Manual de Iniciação Científica

Manual de Iniciação Científica

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2 A Iniciação Científica na UNCISAL Aldemar Araujo Castro

2.1 Introdução

A iniciação científica é a realização de pesquisa durante o curso de graduação que tem como objetivo o aprendizado do método científico. A instituição deve planejar a realização desta atividade para disponibilizar aos estudantes da graduação, de forma transparente, para que o aluno possa ter o conhecimento sobre o programa, suas vantagens e desvantagens, e possa fazer uma opção esclarecida sobre participar o não. Este capítulo apresenta o programa de iniciação científica (PIC) da UNCISAL que foi baseado (adaptado e atualizado) no manual do usuário do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC (baseado na Resolução Normativa 019/2001 e 015/2004).

O objetivo desta série de cinco capítulos é apresentar informações sobre a iniciação científica que é destinada aos alunos da graduação e os orientadores. No primeiro capítulo é apresentado o que é a iniciação científica e as razões para sua realização; no segundo, é apresentado o PIC (Programa de Iniciação Científica) da UNCISAL; no terceiro, quais são os recursos, as habilidades e os conhecimentos necessários para realizar a iniciação científica; no quarto, como o aluno deve selecionar o seu orientador; no quinto, como continuar as atividades de pesquisa após a graduação.

O conteúdo deste capítulo está dividido em cinco partes: a) a iniciação científica e a bolsa de iniciação científica; b) a iniciação científica na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas; c) o programa de bolsas de iniciação científica (ProBIC); d) o programa “minha primeira pesquisa”; e) próximo passo: os recursos, os conhecimentos e as habilidades necessárias.

2.2 Iniciação científica e bolsa de iniciação científica

A iniciação científica é um instrumento que permite introduzir os estudantes de graduação potencialmente mais promissores à pesquisa científica. É a possibilidade de colocar o aluno desde cedo em contato direto com a atividade científica e engajá-lo na pesquisa. Nesta perspectiva, a iniciação científica caracteriza-se como instrumento de apoio teórico e metodológico à realização de um projeto de pesquisa e constitui em um canal adequado de auxílio para a formação de uma nova mentalidade no aluno. Em síntese, a iniciação científica pode ser definida como um instrumento de formação de recursos humanos qualificados.

A iniciação científica é um dever da instituição e não uma atividade eventual ou esporádica. É isso que permite tratá-la separadamente da bolsa. A iniciação científica é

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Número Mês/Ano Manual de Iniciação Científica http://www.metodologia.org/ecmal/livro um instrumento básico de formação, ao passo que a bolsa de iniciação científica é um incentivo individual que se operacionaliza como estratégia de financiamento seletivo aos melhores alunos, vinculados a projetos desenvolvidos pelos pesquisadores no contexto da graduação ou pós-graduação. Pode-se considerar a bolsa de iniciação científica como um instrumento abrangente de fomento à formação de recursos humanos. Nesse sentido, não se pode esperar que todo aluno em atividade de iniciação científica tenha bolsa. É fundamental compreender que a iniciação científica é uma atividade bem mais ampla que sua pura e simples realização mediante o pagamento de uma bolsa.

Iniciação científica Aperfeiçoa mento

Especialização

Mestrado

Doutorado

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O caminho da formação do pesquisador

Quadro 2-1 Passos para a formação do pesquisador.

2.3 A Política de Iniciação Científica na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL)

A iniciação científica na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), até 2002, foi realizada muito mais por esforço próprio de vários professores do que por uma ação institucional. Algumas disciplinas e/ou departamentos realizam estas atividades de forma rotineira nos últimos anos. O programa de monitoria com alunos da graduação (54 alunos em junho de 2002) vem sendo o espaço existente para, também, cumprir esta atividade.

O estabelecimento do programa institucional de iniciação científica (PIC) integra as diversas atividades que envolvem a iniciação científica:

a) o Programa de Bolsas de Iniciação Científica (ProBIC) é uma forma eficaz de induzir o desenvolvimento institucional desta área. Sendo por isso o primeiro item a ser implementado do programa de iniciação científica desta instituição. O que não impede que também sejam solicitadas bolsas de iniciação científica, via balcão, à FAPEAL. Outras atividades devem ser realizadas simultaneamente ao ProBIC na instituição para o sucesso do programa de iniciação cientifica b) a jornada anual de iniciação científica que teve como precursora a iniciação científica 2002 (jornada de incentivo a produção científica da UNCISAL);

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Número Mês/Ano Manual de Iniciação Científica http://www.metodologia.org/ecmal/livro c) o programa “minha primeira pesquisa”; d) uma redefinição e reestruturação do programa de monitoria na instituição.

É fundamental que os orientadores que possuam um planejamento para as atividades de iniciação científica para contemplar outros alunos que no futuro solicitarão as bolsas. Neste planejamento é necessário que exista a explicitação de:

a) qual a linha de pesquisa, sua definição e importância; b) quais serão as pesquisas a serem realizadas na linha de pesquisa pelos próximos sete anos, organizadas por relevância, por complexidade, e por prioridade; c) quais os recursos humanos necessários para a realização da pesquisa; d) quais os recursos materiais necessários por ordem de prioridade; e) quais as atividades que os alunos deverão participar durante a iniciação científica; f) quais são os conhecimentos, as habilidades que o aluno da graduação deve desenvolver para iniciar e desenvolver as atividades de iniciação científica; g) quais as metas e objetivos da iniciação científica da disciplina.

O planejamento adequado da iniciação científica possibilita o fortalecimento de forma racional e gradual, otimizando os recursos utilizados.

