Interlandi 10.2 - análise cefalométrica

Interlandi 10.2 - análise cefalométrica

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o número de cefalogramas empregados em ortodontia é relativamente grande, mercê da visão e experiência dos autores que se têm ocupado do assunto. É evidente que sempre houve um enfoque pessoal nas diferentes pesquisas cefalométricas. Isto denota o interesse de cada autor em determinados aspectos da cefalometria radiológica. Cabe ao ortodontista, portanto, estudar, identificar e adotar as inúmeras mensurações publica-

das sobre o assunto, na medida em que seja consolidada sua própria experiência naquele campo.

Estas considerações permitem a anexação neste capítulo, do cefalograma que é atualmente adotado no CENTRO DE ESTUDO E E\S O ORTODÔNTICOS - dirigido pelo autor, em Bragança Paulista -, em seqüência ao denominado "padrão USP". Vale ressaltar que o termo "padrão" não implica na obrigatoriedade, em qualquer análise, de se obedecer a um determinado conjunto de grandezas cefalométricas. No entanto, sendo este livro endereçado principalmente ao aluno de pósgraduação, a existência de um "padrão cefalométrico" será de grande valia para quem se inicia nas atividades clínicas.

O cefalograma "padrão CEEO" é justamente, a somatória da experiência de vários autores, visando sempre a um aprimoramento da visualização cefalométrica do ortodontista. Vale lembrar que há contribuições na li- teratura ortodôntica, que, uma vez aqui ane- xadas, enriqueceriam sobejamente a presente proposta; no entanto, não estão presentes, em virtude da preocupação de tornar esta análise simples e concisa, permitindo, assim, maior facilidade no emprego da mesma.

Para a obtenção da telerradiografia, além do que foi mencionado no item I destecapítu-

10, cabe ainda lembrar: a) - Orientar o paciente, para manter-se em "oclusão cêntrica" (OC) ou em "máxi- ma intercuspidação" (MIC), com os lábios em total repouso; (quando existe abertura interlabial natural, na posição de repouso, providenciar para que ela persista). b) - Não usar qualquer apoio, além das olivas auriculares, na cabeça do paciente, pois isto, além de inoperante, deforma o perfil tegumentar.

PONTOS CEFAlOMÉTRICOS

O traçado de um cefalograma somente é possível, em virtude de serem estabelecidos pontos de referência ósseos, dentários ou tegumentares, que sejam, constantes em todas as radiografias obtidas, e que possam ter uma identidade anatômica (Fig. IO.lI.I). Estas ca- racterísticas são imprescindíveis. Caso contrário, as principais finalidades do estudo telerradiográfic(}-·- as comparações numéricas e as sobreposições - não seriam possíveis.

Fig. 10.1.1 - Pontos de referência craniométricos (ósseos).

Embora a maioria dos pontos e traçados já tenham sido explicados anteriormente, segue aqui rápida explanação a respeito dos empregados no "padrão CEEO":

NÁSIO (N) - quando não se vê exatamente a sutura naso-frontal - em cujó limite anterior está localizado o násio,.- marque 2 m acima do ponto mais profundo da curva naso-frontal. .

PÓRIO (Po) - Do ponto mais inferior da imagem radiolúcida do meato acústico ex- terno, marque na vertical, um ponto 8 m acima. Ele poderá não coincidir com o pó- rio antômico, porém, para a obtenção do nível de traçado do plano horizontal de Frankfurt, este recurso é praticamente aceitável com um mínimo de erro operacional.

