Dicas para estudar pra concurso

Dicas para estudar pra concurso

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DICAS PARA CONCURSOS Alexandre Meirelles

Pessoal, eu comecei esse texto sem nenhuma pretensão, coloquei-o no fórum concurseiros, mas ao ver o mesmo receber mais de 3 mil acessos em 4 dias, vi que teve muita gente interessada nele. E conversando com o Vicente, pensamos em colocá-lo aqui no site do ponto, para mais pessoas terem acesso.

E uma dica inicial: se você realmente está disposto a ler esse texto, imprima-o, porque é muito longo para lê-lo na tela. E ainda poderá ler novamente alguns pontos que achar necessário e emprestar pros colegas.

Antes de qualquer coisa, deixem eu me apresentar rapidamente. Sou carioca da Ilha do Governador, mas moro em BH há 1 anos, onde desde então sou fiscal de ISS. De 1992 a 1994 estudei e prestei alguns concursos, sendo aprovado para Fiscal de ISS-BH, ICMS-MG e TFC, e reprovado no AFTN-94 (hoje AFRF). Optei por vir pro ISS-BH. Nesse AFTN fui reprovado por uma questão, e como houve fraude no mesmo e umas 50 pessoas foram eliminadas do concurso, fiquei esperando revoltado que chamassem mais gente, o que não aconteceu. E tomei a decisão mais burra da minha vida: parar de estudar para concursos, e contentar-me com o pouco que já havia conquistado. Esse concurso sempre ficou entalado na minha garganta, e ficava pelos cantos dando a desculpa da fraude, sempre que me perguntavam por que não estudava mais e/ou não tinha passado nele. Sofria a doença da desculpite, que falarei dela mais para frente. Veio o concurso de setembro de 94 e eu nem dei bola para ele, e vi muitos que tinham tirado muito menos que eu no meu concurso de março serem aprovados.

Vi vários colegas e amigos, muitos desses que não foram aprovados nos concursos que eu fui, passarem depois para concursos muito melhores e levarem uma vida muito mais confortável que a minha.

Em 1998 resolvi voltar aos estudos, e estudei muito durante uns 6 a 8 meses, mas sem método algum, fazendo tudo errado, como constataria depois. E abortei tudo, parei novamente sem ter feito uma prova sequer. Voltei a minha vida de doente da desculpite.

Até que em meados de 2005, cansado de ver todos ganhando mais do que eu, resolvi me curar da desculpite da única forma possível: passando num bom concurso, como AFRF ou algum fiscal de ICMS.

E retomei a vida de concurseiro com tudo, mas dessa vez resolvi fazer diferente de antes, resolvi ser metódico e rigoroso nos meus estudos, e adotei várias estratégias de estudos.

Antes que apareça alguém me acusando de plágio, digo que a grande maioria dos conselhos que aqui darei obtive lendo excelentes livros sobre técnicas de estudos, como os dois livros do Willian Douglas, o da Lia Salgado e o ótimo livro do Alex Viegas chamado “Manual de um Concurseiro”. E fiz uma adaptação deles todos ao meu jeito de estudar e fui aprimorando-o. Tem muita gente que acha que é bobagem “perder tempo” lendo esses livros ou um texto como esse meu, que seria um tempo melhor aproveitado se estivesse estudando. Eu digo que se o cara realmente já sabe como estudar, e se dá bem com esse método, w.pontodosconcursos.com.br 2 concordo com ele. Agora, digo que 95% das pessoas teriam muito a ganhar se lessem os mesmos. E que muitos ficam anos estudando sem passar em nada porque não sabem estudar, e já poderiam ter passado se tivessem lido algo do gênero.

Graças a essa diferente forma de estudar fui aprovado em 6º lugar no AFRF para 6ª região, tendo estudado apenas uns 6 meses. Tenho certeza mais do que absoluta que não teria conseguido se não fosse isso.

Quem tiver paciência para ler esse texto poderá economizar e otimizar muito seu estudo, garanto. ISTO aqui me fez passar, e poderá te ajudar também.

Fiz 220 pontos no AFRF, estudando basicamente 6 meses, junto com trabalho, mestrado na federal e família (incluindo um pai, que é meu grande ídolo, que teve que fazer às pressas 6 pontes safena nesse período), e eu garanto que não teria conseguido se não fossem essas dicas abaixo. Obviamente que tudo que eu havia estudado até 94 e em 98 me ajudaram muito dessa vez, não comecei do zero, mas não muito longe disso também. E tenho uma base em matemática muito forte, que me garantiu ótimas notas em mat fin, estatística e informática, sem praticamente estudar nada. Tenho duas graduações, pósgraduação e mestrado nessas áreas, todas cursadas em federais. Mas os direitos sempre foram o meu calo.

