Método para Desenvolvimento de Fornecedores de Lubrificant2026-040110-160745

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Figura 08 – Ensaio Erichsen adaptado e produto obtido do ensaio. Fonte : Freire (2003)

O procedimento para a realização da Fase 5 somente ocorrerá, necessariamente, quando os fornecedores selecionados forem aprovados nas fases anteriores. Ou seja, na Fase 5 o fornecedor terá seu produto testado na prática, passando por um período determinado pelos processos produtivos e sujeito as variáveis comuns e não-comuns. Esta fase é a finalização do desenvolvimento técnico do fornecedor e a apresentação da sua real competência técnica no desenvolvimento. A responsabilidade de aprovação técnica ficará sob responsabilidade das áreas conjuntas do desenvolvimento (p.ex. Qualidade da Estamparia, Qualidade da Solda e Qualidade da Pintura, Engenharia de Processos da Estamparia , de Solda / Armação e Pintura, Manufatura Estamparia).

O grupo de Desenvolvimento de Fornecedores é formado basicamente por

Compras, Engenharia, Qualidade e Logística para suprir eventuais necessidades (substituição de fornecedor ou desenvolvimento de novo item exclusivo). É onde a área de Compras atua fortemente, trazendo as opções a serem selecionadas e desenvolvidas” (Junior et al, 2007). Nesta fase, o grupo de desenvolvimento em conjunto com o fornecedor estabelece um cronograma de teste de produção. A quantidade de lubrificante a ser fornecido para o teste, as peças críticas a serem estampadas, a negociação de um eventual custo de rejeição (em caso de problemas na produção, p.ex., refugo ou paralisação do processo), a área de inspeção final do produto após a Pintura, o método de inspeção amostral ou não, são elementos de negociação prévia a serem discutidos e protocolados, antes do teste de produção. Testes de produção devem ser acompanhados pelo grupo de desenvolvimento, pelas áreas competentes e pelo representante técnico do fornecedor. Quaisquer dúvidas técnicas deverão ser discutidas pelo grupo, não cabendo divergências posteriores por desconhecimento da causa-efeito geradora.

A Fase 6 é de responsabilidade única do comprador. É a finalização do desenvolvimento de um novo fornecedor. Por isto há a necessidade no desenvolvimento técnico de um lubrificante de estampagem, a elaboração de um Time de Desenvolvimento multidisciplinar. Nesta fase final, o comprador assume papel importante para definição do(s) fornecedor(es) do novo lubrificante de estampagem automotiva, aplicado àquele processo específico. De acordo com Villela (2003), os critérios de seleção e avaliação de fornecedores são agrupados em 5 categorias:

• Categoria 1: Estrutura e aspectos tecnológicos; • Categoria 2: Comprometimento e compatibilidade estratégica;

• Categoria 3: Aspectos de gestão;

• Categoria 4: Competências;

• Categoria 5: Informações adicionais.

As categorias devem estar em acordo com a Política e Estratégia da empresa compradora. Em geral, podemos relacionar os critérios acima descritos com a Matriz de Categorias e Famílias (Quadro 01). Sabendo que o fornecedor a ser desenvolvido se encontra na categoria “Gargalo”, a seleção deste estará de acordo com a primeira categoria, Estrutura e aspectos tecnológicos (Quadro 02). Como o produto a ser desenvolvido tem características técnicas definidas e há poucos fornecedores locais que garantam esta especificação, de forma a não comprometer o produto final obtido, os critérios desta categoria cruzam informações que estabelecem, ao menos de forma inicial, parâmetros de seleção. O comprador, em sua análise final, irá comparar o(s) fornecedor(es) com os critérios estabelecidos dentro deste grupo. Estes critérios descritos no Quadro 02, servem de base para a continuidade do trabalho com o fornecedor. A próxima etapa, após a seleção e o desenvolvimento do fornecedor de lubrificante de estampagem automotiva é a Avaliação do Fornecedor, não tratado neste trabalho. Porém, a Avaliação do fornecedor é a fase que demonstrará a necessidade de melhorias no desempenho e a consolidação do relacionamento cliente-fornecedor.

