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ENG176

Prof. Dr. Marcelo José Pirani

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CAPTULO 1 – CONFORTO TÉRMICO1
1.1 – Introduçªo1
1.2 –Parâmetros BÆsicos em Condicionamento de Ar2
1.3 – Diagramas de Conforto5
1.3.1 – O Diagrama BioclimÆtico dos Irmªos Olgyay5
1.3.2 – A Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou5
1.3.3 – Norma ASHRAE 56
1.3.4 – As Equaçıes de Conforto de Fanger7
1.3.5 – As Zonas de Conforto de Givoni10
1.4 –Qualidade do Ar Interno1
CAPTULO 2 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS17
2.1 – Introduçªo17
2.2 – Definiçıes17
2.3 – Propriedades Termodinâmicas de uma Substância19
2.4 – Diagramas de MOLLIER para Fluidos Refrigerantes20
2.5 – Primeira Lei da Termodinâmica21
CAPTULO 3 – CICLOS DE REFRIGERAO POR COMPRESSO DE VAPOR24
3.1 – Introduçªo24
3.2 – Ciclo Teórico de Refrigeraçªo por Compressªo de Vapor24
3.3 – Ciclo Real de Compressªo de Vapor26
3.4 – Balanço de Energia para o Ciclo de Refrigeraçªo por Compressªo de Vapor27
3.4.1 – Capacidade frigorífica27
3.4.2 – PotŒncia teórica de compressªo28
3.4.3 – Calor rejeitado no condensador29
3.4.4 – Dispositivo de expansªo30
3.4.5 – Coeficiente de performance do ciclo31
CAPTULO 4 – REFRIGERAO POR ABSORO DE VAPOR38
4.1 – Introduçªo38
4.2 - Ciclo de Absorçªo39
CAPTULO 5 – ESTIMATIVA DE CARGA TÉRMICA SENSVEL E LATENTE41
5.1 – Introduçªo41
5.2 – Características do Recinto41
5.3 – Fatores Que Influenciam na Carga TØrmica do Ambiente42
5.3.1 – Insolaçªo42
5.3.1.1 – Determinaçªo do Fator de Sombreamento -FS45
5.3.2 – Insolaçªo AtravØs de Vidros46

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5.5 – Insolaçªo nas paredes externas52
5.6 – Insolaçªo sobre Telhados53
5.7 – Transmissªo de Calor devido à diferença de Temperatura5
5.7.1 – Vidros Externos5
5.7.2 – Vidros Internos5
5.7.3 – Paredes Internas5
5.7.4 – Tetos e Pisos5
5.8 – Carga de Iluminaçªo56
5.8.1 – Lâmpadas Incandescentes56
5.8.2 – Lâmpadas Fluorescentes56
5.9 – Carga de Ocupantes56
5.10 – Carga de Motores ElØtricos56
5.10.1 – Motor e mÆquina se encontram nos recintos56
5.10.2 – Apenas a mÆquina se encontra no recinto57
5.10.3 – Só o motor se encontra no recinto57
5.1 – Equipamentos Eletrônicos57
5.12 – Zoneamento57
CAPTULO 6 – PSICROMETRIA60
6.1 – Definiçıes Fundamentais60
6.1.1 – Pressªo Parcial (Lei de Dalton)60
6.1.2 – Ar seco60
6.1.3 – Ar Nªo Saturado e Ar Saturado61
6.1.4 Umidade Absoluta (W)61
6.1.5 – Umidade Relativa (φ)62
6.1.6 – Entalpia Específica do Ar Úmido62
6.1.7 – Volume Específico do Ar Úmido64
6.1.8 – Temperatura de Bulbo Seco64
6.1.9 – Saturaçªo AdiabÆtica64
6.1.10 – Temperatura de Bulbo Úmido65
6.1.1 – Temperatura de Orvalho6
6.1.12 – A Carta PsicromØtrica6
6.2 – Transformaçıes PsicromØtricas69
6.2.1 – Mistura AdiabÆtica de Duas Correntes de Ar Úmido69
6.2.2 – Aquecimento Sensível ou Aquecimento Seco69
6.2.3 – Resfriamento Sensível70
6.2.4 – Resfriamento e Desumidificaçªo71
6.2.5 – Resfriamento e Umidificaçªo73
6.2.6 – Aquecimento e Umidificaçªo74
6.2.7 – Aquecimento e Desumidificaçªo74
6.3 – Introduçªo ao CÆlculo PsicromØtrico75
6.3.1 – Definiçıes75
6.3.2 – Carga TØrmica7
6.3.3 – Curva de Carga do Recinto7

