O turismo cultural no brasil

O turismo cultural no brasil

(Parte 6 de 6)

1) Síntese dos principais resultados Essa nota técnica tem muito mais o propósito de ajudar a levantar questões importantes para a avaliação do segmento de turismo cultural no Brasil e para o desenho de políticas públicas do que o de trazer respostas. Isso porque a construção de um banco de dados sobre o tema ainda é um dos desafios a enfrentar. Por isso, o que se fez foi basicamente uma revisão da literatura internacional e nacional sobre o tema de modo a contribuir para organizar a discussão. Ao lado disso, foi feito um levantamento dos principais pontos de demanda de turismo cultural no Brasil, a partir de informações do próprio Ministério do Turismo, complementadas com informações das secretarias estaduais (em alguns casos, municipais) de turismo e cultura de todos os estados brasileiros. Ocasionalmente, as informações assim obtidas foram ainda complementadas com outras, oriundas de sites de guias turísticos. Os resultados encontram-se no anexo.

Além disso, foi feita uma análise dos dados sobre fluxos nacional (pesquisa Prodetur I) e internacional (pesquisa Fipe/Embratur) de turistas, procurando extrair algumas reflexões sobre o segmento de turismo cultural no Brasil.

Por fim, tomou-se o exemplo de Pirenópolis para mostrar que a sinergia entre turismo e cultural pode ser muito benéfica a ambos. Infelizmente, não foi possível a coleta de dados primários para realizar tal estudo de caso. Optou-se, então, por utilizar os dados de duas pesquisas (AGETUR e SEBRAE), para traçar um perfil da demanda e da oferta de serviços de turismo nesta localidade.

Os principais resultados obtidos são resumidos a seguir:

x A primeira seção deste documento mostrou que a delimitação do segmento “turismo cultural” é complexa, e baseia-se na motivação do viajante: ter a experiência de entrar em contato com outras culturas.

x A seção 2 mostrou que este segmento vem crescendo, por diversas questões, relacionadas tanto ao lado da demanda (busca do “particular” em um mundo globalizado, diminuição do emprego formal da era do welfare state com períodos pré-determinados de férias) quanto do lado da oferta (mudança da estratégia de competitividade, do turismo “de massa” para o paradigma “enxuto”).

x A seção 3 apontou que o impacto do turismo sobre a cultura tanto pode ser benéfica (por trazer financiamento ou reavivar antigas tradições, por exemplo) quanto trazer sérios problemas (a “comodificação” do produto cultural oferecido, por exemplo).

x A seção 4 discutiu o conceito de turismo cultural sustentável e trouxe dois indicadores de sustentabilidade encontrados na literatura internacional. Mostrou que a participação da comunidade local (e seu “empoderamento”17) é essencial para a construção de estratégias de turismo cultural sustentável. Sobre este tema os principais pontos levantados foram: o Importância de que a comunidade local mantenha controle e propriedade do produto cultural oferecido. o Participação da comunidade local na definição do produto cultural oferecido, para que não se construam estereótipos que em nada refletem a cultura local. o Necessidade de programas de educação tanto para a comunidade local quanto para os turistas, para

17 Termo utilizado por vários autores, para denotar a importância de que a população receptora tenha meios efetivos de participação.

conscientização da importância da preservação do patrimônio e identidade cultural da comunidade receptora. o Participação da comunidade na construção de indicadores de sustentabilidade (especiamente o LAC- limits to acceptable change) x A seção 5 discutiu o perfil da demanda por turismo cultural no

Brasil. Ainda que não haja muita disponibilidade de dados discriminados para o segmento de turismo cultural, foi possível sugerir que este é um mercado em expansão no Brasil, e com várias possibilidades ainda a explorar. Dentre os turistas brasileiros, 12,5% responderam que o turismo cultural era uma das razões para a sua viagem (um número ainda consideravelmente menor que os que apontaram “sol e praia” (40%), mas que de qualquer forma já figura em terceiro lugar entre os respondentes). Entre os turistas estrangeiros, a razão “cultura” figura com apenas 5% das respostas. Há indicações de que i) Em nível nacional, há possibilidades de aumentar o fluxo de turismo inter-estadual (já que quase 50% é intraestadual) e i) para o turista internacional, o segmento de “turismo cultural” no Brasil ainda não é um grande atrativo.

x O anexo desta nota técnica traz um levantamento dos pontos de demanda por turismo cultural no país, por região e por estado da Federação. Mais do que um levantamento dos próprios locais, este trabalho serviu como um levantamento das informações disponíveis sobre turismo cultural no sites das secretarias estaduais (turismo/cultura) e, ocasionalmente, em fontes privadas também disponíveis na internett. Percebeu-se enorme disparidade da qualidade de informações disponíveis, segundo os estados examinados.

x A seção 6 desta nota técnica trouxe o exemplo de Pirenópolis como um caso bem-sucedido de turismo cultural no país. É bem sucedido porque, neste caso, a sinergia entre turismo e cultura mostrou-se muito benéfica a ambos. De um lado, a cultura é o principal atrativo dos turistas ao município, tanto pelo patrimônio histórico quanto pelas manifestações artísticas folclóricas que ali ocorrem. De outro, o turismo tem garantido fluxos de recursos ao município, que permitiram a revitalização do patrimônio histórico e cultural e, além disso, constitui-se na principal fonte de renda da população local. Ademais, sugeriu-se que se trata de um caso que tem características sócio-econômicas includentes, contrariamente a vários encontrados na literatura internacional. O exame tanto do lado da demanda – com o perfil do “turista cultural” fugido do estereótipo de indivíduo de alta renda e elevado grau de educação – quanto do lado da oferta – com os empreendedores (e mesmo os proprietários/sócios) com relativo baixo grau de educação formal (condizente com o perfil da comunidade local) mostram que esse segmento atende às necessidade culturais e econômicas dos próprios moradores da região.

2) Conclusões: sugestões para a construção de um turismo cultural sustentável no Brasil. A partir das informações coletadas, seguem algumas sugestões preliminares para o incremento do segmento de turismo cultural no Brasil. Há que se observar que se tratam de sugestões que não visam simplesmente melhorar a competitividade deste segmento, mas fazê-lo de forma a respeitar o princípio de sustentabilidade desta atividade. Essa visão vai ao encontro da própria visão dos programas regionais de desenvolvimento do turismo, expressa em documento recente do Ministério do Turismo18, em que se afirma que o turismo deve inserir-se numa perspectiva ampla, de instrumento de desenvolvimento das comunidades receptoras. Esse novo paradigma vem a substituir o antigo, no qual a relação entre a atividade turística e os locais de

18 Turismo Sustentável e Alívio da Pobreza no Brasil: reflexões e perspectivas (2005) 46

(Parte 6 de 6)

Comentários