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ou seja: será que dá pra diminuir o conflito com meus próprios consumidores e tratá parte da minha [ou da nossa!] ecologia de valor? principalmente quando eles podem estar zendo coisas que eu nunca 1] pensei; 2] saberia fazer nem 3] distribuir na velocidade e custo que eles fazem?… para trazer os fãs pra "dentro" de casa, tenho que mudar mais do que minha los no meio do caminho entre produção, distribuição, combinação, redistribuição e consumo: tenho que oferecer uma plataforma segura, do ponto de vista de propriedade intelectual e sua gestão, que não exponha fãs e colaboradores bem intencionados ao risco de, de repente, estarem sendo processados por infringir direitos [se o "dono" da coisa não gostar da minha "arte", por exemplo].

pra isso, naquele mesmo texto, se comentava que o… problema de compartilhamento e recombinação tem solução trivial. é só usar o modelo de proteção e autorização definido pelo , que permite ao autor estabelecer o nível de proteção que deseja para seu trabalho. quanto mais gente publicar seu material usando um mecanismo transparente como o de creative commons, mais coisas poderão ser feitas de forma inovadora, na rede, sem que seja necessário licenciar todo o material de base primeiro. e permitindo o compartilhamento de roposta prática e fácil de ser aplicada para tratar conhecimento não como ponto de chegada ou produto final, mas como ponto de partida e parte de um processo, para sempre inacabado. mas muito pouco tem sido feito, pela indústria, para discutir o assunto stas bases. e menos ainda para disponibilizar [excetuando os indies, que não são "a" indústria] conteúdo desta maneira.

pirataria: a guerra, os lados e os dados, onde se expunha o muito duvidoso valor dos dados usados mundialmente no combate à pirataria. de acordo com o texto a indústria [lá nos eua] diz, há anos [décadas!], que o número de empregos perdidos nos setores afetados por pirataria de áudio e vídeo é um mitológico "750.0". julian sanchez descobriu a fonte: trata-se de um imagine!- 1986 pelo secretário de comércio do governo reagan, mas de que adianta seu preço ser zero e seu material não aparecer na busca do limewire ou ou seja: será que dá pra diminuir o conflito com meus próprios consumidores e tratá-los como parte da minha [ou da nossa!] ecologia de valor? principalmente quando eles podem estar zendo coisas que eu nunca 1] pensei; 2] saberia fazer nem 3] distribuir na velocidade e custo que eles fazem?… para trazer os fãs pra "dentro" de casa, tenho que mudar mais do que minha tribuição, combinação, redistribuição e consumo: tenho que oferecer uma plataforma segura, do ponto de vista de propriedade intelectual e sua gestão, que não exponha fãs e colaboradores bem intencionados or infringir direitos [se o "dono" da coisa problema de compartilhamento e modelo de proteção e autorização definido pelo , que permite ao autor estabelecer o nível de proteção que deseja para seu mo transparente como o de creative commons, mais coisas poderão ser feitas de forma inovadora, na rede, sem que seja necessário licenciar todo o material de base primeiro. e permitindo o compartilhamento de roposta prática e fácil de ser aplicada para tratar conhecimento não como ponto de chegada ou produto final, mas como ponto de partida e parte de um processo, para sempre inacabado. mas muito pouco tem sido feito, pela indústria, para discutir o assunto , que não são "a" secretário de comércio do governo reagan, malcom baldridge, e publicado pelo christian science monitor. segundo balridge, o impacto de pirataria em toda a indústria americana [na época] seria… "anywhere from 130,0 to 750,0 [jobs]". e isso era de bolsas louis vuitton falsificadas até vídeos copiados sem autorização. o número foi pro limite e referem-se a ele, agora, como se fosse a quantidade de postos de trabalho afetados pela pirataria sobre a indústria de mídia.

aqui no brasil, não ficamos atrás na manipulação de dados ou na citação de números sem qualquer credibilidade. no mesmo texto… [segundo o conselho nacional de combate à pirataria]… o país perde, por ano, com pirataria, R$30B em arrecadação de impostos [e de acordo com o depoimento de um dos deputados que apóiam o fórum nacional contra a pirataria]… "só no ano passado o prejuízo foi de 700 bilhões de reais, quase um terço do PIB do Brasil"… um terço do PIB em pirataria? e com uma carga tributária de quase 40%, o imposto perdido não teria sido quase R$300B?…

o artigo de 16.10.08 concluia que… claro que precisamos formalizar muitos dos nossos mercados. mas porque será que na finlândia, um dos países mais educados do planeta, a pirataria de software é de 25%? e porque será que lá mesmo, apesar de apenas 15% das pessoas reconhecer que copia música da internet, 85% do tráfego de saída das universidades corresponde a P2P?… será que isso tem a ver com os modelos [atuais] de negócio de software e música? aqui, agora, precisamos de uma discussão inteligente [e usando dados reais, confiáveis] sobre o que formalizar, pra que formalizar, pra atender que interesses, quando, e se isso é ou não o melhor para fazer agora. é preciso até entender, de perto, qual a função da pirataria no mercado. além de termos que lembrar, a todos os envolvidos, que em tempos onde as tecnologias de suporte estão mudando muito radical e velozmente, como é o caso dos setores da indústria "de mídia" agora "protegidos" pelo pro-ip americano [e só lá, por enquanto], congelar o passado em legislação e ação federal é suicídio puro. de postos de trabalho, de receitas e impostos, no futuro.