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CAPTULO 7 – CARACTERSTICAS DOS SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR84
7.1 – Introduçªo84
7.2 – Instalaçıes Apenas Ar85
7.2.1 – Instalaçıes com um Duto e Variaçªo da Temp. e/ou da Vazªo (Zona Única)85
7.2.1.1 – Instalaçıes com regulagem da serpentina de resfriamento85
7.2.1.2 - Instalaçıes com by-pass da serpentina de resfriamento86
7.2.1.3 – Instalaçıes com regulagem da serpentina de reaquecimento87
7.2.2 – Instalaçıes com um Duto e Variaçªo da Temp. e/ou da Vazªo (Mœltiplas Zonas)8
7.2.2.1 – Instalaçıes com vazªo constante e temperatura variÆvel8
7.2.2.2 – Instalaçıes com temperatura constante e vazªo variÆvel8
7.2.2.3 – Instalaçıes com temperatura e vazªo variÆvel90
7.2.2.4 – Instalaçıes com vazªo variÆvel e recirculaçªo local90
7.2.2.5 Instalaçıes Duplo Duto91
7.3 – Instalaçıes Ar-gua95
7.3.1 – Instalaçıes de Induçªo a Dois Tubos95
7.3.2 – Instalaçıes de Induçªo a TrŒs Tubos100
7.3.3 – Instalaçıes de Induçªo a Quatro Tubos102
7.3.4 - Instalaçıes de Fan-Coils Com Ar PrimÆrio103
7.3.4.1 – Instalaçªo de fan-coil a dois tubos com ar primÆrio104
7.3.4.2 – Instalaçªo de fan-coil a trŒs tubos com ar primÆrio105
7.3.4.3 – Instalaçªo de fan-coil a quatro tubos com ar primÆrio107
7.4 – Instalaçıes Apenas gua109
7.4.1 - Instalaçªo de Fan-Coils a Dois Tubos109
7.4.2 – Instalaçªo de Fan-Coils a TrŒs Tubos1
7.4.3 – Instalaçªo de Fan-Coils a Quatro Tubos112
7.5 – Instalaçıes de Expansªo Direta113
CAPTULO 8 – TERMOACUMULAO118
8.1 – Introduçªo118
8.2 – Escolhendo Armazenagem Total ou Parcial121
CAPTULO 9 – MELHORIAS ENERGÉTICAS POSSVEIS124
9.1 – Estrutura124
9.2 – Sistemas de Condicionamento de Ar126
9.3 – Reduçªo do Consumo de Energia em Instalaçıes de Ar Condicionado130
9.3.1 – Sistemas Com Vazªo de Ar VariÆvel (VAV)130
9.3.2 – Sistemas Com Vazªo Constante (VAC)131
9.3.3 – Sistemas de Induçªo131
9.3.4 – Sistemas Duplo Duto131
9.3.5 – Sistemas de Zona Única132
9.3.6 – Sistemas Com Reaquecimento Terminal132
9.4 – O Ciclo Economizador133
9.4.1 – Ciclo Economizador Controlado por Temperatura de Bulbo Seco133
9.4.2 – Ciclo Economizador Controlado por Entalpia134
9.5 – Resfriamento Evaporativo135

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9.7 – Uso de Motores Eficientes137
9.8 - Uso de Inversores de FreqüŒncia (VSD)138
9.9 – Troca de Centrais de gua Gelada (CAG)140
REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS147
ANEXO I: DIAGRAMAS DE MOLLIER PARA OS REFRIGERANTES R22 E R134A149
ANEXO I: ROTEIRO DE CLCULO DE CARGA TÉRMICA151
ANEXO I: EXEMPLO COMPLETO DE CLCULO DE CARGA TÉRMICA156

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Capítulo 1– Conforto Térmico

1.1 – Introdução

habitaçıes, escolas escritórios etc

Nesta seçªo sªo apresentados quatro índices e critØrios existentes utilizados para anÆlise e avaliaçªo de conforto tØrmico de edifícios. Frota (Frota, Manual de Conforto TØrmico, p.17), estima em trŒs dezenas os índices de conforto existentes e disponíveis para a avaliaçªo de edifícios, como

Nªo se pode afirmar que exista hoje um índice ideal para se estabelecer uma zona de conforto adequada para ambientes climatizados e nªo climatizados no Brasil. Existem alguns índices propostos por pesquisadores do exterior e existem tambØm alguns trabalhos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros que analisaram estes índices, buscando avaliar a sua aplicabilidade no nosso país e buscando identificar zonas de conforto nas quais, brasileiros, possam se sentir confortÆveis.

