Método para Desenvolvimento de Fornecedores de Lubrificant2026-040110-160745

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(Parte 2 de 4)

2.2.6 Ponto de Fluidez ou Gota

É a temperatura mínima em que ocorre o escoamento do óleo por gravidade.

O Ponto de Fluidez é uma informação necessária para lubrificantes que operam a baixa temperatura de processo ou do ambiente.

2.2.7 Resíduos de Carbono ou Carvão

Resíduos sólidos que permanecem após a destilação destrutiva do lubrificante. Aplica-se neste caso o Método Conradson (norma ASTM D189-52) que submete a evaporação de 10 gramas de uma amostra de lubrificante, impedindo-o da combustão, se houver contacto com o ar externo. Mais importante que a quantidade de resíduo deixada pelo lubrificante, é a natureza do mesmo. Resíduos duros cristalinos e aderentes são prejudiciais porque riscam as superfícies em movimento, elevam o atrito e resultam em desgaste.

2.2.8 Lubricidade

É a propriedade final do lubrificante, exigida pelos ensaios práticos e empíricos, cujo resultado positivo é a não quebra do filme lubrificante e redução do atrito, mediante aos esforços e condições próximas as reais de processo e do equipamento. Não existe especificação ou parâmetros de comparação padronizados para tal avaliação. No caso da estampagem, pode-se adotar o Ensaio de Embutimento Erichsen adaptado (FREIRE, 2003), o Ensaio Fourball de acordo com a norma DIN 51 350, a norma VDA 230-201 ou método de ensaio próprio.

2.3 ADITIVOS

Os aditivos são compostos químicos que adicionados aos óleos básicos, reforçam algumas de suas propriedades, cedem-lhe novas características ou eliminam propriedades indesejáveis. Os aditivos são classificados em dois grupos:

• Primeiro, aqueles que modificam certas propriedades físicas, tais como ponto de fluidez, espuma e índice de viscosidade;

• Segundo, aqueles cujo efeito final é de natureza química, tais como inibidores de oxidação, detergentes, agentes de extrema-pressão (EP) e outros, Carreteiro (1998).

Os aditivos são adicionados aos óleos em quantidades determinadas em laboratórios, conferindo a(s) propriedade(s) exigida(s). Para cada propriedade há a correta combinação de substâncias químicas, que não necessitamos informar.

2.3.1 Grupos de Aditivos

Os aditivos são compostos químicos formulados para o determinado lubrificante, respeitando as características exigidas do processo de estampagem e havendo a possibilidade de até melhorá-las, quando possível. Eles se dividem em grupo de acordo com a necessidade do processo e do produto final.

• Dispersantes ou detergentes: para os motores de combustão interna estes aditivos mantêm o carbono, proveniente da queima de combustível, em suspensão e finamento disperso, evitando assim, danos nas partes móveis do motor. Lubrificantes com alto poder detergente ficam escuros, logo após a utilização num motor. Não só é normal como bom sinal.

• Antioxidantes: São retardantes da oxidação. Um óleo exposto ao ar, tende a oxidar devido a presença do oxigênio;

• Antiferrugem: São agentes químicos que impedem a ação da umidade e do oxigênio sobre metais, evitando a formação da ferrugem;

• Antiespumantes: Facilitam a aglutinação de bolhas de ar encontradas na massa do óleo, formando assim bolhas maiores que se deslocam à superfície onde, em contato com o ar ambiente, se desfazem;

• Extrema-Pressão (EP): São compostos contendo elementos químicos que reagem com a superfície metálica, agindo como eficientes lubrificantes sólidos, evitando a ação destrutiva “metal contra metal”. Estes aditivos só reagem, quando há condições de extrema pressão. Com a ruptura da película lubrificante, há uma elevação local de temperatura que quimicamente, libera os compostos que agem como lubrificantes sólidos;

• Antidesgaste: São redutores de desgaste utilizados nos casos de lubrificação do tipo limítrofe, onde há cargas e rotações elevadas;

• Inibidores de Corrosão: Evitam a corrosão de superfícies metálicas, não somente sob a ação externa (ar) como das ações internas, como a própria oxidação do óleo e ácidos formados na combustão;

• Aumentadores / Melhoradores do índice de Viscosidade: São redutores das variações da viscosidade em função das variações de temperatura;

• Abaixadores do Ponto de Fluidez / Gota: Modificam a estrutura dos cristais de parafina que se forma em conseqüência da redução de temperatura. Aplicados em máquinas frigoríficas e na aviação;

• Emulsionante: Facilitam a miscibilidade entre água e o óleo em proporções conhecidas para que o produto final obtenha características de refrigeração e lubrificação ao mesmo tempo;

• Adesividade: Aplicados em máquinas e equipamentos cujo lubrificante não pode ser eliminado pela força centrífuga, quando há altas rotações ou em aplicações que os lubrificantes não devem vazar.

