(Parte 2 de 3)

Para o corte dessas telhas, pode-se utilizar uma máquina convencional de corte com disco para material refratário ou, ainda, qualquer máquina com disco diamantado.

)LJXUD : Armazenamento de telha tipo 7pJXOD. (GUIA TÉGULA,1999)

São chapas onduladas de poliéster reforçado com filamentos de vidro, apresentada em diversos perfis adaptáveis a telhas de outros materiais, como as de fibrocimento e metálicas (aço zincado). Suas dimensões são apresentadas na tabela 4.

7DEHOD : Dimensões das chapas onduladas de poliéster (YAZIGI,1998).

O peso varia de 1,4 kg/m2 a 1,8 kg/m2. São incolores, translúcidas, flexíveis, resistentes a gases industriais, óleo e agentes químicos. Sua utilização básica é em coberturas, com o objetivo de aumentar a luminosidade (iluminação zenital) do ambiente.

São fixadas sobre estruturas metálicas ou de madeira. São elementos de fixação: pregos, parafusos e ganchos com rosca, sempre colocados na crista da onda das chapas.

A colocação geralmente se inicia do beiral para a cumeeira, segundo YAZIGI(1998) no sentido oposto ao dos ventos dominantes na região, regra essa que é válida para os demais tipos de telha.

As telhas de aço têm uso predominante em edifícios comerciais e industriais e o material básico para a fabricação de seus perfis é a chapa de aço apropriada para moldagem a frio, zincada ou pintada com material sintético. Ao serem configuradas, podem apresentar seções diversas, como ilustra a figura 6.

)LJXUD –Telhas de aço a)- secção trapezoidal / b)-secção ondulada (PERKROM)

a b

A zincagem por imersão protege a chapa de aço contra a ação da corrosão sendo, em conjunto com os necessários acabamentos de superfície, um excepcional fundo de aderência para um posterior revestimento com material sintético (Manual HAIRONVILLE DO BRASIL,1999).

A fabricação dos perfis de aço a partir de bobinas de fitas de aço previamente zincadas se dá através de um processo contínuo em equipamentos de rolos de perfilação. Neste método de fabricação, a fita de aço é desenrolada da bobina a uma velocidade de até 70 m/min; a seguir ela é aplainada, cortada no comprimento, perfilada, empilhada e, finalmente, embalada. Desta maneira podem ser fabricados perfis de aço (telhas) com até 20 m de comprimento.

O fornecimento das telhas de aço é feito em caminhões, em pacotes paletizados que, levando em consideração os guinchos existentes nas obras, têm um peso máximo de 3 toneladas.

Para o armazenamento, caso os pacotes de telhas perfiladas não venham a ser utilizados de imediato, devem ser armazenados de modo a serem protegidos contra a ação das intempéries. Se possível, os pacotes deverão ser armazenados com uma leve inclinação na direção longitudinal, para que na eventualidade de cair água sobre as telhas, essa possa escoar livremente. E, ainda, as embalagens dos pacotes feitas na fabrica devem ser abertas nas extremidades para evitar a formação de condensação de água.

Como mostra a figura 7, os perfis metálicos são fixados através de chumbadores, rebites ou parafusos, nas ondas das telhas.

)LJXUD : Fixação das telhas metálicas (transparência de aula).

Além das telhas de aço, são também encontradas no mercado telhas de alumínio, que, via de regra, apresentam maior durabilidade, maior preço, menor peso e menor resistência, para uma mesma seção.

Apresentando características bastante particulares e com uso ainda limitado no Brasil, as telhas de asfalto coberta por grânulos (telha tipo 6KLQJOH) foram desenvolvidas para fazer do telhado um elemento construtivo que supere as funções básicas de proteções contra as intempéries, permitIndo a utilização de várias águas sem emendas.