Estabelecer os limites de uma zona de conforto Ø uma tarefa extremamente difícil porque a sensaçªo de conforto, alØm de estar ligada a uma sØrie de variÆveis, estÆ tambØm ligada à adaptaçªo ao meio em que se vive, dificultando ainda mais a tarefa de encontrar um limite para o qual se possa afirmar, que dentro dele, se tem conforto e fora dele se tem desconforto.

Conforto TØrmico: condiçıes ambientais de temperatura e umidade que proporcionam sensaçªo de bem-estar às pessoas que ali estªo.

Figura 1.1 Fatores que afetam o conforto tØrmico.

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Metabolismo: processo pelo qual o corpo converte a energia dos alimentos em calor e trabalho.

O calor que Ø gerado continuamente pelo corpo deve ser eliminado a fim de que a temperatura interna se mantenha constante. A energia total, M, produzida no interior do corpo Ø dissipada da seguinte maneira:

• Trabalho externo realizado pelos mœsculos, W.

• Dissipaçªo de calor sensível atravØs da porçªo exposta da pele e roupas por convecçªo e radiaçªo, C + R.

• Dissipaçªo de calor latente por transpiraçªo, Ersw, e difusªo de umidade pela pele, Ediff.

• Dissipaçªo de calor sensível por meio da respiraçªo, Cresp.

• Dissipaçªo de calor latente devida à respiraçªo, Eresp.

Em condiçıes de regime permanente,

A taxa de liberaçªo de calor pelo corpo humano pode variar de 120 W para atividade sedentÆria atØ 440 W para atividade intensa (ver Tab. 48, pg. 1-94 Carrier). Este calor representa uma parcela muitas vezes importante da carga tØrmica de resfriamento de um sistema de ar condicionado.

Embora nem todos os fatores que afetam o conforto sejam completamente entendidos, sabe-se que o conforto Ø diretamente afetado pelos seguintes fatores:

• Temperatura • Umidade

• Circulaçªo do ar

• Radiaçªo de superfícies vizinhas

• Odores

• Poeira

• Ruído

1.2 –Parâmetros Básicos em Condicionamento de Ar Um sistema de ar condicionado deve controlar diretamente quatro parâmetros ambientais:

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• Temperatura do ar (bulbo seco) • Temperatura das superfícies circundantes

• Umidade do ar

• Velocidade do ar

A temperatura do ar Ø facilmente medida enquanto que a umidade do ar pode ser descrita, para uma dada pressªo, utilizando-se termos definidos em psicrometria. Estes incluem a temperatura de bulbo œmido e de orvalho, que podem ser medidas diretamente, e a umidade relativa, que deve ser determinada indiretamente a partir das duas temperaturas acima. A velocidade do ar pode ser medida diretamente e, atØ certo ponto, estimada dos conceitos teóricos desenvolvidos em mecânica dos fluidos. A temperatura das superfícies circundantes estÆ diretamente relacionada com as trocas radiantes entre uma pessoa e a sua vizinhança. O parâmetro bÆsico utilizado para descrever as condiçıes de troca radiante em um espaço condicionado Ø a temperatura radiante mØdia, definida a seguir.

Temperatura radiante mØdia: temperatura superficial uniforme de um invólucro negro imaginÆrio com o qual a pessoa trocaria a mesma quantidade de calor por radiaçªo que aquela trocada com o invólucro real.

