Interlandi 01 - investigação científica

Interlandi 01 - investigação científica

(Parte 1 de 3)

--:L4 - Projeção USP (ProjUSP) na Relação Cefalométrica Maxila-Mandíbula 255 S. Interlandi e A. Sato- Tsuji

15 - Introdução ao Problema da Deglutição Atípica 275 Alael de Paiva Lino

17 - Tendências Atuais da Clínica Ortodôntica 311 Newton de Castro

18 - Contenção 323 Richard A. Riedel

-- 19 - Determinação da Maturidade Esquelética através de Radiografias Carpais:

Sua Importância no Tratamento Ortodôntico-Ortopédico 377 Weber J. S. Ursi

20 - Expansão Rápida da Maxila: Considerações Gerais e Aplicação Clínica 393 Leopoldino Capelozza Filho e Ornar Gabriel da Silva Filho

21 - Cultura e Especialização. 419 Alfonso Renato Meira

2 - A Ética Profissional do Especialista 425 Armando Rodrigues

Mendel Abramowicz o Homem está sempre à prpcura da ver- dade, tendo curiosidade natural e desejo de saber inato. Isto faz com que procure esclare- cer o porquê das coisas e quais as relações existentes entre elas. Apresenta ainda, um atributo que o distingue de todos os outros seres: a racionalidade.

O animal pode ter inteligência e intuição, porém, não consegue ultrapassar as imagens concretas que se lhe antepõem, porque não possui o pensamento abstrato. Em conseqüência, se submete à natureza que o cerca.

O Homem é um inconformado, e não aceita passivamente o "mundo do ser".

Através da racionalidade, busca discernir entre a simples opinião e o conhecimento obtido pela reflexão.

PIatão colocava frente à "doxa", saber que temos sem ter procurado, a "epistéme", saber que adquirimos ante determinadas operações mentais.

O Homem, ao se defrontar com o mundo que o cerca, tenta explicá-lo e interpretá-Io. Para tanto, se utiliza inicialmente do "bom senso". Existem contudo, problemas que o bom senso, por si só, não consegue resolver. . O conhecimento adquirido empiricamente necessita de um processo de organização e crítica. Surge, assim, o conhecimento científico. Enquanto o empírico é "o fruto do ato espontâneo do espírito", o científico visa a substi- tuir aquele, por conhecimentos provavelmente certos, gerais e metódicos.

A palavra "ciência" tem inúmeros significados. No dizer de Hegenberg" (1965), "é bom senso orgnizado e criticado". Salomon 12 (1974) afirma que ciência "é uma atividade com propriedades e características próprias". Portan- to, ela deve ser ao mesmo tempo, um método de abordagem e um processo cumulativo. A ciência não dá soluções definitivas. Ao contrário, suas "verdades" são sempre provisórias, pois as opiniões emitidas são as mais prováveis, sem significar a certeza absoluta. Conse- qüentemente, não existem na ciência as "declarações definitivas". As conclusões científicas são refutáveis e refutadas, daí ser necessário o máximo rigor na obtenção e análise dos dados, nas explicações que devam ser fornecidas e nas conclusões a serem tiradas.

Observando e examinando o mundo que o cerca, o espírito do pesquisador pode chegar a descobrir algumas evidências. Essas evidências, sendo vetoriais, dirigem o raciocínio numa determinada direção, o que lhe permite emitir uma hipótese. Isto levará à busca de novas evidências, de novos fatores que permitirão chegar a um processo decisório que, por sua vez, terminará com uma conclusão relaci- onada à hipótese aventada. Esta deverá estar em concordância com as evidências já conseguidas, com as informações científicas já aceitas, e deverá ser provada. Portanto, a ativida-

2 ORTODONTIA - BASES PARA A INICIAÇÃO

A Estatística é um método que deve ser utilizado quando necessário, não sendo sempre suficiente, como pensam alguns. É por ser utilizada quando não necessária, que já foi dito: "a Estatística é empregada por certos pesquisadores, como um bêbado se utiliza de um poste, mais para fins de suporte do que iluminação". Esclareça-se,então, que ela deve ser empregada somente nos casos de indicação precisa. Acrescentamos ainda que ela nada resolve em definitivo.