2.4 O LUBRIFICANTE E O MEIO AMBIENTE

O mercado nacional de lubrificantes voltados à indústria vive o início de um processo de transformação, seguindo os passos de tendências verificadas nos países do primeiro mundo há alguns anos. Ainda que de forma incipiente, os lubrificantes utilizados nos mais variados equipamentos instalados nas fábricas brasileiras estão ganhando importância estratégica, deixando de serem vistos como produtos secundários ou matéria-prima secundária.

Interesses econômicos entre fornecedores e clientes ajudam a explicar a valorização. Os fabricantes de lubrificantes, interessados em vender formulações com o maior valor agregado e obrigados a oferecer produtos que atendam às necessidades das máquinas modernas, que por serem compactas e produtivas trabalham em condições severas de desgaste, investem pesadas somas para desenvolver produtos inovadores. Os responsáveis pelas indústrias aproveitam a multiplicação de opções na hora da compra e passam a prestar atenção nas vantagens operacionais e na relação custo-benefício compensadora dos produtos mais sofisticados (SANT’ANNA, 2009).

Não deve ser esquecido outro quesito importante neste meio de constante evolução tecnológica. Trata-se da crescente cobrança da sociedade por práticas industriais que preservem o meio ambiente. Os lubrificantes estão sendo desenvolvidos para que tenham sua vida útil ampliada, o que reduz o seu descarte, mas neste momento, elementos químicos da formulação como o boro, cloro, metais pesados (chumbo, mercúrio, prata), os fenóis, cresóis, aminas e biocidas estão sendo deixados de lado devido aos cuidados com o meio ambiente.

O cuidado com o tratamento de uso, manuseio e descarte do lubrificante para estampagem de peças automobilística é fundamentada pela norma ISO-14000. Esta norma, por sua vez, é pré-requisito de uma norma mais abrangente que restringe tanto as características ambientais, de formulação do lubrificante quanto do processo de estampagem. Esta norma é a VDA 232-101, que requer ao fornecedor a descrição detalhada de todos os elementos ou substâncias dos produtos envolvidos na composição. A norma VDA 232, emitida pela Associação Alemã dos Fabricantes de Veículos Automotores possui uma “Lista de substâncias sujeitas à obrigatoriedade de declaração”. Ela serve como base para emissão de documentação de exportação ou importação de produtos em países que controlam a existência de elementos ou substâncias nocivas humanas. Assim, mesmo para os fornecedores de lubrificantes, que parecem em primeira instância inofensivos, para a Indústria Alemã e todas àquelas que fornecem para empresas certificadas pela VDA, esta Lista faz parte do protocolo de fornecimento. Como as indústrias automotivas prestam e fornecem seus serviços às montadoras que certamente são certificadas por Órgãos como a VDA, faz-se necessário que os lubrificantes sejam, como recomendação, elaborados, desenvolvidos e inspecionados mediante certificação por tal norma.

Para efeito, todo fornecedor que se pretenda homologar, em se tratando da indústria automotiva, deve ter seu produto submetido a ensaios Toxicológicos e de Atmosfera Industrial, que determinam os riscos e impactos ambientais. Estes ensaios, na impossibilidade de praticá-los em laboratórios próprios devem ser submetidos a Institutos de destaque e de confiabilidade exigida.

3 METODOLOGIA PARA ESCOLHA DO(S) FORNECEDOR(ES)

Construir relacionamentos de parceria entre clientes e fornecedores é um processo que engloba, entre outras atividades:

• A seleção do parceiro-fornecedor; • A motivação das partes para a parceria;

• A manutenção gerencial do relacionamento ao longo do tempo.

Selecionar o fornecedor correto significa reduzir os riscos e os custos de negociação, aumentando a competitividade da empresa. A escolha adequada de um fornecedor pode produzir resultados positivos. Ao contrário, uma escolha ruim trará problemas para todas as áreas envolvidas, que impactará na lucratividade da empresa. A visão moderna deixa de lado o oportunismo na relação com os fornecedores e passa a enxergá-los como recursos necessários às operações e crescimento da empresa, buscando maior aproximação entre eles.

Robison Drezzett (2009), explicou que a maior parte do dinheiro sai por quatro torneiras: folha de pagamento, impostos, remuneração dos acionistas e fornecedores. Cortes na folha de pagamento representam redução imediata de custos, em última medida para conter gastos considerados emergenciais. Impostos e remuneração de acionistas são tópicos delicados, pois envolvem atiçar o planejamento jurídico e mexer com o bolso dos donos da companhia.