O instrumento mais comumente utilizado para se medir a temperatura radiante mØdia Ø o termômetro de globo de Vernon. Este consiste de uma esfera oca de 6 de diâmetro, pintada de preto, com um termopar ou termômetro de bulbo no seu centro. De um balanço de energia, pode-se mostrar que a temperatura de equilíbrio do globo (temperatura do globo) estÆ relacionada à temperatura radiante mØdia por

onde: Tmrt ≡ temperatura radiante mØdia, R ou K

Tg ≡ temperatura do globo, R ou K

Ta ≡ temperatura do ar ambiente (bulbo seco), R ou K V ≡ velocidade do ar, ft/min ou m/s

C = 0,103 x 109 (unidades inglesas) e 0,247 x 109 (SI)

Pode-se definir ainda:

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Temperatura operacional: temperatura uniforme de um ambiente imaginÆrio com o qual a pessoa trocaria a mesma quantidade de calor por convecçªo e radiaçªo que aquela trocada com o meio real.

A temperatura operacional Ø a mØdia entre a temperatura radiante mØdia e a temperatura do ar ambiente ponderadas pelos respectivos coeficientes de transferŒncia de calor. Entretanto, para as aplicaçıes prÆticas usuais, a temperatura operacional pode ser tomada simplesmente como:

2 TTTmrtbsop+= (1.3) denominada temperatura de bulbo seco ajustada.

As restriçıes à utilizaçªo da aproximaçªo acima sªo:

• Temperatura radiante mØdia menor que 50 °C • Velocidade do ar menor que 0,4 m/s

Considerada o parâmetro ambiental mais comum e de aplicaçªo mais difundida, a temperatura efetiva, ET*, Ø a temperatura de um ambiente com 50% de umidade relativa que causaria a mesma perda total pela pele que aquela verificada no ambiente real. Portanto, a temperatura efetiva combina a temperatura de bulbo seco e a umidade relativa em um œnico índice de maneira que dois ambientes com a mesma temperatura efetiva causariam a mesma sensaçªo tØrmica embora os valores individuais de temperatura e umidade possam diferir de um caso a outro. Uma vez que a sensaçªo tØrmica de indivíduos depende das vestimentas e do nível de atividade física, define-se uma temperatura efetiva padrão, SET*, para condiçıes internas típicas. Estas sªo:

• Isolamento devido às vestimentas = 0,6 clo* • ˝ndice de permeabilidade à umidade = 0,4

• Nível de atividade metabólica = 1,0 met **

• Velocidade do ar < 0,10 m/s

• Temperatura ambiente = temperatura radiante mØdia

** 1 met = 58,2 W/m2, taxa metabólica de uma pessoa sedentÆria (sentada, em repouso) por unidade de Ærea superficial do corpo.

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1.3 – Diagramas de Conforto

1.3.1 – O Diagrama Bioclimático dos Irmãos Olgyay

Os irmªos Victor e Aladar Olgyay foram, segundo Izard (1983), os primeiros cronologicamente a estudar com profundidade a noçªo de conforto tØrmico e, segundo Scarazzato (1987), os primeiros a tentar estabelecer suas relaçıes com os ambientes interiores das edificaçıes, atravØs do chamado diagrama bioclimÆtico, que representa uma preocupaçªo em estabelecer relaçıes entre conforto fisiológico, clima e arquitetura. As pesquisas dos irmªos Olgyay resultaram em um grÆfico conhecido como Diagrama BioclimÆtico de Olgyay que relaciona a temperatura do ar e a umidade relativa, criando uma zona de conforto entre estes dois parâmetros. A Figura 1.2 indica este diagrama para pessoas que estejam realizando trabalho sedentÆrio e vestindo um clo em climas quentes. um cIo Ø equivalente a uma pessoa exercendo uma atividade sentada em edifício de escritório e trajando paletó de lª, gravata e camisa, para o sexo masculino ou o equivalente para o sexo feminino. Trata-se de um diagrama muito utilizado por alguns pesquisadores e algumas vezes criticado por outros.

Figura 1.2: Diagrama bioclimÆtico dos irmªos Olgyay.

1.3.2 – A Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou

O diagrama da temperatura efetiva -TE, conforme indicado na Figura 1.3, foi construído sobre escalas de temperatura, umidade relativa e velocidade do ar, onde, pelo cruzamento destes trŒs

UFBA Universidade Federal da Bahia DEM Departamento de Engenharia Mecânica dados, obtØm-se a temperatura efetiva corrigida -TEC. Ramón (1980) ressalta que este foi o primeiro índice que considerou a umidade relativa na definiçªo de conforto ambiental, alØm da temperatura do ar. O diagrama proposto contØm uma Ærea com hachuras que indica uma zona de conforto para pessoas em trabalho normal, leve, e vestindo um clo.