A Estatística vai contribuir na análise dos dados, mostrando para que lado tendem as evidências de um experimento, auxiliando, portanto, a emissão de conclusões que, baseadas em probabilidades, são sujeitas a erro. O importante é saber o risco que estamos dispostos a correr ao aceitar ou rejeitar uma determinada hipótese de trabalho. Segundo Wallis, W.A. & Roberts, H'y'15

(1964),"a Estatística é um conjunto de métodos que se destinam a possibilitar a tomada de decisões acertadas, face às incertezas".

Terminado o trabalho proposto, verificamos que nem todas as dúvidas foram convenientemente esclarecidas, isto é, podem ainda interessar outros aspectos do problema. Novos esforços poderão ser desenvolvidos, erganizando-se outros experimentos. Surge assim, o que alguns chamam linha de pesquisa, isto é, uma série de trabalhos que visam a esclarecer, na medida do possível, uma determinada ordem de raciocínios.

Afirma Weatherall16 (1970):"O método científico implica, portanto, em um suceder alternativo de reflexão e experimento. O cientista elabora idéias ou hipóteses definindo-as, à luz do conhecimento disponível; concebe e realiza experimentos para verificar essas hipóteses. O conhecimento se amplia e o ciclo prossegue, indefinidamente, sem nunca alcançar generalidade maior e possibilitando crescente controle de ambiente".

Nos chamados trabalhos experimentais, procura-se controlar ao máximo as variáveis que influem sobre o fenômeno estudado. Esperase que em condições idênticas, ocorram os mesmos fenômenos. Nesse caso, é fundamental poder reproduzir-se o experimento.

Em se tratando, no entanto, de trabalhos biológicos, a dificuldade neste setor torna-se de mental do pesquisador passa por vanos estágios, iniciando-se pela observação que o leva à hipótese, e esta, por sua vez, a uma previsão que deverá ser verificada a fim de possibilitar uma conclusão. Esta nova conclusão também não será definitiva, pois poderá ser refutada no futuro. A ciência, em realidade, não passa de "um modo" de investigar. É um processo de que se lança mão para dar respostas às dúvidas que ocorrem.

O ponto de partida, portanto, de toda e qualquer investigação é a observação de qualquer fato ou evento. Esse fato pode ser a afirmação do autor de um livro, a frase pronunci- ada por um professor, ou um fenômeno qualquer. O importante é que ela permita a reflexão sobre o assunto e que surjam em nossa mente dúvidas que levem às indagações: o que está ocorrendo?, por que está ocorrendo?, pode ocorrer?, ou, como escreve Hegenberg? (1976) "que tipos de resultados foram obtidos?, que relações mantêm entre si, esses resultados?, que enunciados descrevem os resultados?, que termos entram na composição de tais enunciados?, que leis e teorias combinam, de forma sistemática, aqueles termos?".

Digamos que se assista a uma aula onde o professor afirma que a lactose influi de forma benéfica na calcificação dos ossos. Se isso lhe chamar a atenção, o aluno refletirá: "Se a lactose melhora a calcificaçãodos ossos, poderá também melhorar a calcificação dos dentes. Estes, sendo melhor calcificados, não terão menor suscetibilidade à cárie dentária? Poderá, então, a lactose ser utilizada na prevenção da cárie dentária?".

Para responder a essa gama de perguntas, é necessário organizar-se um experimento onde certas condições e algumas variáveis serão controladas com o máximo rigor. Isto feito, devem surgir evidências a favor ou contra a ordem de raciocínios emitidos. Podem ser colhidos dados quantitativos e, caso isso se verifique, devem os mesmos ser contados ou medidos. Pode ainda surgir a necessidade de se utilizar o método estatístico.

Neste ponto, deve ser feita outra observação: é comum falar-se de "enfeitar" o trabalho com um "pouquinho" de Estatística, pois, esse método fornece uma "cortina de números", encobrindo possíveis falhas da pesquisa.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES-SOBRE INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA 3 maior, sendo em determinados casos, quase impossível, tanto o controle, quanto a repro- dutibilidade do experimento. Poder-se-ia, então, ante a circunstância acima, falar em investigação científica? Na hipótese de uma investigação que não fosse científica, qual seria o limite entre uma e outra? O homem, tendo espíritocrítico,mergulhan- do em dúvidas, lançará sempre novas hipóteses.A busca incessante da verdade é que faz a humanidade caminhar,apresentar um progres- so no terreno intelectuale também no material.