Mais ainda do que nos casos dos telhados com telhas em fibrocimento ou em aço, tratase de um “sistema de cobertura” que é dotado de componentes específicos, exigindo um projeto especialmente desenvolvido. Nele, não se pode falar das telhas de modo isolado, devendo-se considerar conjuntamente a estrutura portante e outros componentes, que dele fazem parte e que também assumem características particulares.

O “sistema de cobertura tipo 6KLQJOH· é assim composto por (ver figura 8):

- estrutura de suporte: composta por tesouras (no caso de vãos abertos, sem laje), ou pontaletes (quando feitos sobre lajes). Sobre essa estrutura, serão colocadas terças, vigas e os caibros, se necessário; até aqui não se diferenciam dos demais tipos de coberturas em telhado, o que começa a acontecer a partir do próximo componente;

- base de madeira: é constituída por uma chapa de compensado, que será a base direta da telha, sobre a qual a mesma será fixada através de pregos corretamente aplicados. É importante que a chapa de compensado esteja seca antes da aplicação das telhas, evitando possível empenamento;

- sub-cobertura: é uma manta impermeabilizante de fibras de polietileno que é usada nesse tipo de telhado para assegurar uma proteção e vedação à base, e ao mesmo tempo não permitir a condensação de água na interface madeira-manta, através da migração da umidade;

- telhas tipo 6KLQJOH: são telhas à base de asfalto cobertas por grânulos em dimensões de 30,48 cm x 91,4 cm. Cada telha é composta por quatro camadas, sendo a primeira de asfalto, a segunda de fibra de vidro impregnada por uma manta asfáltica impermeável, a terceira de asfalto e a quarta aparente, composta por asfalto e grânulos. Os grânulos são de material cerâmico podendo ter diversas cores, o que permite a coloração da telha. Os grânulos são também responsáveis pela resistência à abrasão e ao fogo. Para evitar a proliferação de algas e fungos é necessário criar uma camada superficial de óxido de cobre;

- sistema de ventilação: sendo composto por uma abertura na cumeeira, painéis de vinil, canaletas de poliestireno localizadas sob o compensado, direcionando a circulação de ar dos painéis de vinil até a cumeeira. A ventilação é essencial neste tipo de cobertura, uma vez que não há passagem de ar através das telhas tipo 6KLQJOH. Geralmente a ventilação é dimensionada para obter 1 m2 de abertura na cumeeira a cada 150 m2 de área coberta;

- manta de fibra de vidro: é utilizada afim de melhorar o desempenho térmico do sistema;

- coleta de águas pluviais: o sistema de coleta de águas pluviais geralmente é análogo aos utilizados nos telhados convencionais, ou seja, composto por rufos, calhas e condutores verticais, se necessários.

Vê-se assim que tal tipo de cobertura em telhado constitui-se num verdadeiro “sistema”.

⊗ As informações referentes ao sistema de cobertura tipo 6KLQJOH foram tiradas do catálogo do fornecedor e do trabalho feito para a disciplina PCC436 (FUSARO HW DO.,1998).

)LJXUD : Esquema de cobertura da telha tipo 6KLQJOH (CATÁLOGO OWENS CORNIG).

A estrutura dos telhados tem como funções principais a sustentação e fixação das telhas e a transmissão dos esforços solicitantes para os elementos estruturais, garantindo assim a estabilidade do telhado. A estrutura dos telhados pode ser dividida em:

- estrutura de apoio;

A trama é a estrutura que serve de sustentação e fixação das telhas. Para telhas com pequenas dimensões, tais como as telhas cerâmicas e de concreto, a trama geralmente é constituída por terças, caibros e ripas de madeira (figura 8).

Para telhas de dimensões maiores, tais como as telhas metálicas, plásticas e de fibrocimento, é possível eliminar os caibros e ripas.

As terças são peças horizontais colocadas na direção perpendicular à estrutura de apoio. Elas geralmente apoiam-se sobre:

- pontaletes;

- tesouras ou treliças;

- oitões ou paredes intermediárias (figura 9).

(c)

)LJXUD : (a) terças apoiadas sobre pontaletes, (b) terças apoiadas sobre tesouras e (c) terças apoiadas sobre oitões.