Um espaço para as atividades de iniciação científica também é fundamental para o sucesso as atividade. O espaço deve ter seis horas semanais (um período do dia na semana, por exemplo, todas as quartas-feiras, das 13 às 19 h) para que os alunos que participam das atividades de iniciação científica possam se encontrar com seus orientadores e entre se. A realização das atividades em um horário adequado, o que não vinha ocorrendo até 2005, pois os encontros são freqüentemente nos horários de almoço, finais de tarde ou à noite. Neste espaço não deve haver aulas ou quaisquer atividades que não sejam relacionados com a iniciação científica. O espaço deve ser comum a todos os alunos de graduação, ou seja, do primeiro ao último ano. Isso irá possibilitar que alunos de anos diferentes passam se encontrar no mesmo horário com o orientador e possibilitará uma troca de experiência entre eles e uma ajuda mútua. Caso este horário seja comum a todos os cursos de graduação, o encontro de alunos de anos diferentes e cursos diferentes serão otimizados. E mais, permitirá reuniões mensais em comum com todos os alunos da instituição sobre temas do seu interesse. Por ser a iniciação científica uma atividade voluntária, os alunos que não estão engajados nestas atividades teriam este horário livre. Um espaço semelhante deveria existir também para as atividades de extensão e outros para uma área verde.

2.4 O Programa de Bolsas de Iniciação Científica - ProBIC

2.4.1 Perfil do ProBIC

O ProBIC (Programa de Bolsas de Iniciação Científica, URL: http://www. uncisa l. edu. br) é um programa centrado na iniciação científica de novos talentos em todas as áreas do conhecimento e administrado diretamente pela UNCISAL com a supervisão do FAPEAL. Voltado para o aluno de graduação e servindo de incentivo à formação de novos

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Número Mês/Ano Manual de Iniciação Científica http://www.metodologia.org/ecmal/livro pesquisadores, privilegiam a participação ativa de bons alunos em projetos de pesquisa com qualidade acadêmica, mérito científico e orientação adequada, individual e continuada. Os projetos culminam com um trabalho final avaliado e valorizado, fornecendo retorno imediato ao bolsista, com vistas à continuidade de sua formação, de modo particular na pós-graduação.

2.4.2 Objetivos Gerais a) contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa; b) contribuir para a diminuição da idade média na formação dos pesquisadores brasileiros, em especial, criando meios para a formação de doutores com menos de 30 anos.

c) contribuir para reduzir o tempo médio de titulação de mestres e doutores.

d) contribuir para a diminuição das disparidades regionais na distribuição da competência científica no País.

2.4.3 Objetivos Específicos a) Em relação à instituição :

i) contribuir para a sistematização e institucionalização da pesquisa; i) incentivar à formulação de uma política de pesquisa para a iniciação científica; i) possibilitar uma maior articulação entre a graduação e a pós-graduação; iv) qualificar os melhores alunos para os programas de pós-graduação; v) introduzir e/ou disseminar a pesquisa na graduação; vi) colaborar no fortalecimento de áreas ainda emergentes na pesquisa; vii) propiciar condições institucionais para o atendimento aos projetos de pesquisa de grupos de pesquisa cadastrados no Diretório dos Grupos de Pesquisa da FAPEAL; viii) fortalecer a prática da avaliação interna e externa nas atividades de iniciação científica, contribuindo para sua extensão a outras esferas da universidade; ix) tornar a instituição mais agressiva e competitiva na construção do saber; x) fomentar a interação inter-institucional no âmbito do Programa; xi) contribuir para as instituições universitárias cumprirem sua missão de pesquisa.

b) Em relação aos orientadores i) estimular pesquisadores produtivos a engajarem estudantes de graduação na atividade de iniciação científica e tecnológica, integrando jovens em grupos de pesquisa e identificando precocemente vocações, de forma a acelerar o processo de expansão e renovação do quadro de pesquisadores;

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Número Mês/Ano Manual de Iniciação Científica http://www.metodologia.org/ecmal/livro i) estimular o aumento da produção científica dos orientadores, em eventual co-autoria com os bolsistas; i) estimular o envolvimento de novos pesquisadores na formação de futuros cientistas.

c) Em relação aos bolsistas i) despertar vocações para a ciência e incentivar talentos potenciais na graduação; i) proporcionar a iniciação no método científico, nas técnicas próprias de cada área e o desenvolvimento da criatividade na ciência, mediante orientação de pesquisador qualificado; i) possibilitar a diminuição do tempo de permanência do bolsista na pósgraduação, mediante melhor formação na graduação; iv) preparar os melhores alunos para a pós-graduação.

2.4.4 Processo de seleção de orientadores, projetos e bolsistas

Este processo é um dos mais importantes do Programa, pois se trata de uma responsabilidade delegada à instituição e deve ser o mais transparente possível, com critérios amplamente discutidos e divulgados. Cuidado especial deve ser dado na análise do histórico escolar dos alunos, de tal forma que, em todas as áreas, os candidatos estejam com coeficiente de rendimento escolar no terço superior do alunado de seus respectivos cursos. A instituição deve contar com a colaboração de consultores externos, para garantir, entre outros aspectos, maior isenção no processo. Visando ampliar e dar oportunidade de participação a novos orientadores no Programa, estabeleceu-se o limite de até dois bolsistas para cada orientador com titulação de doutor e um para cada orientador com titulação de mestre. A bolsa deve ser proposta pelo orientador somente depois que estiver convicto de que o aluno tem interesse pelo projeto de pesquisa e tempo disponível para executá-lo, sem prejuízo para suas atividades escolares. Cinco porcento da quota de bolsas devem ser disponibilizadas para os recém-doutores concorrerem entre si ao processo seletivo. Será considerado recém-doutor aquele que defendeu sua tese há, no máximo, dois anos.

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