É inegável que "biologistas e engenheiros tornam a terra mais fértil, e médicos prolon- gam a vida, elevando os índices de longevidade a ponto jamais alcançado anteriormente. Podemos transportar-nos para regiões mais afastadas e mais rapidamente do que nossos pais, e comunicar-nos, instantaneamente, com o outro lado do planeta. Materiais desconhecidos há vinte anos, incluíram-se à tessitura de nossa vida, e o trabalho humano tornou-se obsoleta fonte de energia. A terra deixou de

marcar o limite da presença humana e as viagens ao espaço já se iniciaram". Estas palavras, escritas por Weathera1l16 (1970), traduzem a rápida evolução da humanidade, conseguida através da ciência. O homem, é certo, não pode alcançar "certezas absolutas", mas controla de tal forma as variáveis que lhe são propostas, que suas hipóteses permitem, posteriormente, conclusões que, juntadas como tijolos, formam o alicerce do enorme edifício

um inquérito ou exame cuidadoso para descobrir novas informações ou relações, e para ampliar e verificar o conhecimento existente". Segundo o mesmo autor, tais estudos podem ser classificados em quatro categorias: 1) pesquisa bibliográfica; 2) pesquisa de ciência da vida e ciência física; 3) pesquisa social; e 4) pesquisa tecnológica.

A percepção espontânea coloca o homem em contato com o mundo. Afirma Augusto Comte, que o conhecimento científico repre- senta a maturidade do espírito humano e o conhecimento empírico necessita, como ainda diz Bachelard, de uma "psicanálise" difícil e que talvez jamais se acabe. A realidade científica, segundo Huisman,

D. & Vergez,AS (1964)é "um mundo transposto e reconstruído por meio de um entrelaçamento de manipulações técnicas e operações intelectuais". Torna-se importante pois, a figura do pesquisador, que deverá apresentar, evidentemente, um apurado espírito crítico. É necessário que o investigador tenha vontade suficiente para transpor a própria subjetividade. Nem sempre é fácil se atingir a objetivida- de científica, já que a primeira visão que se tem é eminentemente subjetiva, não só devido aos sentidos, como também às próprias tendências psicológicas. Assim, podemos errar quando observamos a lua se deslocando e a terra parada, como podemos permanecer errados por conformismo, insistindo numa explicação incorreta, movidos por uma tendenciosidade qualquer. .

Há que se desenvolver então o espírito da prova. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A busca da prova é que caracteriza o espírito científico.

Goblot diz que o espírito científico é um conjunto de virtudes. No mesmo sentido, manifesta-se Albert Bayet que fala numa "moral da ciência". A ciência, diz o autor, "é um alto testemunho da dignidade do espírito". Segundo Campos, M.Ap'l (1962),"a con- dição primeira para que alguém realize trabalho de investigação, é possuir vontade de realizá-lo". Para atingir' tal condição é preciso, porém, ter-se tendência, isto é, como afirma Burloud, "um impulso numa determinada direção". Já a vontade, dizem Huisman, D. & Vergez, AS (1964), "traz a marca do eu". É comum confundir-se desejo com vontade. Condillac escreve que a vontade é um "desejo absoluto". Enquanto o desejo pode ser passivo, a vontade "se esforça por realizar uma obra". Ela traduz-se pela ação.

Outra qualidade desejável no pesquisador, como já foi dito, é a curiosidade, ou seja, o desejo de conhecer. Significa tentar conhecer o sujeito da investigação, não em superficialidade, mas profundamente, tanto quanto possível; daí, toda a atenção necessária. É a atenção que leva às primeiras observações e indagações. O pesquisador deve. também demonstrar condição de previsibilidade e entusiasmo no trabalho. É este último atributo que leva à persistência.

4 ORTODONTIA - BASES PARA A INICIAÇÃO mogeneizada. Se estratificarmos a amostra para verificar se entre duas variáveis existe uma diferença real ou casual, deveremos decidir previamente, qual a diferença que para nós terá algum significado. Estabelecendo tal diferença, deveremos determinar qual o erro de primeira espécie e o erro de segunda espécie que, "a priori", estamos dispostos a admitir. Com isso, poderemos até estabelecer o tama- nho da amostra necessária ao experimento. Afirma Rummel, EV,u (1972)que "a determi- nação do tamanho da amostra é um dos problemas mais difíceis enfrentados pelo pesquisador". Uma das perguntas mais comuns dos que se iniciam em pesquisa, diz respeito ao tamanho significativo da amostra que responda às suas indagações.

