Influencia da velocidade de deslocamento no desempenho de uma semeadora-adubadora direta

Influencia da velocidade de deslocamento no desempenho de uma...

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GLOBAL SCIENCE AND TECHNOLOGY (ISSN 1984 - 3801)

Welington Gonzaga do Vale1* , Ricardo Ferreira Garcia1

, Delorme Corrêa Júnior1

, Geraldo

Amaral Gravina1 , Pablo Pereira Corrêa Klaver1

, José Francisco de Sá Vasconcelos Júnior1

Resumo: O presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência da velocidade de deslocamento no desempenho de uma semeadora-adubadora direta, sendo conduzido na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, RJ, utilizando velocidade de deslocamento de 2,5 e 4,4 km h-1 , em semeadura direta. Na semeadura, utilizou-se o milho híbrido UENF 506-8, com espaçamento entre linhas de 0,9 m e aproximadamente nove sementes por metro. Verificando-se os dados, foi observado que, aumentando a velocidade de deslocamento, houve um aumento na patinagem dos rodados da semeadora, na capacidade de campo teórica, na profundidade de plantio, na velocidade periférica do disco dosador de sementes, patinagem dos rodados do trator e no número de sementes distribuída por metro. As sementes que passaram pelo mecanismo dosador tiveram uma germinação de 95,4%, tanto na velocidade de 2,5 km h-1 como em 4,4 km h-1 , representando redução de 2,8%, devido ao dano mecânico causado pelo mecanismo.

Palavras-chave: Conjuntos mecanizados, patinagem, adubos verdes.

Abstract: The present work had as objective to evaluate the influence of the speed of displacement on the performance of a direct row crop planter. The trial was lead in the State University of Norte Fluminense (UENF), in Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, using the speeds of 2.5 and 4.4 km h-1 , under direct sowing systems. In the sowing, it was used hybrid maize UENF 506-8, spaced between lines 0.9 m and approximately nine seeds per meter. Verifying the data, it was observed that increasing the speed, there was an increase in the slip of the wheeled planter in theoretical field capacity at planting depth, the peripheral speed of the hard seed feeder, roller skating wheels of the tractor and the number of seeds distributed by meter. The seeds that passed in the planter mechanism had a germination of

95.4%, in the speed of 2.5 and also of 4.4 km h-1 , representing a reduction of 2.8% in the mechanical damage caused by the mechanism.

Keywords: Green manure, machinated group, slip.

1.Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), Av. Alberto Lamego, 2000 - Campos dos Goytacazes (RJ) – CEP.: 28013-600. *E-mail: valewg@gmail.com. Autor para correspondência.

W. G. Vale et al.

Hoje, existem no mercado, diferentes mecanismos dosadores de sementes para semeadoras-adubadoras, como por exemplo, disco perfurado, rotor acanalado, dedo prensor, copo distribuidor e dosador pneumático (SILVA, 2000).

A qualidade da semeadura de uma cultura é de fundamental importância para garantir um estande final de plantas adequado, e consequentemente, o sucesso da implantação da cultura e uma boa produtividade (SCHMIDT et al., 1999).

O processo de semeadura pode ser realizado através do preparo convencional, com revolvimento e exposição de sua estrutura, e técnicas de preparo mínimo, entre eles, a semeadura direta.

Segundo Fancelli e Favarin (1987), o sistema de semeadura direta seria suficiente para justificar a sua implantação por ser uma das mais eficientes práticas de controle de erosão, devido à reduzida desestruturação do solo e pela proteção da palhada. Phillips (1993) cita que a semeadura direta é importante para a conservação do solo e da água, permite menor uso de potência e mãode-obra, reduz a temperatura do solo e o uso de combustível por unidade de área, melhora as condições físicas do solo e permite maior número de safras ao longo dos anos e o incremento do uso da terra, incorporando-se áreas com mais declives que estejam sujeitas a ação da erosão ao processo produtivo.

Segundo Silva (2000), durante a semeadura mecanizada, diversos fatores interferem no estabelecimento do estande de plantas e na produtividade da cultura, sendo a velocidade de operação da máquina no campo, um deles. Delafosse (1986) afirmou que a velocidade de trabalho é um dos parâmetros que mais influencia no desempenho de semeadoras e que esta velocidade afeta a distribuição longitudinal de sementes no sulco de semeadura, que, por sua vez, influencia na produtividade da cultura.

Para Mantovani et al. (1999), o aumento da velocidade de deslocamento do conjunto trator-semeadora modifica a velocidade periférica do disco perfurado, causando danos mecânicos às sementes e comprometendo a ocupação das células e dos dedos preensores.

Porém, Silva et al. (2000), não observaram diferenças significativas nos danos sofridos pelas sementes de milho – danos visuais, de plântulas normais e de anormais e de sementes mortas – que passaram pelo mecanismo dosador da semeadora, nas seguintes velocidades de operação do ensaio – 3 km h-1 , 6 km h-1 km h-1 e 1,2 km h-1 . Entretanto, estas tiveram uma redução média de 1,7 pontos no percentual de formação de plântulas normais, em relação às sementes que não passaram pela semeadora. Na avaliação da densidade de semeadura, os autores observaram que as duas velocidades maiores proporcionaram uma menor distribuição de sementes, evidenciando uma redução na eficiência do disco horizontal perfurado, mecanismo dosador utilizado, no caso, disco horizontal perfurado nestas velocidades, devido à diminuição do tempo para o preenchimento das células do disco com sementes, provocando falhas na distribuição.