CONDÍLEO (Co) - Ponto no limite súpero-posterior do côndilo mandibular. PTERIGÓIDEO (PT) - Na área pósterosuperior da fissura ptérigo-maxilar, junto à margem inferior do forame redondo. ORBITÁRIO(Or) - No limite mais inferi- or da imagem das órbitas. ESPINHA NASAL POSTERIOR (ENP) -

Limite posterior da junção das lâminas horizontais dos ossos palatinos. PONTO "P'" (Interlandi) - Logo atrás da espinha nasal anterior, no cruzamento da linha NA com a linha "p" (linha corres- pondente ao assoalho das fossas nasais, traçada do forame incisivo até a espinha nasal anterior). PONTO "E" (Interlandi) - Ponto mais saliente do mento, quando relacionado ao plano mandibular. (Localizado com uma régua tangente ao mento e ortogonal ao plano mandibular.) PONTO MENTAL (ou mentoniano) "M" - Ponto mais inferior do mento ósseo, na junção das corticais anterior e posterior. PONTO "A" (Downs) - Na maior profun- didade da curva entre a ENA e o próstio. PO TO "B" (Downs) - Na maior profun- didade da curva entre o ponto infradentário e a saliência do mento.

BÁSIO - "Ba" - Limite ínfero-posterior da borda anterior do forame magno. Geralmente está na vertical do pório, 4 a 6 m acima da apófise odontóide do axis. PONTO "Xi" (Ricketts)- Centro geométrico.do ramo mandibular, traçado à custa dos pontos RI, R2, R3 e R4. Tomando-se como referênciashorizontal e vertical,os planos de Frankfurt e o pterigóideo vertical: 1) marcar o ponto RI na maior profundidade da curvatura anterior do ramo; 2) marcar R2 na borda posterior do ramo, na paralela de RI, com Frankfurt; 3) marcar R3 no ponto mais inferior da chanfradura sigmóide; 4) marcar

R4na borda inferior do ramo, na paralela de R3 com pterigóideo vertical (Fig.IO.I.2). GÔNIO "Go" - Limite entre as bordas posterior e inferior do ramo. PROTUBERÂNCIAMENTAL"PM" ou SUPRAPOGÔNIO(Ricketts)- Ponto acimada sínfisemandibular, onde a linha do perfil ós-

seo muda de convexa para côncava. GNATIO "Gn" - Ponto mais inferior e anterior da sínfise mentoniana; por ele passa o eixo facial, que também coincide com o gnátio virtual ou geométrico, este último, no cruzamento do plano mandibular com a linha násio-pogônio.

Traçado na maxila

- Linha condensarlte horizontal: da espinha nasal posterior até a espinha nasal anterior. (O traçado é uma linha que percorre o meio desta condensação óssea horizontalizada, com solução de continuidade no forame incisivo.)

- Limite do palato: o traçado é no limite inferior da linha condensante (traça-se somente a extensão visível, quase sempre na porção anterior).

- Limite anterior: é a curva do perfil ósseo, de abertura anterior, traçada da espinha nasal anterior até o próstio. - Perfil do túber: constitui o limite anteri- or do desenho da, fissura ptérigo maxilar (a borda anterior da apófise pterigóidea é também traçada). .

Traçado na mandíbula

- Traçar as linhas correspondentes às duas corticais (vestibular e lingual) do mento;

borda inferior do corpo, borda posterior, anterior e inferior do ramo e toda extensão do côndilo e chanfradura.

Desenho dos dentes

Basicamente, desenhar, tanto na maxila como na mandíbula, os molares em oclusão, e as imagens dos incisivos centrais mais protruídos. Desenhar também as raízes desses dentes, desde que visíveis na radiografia. Os ápices dos incisivos, se necessário, poderão ser localizados por comparações com radiografias periapicais correspondentes.

Traçado dos planos e linhas

Não devem ser traçadas todas as linhas, por inteiro. Isto ocasiona um desenho complicado e de difícil interpretação. Trace, dos planos e linhas, somente os segmentos de interesse para as mensurações, o que resulta num cefalograma limpo e de fácil leitura (Fig. 10.1I.3).

Os planos de Frankfurt (órbito-meático) e mandibular (gônio-mental) são traçados em linha contínua, de uma margem à outra da

página.

- Linha násio-básio (N-Ba) - da frente do násio até ultrapassar o básio. - Plano oclusal - do centro da face oclu- sal do molar terminal inferior, em oclusão, à borda incisal inferior. Deve estender-se da margem esquerda da folha, até meio centímetro para trás dos incisivos, sem que o traçado cruze os molares.