O pesquisador, por mais experimentado, não é adivinho. Ele precisa ter noções sobre a dispersão maior ou menor da variável em estudo, pois o tamanho da amostra é diretamente proporcional a esta variação. Nem sempre, porém, essa informação pode ser fornecida. E, então, que se apela inicialmente, para o bom senso, na tentativa de "se obter a

melhor resposta possível, com a menor quantidade de esforço", como diz Rumrnel!' (1972).

Em conclusão, a Lógica nos orienta para a determinação exata do que se quer, assim, corno a pesquisa bibliográfica explica, até certo ponto, o porquê de adotar-se determinada hipótese de trabalho. Esta é uma fase do trabalho que Campos, M.A.P.l (1962), chama com muita propriedade, de "preparatória". Realmente, o nome parece bem aplicado porque ainda se está numa etapa preliminar da realização do experimento propriamente dito em que, após a decisão de querer fazer o trabalho, buscaremos a delimitação do tema, verificando se o mesmo já foi abordado. Se o assunto já foi estudado anteriormente, constataremos se a resposta obtida continua satisfatória, ou se a hipótese poderia merecer outro tipo de tratamento. Poderíamos incluir nesta fase, também, todo o planejamento que a pesquisa requer. É muito comum "estaticistas" mencionarem que foram solicitados a realizar uma "necrópsia" de dados. É que tais dados não foram colhidos depois de planejada a coleta. Não é suficiente saber o que se quer e mem, enquanto cientista, integra-se, inevitavelmente, em qualquer experimento encetado". Em conclusão, a análise do trabalho de pesquisa começa pelo autor.

Um outro aspecto considerado dos mais simples e que na prática envolve complexidade, é a delimitação da hipótese real do trabalho da investigação. Pode ocorrer que o investigador tenha uma vaga idéia daquilo que pretende analisar, e sabe apenas o campo em que gosta- ria de fazer a pesquisa. Digamos que resolva estudar a cárie dentária. Verificará que muitos já se preocuparam com o assunto escolhido. A cárie foi estudada no tempo, no espaço, em gestantes, em tuberculosos, em crianças, em relação a sexo, idade, grupo étnico etc. Ora, estes informes são altamente valiosos na determinação da hipótese de trabalho. O que o pesquisador não pode, é desistir, alegando q"b: tudo. já foi feito a respeito do assunto. Daí, dizer-se que "não existem assuntos esgotados e sim, pesquisadores esgotados".

Em seqüência, o pesquisador terá de verificar se existe uma relação real entre a observação e a hipótese, isto é, entre os fatos e as idéias, o que requer, sem dúvida, um planejamento prévio. O cérebro, sendo finito, não abrange o todo, e assim, temos de nos contentar com uma parte. Surge portanto, um problema fundamental: até que ponto a amostra que analisamos representa a população para a qual pretendemos inferir nossos dados?

Em outras palavras, se partimos de um todo, podemos fazer um dedução para a parte, e dificilmente erramos. Porém, nas ciênci- as, geralmente se emprega o processo mental inverso, isto é, caminha-se da parte, a amostra, em direção ao todo, a população. É o que se denomina inferência. Conseqüentemente, aumentaram as possibilidades de erro, sendo então, necessário se recorrer à Lógica, para decidir se estamos ou não, bem fundamentados ao aceitar ou rejeitar um determinado ponto de vista.

É essa Lógica que nos vai guiar para a delimitação das hipóteses de trabalho, tanto a chamada hipótese de nulidade, como a hipótese alternativa. São elas que devem decidir sobre a possibilidade de estratificação da amostra e as variáveis em relação às quais, deverá ser ho- desenvolver o trabalho. No entanto, algumas vezes, há que levar em conta as exigências de relatórios feitos para entidades, comissões e instituições. Podem ainda funcionar como relatório de atividades científicas. Em todos esses casos, ele se torna obrigatório. Mesmo quando julgado dispensável, achamos recomendável fazê-lo, a fim de melhor organizar o trabalho, particularmente em relação ao desenvolvimento cronológico. Sendo feito, deve o projeto conter um mínimo de elementos, e

Severino, AV3 (1975),propõe a seguinte es- truturação: 1. Título

4. Justificativas 5. Delimitação do problema 6. Estrutura de Referência Teórica

7. Metodologia 8. Cronograma 9. Custos 10. Bibliografia.

A aplicação desse esquema poderá variar de um projeto para outro, porém para ser aceito por aqueles que deverão analisar, é preciso não negligenciar na elaboração, apesar de se saber que o objetivo final do trabalho so- mente será alcançado depois de feita a pesquisa propriamente dita.

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