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S. Interlandi A. Sato- Tsuji gimento da telerradiografia, com "M(I!.bent' e Hofrath-, em 1931, deu ensejo à pEll5i5ÍLbi· lidade de medirem-se com relativa .-ri;ã-o. as diversas grandezas cefalométricas se ortodôntico. Um dos principais

~JleCtos_ pesquisados desde então, é a relação

"1I!!1CH:lOSterior entre maxila e mandíbula. cnntribuição de Downs" (1948), especifi- limites anteriores da maxila e man-

A B), e de Riedel' (1948), empregan- - erença entre os ângulos SNA e SNB, _q~-ar.llIl um processo de análise que teve eral, contribuindo para a obtenção ores resultados nas planificações de tr.iIlliillDe!!lto. O ângulo ANB mostra as varia- ele relacionamento, tendo como re-

'm!e.::ia. o ponto násio.o, [acobson", empregando o mesmo e [enkins" (1955) e Harvold? (1963), tr.ir p~~r sobre o plano oclusal, os pontos A • cia linear entre aquelas duas pro- :\0-0), indicou nova visualização da ldillÇão entre maxila e mandíbula. Naquele alho, Jacobson mostrou exaustiva- falhas inerentes à interpretação do,,~IO_~~.Segundo a variação de posição

publicadaem:Ortodontia, 24:(1) 68-

do násio, os valores do ângulo perdem o significado cefalométrico de análise: se a posição do násio modifica-se, os valores de ANB variam significantemente, muito embora a relação espacial entre A e B se mantenham. Da mesma forma, as variações verticais do ponto násio (Binder'', 1979; Bishara? e colab., 1983 e Chang'", 1987), e os movimentos de rotação da face inferior, alteram nitidamente, os valores de ANB.

Quanto ao emprego da avaliação "Wits",

Thayer" (1990) pesquisou os resultados de- correntes dos diversos traçados do plano oclusal. Concluiu-se que, embora os planos oclusais "de intercuspidação" e "funcional" possam ser empregados, um só plano deve ser escolhido para aquela análise, uma vez que eles se comportam cefalometricamente, de forma diversa.

Nanda" (1971), em estudo longitudinal, não encontrou relação nítida entre os ângulos SNA e SNB, cujas alterações podem ser independentes e de difícil previsão.

Hussels e Nanda" (1984), empregando uma análise geométrica, calcularam os valo- res do ângulo ANB sendo 'Wits" igual a zero. Encontraram que os principais fatores que influenciam ANB são: (1) ângulo S - plano oclusal; (2) distância linear de a B; e (3) distância linear de A a B. Aqueles autores concluíram que os fatores mencionados têm um efeito geométrico significante e compro- varam que, na relação de Classe I esqueletal (Wits=O), o ângulo ANB pode variar entre os diversos tipos de faces.

Sherman'" e colab. (1988)ponderaram que o emprego da avaliação 'Wits" devia ser cuidadoso, uma vez que ela nem sempre, expressa alterações entre A e B no plano sagital. Poderá haver alterações na angulação do plano oclusal, que virão interferir com a relação ântero-posterior entre maxila e mandíbula, bem como no crescimento diferencial do pogônio em relação ao ponto B, especialmente no sexo masculino.

ções significantes do ângulo ANB, com a idade, mas, dizem os autores, não há alterações relacionadas com os valores de "Wits". Concluíram que o ortodontista estará melhor in- formado, se adotar ambos os valores de "Wits" e ANB, nas análises cefalométricas, numa tentativa de compensar as mútuas deficiências daquelas medições.

Em nosso entender, diante das inúmeras restrições às formas adota das de se medirem as relações ântero-posteriores de maxila e man-

díbula, são válidas as seguintes observações: a)··Maxila e mandíbula constituem o "conti- nente" onde se localiza clinicamente, a área ortodôntica.

b) As arcadas dentárias constituem-se no "conteúdo" daquela área, com variações cefalométricas de certa independência do "continente", no que diz respeito a crescimento e, principalmente, aos movimentos ortodônticos. c) A relação entre maxila e mandíbula, quando estudada com interferência de parâmetros faciais estranhos às mesmas, e portanto, alheios ao "continente", sofrem a influência de efeitos colaterais indesejáveis: o ponto násio, por exemplo, empresta sérias restrições ao valor angular de ANB; o plano oclusal, por sua vez, enfraquece a avaliação "Wits", como foi mencionado anteriormente. d) Uma avaliação da relação ântero-posterior entre maxila e mandíbula, sem a interferência de parâmetros extrínsecos àqueles ossos, não deverá apresentar as restrições mencionadas, fornecendo, então; resulta- dos de maior crédito.

