por

Animais Peçonhentos

Manual de Diagnóstico e

Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos

Brasília, outubro de 2001

© 1998. MinistØrio da Saœde. Fundaçªo Nacional de Saœde. 1999 - 1“ Reimpressªo 2001 - 2“ Ediçªo revisada

Permitida a reproduçªo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Editor: Assessoria de Comunicaçªo e Educaçªo em Saœde/Ascom/Pre/FUNASA Fundaçªo Nacional de Saœde(FUNASA)MS Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 5” Andar, Sala 517 CEP.: 70.070.040 - Brasília - DF

Distribuiçªo e Informaçªo: Coordenaçªo de Vigilância das Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) Fundaçªo Nacional de Saœde (FUNASA) Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 7” Andar, Sala 716 Telefone: (061) 225.4472 - 226.6478 - FAX: (061) 321.0544 CEP.: 70.070-040 - Brasília - DF

Tiragem: 3.0 exemplares Impresso no Brasil/Printed in Brazil

ISBN 85-7346-014-8

Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. 2“ ed. - Brasília: Fundaçªo Nacional de Saœde, 2001. 120 1. Zoonose. I. Fundaçªo Nacional de Saœde.

Apresentaçªo

O Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos nesses 14 anos de existência vem se consolidando no país, envolvendo a política de coordenação da produção e distribuição de antivenenos, capacitação de recursos humanos e vigilância epidemiológica dos acidentes em esfera nacional. Esse trabalho conjunto coordenado pelo Ministério da Saúde e envolvendo as secretarias estaduais e municipais de saúde, centros de informações toxicológicas, centros de controle de zoonoses e animais peçonhentos, núcleos de ofiologia, laboratórios produtores, sociedades científicas e universidades, tem por objetivo maior a melhoria do atendimento aos acidentados por animais peçonhentos.

O presente manual resulta da revisão e fusão do Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes Ofídicos (1987) com o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos (1992). Destina-se, principalmente, aos profissionais da área da saúde, contendo informações atualizadas que visam fornecer subsídios técnicos para identificação, diagnóstico e conduta deste tipo de agravo à saúde.

Os procedimentos e a bibliografia aqui referidos representam uma linha de orientação básica, sem contudo esgotar o assunto.

Os dados apresentados referem-se às notificações encaminhadas pelas secretarias estaduais de saúde à Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) do Ministério da Saúde. Ainda que, em determinadas regiões, ocorra subnotificação, é possível hoje dimensionar e construir um perfil epidemiológico dos acidentes no país.