Quadro 02 – Grupo I – Categoria de Seleção – Estrutura e aspectos tecnológicos Fonte: Villela (2003)

A maioria dos funcionários de compras e suprimentos encontra pouca dificuldade para identificar as características exigidas de um fornecedor, porque veem a identificação e a seleção de fontes apropriadas como uma de suas principais tarefas. Entretanto, há de modo geral, um menor nível de preocupação associado aos atributos de um bom cliente ou comprador. A visão tradicional é de que o comprador está gastando recursos financeiros e os fornecedores devem ser encorajados a competir vigorosamente para serem aceitos.

Essa visão não é amplamente aceita, e há crença crescente que os compradores e fornecedores estão procurando um relacionamento benéfico a longo prazo, que possibilite vantagens para ambas as partes no processo comercial. Termos como sinergia ou simbiose são usados para descrever o relacionamento comprador-fornecedor, indicando que um arranjo ideal leva a uma situação “2+2=5”, em que surgem benefícios adicionais para ambos. Todavia, se tal relacionamento ocorrer, uma das primeiras ações que um comprador precisa fazer é descobrir o quê o(s) fornecedor(es) está(ao) procurando e tentar atender a essas exigências.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A demanda da produção de veículos automotivos está elevada. Vemos no cenário nacional a participação de mercado de novas montadoras, atraídas por incentivos econômico-fiscais e, porque não, pela mão-de-obra abundante. Não obstante, o crescimento de fornecedores automotivos se eleva. Proporcionalmente, se eleva, também, o consumo de matéria-prima, o aço automobilístico. Projetado para as exigências do consumidor, o veículo ainda detém 5% da sua massa, em aço. Assim, as estamparias automotivas nacionais prospectam alcançar níveis de excelência. Desta forma, a Indústria de lubrificantes nacionais elevam seu potencial de produção e atingem níveis maiores de qualidade, comparando-se aos lubrificantes importados. Sabendo que as montadoras que se instalam no Brasil têm capital estrangeiro e desconhecem o potencial local, trazem consigo a tecnologia e o know-how diversificado do seu país-origem. É possível entender esta prática, pois a tecnologia para fabricação de veículos advém do exterior e consigo o portfólio de sub-produtos e necessidades. É menos incômodo, pagar mais por um sub-produto como, p.ex., um óleo lubrificante de estampagem importado, que a tentativa de desenvolver fornecedor local no momento da instalação ou SOP (Start of the Production). É eliminar o risco da incerteza.

Assim, observa-se que a longo prazo, na consolidação e solidificação da tecnologia de produção, o desenvolvimento de novos fornecedores de lubrificante para estampagem automotiva se faz necessário. Os custos de negociação e importação devem ser reduzidos. A tecnologia está sedimentada. Fornecedores de lubrificantes estão adaptados a desenvolver produtos para aplicação exclusiva as mais diversas tecnologias de estampagem e das diversas classificações de aços automobilísticos empregados. Faz-se necessário que o desenvolvimento de um lubrificante para estampagem automotiva, tenha um time de apoio. Departamentos como Compras, Engenharia, Qualidade e Logística devem trabalhar ativamente para obtenção de resultados satisfatórios ao longo deste.

A Metodologia para desenvolvimento de fornecedor de lubrificante para indústria automotiva deve obedecer 6 fases de implantação. A eliminação de uma das fases descritas trará adversidades ao desenvolvimento, haja vista que as fases são dependentes para o bom desempenho do produto e por conseqüência do fornecedor. Cabe informar que a Metodologia para o desenvolvimento de fornecedores de lubrificante para estampagem automotiva poderá ser utilizada para outros processos de conformação como, trefilação, extrusão ou laminação. Importante salientar que cada processo tem suas características inerentes.

Recomendamos a elaboração de novos artigos fundamentados por este.

Artigos como estudos técnicos comparativos sobre os Métodos de Determinação da Lubricidade, Determinação de coeficientes de atrito entre um determinado lubrificante de estampagem e várias classes de aço automobilístico atuais, Desempenho de fornecedores de lubrificantes com diferente aditivação EP (Extrema-Pressão), Avaliação de Fornecedores desenvolvidos para lubrificação de estampagem automotiva e Critérios de Avaliação de Fornecedores desenvolvidos e seu desempenho pós-desenvolvimento serão úteis para o monitoramento e a relação de parceria que se deseja. Estes temas darão continuidade a este trabalho.

5 REFERÊNCIAS

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