PROPOSiÇÃO

As considerações acima nos levam a propor uma análise que relacione maxila e mandíbula, sem a interferência negativa de qualquer parâmetro cefalométrico estranho àquelas duas bases apicais. Empregamos para isto, a bissetriz do ângulo formado entre um plano expressivo da maxila, e um outro, da mandíbula. Nessa bissetriz, projetam-se os pontos A e B.

Plano da maxila o plano "espinha nasal posterior" - "espinha nasal anterior" poderia ser lembrado como expressivo do corpo maxilar. No entanto, as nítidas variações morfológicas da "espinha nasal anterior", como demonstrou [acobson" (1976), implica em variações do plano ENP-ENA que o invalidam como referência maxilar adequada ao presente trabalho. Em substituição à ENA, foi adotado o ponto p'- intersecção da linha NA com a linha "p" (assoalho das fossas nasais, entre o forame incisi- vo e a espinha nasal anterior) - proposto por Interlandi" (1963). Aquele ponto apresenta-se solidário em relação à parte anterior da maxila, e presta-se plenamente ao traçado alternativo do plano palatal (ENP-P'), além de não exibir as variações verticais observadas na ENA, como ainda demonstrou Interlandi" (1971), para o traçado da linha "I".

Plano da mandíbula o plano mandibular, em pesquisa de Jaco-bson" (1976), quando comparado com os planos oclusal e palatal, mostra o menor coeficiente de variação.

Para o traçado do plano mandibular nesta proposição, foram empregados os pontos gônio e mental (Go-M). O ponto gônio é o mais posterior e inferior, no ângulo da mandíbula. Para identificá-lo, coloca-se uma régua coinci- dente com a direção geral da borda posterior do ramo mandibular, e demarca-se o ponto mais inferior onde o traçado se afasta em direção à borda inferior do corpo mandibular. Em seguida, coloca-se a régua coincidente com as saliências da borda inferior do corpo mandibular e demarca-se o ponto mais posterior, onde o traçado se afasta em direção à borda posterior do ramo.

Equidistante dos dois pontos assim obtidos, demarcou-se o gônio, ponto intermediário na junção das duas bordas mencionadas.

O mental (M)é o ponto mais inferiordo mento, na junção das corticaisanterior e posterior.

Plano de projeção

O plano empregado para a "Projeção

USP", isto é, a projeção ortogonal dos pontos A e B, é a bissetriz do ângulo formado pelos planos maxilar (ENP-P') e mandibular (Go-

M), aqui descritos.

Para esta investigação, foram empregadas .tO telerradiografias, todas de indivíduos com oclusão "normal", brasileiros, com idades en- tre 12 e 14 anos e fração (20homens e 20 mulheres), constituindo o Grupo A* dentre um total de quatro grupos de amostras.

O critériode escolha das 40 telerradiografias pertencentes a uma amostra maior (todas de oclusão "normal"), foi o do exame visual, pelos autores, dos traçados que mais se identificassem subjetivamente, com a imagem de uma facenão afastada dos padrões de "normalidade".

Em todas as radiografias, foram traçados em papel "ultraphan", os cefalogramas correspondentes (Fig. 14.1)onde se vêem o perfil tegumentar, os planos maxilar, mandibular, e a bissetriz destes últimos com as projeções ortogonais dos pontos A e B (A'-B'). Foram ainda, traçadas as imagens dós dentes incisivos (mais anteriores), e das coroas dos primeiros molares, com os respectivos ápices das raízes mesiais, afim de serem ampliadas as informações cefalométricas.

Para maior facilidade do traçado da bissetriz entre os planos maxilar e mandibular, transportou-se o plano mandibular (mâ), para cima, de forma a ficar na proximidade do limite cervical

" Amostra concedida pelo Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Faculdade de Odontologiada USP-Bauru.

da coroa da imagem do incisivoinferior,cortando posteriormente, o plano maxilar.