I – Ofidismo9
1. Introduçªo9
2. Epidemiologia9
3. Serpentes de importância mØdica12
Acidente Botrópico21
1. Introduçªo21
2. Açıes do veneno21
3. Quadro clínico21
4. Complicaçıes23
5. Exames complementares24
6. Tratamento24
7. Prognóstico25
Acidente CrotÆlico26
1. Introduçªo26
2. Açıes do veneno26
3. Quadro clínico26
4. Complicaçıes28
5. Exames complementares28
6. Tratamento28
7. Prognóstico29
Acidente LaquØtico29
1. Introduçªo29
2. Açıes do veneno30
3. Quadro clínico30
4. Complicaçıes31
5. Exames complementares31
6. Diagnóstico diferencial31
7. Tratamento31
Acidente Elapídico32
1. Introduçªo32
2. Açıes do veneno32
3. Quadro clínico32
4. Exames complementares3
5. Tratamento3
6. Prognóstico34
Acidente por Colubrídeos35
1. Introduçªo35
2. Açıes do veneno35
5. Exames complementares36
6. Tratamento36
I - Escorpionismo37
1. Introduçªo37
2. Epidemiologia37
3. Escorpiıes de importância mØdica37
4. Açıes do veneno41
5. Quadro clínico41
6. Exames complementares42
7. Tratamento43
I - Araneísmo45
1. Introduçªo45
2. Epidemiologia45
3. Aranhas de importância mØdica45
Acidentes por Phoneutria50
1. Introduçªo50
2. Açıes do veneno50
3. Quadro clínico50
4. Exames complementares51
5. Tratamento51
6. Prognóstico51
Acidentes por Loxosceles52
1. Introduçªo52
2. Açıes do veneno52
3. Quadro clínico52
4. Complicaçıes54
5. Exames complementares54
6. Tratamento54
7. Prognóstico5
Acidentes por Latrodectus56
1. Introduçªo56
2. Açıes do veneno56
3. Quadro clínico56
4. Complicaçıes57
5. Exames complementares57
6. Tratamento58
7. Prognóstico58
IV - Acidentes por Himenópteros59
1. Introduçªo59
2. Epidemiologia59
1. Características anatômicas do grupo60
2. Açıes do veneno61
3. Quadro clínico61
4. Complicaçıes63
5. Exames complementares63
6. Tratamento64
Acidentes por vespas64
Acidentes por formigas65
1. Introduçªo65
2. Açıes do veneno65
3. Quadro clínico65
4. Complicaçıes6
5. Diagnóstico6
6. Tratamento6
V - Acidentes por Lepidópteros67
1. Introduçªo67
2. Epidemiologia67
3. Lepidópteros de importância mØdica67
vÆrios gŒneros70
1. Introduçªo70
2. Açıes do veneno70
3. Quadro clínico71
4. Complicaçıes71
5. Tratamento71
Dermatite Urticante provocada por contato com mariposa Hylesia sp72
1. Introduçªo72
2. Açıes do veneno72
3. Quadro clínico72
4. Tratamento72
Periartrite falangeana por contato com Pararama73
1. Introduçªo73
2. Açıes do veneno73
3. Quadro clínico73
4. Exames complementares73
5. Tratamento74
Síndrome HemorrÆgica por contato com Lonomia74
1. Introduçªo74
2. Açıes do veneno74
3. Quadro clínico74
4. Complicaçıes75
7. Tratamento76
8. Prognóstico76
VI - Acidentes por Coleópteros7
1. Introduçªo7
2. Coleópteros de importância mØdica7
3. Açıes do veneno78
4. Quadro clínico78
5. Tratamento79
VII - Ictismo81
1. Introduçªo81
2. Açıes do veneno81
3. Formas de Ictismo81
4. Quadro clínico83
5. Complicaçıes84
6. Exames complementares84
7. Tratamento84
8. Prognóstico85
VIII - Acidentes por Celenterados87
1. Introduçªo87
2. Açıes do veneno8
3. Quadro clínico8
4. Diagnóstico8
5. Tratamento89
IX - Soroterapia91
X - InsuficiŒncia Renal Aguda97
XI-TØcnica para determinaçªo do tempo de coagulaçªo9
XII - Aplicabilidade do mØtodo de ELISA101
XIII-Prevençªo de acidentes e primeiros socorros103
por animais peçonhentos (Sinan)107

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 9

I - Ofidismo

1. Introduçªo

Os acidentes ofídicos têm importância médica em virtude de sua grande freqüência e gravidade. A padronização atualizada de condutas de diagnóstico e tratamento dos acidentados é imprescindível, pois as equipes de saúde, com freqüência considerável, não recebem informações desta natureza durante os cursos de graduação ou no decorrer da atividade profissional.

2. Epidemiologia

Foram notificados à FUNASA, no período de janeiro de 1990 a dezembro de 1993, 81.611 acidentes, o que representa uma média de 20.0 casos/ano para o país. A maioria das notificações procedeu das regiões Sudeste e Sul, como mostra o gráfico 1, as mais populosas do país e que contam com melhor organização de serviços de saúde e sistema de informação.

GrÆfico 1

ProcedŒncia das notificaçıes segundo as regiıes fisiogrÆficas Brasil, 1990 - 1993

2.1. Coeficiente de incidŒncia

Nos 81.611 casos notificados no período, o coeficiente de incidência para o Brasil foi de aproximadamente 13,5 acidentes/100.0 habitantes. Nas diferentes regiões do país, o maior índice foi no Centro-Oeste, como se observa na tabela 1. Ainda que apresente um alto coeficiente, é possível que ocorra subnotificação na região Norte, tendo em vista as dificuldades de acesso aos serviços de saúde, o mesmo ocorrendo para o Nordeste.