Os caibros, por sua vez, são colocados na direção perpendicular à das terças e, portanto, paralelamente à estrutura de apoio. As ripas constituem a última parte da trama. São pregadas transversalmente aos caibros e, portanto, paralelamente às terças (vigas). As terças são peças horizontais colocadas em direção perpendicular às tesouras. O espaçamento entre duas ripas depende das dimensões das telhas utilizadas ou de sua galga (BORGES, 1979). As terças superior e inferior são chamadas, respectivamente, de cumeeira e frechal.

A distância entre dois caibros e entre duas terças depende do tipo de telha (peso) e das dimensões da sua seção e do tipo de madeira com que são fabricados (ou do aço e de sua seção, no caso de estruturas nesse material). A tabela 6 ilustra tais afastamentos, para o caso de estrutura de madeira em peroba.

** De acordo com BORGES (1979), utilizam–se terças de 6x12 se o vão entre tesouras não exceder a 2,50 m e de 6 x 16 para vãos entre 2,50 a 4,0 m.

7DEHOD Dados referentes à distância entre caibros, terças e tesouras ou apoios (pontaletes), no caso de estruturas em peroba.

De acordo com MENEGUETTI (1994), os principais pontos a serem considerados no processo de definição da estrutura são:

- os detalhes arquitetônicos (tipo de telha e formas de fixação ou inclinação ou tipo de telhado: uma água, duas águas, VKHG ou arco);

- os sistemas térmicos e de ventilação (lanternins, exaustores e forros por exemplo);

- os sistemas mecânicos e equipamentos industriais ou cargas tecnológicas (ponte rolantes, passarelas de manutenção, dentre outros);

- os sistemas elétricos e de comunicação (dutos e antenas, por exemplo);

- os sistemas hidráulicos e de gases;

- as fundações;

- a fabricação e o transporte da estrutura e a montagem;

- os próprios sistemas estruturais ( reticulados ou superfícies resistentes). A seguir, são melhor caracterizadas as estruturas de cobertura em madeira e em aço.

Os elementos das estruturas convencionais dos telhados, especialmente os telhados de habitações residenciais, são construídos de madeira Todos os elementos utilizam geralmente a peroba como madeira padrão, por ser mais resistente ao apodrecimento e também por não ser tão dura quanto o ipê e a cabreúva, entre outras razões (BORGES, 1979).

A ligação da estrutura do telhado ao edifício pode ser feita através de: - amarração com aço de construção dobrado e torcido;

- amarração com aço de construção dobrado e pregado;

- amarração com chapa metálica com uma haste parafusada ou pregada (figura 10).

)LJXUD : Tipos de amarração dos componentes de ancoragem (TÉCHNE, 1998).

Os componentes de ancoragem mais comuns são: - chapa metálica em “rabo de andorinha” imersa em cinta de amarração;

- aço de construção imerso em pilaretes de concreto em “T” invertido, embutido na alvenaria;

- aço de construção imerso em cinta ou laje de concreto (figura 1).

)LJXUD : Tipos de fixação de componentes de ancoragem (TÉCHNE, 1998).

As estruturas metálicas ou de concreto apresentam-se como alternativas às estruturas de madeira, principalmente devido à escassez e conseqüente aumento do preço da madeira e pressões da sociedade relativas à preservação do meio ambiente. Além disso, a utilização de peças pré-fabricadas potencialmente aumenta o grau de industrialização, otimizando a produtividade e qualidade na construção de telhados.

O uso de estrutura metálica é bastante comum em edifícios industriais e em galpões, seja sob a forma de treliças planas e vigas a elas perpendiculares (terças), usualmente feitas em aço, seja sob a forma espacial, constituída por elementos tubulares, em aço ou alumínio (figura 12).