Furlani et al. (2005), avaliando a capacidade operacional de uma semeadoraadubadora, utilizando duas marchas durante a operação de semeadura, observaram que quando se trabalhou na segunda marcha, a V

= 7,0 km h-1 , houve um aumento na velocidade, na patinagem e no consumo de combustível por hora e por área. Silva (2000) conclui que a uniformidade de distribuição de sementes não foi influenciada pela velocidade na implantação de culturas de milho e soja. Porém, Silva et al. (2000), concluíram que o número de sementes de milho na linha de semeadura foi afetado pelas velocidades da semeadora-adubadora, e a uniformidade dos espaçamentos entre sementes na linha de semeadura foi excelente e regular para as menores velocidades e insatisfatória para a maior velocidade utilizada, de 1,2 km h-1 .

Oliveira et al. (2000) observaram que o número de sementes por hectare e o

Influência da velocidade...

estande final não foram influenciados pelas velocidades testadas, de 5 e 7 km h-1 , e pelo tipo de cobertura – milho, labe-labe e vegetação espontânea. Observaram também que a qualidade das sementes distribuídas pela máquina não foi afetada pelos mecanismos dosadores, comparando-se aos valores obtidos pela testemunha, ou seja, sementes que não passaram na semeadora.

O objetivo deste trabalho foi analisar o desempenho de uma semadora-adubadora direta em duas velocidades de deslocamento.

A pesquisa foi realizada na Unidade de Apoio à Pesquisa (UAP) do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) em Campos dos Goytacazes, na região norte do estado do Rio de Janeiro – situada à 21o45’15” de latitude sul e 41o19’28” de longitude oeste e altitude de 12 m em relação ao nível do mar (VALE, 2007).

A avaliação da semeadora-adubadora foi realizada em sistema de semeadura direta, com a semeadura de milho. A área de trabalho da semeadura direta foi previamente preparada com o uso de uma roçadora.

O trator utilizado foi o Massey

Ferguson MF 275 4x2 TDA, durante o experimento a tração assistida não foi acionada, com potência máxima de 5,16 kW (75 cv) no motor.

A semeadora-adubadora utilizada no ensaio foi a MAX Seed-Max PCR 2226. Este modelo pode trabalhar com até seis unidades de distribuição de sementes, espaçadas a 0,45 m, com capacidade de 500 kg de adubo e 40 kg de sementes.

A semeadora-adubadora é equipada com pneus motrizes com garras do tipo militar 6.50-16, disco de corte de palhada de 0,41 m de diâmetro e rodas de controle de profundidade/compactador do tipo roda dupla cônica angulada em V.

A máquina utiliza sistema dosador de discos perfurados. Apesar da semeadoraadubadora poder ser configurada com seis linhas, adotou-se quatro linhas de semeio, espaçadas com 0,9 m entre linhas durante os testes. Essa escolha se deu em função da recomendação para a cultura do milho. Foram utilizados mecanismos sulcadores do tipo discos duplos defasados para adubo e sementes.

O acoplamento da máquina se fez à barra de tração do trator e o levantamento da máquina para transporte e manobras pelo controle remoto. O acionamento dos sistemas dosadores de sementes é por rodas com pneus de borracha, sendo que cada roda aciona metade das unidades de distribuição de sementes da máquina por meio de coroas dentadas, correntes e eixos.

Utilizou-se o método da estatística, descritiva, buscando as medidas de tendência central e da ocorrência de variabilidade (VALE et al., 2009). Cada velocidade de deslocamento foi repetida oito vezes.

A patinagem das rodas motrizes da semeadora foi calculada pela Equação 1. Cada dado de patinagem foi obtido deslocando-se a semeadora para suas rodas completarem quatro voltas.

nnA AAS (1) em que,

S - patinagem das rodas motrizes da semeadora, %;

An - avanço com carga por número de voltas, m; e

A1 - avanço sem carga por número de voltas, m.

A condição de avanço com carga foi calculada pela relação entre a distância percorrida durante a semeadura e o número de voltas percorridas. A condição de avanço sem carga foi calculada pela relação entre a distância percorrida pela semeadora em pista asfaltada, condição considerada sem patinagem, e o número de voltas percorridas.

A patinagem das rodas motrizes do trator foi calculada pela Equação 2. Cada dado de patinagem foi obtido deslocando-se

W. G. Vale et al.

o trator para suas rodas completarem três voltas.

AAS n t (2)

em que,

St - patinagem das rodados motrizes do trator, %;

A capacidade de campo teórica foi determinada por meio da largura útil de trabalho da semeadora e sua velocidade de deslocamento medida no campo (Equação 3). Em cada ensaio, foram registrados os tempos gastos em cada percurso, para determinação da velocidade, com um cronômetro digital.

em que,

Ct - capacidade de campo teórica, m2 s-1;

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