Tabela 1

Coeficiente de incidŒncia anual (por 100.0 habitantes) dos acidentes ofídicos por regiªo fisiogrÆfica 1990 a 1993

Regiªo

Brasil Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul

Coef.90

Coef.91

Coef.92

Coef.93

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 10

2.2. Distribuiçªo mensal dos acidentes

A ocorrência do acidente ofídico está, em geral, relacionada a fatores climáticos e aumento da atividade humana nos trabalhos no campo (gráfico 2).

Com isso, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, observa-se incremento do número de acidentes no período de setembro a março. Na região Nordeste, os acidentes aumentam de janeiro a maio, enquanto que, na região Norte, não se observa sazonalidade marcante, ocorrendo os acidentes uniformemente durante todo o ano.

GrÆfico 2 Distribuiçªo mensal dos acidentes ofídicos - Brasil, 1990 a 1993

2.3. GŒnero da serpente

Em 16,34% das 81.611 notificações analisadas, o gênero da serpente envolvida não foi informado (tabela 2). Nos 65.911 casos de acidentes por serpente peçonhenta, quando esta variável foi referida, a distribuição dos acidentes, de acordo com o gênero da serpente envolvida, pode ser observada no gráfico 3.

Tabela 2

Distribuiçªo dos acidentes ofídicos, segundo o gŒnero da serpente envolvido Brasil, 1990 - 1993

939
281

n” acidentes 59.619 5.072 13.339 2.361

Distribuiçªo

Bothrops Crotalus Lachesis Micrurus Nªo informados Nªo peçonhentos nº de casos meses

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 1

GrÆfico 3

Distribuiçªo dos acidentes ofídicos segundo o gŒnero da serpente peçonhenta Brasil, 1990 - 1993

2.4. Local da picada

O pé e a perna foram atingidos em 70,8% dos acidentes notificados e em 13,4% a mão e o antebraço. A utilização de equipamentos individuais de proteção como sapatos, botas, luvas de couro e outros poderia reduzir em grande parte esses acidentes.

2.5. Faixa etÆria e sexo

Em 52,3% das notificações, a idade dos acidentados variou de 15 a 49 anos, que corresponde ao grupo etário onde se concentra a força de trabalho. O sexo masculino foi acometido em 70% dos acidentes, o feminino em 20% e, em 10%, o sexo não foi informado.

2.6. Letalidade

Dos 81.611 casos notificados, houve registro de 359 óbitos. Excluindo-se os 2.361 casos informados como “não peçonhentos”, a letalidade geral para o Brasil foi de 0,45%.

O maior índice foi observado nos acidentes por Crotalus, onde em 5.072 acidentes ocorreram 95 óbitos (1,87%) (tabela 3).

Tabela 3

Letalidade dos acidentes ofídicos por gŒnero de serpente Brasil, 1990 - 1993

GŒnero noCasos noÓbitos Letalidade (%)

Bothrops Crotalus Lachesis Micrurus Nªo informado

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 12

A letalidade do acidente ofídico não se mostrou uniforme nas regiões fisiográficas, como se observa no gráfico 4. O maior índice foi registrado no Nordeste, apesar desta região apresentar o menor coeficiente de incidência do país.

GrÆfico 4

Letalidade dos acidentes ofídicos por regiªo fisiogrÆfica Brasil, 1990 a 1993

Dos 359 óbitos notificados, em 314 foi informado o tempo decorrido entre a picada e o atendimento. Destes, em 124 (39,49%), o atendimento foi realizado nas primeiras seis horas após a picada, enquanto que em 190 (60,51%) depois de seis horas da ocorrência do acidente. Os dados aqui relatados demonstram a importância da precocidade do atendimento.

3. Serpentes de importância mØdica 3.1. Importância da identificaçªo das serpentes

Identificar o animal causador do acidente é procedimento importante na medida em que: -possibilita a dispensa imediata da maioria dos pacientes picados por serpentes não peçonhentas;

-viabiliza o reconhecimento das espécies de importância médica em âmbito regional;

-é medida auxiliar na indicação mais precisa do antiveneno a ser administrado.