Eu antigamente era muito bagunçado, como sou com tudo até hoje (coisa peculiar a todo matemático), e decidi no estudo ser dessa vez extremamente organizado, pq sabia que só assim iria me dar bem. Tinha que mudar radicalmente meu jeito de estudar. E olha que não me considero um derrotado. Dentre concursos militares (fiz o 2º grau na EsPCEx), vestibulares e concursos, fiz 25 seleções, e fui aprovado em 20. Com o AFRF agora são 21 em 26. Mas essas 5 reprovações me doeram muito, pq eram algumas das principais, inclusive o AFTN94, e sabia que minha desorganização foi decisiva nelas. E mudei mesmo meu jeito de estudar. Radicalmente.

Vamos então às minhas dicas:

1) Anotação dos Horários de Estudo

Anotava todos os minutos que estudava, por disciplina. Assim: deixava um relógio digital na minha frente (tem que ser digital, pq o tic-tac nos desvia do estudo), e um bloquinho de papel do lado. Se começava a estudar Contabilidade às 18:03, colocava lá o início. Se fosse ao banheiro, descontava os minutos e por aí vai. Tudo anotado. No fim do dia passava para um calendário quanto tinha estudado de cada matéria. E o total de estudo do dia.

Você assim vai ter controle do seu estudo diário, e não vai se iludir com ele. Você vai ver que ficar em casa por conta do estudo de 8h às 23h não quer dizer que você estudou 15h no dia. Você estudará, num excelente dia, umas 9h no máximo, isso raramente. Vai te mostrar o quanto perde de tempo no telefone, vendo TV, enrolando etc. Mas essas horas anotadas serão horas reais de estudo, que te trarão mais cobrança com seus horários e um aumento no número de horas estudadas. Você vai notar que pode ficar uma semana inteira “estudando”, aparentemente igual todo dia, e o tempo real de estudo variar de 3 a 9h/dia, sem que você tenha notado muita diferença de um dia pro outro. Você só vai perceber e corrigir isso se anotar tudo. Você vai identificar os porquês de um dia não ter rendido tanto, e saberá cortar aquilo que te prejudicou no outro dia.

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Outra coisa que eu tinha mania e o livro do WD me corrigiu: parei de esperar as horas cheias para estudar. Assim que puder, sente para estudar. Depois que sentar é que você olhará a hora e a anotará no bloquinho. Você ganhará mais horas de estudo se fizer isso. Tenho certeza que muitas pessoas ficando adiando a volta ao estudo, pensando: “às 14h eu volto”. Aí dá 14:10 e o cara, em vez de correr para estudar, pensa: “14:30 eu volto então” etc. Pare com essa perda de tempo idiota, sente para estudar assim que der e depois olhe para o relógio para marcar seu início.

E outro toque que o WD também dá e que concordo: pare com essa bobagem de antigamente de que tinha que esperar uma ou duas horas para voltar aos estudos após uma refeição. Isso é pura bobagem. Coma devagar, relaxe, e logo que puder volte com tudo. Não tem essa de enjôo, dor-de-cabeça, colapso, convulsão etc. Isso é do tempo que não podia comer manga com leite. Vai ver que é porque naqueles tempos não havia concurso eheheh.

Eu sempre almoçava umas 12:40, para ver o Globo Esporte junto, que acaba às 13:15, e lá pelas 13:30, no máximo 13:45, já estava de volta, e nunca senti nada, nem conheço alguém que já tenha sentido. Outra perda de tempo idiota essa.

E lembre-se sempre de uma coisa muito, mas muito, importante mesmo: o que o passará num concurso é muita HBC, mas muita mesmo (HBC = Horas-Bunda-Cadeira).

2) Relação Candidato-Vaga (C/Vg) – Uma Tremenda Bobagem Existem duas perguntas que me irritam: a 1ª: qual o seu signo? e a 2ª: qual a relação C/Vg?

Como a 1ª nada tem a ver com concurso, vamos à 2ª: Em sala de aula e conversando com amigos eu já dei um exemplo que muita gente riu, mas não é para rir só, é para se motivar mesmo e esquecer essa bobagem que é a relação C/Vg.

Você já foi aprovado na maior relação C/Vg que você poderia passar um dia: 100milhões de candidatos por somente uma vaga. SIM! você já foi aprovado nesse concurso. Você só está nesse mundo pq foi aquele exato espermatozóide, dentre outros 100 milhões, que encontrou o óvulo. Se não tivesse passado nesse concurso quase impossível, você não estaria aqui. Lembre-se que um dia você foi esse valente guerreiro, e venceu. Qualquer relação C/Vg de 40, 300 ou mil é ridícula perto desse seu primeiro concurso, e que você foi aprovado, sem precisar de questão anulada nem nada. Lembre-se sempre disso, perca o medo dessa bobagem de C/Vg. Se eu não tivesse passado nesse 1º concurso, não estaria aqui escrevendo isso tudo, quem sabe seria mais um flamenguista no mundo, em vez de um vascaíno feliz, ou um examinador da ESAF, ou o pior: um examinador da ESAF flamenguista!

95% das pessoas que estão inscritas nem sabem que já passamos da Emenda Constitucional 45, nem o que é uma DRE. Não representam nada, estão ali porque a família pediu para ir lá, porque há 15 anos atrás um parente passou pro B sem saber nada, e vai que você dá essa sorte também, né? são meros turistas. Dá uma prova escrita em grego para eles que suas notas serão praticamente as mesmas.