Figura 1.3: Diagrama de Temperatura Efetiva de Houghton e Yaglou.

1.3.3 – Norma ASHRAE 5

A norma ASHRAE Standard 5 define as condiçıes para um ambiente termicamente aceitÆvel, mostradas esquematicamente como zonas de conforto na Figura 1.4. Os limites superiores e inferiores foram tomados considerando-se fenômenos associados à umidade do ar, como por exemplo, ressecamento da pele, irritaçªo dos olhos, dificuldades respiratórias, proliferaçªo de microorganismos, etc. As linhas limítrofes oblíquas correspondem a valores determinados de ET*.

As coordenadas das zonas de conforto sªo:

Inverno: Top = 20 a 23,5 °C e 60% de umidade de relativa

Top = 20,5 a 24,5 °C e Td = 2 °C ET* igual a 20 e 23,5 °C

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Verªo: Top = 2,5 a 26 °C e 60% de umidade de relativa

Top = 23,5 a 27 °C e Td = 2 °C ET* igual a 23 e 26 °C

Finalmente, as zonas de conforto da Figura 1.4 podem sofrer alteraçıes quando houver variaçıes da velocidade do ar. Por exemplo, temperaturas mais altas do ar podem ser toleradas quando houver um aumento da velocidade do ar.

Figura 1.4 Faixas aceitÆveis para a temperatura operacional e umidade para pessoas em roupas típicas de verªo e inverno e exercendo atividade sedentÆria (< 1,2 met).

1.3.4 – As Equações de Conforto de Fanger

Os estudos de Fanger na Ærea de conforto iniciaram-se na "KSU - Kansas State University" em 1966 e 1967 e continuaram por um período mais longo na "Technical University of Denmark". O

UFBA Universidade Federal da Bahia DEM Departamento de Engenharia Mecânica objetivo principal de Fanger foi estabelecer uma condiçªo preditiva de conforto que pudesse ser calculada mediante sete parâmetros, sendo quatro do próprio meio ambiente e trŒs dos usuÆrios, a saber:

• Temperatura de bulbo seco; • Umidade relativa;

• Temperatura radiante mØdia;

• Velocidade do ar;

• Taxa metabólica por atividade;

• ResistŒncia tØrmica da roupa;

• EficiŒncia mecânica.

EficiŒncia mecânica no índice de Fanger Ø a componente da energia metabólica que nªo Ø transformada em calor e devolvida ao ambiente, mas Ø transformada em trabalho. Em atividades típicas de escritório esta componente Ø igual a 1 e portanto desconsiderada nas equaçıes. Por meio de equaçıes, Fanger possibilitou o cÆlculo de determinadas variÆveis como, por exemplo, a temperatura de conforto do ar ou a temperatura radiante necessÆria para o conforto ou a temperatura de conforto de um indivíduo vestindo 2,0 cIo. Uma outra possibilidade de aplicaçªo do trabalho de Fanger consiste na determinaçªo do Voto Estimado MØdio -VEM (do inglŒs PMV - Predicted Mean Vote) ou do Percentual de Pessoas Insatisfeitas - PPI (do inglŒs PPD - Predicted Percentage Dissatisfied). Neste caso, as equaçıes de Fanger sªo utilizadas de forma a comparar os resultados do VEM e PPI obtidos por elas mediante a entrada dos dados reais medidos nos estudos de caso, com os resultados dos níveis de satisfaçªo dos usuÆrios obtidos por meio dos questionÆrios. Como forma de acelerar os cÆlculos e a aplicaçªo das equaçıes de Fanger, utilizou-se uma rotina computacional elaborada por Vittorino e testada em inœmeras pesquisas conduzidas pelo Laboratório de Higrotermia e Iluminaçªo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de Sªo Paulo -IPT. As equaçıes propostas por Fanger foram normatizadas pelas normas ISO (International Organization for Standardization, (1984). ISO - 7730 - Moderate Thermal Environments -Determination of the PMV and PPD indices and specification of the conditions for thermal comfort. Switzerland) e vŒm sendo aplicadas por pesquisadores de diversas instituiçıes no Brasil e no exterior, sendo tambØm reconhecidas pela ASHRAE, como umas das referŒncias de avaliaçªo do nível de satisfaçªo de conforto ambiental. Os critØrios adotados pela ASHRAE e pela norma ISO-7730 para os valores aceitÆveis de Fanger, sªo apresentados na Tabela 1.1.