Apesar da importância do diagnóstico clínico, que orienta a conduta na grande maioria dos acidentes, o animal causador deve, na medida do possível, ser encaminhado para identificação por técnico treinado. A conservação dos animais mortos pode ser feita, embora precariamente, pela imersão dos mesmos em solução de formalina a 10% ou álcool comum e acondicionados em frascos rotulados com os dados do acidente, inclusive a procedência.

No Brasil, a fauna ofídica de interesse médico está representada pelos gêneros: -Bothrops (incluindo Bothriopsis e Porthidium)*

- Crotalus

- Lachesis

- Micrurus

-e por alguns da Família Colubridae**

* Estes novos gêneros resultaram da revisão do gênero Bothrops: As espécies Bothrops bilineatus, Bothrops castelnaudi e Bothrops hyoprorus passaram a ser denominadas Bothriopsis bilineata, Bothriopsis taeniata e Porthidium hyoprora, respectivamente.

** As serpentes dos gêneros Philodryas e Clelia, da família Colubridae, podem ocasionar alguns acidentes com manifestações clínicas locais.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 13

3.2.2. Fosseta loreal ausente

As serpentes do gênero Micrurus não apresentam fosseta loreal (fig. 4) e possuem dentes inoculadores pouco desenvolvidos e fixos na região anterior da boca (fig. 5).

A identificação entre os gêneros referidos também pode ser feita pelo tipo de cauda (fig.3).

3.2. Características dos gŒneros de serpentes peçonhentas no Brasil 3.2.1. Fosseta loreal presente

A fosseta loreal, órgão sensorial termorreceptor, é um orifício situado entre o olho e a narina, daí a denominação popular de “serpente de quatro ventas” (fig. 1). Indica com segurança que a serpente é peçonhenta e é encontrada nos gêneros Bothrops, Crotalus e Lachesis.

Todas as serpentes destes gêneros são providas de dentes inoculadores bem desenvolvidos e móveis situados na porção anterior do maxilar (fig. 2).

Olho

Narina

Fosseta Loreal Fig. 1Fig. 2

Presas

Cauda lisaGuizo ouChocalho Escamas eriçadas

Fig. 3 Bothrops Crotalus Lachesis

Fig. 4

Olho

Narina Presas

Fig. 5

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 14

3.3. Diferenciaçªo bÆsica entre serpentes peçonhentas e nªo peçonhentas

O reconhecimento das cobras venenosas, segundo o gênero, pode tornar-se mais simples utilizando-se o esquema abaixo:

Fluxograma 1 Distinçªo entre serpentes peçonhentas e nªo peçonhentas

* As falsas corais podem apresentar o mesmo padrão de coloração das corais verdadeiras, sendo distinguíveis pela ausência de dente inoculador. ** Na Amazônia, ocorrem corais verdadeiras desprovidas de anéis vermelhos.

3.4. Características e distribuiçªo geogrÆfica das serpentes brasileiras de importância mØdica

3.4.1. Família Viperidae a) Gênero Bothrops (incluindo Bothriopsis e Porthidium)

Compreende cerca de 30 espécies, distribuídas por todo o território nacional (figs. 6, 7, 8, 9, 10, 1 e 12). São conhecidas popularmente por: jararaca, ouricana, jararacuçu, urutu-cruzeira, jararaca-do-rabo-branco, malhade-sapo, patrona, surucucurana, combóia, caiçara, e outras denominações. Estas serpentes habitam principalmente zonas rurais e periferias de grandes cidades, preferindo ambientes úmidos como matas e áreas cultivadas e locais onde haja facilidade para proliferação de roedores (paióis, celeiros, depósitos de lenha).

Têm hábitos predominantemente noturnos ou crepusculares. Podem apresentar comportamento agressivo quando se sentem ameaçadas, desferindo botes sem produzir ruídos.

Fosseta Loreal Ausente Presente

PeçonhentasNªo Peçonhentas*

Cauda comChocalhoCauda com EscamasArrepiadas

Cauda Lisa

Com AnØis

Coloridos (Pretos,

Brancos e Vermelhos)

CrotalusLachesisBothropsMicrurus**

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 15

Fig. 6. a) Bothrops atrox. (Foto: G. Puorto) b) Distribuição da espécie no Brasil.