Vou dar alguns exemplos de como isso é bobagem. Sempre vejo as notícias das maiores relações C/Vg de vestibulares pras federais. E todo ano o povo, até mesmo especialistas, falam na TV e nos jornais tremendas bobagens, tais como “Fisioterapia vai ser muito w.pontodosconcursos.com.br 4 difícil”, pq tinha maior relação C/Vg de todas etc. Ora, isso não vai mudar nunca, as áreas mais difíceis sempre serão as mesmas, independente da relação C/Vg: medicina, odonto, computação...o que interessa é a nota mínima para passar, e não a relação C/Vg.

Olhem esse último AFRF: 7a regiao, RJ: C/Vg 202. Nota mínima: 187 UC, Brasília: C/Vg 38. Nota mínima: 194

E olhem que o RJ é a capital mundial dos concursos.

Têm centenas de cariocas que fizeram inscrição para outras regiões e ficaram totalmente felizes em não terem escolhido o Rio quando viram essas C/Vg. Depois reconheceram que a C/Vg é uma tremenda bobagem, quando viram que tiraram mais do que 187 pontos e não passaram para onde tinham se inscrito, com C/Vg muito menores. Óbvio que ninguém sabia de antemão que iria acontecer esse absurdo, o que quero dizer é que rir da relação C/Vg é uma tremenda bobagem. Eles teriam feito pro seu estado de origem, e não para longe, e ainda teriam passado.

Resumindo, pessoal, não percam tempo olhando a relação C/Vg por região e se desesperando ou ficando mais animados por causa disso. É a maior bobagem. Bem, eu sou matemático, logo acredito em números, que estão aí para comprovar o que estou dizendo.

Lembro que na minha região, MG, eram 80 C/Vg. Quando entrei na sala para fazer a prova, com uns 40 candidatos, pensei: passará um cara só a cada duas dessas salas cheias. E do meu lado tinham 3 candidatos que estavam fazendo o curso de formação aqui no AFRE-MG, ou seja, tinham ficado dentre os 50 primeiros desse concurso tão difícil, e também da ESAF. Pensei: caramba, só passará um cara a cada duas salas dessas e só do meu lado têm 3 bem cotados. Acalmei-me, e pensei que era para tirar isso da cabeça, que nós 4 passássemos então e que ficassem várias salas sem ninguém passar. Bem, eu passei, e bem colocado, e eles não passaram. A minha preocupação era realmente idiota mesmo.

Descobri que continuo sendo aquele mesmo espermatozóide guerreiro, e é só querer que você também continuará sendo.

Você também já foi um desses, nunca se esqueça disso!

3) Estudo Antes do Edital – O Uso dos Ciclos Eu, antes do edital, fiz um estudo por ciclos, acho que aprendi isso no livrão do WD.

Mas como é isso? Dividi meu estudo, por exemplo, em ciclos de 16h, em 4 fases de 4h. Coloquei nele umas 10 matérias, variando o tempo de cada uma de acordo com meu grau de conhecimento e da importância delas.

Dividi uma folha A4, na horizontal, em 4 faixas grossas horizontais. Cada uma dessas partes era uma das 4 fases do ciclo. Cada uma com 4h. E dividi o tempo que estipulei antes de cada matéria no total dessas 16h totais do ciclo.

Exemplo: Contab com 3h30; Dir Const, Dir Trib e Economia teriam 2h cada; Dir Admin e Info, 1h30min; mat fin, estat e port 1h cada e ingles, 30min.

Dividi essas 16h nas 4 fases, tentando alternar matéria mais decoreba com de raciocínio, e dividindo as de 2h em duas de 1h. E ia estudando na ordem, marcando cada uma conforme acabasse, continuamente, sem quase nunca mudar a ordem. Tem muita gente que me escreveu porque não entendeu isso, então vou explicar melhor. Não é para estudar cada ciclo w.pontodosconcursos.com.br 5 de 4h de cada vez, ou por dia, não é isso, você vai estudando na ordem, sempre. Se parar na metade de uma fase hoje, não tem problema, você recomeça amanhã a partir dali.

Aí está o ciclo do exemplo dado:

CICLOREDUZIDO (16h)

0 a 30 30 a 1h 1h a 1h30 1h30 a 2h 2h a 2h30 2h30 a 3h 3h a 3h30 3h30´ a 4h

CONTABILIDADE (1h) DIREITO
ADMINISTRATIVO(1h30) INFORMÁTICA

Fase (1h30´)

Fase TRIBUTÁRIO(1h)

2a CONTABILIDADE (1h) DIREITO

CONSTITUCIONAL (1h)

ESTATÍSTICA (1h)

(30) ECONOMIA(2h)
CONTABILIDADE

Fase INGLÊS (1h30´)

Fase TRIBUTÁRIO(1h) DIREITO

4a CONSTITUCIONAL

(1h)

FINANCEIRA(1h)
PORTUGUÊS

MATEMÁTICA (1h)

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