- Plano maxilar (Interlandi) (ENP-ponto

P') - inicie o traçado, aquém da espinha nasal posterior, e ultrapasse o ponto "P'", estendendo-se pouco mais que a dimensão ânteroposterior da maxila.

- Linha N-perp. (McNamara) - do násio, uma linha ortogonal ao plano horizontal de Frankfurt; (traça-se apenas, em dois setores, 1 em cruzando o nível do ponto "A", e 1 em cruzando o pogônio).

- Linha '1" (Interlandi) - os limites são: ponto "P'" (na linha "p"), ao ponto "E", no mento. Traça-se uma linha que cruze o plano oclusal, 5 m acima e abaixo (ver desenho).

Para determinar-se a discrepância cefalométrica, mede-se a distância da linha "I" ao limite inciso-lingual da imagem do incisivo inferior (e não, do meio da borda incisal daquele dente).

O valor numérico da linha "I" será positivo ou negativo, segundo ela esteja à frente ou atrás, respectivamente, da borda inciso-lingual da imagem do incisivo central inferior (Fig. 10.1.26).Portanto, um valor de -3 m significa um movimento lingual de três milímetros, do incisivo inferior, para que ele esteja em harmonia com as relações ântero-poste- riores da maxila e da mandíbula, num determinado caso.

- Longo eixo do incisivo superior (l-órbita) - traça-se apenas um segmento que cruze o nível do ponto orbitário, 1 em para cima e para baixo. - Linha N-A (násio-ponto "A") - traçar, de meio centímetro abaixo do násio, até cortar o ponto "P'", sem alcançar o ponto "A".

- Linha N-B (násio-ponto "B") - traçar, de 1cm abaixo do násio, até as proximidades do plano maxilar.

mento e o lábio superior; estende-se do plano mandibular até o de Frankfurt.

- Linha AP ~ traça-se somente o prolongamento desta linha, cruzando superiormente o nível do ponto násio, 1 em para cima e para baixo. Mede-se, portanto, o ângulo suplementar de NAP.

- Linha "m" (Interlandi) - é a ortogonal do ponto B a Go-M, entre as duas corticais do mento (tem apenas, 1 em de extensão, e localiza-se logo atrás do ponto "E").

- ProjUSP (Projeção Universidade de São

Paulo) (Interlandi / Sato) - são as projeções ortogonais (A e B') dos pontos A e B, sobre a bissetriz do ângulo formado pelos planos "maxilar" e "mandibular". Quando B' estiver à frente de A, a distância entre A e B' terá valor negativo; caso contrário, positivo. Traçado prático: (Fig. 10.1.4)(Ver também

Abrir o compasso, do ponto "A", na me- nor distância ao plano maxilar; conservar a ponta seca em "Ali, e traçar o segmento inferi- or da circunferência correspondente; em seguida, com dois esquadros, determinar uma paralela ao plano mandibular, tangenciando aquele segmento curvo já traçado; manter a régua e cortar com um pequeno traço o plano

processo de comparação. Assim, os padrões de normalidade constituem nada mais que a adoção de valores angulares e lineares, concentrados em tomo de um valor médio, obtidos à custa de determinados métodos estatísticos.

O ortodontista, sabendo os valores e as variações das diversas grandezas cefalométricas, está capacitado a avaliar as características

particulares dos diversos setores que constituem o cefalograma. A experiência propícia ne-

cessariamente, ao operador, o desenvolvimento de uma noção confiável do que já foi chamado de "desvio padrão clínico", o que, aos poucos, poderá tomar dispensável a leitura de muitos dos valores numéricos, no estudo de determinados casos.

Fig.10.1.4 - Traçadopráticoda ProjUSP,comos valoresde -4,5mm (Classe1),+1,5mm (ClasseII) e -17 m (ClasseIII), dos padrõesda figura.

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