resumindo e olhando pra previsão do PIP, sobre a continuada guerra entre quem tem copyright e quer ser remunerado por ele e quem está na rede, em banda larga, e tem acesso a tudo, num click: não se trata do fim da propriedade intelectual e ponto final. se este fosse o caso, não haveria uma outra guerra, a de patentes, no ar. só em 2008, a IBM registrou 4.186 patentes nos EUA, recorde da companhia em todos os tempos e mais de tres vezes o registro da microsoft. no total, foram concedidas quase 160 mil patentes nos EUA em 2008.

a "pirataria" a que todos, inclusive o PIP, se referem com frequência é de música, vídeo e software. e ela existe, em boa parte, hoje, porque seu modelo de negócios ainda está em boa parte baseado no suporte físico para entrega do conteúdo ao comprador. e tal suporte físico foi, literalmente, evaporado. quem entendeu isso não está sendo pirateado… veja o caso de google. tudo o que vem de lá é software como serviço, na rede. mesmo que você instale alguma coisa, como gmail no seu celular, só traz a interface, pois as funcionalidades por trás dela estão na rede.

esta quarta previsão do PIP, caso se confirme, é preocupante. vai significar que, daqui a doze anos, ainda teremos uma boa parte das coisas que deveriam estar na rede circulando por aí sobre suportes físicos falidos. aliás, tem coisa que, mesmo já estando na rede, hoje, não deveria durar muito, como venda de música como "arquivo". música e vídeo [e software] tem que passar a ter um tratamento negocial similar à assinatura de um serviço, temporário ou permanente, ao invés de serem distribuídas como arquivos que podem se perder no seu drive, celular ou onde forem armazenadas. uma vez assinadas, o provedor cuidaria para que o conteúdo pudesse ser usado a seu bel prazer, de acordo com direitos que você adquiriu.

mas isso pode levar tempo. e aí nós chegamos ao último dos quatro artigos recentes que o blog publicou sobre o tema, em 12.1.08: inovação aprendendo com… pirataria? o texto começava dizendo que… pode ser, pode ser. quase certamente sim. recentemente, neste blog, tratamos dos números da pirataria no mundo [e no brasil], e vez por outra temos falado de luta entre o lado de lá [do modelo fechado de propriedade intelectual] e o lado de cá [dos modelos flexíveis, ou abertos, de copyright]. desta vez vamos falar do mesmo assunto de uma forma, digamos, mais radical: o que pirataria tem a ensinar pra inovação?… visto por um outro ângulo, lutamos contra os piratas ou aprendemos com eles?

este texto trata de uma conferência de matt mason, autor de the pirate’s dilemma, livro em que ele… tells the story of how youth culture drives innovation and is changing the way the world works. It offers understanding and insight for a time when piracy is just another business model, the remix is our most powerful marketing tool and anyone with a computer is capable of reaching more people than a multi-national corporation… ou seja, onde se historia como uma cultura jovem e de jovens muda os processos de inovação e por onde se muda os modelos de negócio do mundo… e onde se propõe a idéia de que pirataria é só mais um modelo de negócios, onde remix é um dos mais poderosos instrumentos de marketing e onde qualquer um com um computador [nota: computador, hoje, é o mesmo que computador ligado à rede] é uma multinacional.

o resumo da conversa de mason, que eu sugiro fortemente que você vá ler [tá resumida e comentada em sete parágrafos, no blog], é simples e radical: pirataria é só mais um modelo de negócios, com suas próprias noções de mercado, cliente, ecologia de valor e todo o resto. pirataria sempre existiu e existirá sempre. e combatê-la -em áudio, vídeo, software- tem a ver com a melhora da sua oferta, e não com a perseguição aos piratas, especialmente quando eles estão vendendo a mesma coisa que você vende, com a mesma qualidade, por 1/10 ou 1/20 do preço. ou distribuindo de graça. o resto é conversa. e tomara que, neste ponto, o PIP tenha errado muito e todo mundo se mude mesmo pra rede, inclusive -e principalmente- do ponto de vista dos modelos de negócio.

internet em 2020 [5]: o tempo e as realidades

Tags:2020, abstrato, concreto, futuro, internet, real, tempo pessoal, tendências, trabalho, virtual – 18.01.09 relatório do pew internet project [PIP] sobre o futuro da rede, publicado no fim do ano passado, chegou a seis conclusões. para tal, mais de mil especialistas, teóricos e práticos das tecnologias e vida na rede foram consultados. este blog está comentando os achados do projeto e tentando imaginar o cenário equivalente no brasil. o primeiro da nossa série foi sobre MOBILIDADE, o segundo sobre PRIVACIDADE e TRANSPARÊNCIA, o terceiro sobre o futuro das INTERFACES e o quarto sobre PROPRIEDADE INTELECTUAL.