O ponto A foi demarcado na maior profundidade do limite anterior da maxila. Para tanto, tomou-se como referência uma linha entre o ápice da espinha nasal anterior, e o ponto mais saliente da borda alveolar, na região cervical do incisivo superior.

O ponto B, igualmente, localizou-se na maior profundidade supramental, tendo-se como referência uma linha tangente à borda alveolar, na região cervical do incisivo inferior, à proeminência do mento ósseo.

Com auxílio de esquadro, foram projetados os pontos A e B, ortogonais à bissetriz, obtendo-se A' e B', respectivamente.

A distância linear entre as duas projeções, teve sinal negativo sempre que B' estivesse à frente de A', e positivo, quando atrás (Fig. 14.2a, 14.2be 14.2c).

Os grupos B, C e D são constituídos de pacientes de classe I, 11e I de Angle, perten- centes ao arquivo do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

Após serem determinadas as médias para homens e mulheres (Grupo A), foi aplicado o teste T, concluindo-se então, não haver diferença estatisticamente significante entre elas. Esta última circunstância permitiu a determinação de uma média única para ambos os sexos, de -4,3 m com um S.D. de ± 2,3.

Para uma fácil manipulação de interesse clínico, o valor de -4,5 m indicará uma boa interrelação maxila-mandíbula, segundo a Projeção USP. Os valores aritméticos, aquém de -3 m indicam tendência esquelética de classe Il, e maiores que -5,5mm, tendência de classe I (Sato-Tsuji." 1993). Após o estudo de uma amostra de 20 indi- as médias e desvios padrões para cada grupo foram as seguintes:

Foram determinadas também, no Grupo

Fig. 14-2a - ProjUSP = -3,5 m (boa relação maxila e mandíbula)

Fig 14-2b - ProjUSP = +1,5 m (tendência esquelética de Classe lI) Fig 14-2b - ProjUSP = +1,5 m (tendência esquelética de Classe lI)

" ..17_l",'açOo .,que'ética de O.", Ifi)

A, as médias para homens e mulheres, do ângulo maxilo-mandibular (P'-ENP.MGo), a altura facial ântero-inferior (P'-M) e a distância entre os pontos A e B (AN); foi aplicado o teste T, concluindo-se também, não haver diferença estatisticamente significante naquele grupo, entre ambos os sexos.

Com a finalidade de verificar se aquelas medidas cefalométricas teriam alguma influência sobre os valores da "ProjUSP", foi empregado o teste de correlação de Pearson (Tabela 1).

LAÇÃO DE PEARSON, ENTRE VALORES DO GRUPO" Ali

AB(i) AB(J.)

A proposta da Projeção USP (ProjUSP) é ba- seada na premissa de que, ao empregar-se o ângulo formado entre um plano maxilar e outro mandibular, para a projeção dos pontos A e B, não se introduz nenhum fator extranho à maxi- la e à mandíbula, que possa deturpar a medição daquelas projeções. Portanto, uma vez que a bissetriz entre aqueles planos, será intrínseca às variações cefalométricas dos mesmos, ela será evidentemente solidária às mudanças esqueléti- cas provocadas pelas rotações da maxila e mandíbula, sem interferência de fatores estranhos como "násio" e "plano oclusal".

É de notar-se a proximidade numérica entre os valores dos grupos A (oclusães excelentes) e B (classe I), onde se vê uma diferença de apenas 0,4 m entre as respectivas médias, com desvios-padrões quase idênticos, o que não é estranho à expectativa clínica. A média da "ProjUSP" no grupo O (classe tada dos grupos A e B. Isto explica na distribuição dos valores da amostra daquele grupo, denotando serem classes Ill com acentuadas diferenças negativas entre os pontos A e B.

Mediante o teste de correlação de Pearson, quando analisados o ângulo maxilo-mandibular (P'-ENP.MGo) e a altura facial ântero-infe- rior (P'-M), houve uma correlação positiva significante, entre esses dois fatores; quando analisados ângulo maxilo-mandibular (P'- ENP.MGo) e a distância AB, houve também uma correlação positiva significante, concordando com o trabalho de Roth" (1982); quanto à altura facial ântero-inferior (P'-M) com a distância AB, houve uma correlação positiva altamente significahte.

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