O segredo está na contratação de serviços. Se houver mudança da forma de se relacionar com o mercado fornecedor, se consegue muitas economias importantes. Segundo especialistas, o corte de custos chega em média a 25%, ou seja, um quarto dos custos pode ser economizado só na renegociação de contratos e afinidade com o fornecedor.

Quanto aos produtos e serviços que devem ser contemplados na investigação da escolha do fornecedor adequado, vale ressaltar que o levantamento estruturado das informações e a análise do mercado fornecedor é um processo que demanda tempo e custo. Logo, não é recomendável que seja utilizado para todo e qualquer produto ou serviço adquirido.

Assim, sugere-se o esforço de inteligência sobre o mercado fornecedor, abordando os fatores da Matriz de Categorias ou Famílias (Quadro 1), nos seguintes passos:

• Começa-se com os itens estratégicos, depois com os gargalos e, com os itens de alavancagem;

• Não se justifica o emprego deste levantamento de dados para os itens considerados como não-críticos, devido a sua pouca representatividade e baixo risco de fornecimento;

• Para estes últimos, a pesquisa simplificada, utilizando as fontes de informações tradicionais atende aos objetivos de seleção dos novos fornecedores.

Quadro 01 – Matriz de Categorias ou Famílias Fonte: Braga, Ataíde (2007)

Esta matriz é uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão pelo comprador.

Conhecendo a necessidade da seleção de um novo fornecedor ou fornecedores de acordo com a Matriz de Categorias ou Famílias (Quadro 1), poderemos dentro do rol de fornecedores interessados e pré-selecionados iniciar a seleção técnica do produto desejado. Esta seleção entende-se por fases e deve-se, de antemão, informar ao fornecedor as características típicas e as criticidades que o produto deverá ser submetido no processo como um todo. Os lubrificantes de processo de estampagem são produtos auxiliares, usados na produção e obtenção do produto final da empresa. Seu valor anual comprado é baixo, quando comparado aos insumos principais. No caso da Indústria Automobilística, o aço, os plásticos e outros insumos detém maiores percentuais dos valores de aquisição. Logo, consideramos que os lubrificantes, independente da quantidade de equipamentos e volume consumido devem ser considerados como Produtos Gargalos, pois apesar do baixo valor anual de compra, na sua ausência, pode afetar a operação da empresa.

Figura 01 – Metodologia para Seleção Técnica dos Fornecedores Fonte : Autor (2009)

A Fase 1 é a etapa em que haverá o maior número de fornecedores e uma aproximação maior. Nesta fase os fornecedores a serem desenvolvidos trazem as amostras de lubrificante de acordo com as especificações previamente informadas ou de acordo com o desenvolvimento próprio daquele fornecedor adaptado às condições de uso do processo. Estas amostras deverão estar acompanhadas de um Boletim Técnico. Este Boletim Técnico deverá estar de acordo com a discussão inicial do primeiro encontro com o fornecedor. Ele deve conter as respectivas características, Normas de Ensaios e de Segurança.

Esta fase é a de coleta das amostras desenvolvidas ou dos produtos similares produzidos em linha, compatibilizados com o produto requerido. Haverá casos em que o fornecedor possuirá know-how próprio, tal que descaracterize a sua amostra do convencional exigido. Esta é uma outra forma de desenvolvimento de produto/fornecedor. Desde que o desenvolvimento não afete o prazo a ser cumprido e o risco seja assumido, este é o tipo de desenvolvimento que para ambos, cliente/fornecedor, crescem tecnicamente. Nesta fase estaremos exercendo a primeira seleção de fornecedores. Haverá fornecedores que, por falta de conhecimento do processo de estampagem e suas prováveis necessidades de correção da formulação decidam por não participar. Outros, com a mesma dificuldade, até tentam desenvolver o lubrificante exigido, mas atrasam na entrega das amostras. Não podemos considerar que aqueles fornecedores que entregam suas amostras em tempo hábil sejam os que possuam conhecimento deste mercado. Faz-se necessário a evolução das fases para que isto seja comprovado de fato. A quantidade de amostras e o seu volume depende do envolvimento das demais áreas. Em se tratando de um lubrificante de processo de estampagem automotiva devemos ter certos cuidados em envolver todas as áreas do processo fabril. É necessário, pois a garantia do sucesso deste desenvolvimento somente será real se, e somente se, todos os envolvidos tiverem sua cooperação e participação no processo de desenvolvimento. Há particularidades intrínsecas de cada processo. As influências de parâmetros operacionais, ambientais e materiais devem ser observados para que não haja precipitação de resultados. Normas devem ser rigorosamente cumpridas, evitando qualquer dúvida que exista ou persista.

Figura 02 – Exemplo de Prensa Automatizada, Ferramenta de Estampar e Produto

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