queThe divisions between personal time and work time and between physical and virtual

hoje, no penúltimo capítulo desta série, vamos falar das realidades física e virtual [termos do PIP] e sobre o tempo pessoal e do trabalho em tempos de rede. neste contexto, o PIP prevê reality will be further erased for everyone who is connected, and the results will be mixed in their impact on basic social relations… ou seja: as separações entre o tempo pessoal e de trabalho e entre a realidade física e virtual serão ainda mais tênues para quem estiver conectado… e os resultados de tal conjução de fatores, do ponto de vista de seus impactos nas relações sociais, serão bons por alguns lados e nem tanto assim por muitos outros.

primeiro, o que é o virtual? este blog andou falando disso no ano passado: segundo pierre lévy, a humanidade se constituiu através de virtuais. na opinião do filósofo, os três virtuais fundamentais seriam a linguagem, que virtualiza o presente, criando o futuro e o passado e, consequentemente, o tempo; as técnicas abstraem as ações, estendendo o alcance do corpo humano; finalmente, os contratos abstraem a violência, criando as sociedades.

estamos cercados por virtuais, alguns muito antigos, como dinheiro [parte dos contratos], que é um virtual de poder de compra: ao invés de levar uma vaca para a loja e trocar por um celular, levamos papéis que representam nosso poder aquisitivo [resultado, talvez, da venda da vaca...]. mais comumente, pagamos com um plástico que é, em si, um virtual do dinheiro, ou seja, um virtual de segunda ordem.

observando por tal ótica, estamos nos virtualizando há milênios e isso é muito legal: o "virtual" não é nenhum susto que começou ontem; estamos nos aconstumando a ele à medida que nós próprios o estamos construindo e nos virtualizando. e vamos nos virtualizar ainda mais. no caso do dinheiro, não é difícil imaginar um futuro onde poder de compra estará completamente virtualizado. é só imaginar que todos os créditos e transações financeiras tenham sido informatizadas e estejam na rede. tipo… ninguém mais tem ou anda com dinheiro "físico", em notas, moedas e cartões de crédito, débito e o que mais. ao invés, pagar por algo significa transferir créditos meus para alguém [isto é, sua "conta"] que me entregou um bem ou me prestou um serviço qualquer.

parte disso já pode ser percebido agora, quando taxis, em alguns lugares, começam a preferir cartões de débito como forma de pagamento. em brasília, segundo um motorista que ouvi, é muito mais seguro. nada mais óbvio: o assaltante em potencial prefere o motorista que não aceita cartão de débito porque, se este último estiver tendo um sucesso razoável nas suas transações eletrônicas, terá muito menos dinheiro "em caixa". agora generalize isso para toda a economia, da barraca de macaxeira até a loja virtual de música [virtual, também]. resultado?… dinheiro, salário, compras, vendas e empréstimos completamente virtualizados.

vantagens disso? um assaltante pode até forçar alguém a comprar alguma coisa para ou por ele. mas vai ser na rede, virtual, e vai ficar documentado. assaltar pra "pegar" o dinheiro de alguém deixa de ser negócio: o ladrão vai ter que transferir algum valor da minha conta para a dele ou alguma outra. registrado, de novo. pense nas alternativas para tentar extrair dinheiro de alguém sem deixar rastro. vai ser muito mais fácil achar as brechas do sistema e, através delas, tirar do sistema ao invés de alguém em particular.

desvantagens? com as finanças virtualizadas, todos os sistemas de supervisão e controle da sociedade, se quiserem, terão acesso a todas as transações financeiras realizadas por toda e qualquer pessoa, seja pra que for. sem "trocados", mesmo o dinheiro do flanelinha tem que ser transferido através de uma transação em rede, que terá seu local, hora, motivos, valor e envolvidos registrados. para sempre. uma das vantagens da desvantagem é que lavagem de dinheiro se torna quase impossível, se todos os sistemas financeiros estiverem devidamente conectados… inclusive os dos mundos virtuais. olhando para o caos dos sistemas financeiros mundiais, é bem capaz de termos uma parte muito maior deles nesta fora e em rede, em 2020, por razões de controle [sobre as instituições] e sobrevivência [de todos nós].

até aqui tudo bem, você pode dizer, até porque "eu não tenho nada a esconder". já falamos disso nestes textos sobre o futuro da internet e a descoberta -óbvia- é que todo mundo tem muito a esconder [veja texto desta série neste link]. e a humanidade depende, em boa parte, de assimetria de informação, ainda mais quando tratamos de mercados, custos e preços. virtualizar, informatizando tudo, vai ser muito bom, vai simplificar muita coisa. por outro lado, podemos perder uma parte considerável do que se acha que são, hoje, liberdades e direitos humanos fundamentais. e olhe que, até aqui, só falamos de virtualizar, de forma mais radical, o dinheiro, coisa que já é um virtual há milênios.

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