Nota-se pela Tabela 1.1 que os valores da norma ISO sªo mais restritivos que os valores da

ASHRAE. Entretanto, as aplicaçıes de Fanger feitas pelo IPT em edifícios dos mais variados na cidade de Sªo Paulo, tŒm demonstrado a escala de valores da ASHRAE Ø mais adequada para

UFBA Universidade Federal da Bahia DEM Departamento de Engenharia Mecânica ambientes nªo climatizados enquanto que a escala da ISO Ø adequada para ambientes climatizados. Fanger trabalha com uma escala de sete pontos, sendo uma situaçªo ideal e neutra, trŒs situaçıes tendendo para o quente e trŒs situaçıes tendendo para o frio, segundo a classificaçªo apresentada na Tabela 1.2

Tabela 1.1 Variaçıes de valores aceitÆveis em Fanger.

Variaçıes de valores aceitÆveis em Fanger

Entidade ISO-773O ASHRAE

VEM -0,5 a +0,5

-0,85 a +0,85

PPI ≤ 10%

≤ 20%

Tabela 1.2 Escala de Fanger.

-3 = gelado -2 = frio

-1 = ligeiramente frio 0 = neutro +1 = ligeiramente quente

+2 = quente

+3 = muito quente

A ASHRAE aceita uma populaçªo mÆxima de insatisfeitos de 20% enquanto que a Norma

ISO aceita um mÆximo de 10% de insatisfeitos. A título de exemplo, aplicando as equaçıes de Fanger para uma situaçªo bastante usual e utilizada no projeto de climatizaçªo de edifícios no Brasil, obtŒm-se os resultados apresentados na Tabela 1.3

Tabela 1.3 Resultados da aplicaçªo das equaçıes de Fanger.

T (°C) 24,0 URA (%) 50,0

TR (°C) 24,5

ResistŒncia da Vestimenta (clo) 1,0

Velocidade do Ar (m/s) 0,1 Taxa de Metabolismo (%) 70,0

Resultados para esta simulaçªo:

VME PPI +0,58 12,1 %

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Na anÆlise de Fanger, um usuÆrio nas condiçıes de simulaçªo possui Voto MØdio Estimado de +0,58 e sente-se entre o neutro (O) e ligeiramente quente (+1), nªo atendendo, portanto, a norma ISO-7730, atendendo apenas a ASHRAE. A Populaçªo MØdia de Insatisfeitos para as mesmas condiçıes Ø de 12,1%, nªo atendendo tambØm a norma ISO-7730, atendendo somente as recomendaçıes da ASHRAE. Este Ø um dado interessante tendo em vista que a simulaçªo realizada, feita com base na norma internacional ISO, indica que uma parcela significativa dos projetos de climatizaçªo para os edifícios de escritório na cidade de Sªo Paulo nªo atende a esta norma.

1.3.5 – As Zonas de Conforto de Givoni.

As pesquisas de Givoni e Berner-Nir no BRS - Building Research Station em Haifa, Israel, em 1967, resultaram na proposiçªo de um novo índice chamado IFT - ndice de Fadiga TØrmica ou "lndex of Thermal Stress" que descreve os mecanismos de troca de calor entre o corpo e o meio. A partir da aplicaçªo e aferiçªo do IFT, Givoni propôs um diagrama baseado na carta psicromØtrica, com uma zona de conforto tØrmico e quatro outras zonas, nas quais os níveis de conforto podem ser atingidos mediante o fornecimento ou a retirada de calor de forma passiva ou ativa, conforme a Figura 1.5. Os índices de conforto tØrmico assumem uma importância maior quando se considera que sªo eles que fornecem os parâmetros para a realizaçªo de projetos de climatizaçªo. Suas concepçıes foram baseadas em avaliaçıes comportamentais e níveis de satisfaçªo de usuÆrios entrevistados em diversos cantos do planeta. Na verdade, utilizam-se hoje no Brasil índices para concepçªo de projetos que foram baseados em populaçıes nªo adaptadas e nªo familiarizadas com as condiçıes climÆticas brasileiras.

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