Visando aumentar a racionalização e diminuir os custos das estruturas em aço para telhados, o grupo Gerdau lançou em 1996 um sistema de cobertura utilizando vigas de aço, denominado sistema 0XOWLYLJD. Esse sistema foi projetado para atender o mercado de casas populares e pode ser adaptado para a construção de ginásios, escolas, VKRSSLQJV, estacionamentos e prédios comerciais, além de fechamentos laterais (figura 13).

)LJXUD - Galpão industrial em cobertura com sistema 0XOWLYLJD ( w.gerdau.com.br).

O sistema construtivo 0XOWLYLJD está apto para utilizar qualquer tipo de telha, principalmente as de cerâmica, e pode ser utilizado em coberturas com inclinações de até 40%. A possibilidade de utilização de várias inclinações abre amplas opções arquitetônicas. Segundo o sítio ,QWHUQHW do fabricante (w.gerdau.com.br) devido à grande resistência dos elementos estruturais da 0XOWLYLJD, o sistema vence vãos livres superiores aos sistemas convencionais, permitindo a construção de estruturas leves, o que implica numa considerável economia em fundações, colunas e demais elementos de sustentação das coberturas.

A 0XOWLYLJD é constituída por módulos produzidos de forma seriada, sob medida para cada projeto. Ela é feita em aço de baixo teor de carbono, de acordo com a norma ASTM A36.

A captação das águas pluviais constitui um projeto de drenagem à parte. Todavia, as superfícies devem ter declividades compatíveis com aspectos tais como a rugosidade das telhas ou o seu formato (calha) para garantir a correta drenagem e evitar sobrecargas de lâminas d’água.

Além disso, como regra, quanto maior o número de juntas, maior a declividade necessária. O comprimento da rampa é também função da intensidade de precipitação pluviométrica (MENEGUETI, 1994).

São consideradas funções das instalações de águas pluviais a captação, condução, detenção e destinação ao local adequado de armazenamento ou distribuição à rede pública.

De acordo com DEL CONTI (1993), as funções de captação e condução de águas pluviais de coberturas, pisos, marquises, rampas e outros devem ser realizadas o mais rapidamente possível a fim de que não haja água empoçada além do tempo de duração da chuva.

Ainda segundo esta autora, o acúmulo de água é altamente prejudicial à impermeabilização, quer seja pela pressão hidrostática, ou pelos fenômenos de secagem e molhagem, alta deposição de sujeira, ou pelo diferencial de temperatura entre áreas secas e molhadas, contribuindo para a redução da durabilidade da cobertura.

As coberturas podem ser drenadas por:

- saídas que se localizam externamente à cobertura (caixa de drenagem ligada diretamente a um condutor e condutores verticais);

- canais ou saídas internas à cobertura (calha de beiral, extravasor, rufos).

Geralmente, para a construção residencial, os principais componentes dos sistemas de captação de água pluviais são: rufos, calhas e condutores verticais.

Os rufos podem ser metálicos ou de PVC, devem garantir a estanqueidade à água e serem executados nos encontros dos telhados com as paredes. A NBR 8039 (ABNT, 1983) recomenda alguns detalhes construtivos para os rufos.

As calhas conduzem a água até o seu destino, ou diretamente à caixa de drenagem, ou até os condutores verticais. Geralmente, no mercado se encontram calhas e condutores verticais metálicos (aço com tratamento ideal, para evitar corrosão) ou em PVC.

Nas figuras 14 e 15 são apresentados cortes de telhados, ilustrando detalhes dos sistemas captação de águas pluviais.

21 )LJXUD : Esquema de captação de águas pluviais (transparência de aula).

)LJXUD : Esquema captação de águas pluviais (transparência de aula).

A colocação das telhas deve ser feita por fiadas, iniciando-se pelo beiral e prosseguindose em direção à cumeeira.

A seqüência de colocação das telhas de encaixe em cada fiada varia de acordo com o seu desenho. Assim sendo, em cada fiada as telhas podem ser colocadas da direita para a esquerda ou vice-versa. As telhas da fiada seguinte são colocadas de forma a encaixarem-se perfeitamente naquelas da fiada inferior.

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