Fig. 7. a) Bothrops erythromelas. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil. Fig. 8. a) Bothrops neuwiedi. (Foto: G. Puorto) b) Distribuição da espécie no Brasil.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 16

Fig. 9. a) Bothrops jararaca. (Foto: G. Puorto) b) Distribuição da espécie no Brasil.

Fig. 10. a) Bothrops jararacussu. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil. Fig. 1. a) Bothrops alternatus. (Foto: G. Puorto) b) Distribuição da espécie no Brasil.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 17

Fig. 12. a) Bothrops moojeni. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil.

b) Gênero Crotalus

Agrupa várias subespécies, pertencentes à espécie Crotalus durissus (fig. 13). Popularmente são conhecidas por cascavel, cascavel-quatro-ventas, boicininga, maracambóia, maracá e outras denominações populares. São encontradas em campos abertos, áreas secas, arenosas e pedregosas e raramente na faixa litorânea. Não ocorrem em florestas e no Pantanal. Não têm por hábito atacar e, quando excitadas, denunciam sua presença pelo ruído característico do guizo ou chocalho.

Fig. 13. a) Crotalus durissus. (Foto G. Puorto) b) Distribuição da espécie no Brasil.

c) Gênero Lachesis

Compreende a espécie Lachesis muta com duas subespécies (fig. 14). São popularmente conhecidas por: surucucu, surucucu-pico-de-jaca, surucutinga, malha-de-fogo. É a maior das serpentes peçonhentas das Américas, atingindo até 3,5m. Habitam áreas florestais como Amazônia, Mata Atlântica e algumas enclaves de matas úmidas do Nordeste.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 18

Fig. 14. a) Lachesis muta (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil.

3.4.2. Família elapidae a) Gênero Micrurus

O gênero Micrurus compreende 18 espécies, distribuídas por todo o território nacional (figs. 15, 16 e 17). São animais de pequeno e médio porte com tamanho em torno de 1,0 m, conhecidos popularmente por coral, coral verdadeira ou boicorá. Apresentam anéis vermelhos, pretos e brancos em qualquer tipo de combinação. Na Região Amazônica e áreas limítrofes, são encontradas corais de cor marrom-escura (quase negra), com manchas avermelhadas na região ventral.

Em todo o país, existem serpentes não peçonhentas com o mesmo padrão de coloração das corais verdadeiras, porém desprovidas de dentes inoculadores. Diferem ainda na configuração dos anéis que, em alguns casos, não envolvem toda a circunferência do corpo. São denominadas falsas-corais.

Fig. 15. a) Micrurus carallinus. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 19

3.4.3. Família Colubridae

Algumas espécies do gênero Philodryas (P. olfersii, P. viridissimus e P. patogoniensis) (fig. 18) e Clelia (C. clelia plumbea) (fig. 19) têm interesse médico, pois há relatos de quadro clínico de envenenamento. São conhecidas popularmente por cobra-cipó ou cobra-verde (Philodryas) e muçurana ou cobra-preta (Clelia).

Possuem dentes inoculadores na porção posterior da boca e não apresentam fosseta loreal. Para injetar o veneno, mordem e se prendem ao local.

Fig. 16. a) Micrurus frontalis. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil. Fig. 17. a) Micrurus lemniscatus. (Foto: A. Melgarejo) b) Distribuição da espécie no Brasil.

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 20

Fig. 18. Philodryas olfersii. (Foto: A. Melgarejo). Fig. 19. Clelia clelia. (Foto: G. Puorto).

FUNASA - outubro/2001 - pÆg. 21

Acidente Botrópico 1. Introduçªo

Corresponde ao acidente ofídico de maior importância epidemiológica no país, pois é responsável por cerca de 90% dos envenenamentos.

2. Açıes do veneno 2.1. Açªo Proteolítica

As lesões locais, como edema, bolhas e necrose, atribuídas inicialmente à “ação proteolítica”, têm patogênese complexa. Possivelmente, decorrem da atividade de proteases, hialuronidases e fosfolipases, da liberação de mediadores da resposta inflamatória, da ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e da ação pró-coagulante do veneno.

(Parte 1 de 5)

Comentários